Sem falar há 6 meses, homem 'possuído' por demônios é liberto

Um jovem paquistanês que passou seis meses sem falar, em meio a relatos de “opressão por legiões malignas”, que neste caso pode ser interpretado também como possessão por por demônios, recuperou a voz durante um culto de libertação realizado em Punjab, província do Paquistão, no início de abril.

O caso foi relatado pela missionária brasileira Joani Bentes, conhecida como Tia Jô, líder da organização “Até Que Todos Saibam”, em publicação no Instagram na última sexta-feira (5/04).

Segundo Bentes, o jovem foi levado por familiares a uma campanha evangelística organizada pelo ministério em parceria com uma igreja local. “Ele estava com a língua presa há seis meses, completamente oprimido. Sua boca já tinha marcas de torturas de tentativas anteriores para fazê-lo falar. A família chegou desesperada, chorando por socorro”, descreveu a missionária.

O Paquistão ocupa a 7ª posição no Índice Global de Perseguição a Cristãos 2023, elaborado pela Portas Abertas. Ataques a minorias religiosas são frequentes: em janeiro de 2024, dois cristãos foram linchados em Punjab sob acusação de blasfêmia.

Por segurança, o culto que libertou o jovem foi protegido por guardas armados, prática comum em eventos cristãos no país.

Relato

Tia Jô descreveu que, após orações lideradas por ela e pastores locais “clamando o sangue de Jesus”, o jovem começou a falar em frente aos presentes.

“Foi um milagre real. Ele pronunciou o nome de Jesus claramente, algo que médicos e curandeiros não conseguiram resolver em meses”, afirmou. Vídeos compartilhados pela missão mostram o momento em que o homem articula palavras, enquanto participantes aplaudem.

Atuação da Missão:

A organização “Até Que Todos Saibam” atua no Paquistão desde 2018, com foco em:

  1. Apoio a cristãos perseguidos: 47 famílias foram resgatadas de fábricas de tijolos onde trabalhavam em regime análogo à escravidão, segundo relatório de março 2024.

  2. Educação: Mantém duas escolas que atendem 600 crianças, oferecendo alimentação diária e ensino em áreas de maioria muçulmana.

  3. Ajuda humanitária: Distribui mensalmente 1,2 toneladas de alimentos a viúvas e órfãos cristãos.

Reações:

O caso gerou debates nas redes sociais. Enquanto seguidores da missão celebraram “prova do poder divino”, usuários paquistaneses criticaram a “narrativa de conversão” em um país onde o proselitismo religioso é criminalizado.

A missão não divulgou a identidade do jovem liberto dos demônios, ou laudos médicos anteriores, citando “proteção contra retaliações”.

A equipe de Bentes prepara uma nova campanha em Karachi (maio 2025), com reforço de segurança após ameaças de grupos extremistas. A meta é ampliar o resgate de famílias escravizadas por demônios para 60 até o fim do ano.

Vídeo: leprosa é curada após missionária obedecer ordem de Deus

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Uma mulher idosa que sofria de lepra foi declarada curada após um relato de oração e acompanhamento da missionária Heidi Baker, fundadora da organização Iris Global, em Moçambique. O caso foi compartilhado pela própria missionária em um vídeo publicado nas redes sociais.

Segundo Heidi, a idosa identificada como Albertina havia perdido parte dos dedos das mãos e dos pés devido à doença, além de viver em situação de escravidão: “Ela era manca, ela tinha feridas abertas e purulentas e o Senhor disse para beijar seus dedos”, relatou Baker.

Albertina não teria sido curada imediatamente após esse primeiro contato. Ainda assim, conforme o testemunho da missionária, ela decidiu entregar sua vida a Jesus naquele mesmo dia: “Ela ainda tinha lepra. Foi um desafio para mim porque o Senhor disse: ‘Beije as mãos dela novamente, coloque suas mãos nas feridas dela’. E eu coloquei minhas mãos em suas feridas novamente”, afirmou Heidi ao descrever sua visita seguinte à vila onde Albertina residia.

Semanas depois, durante uma ação social na mesma região, a missionária afirma ter reencontrado Albertina, que teria se declarado completamente curada: “Ela veio e me mostrou: ‘Olha, eu estou curada’”, disse Baker.

“Agora, ela ama Jesus de todo o seu coração. A lepra se foi totalmente. Os dedos dela ainda estão faltando, mas seu coração está cheio de Jesus”, concluiu a missionária.

Moçambique

A notícia foi divulgada no contexto de uma série de atividades realizadas pela Iris Global no norte de Moçambique. No último domingo, 20 de abril, mais de 500 pessoas foram batizadas em uma praia da região, conforme informado pela organização.

As ações fizeram parte de uma programação especial de Páscoa, que também incluiu campanhas evangelísticas voltadas às vítimas do ciclone que atingiu o norte do país em dezembro de 2024. As atividades incluíram distribuição de alimentos, cultos ao ar livre e ações de assistência social e espiritual.

Histórico da Iris Global

A Iris Global foi fundada em 1980 nos Estados Unidos pelos missionários Rolland e Heidi Baker, com o objetivo de desenvolver ações missionárias em diferentes partes do mundo. Em 1995, o casal se estabeleceu em Moçambique, onde concentra atualmente suas principais atividades.

Segundo informações do site oficial da organização, o ministério cresceu de forma significativa ao longo dos anos: “O que começou como um bando de jovens mendigos, ladrões e delinquentes se desenvolveu, pelo poder do Espírito Santo, em uma família nacional unida, com milhares de igrejas e um amplo ministério que abrange escolas bíblicas, centros infantis, assistência a órfãos na igreja, educação primária, clínicas médicas, constantes campanhas evangelísticas e de cura, agricultura, perfuração de poços e muito mais. Nossa visão no Senhor está em constante crescimento”, informa a entidade.

A Iris Global mantém hoje cerca de 35 unidades missionárias em aproximadamente 20 países, com equipes compostas por missionários estrangeiros e líderes locais, segundo informações do portal Guia-me.

Pastor lista 4 pontos sobre o dever espiritual dos maridos

Em análise ao texto de 1 Pedro 3:7, o pastor Carlos Alexandre Chianca, conhecido como “Caoxande”, da Igreja Verbo da Vida em Campo Grande (RJ), destacou a responsabilidade dos maridos em honrar suas esposas como diretriz central para uma vida espiritual eficaz.

A reflexão, compartilhada durante série de pregações sobre casamento, aborda a relação conjugal como reflexo da união entre Cristo e a Igreja.

Principais Pontos da Exposição Bíblica

  1. Honra e Compreensão na Convivência

    O versículo “Maridos, coabitai com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco” (1 Pedro 3:7) foi destacado como base. Chianca explicou que “vaso mais fraco” refere-se à diferença física, não à capacidade espiritual ou intelectual. “Deus não diz que a mulher é inferior, mas demanda proteção masculina. É sobre cuidado, não sobre hierarquia”, afirmou.

  2. Impacto na Vida de Oração

    O pastor alertou que a negligência no tratamento da esposa pode bloquear a comunicação com Deus: “Se você não trata bem minha filha, eu não vou te ouvir, não, cara!”. A declaração reforça a conexão entre o respeito conjugal e a eficácia das orações, conforme o texto bíblico.

  3. Igualdade e Respeito Mútuo

    Chianca enfatizou que a Bíblia coloca marido e esposa como “co-herdeiros da graça”, promovendo igualdade. “A visão cultural que desvaloriza a mulher é desafiada aqui. Ambos são parceiros, não há submissão além do respeito mútuo”, disse.

  4. Distribuição Justa de Tarefas

    O pastor orientou sobre a divisão de responsabilidades domésticas: “Não sobrecarregue sua esposa. O que é pesado ou sujo também é tarefa do homem. Vivam juntos, sem divisões rígidas”.

Contexto teológico

A pregação abordou a tensão entre interpretações tradicionais e a realidade contemporânea, destacando que a honra à esposa é um “termômetro espiritual” para o marido. Chianca citou Efésios 5:25 (“Maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja”) para vincular o amor conjugal ao exemplo divino.

Fiéis relataram reflexões após os ensinamentos. João Silva, 42 anos, comentou: “Percebi que meu tratamento à minha esposa afetava minha paz espiritual. Estou revendo minhas atitudes”. A igreja planeja workshops sobre comunicação conjugal para aprofundar o tema.

A série de pregações continuará até agosto, com foco em Efésios 5. Materiais de estudo estão disponíveis no site da igreja. Com informações: Comunhão.

Culto é interrompido na Índia por hindus armados com facas

Durante a celebração do culto de Páscoa em uma pequena igreja no estado de Gujarat, oeste da Índia, um grupo de hindus armados com paus e facas invadiu o local, interrompendo o momento de oração.

O episódio ocorreu no domingo, 20 de abril, e envolveu indivíduos que, segundo testemunhas e vídeos divulgados nas redes sociais, entoavam slogans religiosos hindus como “Jai Shri Ram” (“Glória ao Senhor Rama”).

Os agressores, possivelmente associados aos grupos nacionalistas hindus Vishwa Hindu Parishad (VHP) e Bajrang Dal, acusaram os cristãos presentes de promover conversões forçadas de hindus — prática proibida em Gujarat, um dos 12 estados indianos onde vigora legislação anticonversão. Essas leis exigem autorização prévia do governo para a mudança de religião e buscam, segundo seus defensores, coibir conversões obtidas por “força, fraude ou incentivo financeiro”.

A polícia foi chamada ao local e ordenou que os homens se retirassem da igreja. Até a publicação desta nota, nenhuma prisão havia sido efetuada.

Em comunicado, a seção de Gujarat da Evangelical Fellowship of India (EFI) classificou o ataque como uma violação direta da liberdade religiosa: “Tais ataques, especialmente em um dia tão significativo como a Páscoa, são um ataque direto à liberdade religiosa”, afirmou a entidade. “Instamos as autoridades a garantirem justiça e protegerem as comunidades minoritárias”, concluiu a nota.

Casos como esse têm se tornado recorrentes em alguns estados da Índia, onde a tensão entre grupos nacionalistas hindus e comunidades religiosas minoritárias — especialmente cristãos e muçulmanos — tem se intensificado nos últimos anos, segundo relatos da International Christian Concern.

Doação de sangue: iniciativa evangélica garante bolsas de sangue

A União de Jovens e Adolescentes da Assembleia de Deus do Piauí (UJADEP) realizou no último sábado o “Dia D” da Gincana “Legado”, arrecadando 130 bolsas de sangue em parceria com o Hemopi. A ação integra uma campanha mensal de doação de sangue que já registrou 300 doações em 2024, com meta de alcançar 400 bolsas até 30 de outubro.

O evento reuniu jovens de Teresina e cidades do interior, como Picos e Parnaíba, em frente ao Hemopi. Participantes doaram sangue e participaram de atividades educativas sobre a importância da doação regular.

A iniciativa ocorre em um período crítico, quando feriados prolongados reduzem em 40% o número de doadores, segundo o Hemopi, tornando o abastecimento em hospitais e postos algo crítico.

Ivonete Gomes, assistente social do Hemopi, destacou: “Cada doação salva até quatro vidas. Agradecemos a UJADEP por reforçar nossos estoques, especialmente em datas estratégicas”.

Perfil dos doadores

Rodrigo Dantas, 19 anos, doou pela primeira vez: “Estava nervoso, mas saber que posso ajudar quem precisa me motivou. A juventude precisa se engajar mais nisso”. Outros 68 participantes também eram estreantes, conforme registros do Hemopi.

A Gincana “Legado”, em seu segundo ano, combina competições lúdicas com ações sociais. Alberone Júnior, coordenador adjunto da UJADEP, explicou: “Não é só sobre pontos. Queremos deixar um legado de solidariedade, inspirando jovens a agirem além dos muros da igreja”.

Demanda Hospitalar

O Hemopi abastece 43 hospitais públicos e filantrópicos no estado. Em outubro, o estoque de sangue tipo O negativo (doador universal) estava em nível crítico (abaixo de 10%), mas subiu para 35% após a campanha, mostrando o quanto a iniciativa dos evangélicos foi importante para a ocasião.

A campanha segue até 30 de outubro, com postos de coleta móveis em praças e universidades. O encerramento ocorrerá em 1º de novembro, com premiação para as equipes que mais doaram. Com informações: Exibir Gospel

Católicos viram evangélicos cada vez mais e o clero não entende

Com a morte do papa Francisco, líderes católicos e especialistas religiosos passaram a discutir os desafios institucionais que se impõem à Igreja Católica neste novo momento. Um dos principais pontos destacados é a perda de fiéis, especialmente na América Latina, com destaque para o Brasil — país que ainda concentra o maior número de católicos no mundo.

Embora o encolhimento da base católica seja um fenômeno global, no Brasil ele vem acompanhado de uma expansão considerável das igrejas evangélicas. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os católicos representavam 74% da população brasileira no ano 2000. Em 2010, esse percentual havia caído para 65%.

Além da queda numérica, estudiosos observam que muitos dos que ainda se declaram católicos o fazem apenas de forma nominal. A antropóloga e historiadora Lidice Meyer Pinto Ribeiro, professora da Universidade Lusófona, em Portugal, afirma que “a existência do católico não praticante é uma questão cultural brasileira”.

O crescimento das denominações evangélicas nas últimas décadas tem sido expressivo. No mesmo período entre 2000 e 2010, a proporção de evangélicos na população brasileira aumentou de 15% para 22%, segundo o IBGE. Já os dados mais recentes do Censo de 2022 ainda não foram divulgados oficialmente, com previsão de publicação para junho deste ano.

Um levantamento do Instituto Datafolha, divulgado em 2020, mostrou que 50% dos brasileiros ainda se identificavam como católicos, enquanto 31% se declaravam evangélicos.

O sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto, editor do jornal O São Paulo, da Arquidiocese de São Paulo, acredita que esse deslocamento não se dá rumo ao secularismo, mas sim a outras formas de expressão religiosa cristã: “O catolicismo não está perdendo fiéis porque estes se tornam ateus, mas sim porque abraçam um cristianismo mais conservador”, afirma.

No entanto, essa leitura é contestada por outros analistas. Há quem veja justamente o conservadorismo como um fator que colabora para o esvaziamento das igrejas católicas: “As igrejas evangélicas crescendo têm no catolicismo um grande fornecedor de fiéis. A Igreja Católica precisa preservar o que ainda resta, estancar a crise da perda de fiéis”, destaca o próprio Borba Ribeiro Neto, ao reconhecer o impacto dessa migração religiosa.

Para o teólogo e historiador Gerson Leite de Moraes, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie, a Igreja Católica enfrenta um duplo desafio: conter a perda de membros e, ao mesmo tempo, fortalecer a fé daqueles que ainda se identificam com a tradição católica. “É preciso manter acesa a chama do catolicismo no país, ainda o maior país católico do mundo”, observa, de acordo com a BBC.

Além da mudança no perfil religioso da população, Moraes aponta outros fatores que agravam a crise institucional. Entre eles, a escassez de vocações sacerdotais e a dificuldade da Igreja em assumir posicionamentos claros diante de temas contemporâneos em um ambiente político cada vez mais polarizado.

A morte de Francisco, que buscou priorizar discursos progressistas, deixa aberta a discussão sobre os rumos que a Igreja Católica deverá tomar após a eleição do próximo papa.

Políticos estudam PL que proíbe símbolos cristãos em ato LGBT

O vereador Eder Borges (PL) protocolou na Câmara Municipal de Curitiba (CMC) o Projeto de Lei 005.00079.2024, que visa proibir o uso e a exibição de símbolos cristãos em eventos organizados pela comunidade LGBT na capital paranaense.

A proposta, em tramitação desde 17 de junho, aguarda parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sobre sua constitucionalidade antes de seguir para votação em plenário.

Conteúdo da proposta

O texto propõe a restrição de símbolos como cruzes, imagens de santos e citações bíblicas em manifestações LGBT, tanto em espaços públicos quanto privados. Na justificativa, Borges argumenta que “a comunidade LGBT não segue a fé cristã” e que a utilização desses elementos em seus eventos configura “vilipêndio religioso”, com base no Artigo 208 do Código Penal, que criminaliza o escárnio contra objetos de culto.

“Cabe a este Legislativo preservar valores religiosos e garantir a urbanidade, evitando conflitos”, declarou o vereador em nota oficial.

O projeto integra uma série de propostas sobre religião e moralidade em análise na CMC. Autores como Sidnei Toaldo (PRD), Da Costa (União) e a ex-vereadora Noemia Rocha (MDB) têm propostas similares em tramitação, incluindo restrições a discussões de gênero em escolas e vetos a performances artísticas consideradas “imorais”.

Todas as proposições estão disponíveis para consulta pública no Sistema de Proposições Legislativas (SPL) da CMC. Caso aprovado, o PL 005.00079.2024 entrará em vigor após sanção do prefeito e publicação no Diário Oficial.

Contexto jurídico 

Especialistas em Direito Constitucional apontam riscos de inconstitucionalidade. O Artigo 5º da Constituição Federal garante liberdade de expressão e manifestação religiosa, além de vedar censura prévia. Em 2020, o STF derrubou lei municipal do Rio de Janeiro que proibia “uso indevido de símbolos religiosos”, por violar esses princípios.

A Associação Brasileira de LGBTI+ (ABLGBTI+) emitiu nota repudiando a proposta: “É uma tentativa de calar nossa liberdade artística e expressiva, que inclui críticas sociais e religiosas”.

Após a CCJ, o projeto seguirá para as comissões de Direitos Humanos e Finanças. Se aprovado nas três etapas, será votado em plenário, onde necessita de 21 votos favoráveis (maioria simples dos 38 vereadores) para virar lei.

Especialistas não entendem por quê ricos se convertem a Cristo

O avanço da adesão às igrejas evangélicas na população brasileira, com conversões registradas entre ricos, tem levado especialistas a revisar interpretações consolidadas sobre a expansão desse segmento religioso no país. Historicamente vinculadas às camadas populares e à vulnerabilidade social, as igrejas evangélicas agora conquistam também empresários, artistas e profissionais de alta escolarização.

Segundo o sociólogo Diogo Corrêa, professor da Universidade de Vila Velha e da École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, a academia sustentou por muito tempo a ideia de que o crescimento evangélico estava relacionado à precariedade econômica:

“Durante muito tempo, predominou na academia a ideia de que o crescimento dos evangélicos no Brasil estaria ligado diretamente ao déficit econômico, à baixa escolaridade e à precariedade das condições sociais dos adeptos”, afirmou Corrêa em artigo publicado na Folha de S.Paulo.

A presença crescente de fiéis de classes mais altas, no entanto, tem alterado esse cenário. Corrêa cita como exemplo a Lagoinha Global, que criou áreas VIP para celebridades em sua sede localizada em Alphaville, bairro de alto padrão na Grande São Paulo. Para o sociólogo, essa iniciativa “desafia essa interpretação clássica” que associava o movimento evangélico à exclusão social.

No passado, estudos de autores como Fernando Cartaxo Rolim e Cecília Mariz interpretavam o avanço das igrejas pentecostais e neopentecostais como uma resposta à ausência do Estado nas periferias urbanas. As igrejas, segundo essa abordagem, preenchiam lacunas sociais ao oferecer acolhimento espiritual, redes de solidariedade e até apoio financeiro às comunidades empobrecidas. Corrêa aponta ainda um contraste frequentemente observado por esses estudiosos: “Essa abordagem enfatizava ainda um paradoxo incômodo: enquanto líderes religiosos enriqueciam e erguiam templos suntuosos, muitos fiéis permaneciam na pobreza”.

Hoje, o perfil evangélico é mais heterogêneo. Estimativas indicam que os evangélicos representam cerca de 31% da população brasileira, ou aproximadamente 65 milhões de pessoas, de diferentes origens sociais: “Não estamos mais diante apenas de um fenômeno religioso restrito às camadas populares ou marginalizadas, mas sim de uma realidade transversal que inclui representantes das elites sociais, econômicas e culturais”, afirma Corrêa.

A Get Church, localizada em Florianópolis, exemplifica essa nova fase. A influenciadora digital Tâmara Thaynne viralizou ao expressar surpresa com o luxo do templo, que comparou a um shopping center. Após assistir à justificativa do pastor, que afirmou querer “honrar a Deus com excelência” por meio da estrutura, ela mudou sua percepção. Para Corrêa, situações como essa evidenciam uma mudança significativa no entendimento do apelo evangélico: “Trata-se de um fenômeno que desafia diretamente a explicação tradicional”, conclui o sociólogo.

A ampliação do público evangélico, que agora alcança diferentes estratos sociais, sinaliza uma reconfiguração no cenário religioso brasileiro. Para os estudiosos, compreender esse novo perfil é essencial para analisar o impacto sociocultural das igrejas evangélicas no país contemporâneo.

Alterações na Bíblia? Veja o status do projeto de lei no Senado

Em Brasília, a Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal aprovou nesta quarta-feira, 23 de abril, o Projeto de Lei 4.606/2019, que proíbe alterações no conteúdo da Bíblia Sagrada em edições que se apresentem como oficiais. A proposta segue agora para análise da Comissão de Educação (CE).

O projeto, de origem na Câmara dos Deputados, recebeu parecer favorável do senador Magno Malta (PL-ES). Segundo o relatório apresentado, a medida busca garantir a preservação da integridade textual da Bíblia, que compreende os livros do Antigo e do Novo Testamentos, conforme aceitos pelas tradições cristãs predominantes.

De acordo com Magno Malta, o objetivo central é impedir a publicação de versões que “deliberadamente distorçam versículos ou acrescentem ideias alheias ao texto sagrado”, o que, segundo ele, comprometeria o valor espiritual e cultural do livro para os fiéis. O senador afirmou ainda que a liberdade de interpretação permanece assegurada, mas que o projeto protege o “texto-base”, considerado por ele como um patrimônio espiritual e cultural do povo brasileiro.

“A proposta visa impedir versões deturpadas, que deliberadamente distorçam versículos ou acrescentem ideias alheias ao texto sagrado. A liberdade de interpretação permanece assegurada; o que se busca proteger é o texto-base, a Palavra em sua forma consolidada e respeitada pelas tradições religiosas”, escreveu Malta em seu parecer.

O parlamentar também argumentou que a iniciativa não interfere no direito ao culto ou na diversidade doutrinária entre denominações cristãs, mas atua especificamente sobre publicações que se autodeclarem como versões oficiais da Bíblia.

De acordo com o Censo Demográfico de 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 88,8% da população brasileira se identifica como cristã, o que, segundo o senador, justifica a pertinência da proposta. “O projeto atende à expectativa dessa maioria ao proteger um dos pilares de sua fé”, afirmou.

Com a aprovação na CDH, o projeto será agora debatido na Comissão de Educação (CE) antes de seguir para o plenário do Senado. Caso aprovado em todas as etapas, o texto poderá ser sancionado e transformado em lei, segundo informações da Agência Senado.

'Cavei com as mãos para enterrá-lo', diz vítima do Boko Haram

Elizabeth Nkereuwem, 34 anos, sobrevivente de um cativeiro do grupo terrorista Boko Haram, relatou à organização Global Christian Relief sua jornada de fuga, perdas e reconstrução após anos sob violência extrema. Seu testemunho ilustra a crise humanitária que já matou mais de 50 mil cristãos no país desde 2010, segundo dados da entidade.

Contexto do ataque

Em 2018, Elizabeth vivia com o marido, John Nkereuwem, 37 anos, e quatro filhos na aldeia de Gwoza, no estado de Borno. Durante um ataque do Boko Haram, ela fugiu com os filhos, incluindo a bebê Blessing, de uma semana, escondendo-se em uma rocha.

O marido desapareceu durante a investida, e a família passou a noite em silêncio para evitar detecção.

No dia seguinte, ao buscar refúgio com outros sobreviventes, Elizabeth e os filhos foram capturados pelo grupo. Durante meses, enfrentaram condições insalubres em um campo improvisado:

  • Falta de higiene: Sem banheiros ou água potável, um surto de cólera afetou o local em 2019.

  • Fome e doenças: “Meus filhos quase não comiam. Meu filho Samuel, 5 anos, inchou, fechou os olhos e não respondia”, descreveu Elizabeth.

Ao pedir ajuda aos captores para levar Samuel a um hospital, ouviu“Se ele morrer, não será o primeiro”.

Fuga e perda

Em julho de 2019, Elizabeth aproveitou uma distração dos guardas durante um casamento no campo e fugiu com os filhos. Samuel morreu no dia seguinte. “Cavei um buraco com as mãos para enterrá-lo. Não queria deixá-lo exposto”, contou.

A família caminhou até Camarões e, depois de receber ajuda financeira de desconhecidos, retornou à Nigéria em 2020.

No campo de refugiados de Maiduguri, apoiado pela Global Christian Relief, Elizabeth reencontrou John, que sobreviveu a ataques em outra região. A organização forneceu:

  • Abrigo: Uma casa de dois cômodos;

  • Educação: Matrícula escolar para os três filhos sobreviventes;

  • Recursos econômicos: Máquina de costura e materiais para Elizabeth iniciar um negócio.

Hoje, ela produz vestidos natalinos para meninas carentes e ajuda no sustento da família. “Deus nos uniu e trouxe pessoas para nos ajudar”, afirmou.

Contexto da Violência

Segundo a Global Christian Relief, o Boko Haram destruiu 2.300 igrejas e deslocou 1,8 milhões de cristãos no norte da Nigéria desde 2010. Em 2023, a violência se intensificou, com grupos dissidentes como o Estado Islâmico na África Ocidental (ISWAP) sequestrando fiéis para resgates.

Declaração da Organização:

“A história de Elizabeth reflete a resistência de milhares que perdem tudo, mas mantêm a fé. Nosso apoio visa restaurar dignidade e autonomia”, disse o porta-voz da entidade, David Munene.

A família planeja expandir o ateliê de costura e retornar a Gwoza quando a segurança permitir. Enquanto isso, Elizabeth treina outras mulheres no campo para gerar renda.


Nota da Redação: Nomes completos foram alterados a pedido da família para garantir segurança. Dados sobre violência foram validados com a ONG International Society for Civil Liberties and the Rule of Law (Intersociety).