Interesse de jovens nas Escrituras leva igreja a crescer 2.000%

Uma igreja em Washington, D.C., registrou um aumento de cerca de 2.000% na frequência aos cultos ao longo dos últimos sete anos. Líderes da congregação atribuem a mudança principalmente à presença crescente de jovens da Geração Z e millennials, em um movimento que, segundo eles, ganhou força após os lockdowns da Covid-19 e, mais recentemente, após o assassinato de Charlie Kirk.

A King’s Church DC, fundada em 2018 e localizada a poucos quarteirões do Capitólio dos Estados Unidos, reúne hoje quase 600 membros, de acordo com o pastor Ben Palka, um dos fundadores e integrante da equipe pastoral. Palka disse que, nos primeiros anos, a igreja enfrentou um período de crescimento limitado e precisou manter regularidade e estrutura para sustentar a comunidade. Segundo ele, a virada ocorreu durante a pandemia, quando a igreja decidiu manter as atividades e percebeu um aumento consistente na participação.

Palka afirmou que, de 2020 em diante, a congregação passou a receber um número mais alto de jovens, o que teria produzido um “efeito bola de neve” na adesão. Ele relatou que a equipe pastoral observou pessoas que antes não levavam a fé “muito a sério” passarem a se envolver de forma mais intensa, além de conversões anuais ao cristianismo. A igreja disse que acompanha a frequência por meio de listas semanais de membros e registros de presença nos cultos.

Outro pastor da equipe, Wesley Welch, também descreveu o período como um tipo de “avivamento” a partir de meados de 2020, após uma fase de estagnação entre 2018 e 2020. Dados apresentados pela igreja apontam uma média de 30 pessoas em 2018, 50 em 2019, 150 em 2020, 300 em 2021, 350 em 2022, 450 em 2023, 550 em 2024 e 650 em 2025, com variações anuais que teriam oscilado entre 30% e 100%.

A equipe pastoral relatou um novo aumento de presença, especialmente entre jovens, após o assassinato do evangelista Charlie Kirk, em 10 de setembro, durante um evento na Universidade Utah Valley. Palka disse que muitos dos recém-chegados estavam “em busca de respostas” e procuravam uma voz que expressasse com clareza o que pensava depois do episódio. Welch relatou o caso de um jovem que se identificava com Kirk e com valores conservadores defendidos por ele em ambientes universitários. Segundo Welch, o jovem ficou “abalado” com o assassinato, passou a frequentar a igreja e, meses depois, foi batizado. “Ele começou a frequentar a igreja e a buscar ao Senhor, e neste outono, conseguimos batizá-lo, o que foi incrível”, disse Welch.

O pastor Daniel Davis, também da King’s Church DC, apresentou uma explicação mais ampla para a aproximação de parte da Geração Z da vida religiosa. Para ele, muitos jovens teriam crescido em um contexto que descreveu como “desprovido de significado”, no qual a construção da identidade e do propósito recairia quase inteiramente sobre o indivíduo. Davis avaliou que essa expectativa cria um peso difícil de sustentar e que a busca por referências mais estáveis pode abrir espaço para o retorno à fé.

“Eles foram condicionados a acreditar que precisam construir sua própria identidade, seu próprio significado, para se tornarem sua própria fonte de importância, e esse é um fardo que ninguém consegue carregar”, disse Davis ao The Christian Post.

Davis também afirmou que os jovens, segundo sua leitura, “vivem nas ruínas do cristianismo”, cercados por instituições e ideias que teriam perdido força cultural, mas ainda carregariam marcas de valores cristãos. Ele disse perceber que muitos mantêm intuições morais fortes, porém têm dificuldade de fundamentá-las em algo “transcendente ou eterno”.

Para ele, parte dessa percepção levaria alguns a reavaliar explicações que atribuem essas intuições apenas à racionalidade humana ou à evolução, por considerá-las insuficientes. “Mas muitas dessas intuições vêm do cristianismo”, afirmou.

O texto cita ainda uma pesquisa divulgada no ano anterior pelo Grupo Barna, com base em 5.580 entrevistas online realizadas entre janeiro e julho daquele ano. No recorte de 3.579 adultos frequentadores de igrejas, a média geral de frequência registrada foi de 1,6 vez por mês, chegando a 1,9 vez por mês entre pessoas da Geração Z e 1,8 vez por mês entre millennials.

Além da busca por respostas religiosas, Davis afirmou que a procura por comunidade é um fator central para o interesse de jovens pela igreja. Ele disse que, embora muitos estejam habituados a redes sociais, algoritmos e relações mediadas por tecnologia, parte deles tem concluído que a tecnologia “não vai amá-los nem ser sua amiga”. O pastor relatou que algumas pessoas chegam inicialmente pela convivência e, com o tempo, passam a demonstrar maior interesse em entender o Evangelho.

A King’s Church DC informou que, além dos cultos aos domingos, incentiva a participação em pequenos grupos de 10 a 20 pessoas, que se reúnem em casas pela cidade. A igreja também promove atividades de convivência por meio do programa REC, com eventos como patinação no gelo, torneios de pickleball, bailes e outras ações comunitárias.

Para Davis, existe um desejo de reconstruir vínculos e amizades, e ele disse entender que esse impulso, ainda que não seja o Evangelho em si, pode levar à fé: “Acho que existe um desejo genuíno de resgatar os relacionamentos humanos e as amizades”, afirmou Davis. “E isso não é a mesma coisa que o Evangelho, mas leva ao Evangelho. O Evangelho produz essas coisas”.

Raphael Abdalla na Convenção Batista repercute entre pastores

O pastor Raphael Abdalla, líder da Primeira Igreja Batista de Guarapari, no Espírito Santo, foi eleito o novo presidente da Convenção Batista Brasileira (CBB) na sexta-feira, 23 de janeiro. O congresso da denominação começou na segunda-feira, 19 de janeiro, em Salvador (BA), e segue até a segunda-feira, 25 de janeiro, quando se encerra a 105ª Semana Batista.

Em comunicado, a CBB anunciou a escolha e destacou o perfil do novo presidente. “Com alegria, anunciamos que o pr. Raphael Abdalla é o novo presidente da Convenção Batista Brasileira. Aos 31 anos, ele representa uma nova geração de liderança, comprometida com a missão, a cooperação e o fortalecimento das igrejas batistas em todo o Brasil. Seguimos juntos, confiantes no agir de Deus para este novo tempo!”, diz a nota.

A eleição ocorreu durante a programação do congresso, que tem como tema “Somos Um” e reúne pastores, líderes, ministros e membros batistas de diferentes regiões do país. Abdalla concorreu com outros nove pastores. Além de pastor, Abdalla é advogado e escritor. Ele é casado com Ana Viana e pai de José.

A diretoria da CBB também foi renovada. Foram eleitos Erivaldo Barros, da Igreja Batista da Graça (BA), como 1º vice-presidente; William Menezes, da Primeira Igreja Batista de Irajá (RJ), como 2º vice-presidente; e Vanderlei Marins, da Primeira Igreja Batista em Alcântara (RJ), como 3º vice-presidente.

Nas redes sociais, líderes de diferentes denominações comentaram a eleição. O pastor Pedro Pamplona, da Igreja Batista Filadélfia, escreveu: “Eita meu meu irmão, feliz por isso. Que Deus te use poderosamente Raphael Abdalla! Abração!”. O assembleiano Elizeu Rodrigues também parabenizou: “Que o Senhor te conduza com graça e sabedoria”.

O pastor presbiteriano Hernandes Dias Lopes publicou: “Gratidão a Deus pela vida desse príncipe amado!”. Já o reverendo Daniel Simoncelos, que atua no Espírito Santo, deixou uma mensagem de encorajamento: “Parabéns meu amigo! Que Deus continue te abençoando e te usando para a glória dele. Você é uma bênção meu irmão! Amo sua vida!”.

Morte do filho de Shirley Carvalhaes tem causa revelada

A família da cantora Shirley Carvalhaes informou que Weslley, de 35 anos, morreu em decorrência de pneumonia. A morte foi comunicada ao público na sexta-feira, 23 de janeiro, por meio de uma nota divulgada nas redes sociais pela equipe da cantora.

Na mensagem, os familiares agradeceram pelas orações e prestaram homenagem ao jovem. “Agradecemos as orações de todos, mas nessa tarde Deus recolheu nosso menino para junto Dele. Sentiremos muita falta do seu carinho para conosco da família Carvalhaes e tenha certeza que você sempre fez parte de tudo na nossas vidas. Obrigada pelos momentos vividos, pelas brincadeiras, pelos sorrisos nos momentos tristes que agora irão ficar em nossa lembrança. Vá em paz e que o Senhor Jesus te receba de braços abertos”, diz a postagem.

Segundo o relato divulgado, Weslley estava internado desde 25 de dezembro, após passar mal em casa e ser levado ao hospital pelo padrasto. Durante a internação, médicos identificaram alteração nas plaquetas. Ele chegou a apresentar melhora, mas o quadro se agravou nos dias seguintes.

Horas antes da confirmação da morte, Shirley publicou uma foto ao lado do filho expressando sua fé e pedindo orações aos seguidores.

Caminhada: Feliciano vê milagre de livramento no incidente do raio

No domingo, 25 de janeiro, o deputado federal Pastor Marco Feliciano (PL-SP) comentou o raio que atingiu pessoas que aguardavam, em Brasília, a chegada de Nikolas Ferreira na caminhada pela liberdade e justiça, juntamente com apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O incidente ocorreu na região central da capital, perto do Memorial JK, no Eixo Monumental, onde aproximadamente 100 mil pessoas se reuniram, conforme levantamento da PM.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Feliciano disse que interpretou o caso como um “milagre” e destacou que, segundo ele, ninguém morreu. O parlamentar também criticou a forma como o episódio foi repercutido e afirmou que algumas publicações enfatizaram internações e risco, sem dar o mesmo peso ao fato de não haver vítimas fatais.

Feliciano afirmou que estava no local e que chegou a ajudar a socorrer uma pessoa. Ele declarou que, onde parte do noticiário viu tragédia, ele viu preservação de vidas e proteção divina.

Depois, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) foi ao hospital onde os feridos receberam atendimento e disse que fez questão de acompanhar a situação de perto.

“Fiz questão de vir aqui pessoalmente. (…) Aconteceu um incidente natural. Não foi por uma irresponsabilidade nossa, não foi por falta de organização, não foi por tumulto. Foi algo que foge do nosso controle. E eu não poderia deixar de vir aqui prestar nossa solidariedade, dizer que tem muita gente orando para que eles se recuperem logo e possam estar de volta para ajudar o nosso país”, afirmou.

Shirley Carvalhaes pede oração pelo filho, em estado grave

A cantora gospel Shirley Carvalhaes pediu orações pelo filho Weslley, que está internado. Segundo ela, médicos informaram que o quadro é muito grave e que as chances de recuperação são baixas.

Em publicação nas redes sociais, Shirley descreveu Weslley como um filho “não de sangue, mas de alma”, afirmando que ele a escolheu como mãe e que ela o acolheu. Ela relatou que a internação já dura alguns dias e disse que recebeu um diagnóstico difícil, que a abalou emocionalmente.

Com mais de quatro décadas de carreira na música cristã, a cantora afirmou manter a fé e disse acreditar que Deus pode agir além do que a medicina consegue fazer. Ela pediu que seguidores e apoiadores reservem um momento do dia para interceder pela vida e pela saúde de Weslley, formando uma corrente de oração.

No texto, Shirley Carvalhes agradeceu o apoio recebido e afirmou que segue confiante, sustentada pela esperança e pela crença de que Deus pode mudar o quadro. Ao final da mensagem, reforçou que permanece firme em oração e declarou que Deus está no controle.

Catolicismo continua em declínio na América Latina, diz pesquisa

A perda de adeptos do catolicismo na América Latina ao longo da última década foi grande, de acordo com uma pesquisa do Pew Research Center com dados de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru.

O levantamento aponta queda na proporção de católicos e avanço de adultos que dizem não ter religião. Hoje, os católicos representam entre 46% e 67% da população adulta nos seis países analisados. No mesmo período, o grupo sem filiação religiosa cresceu e passou a variar de 12% a 33%, com alta registrada em todas as nações incluídas na pesquisa.

Entre os países avaliados, o Brasil se destaca por ser o único em que ex-católicos têm maior probabilidade de se tornarem protestantes (13% de todos os adultos) do que de passar a se declarar sem religião (7%). No Peru, as proporções ficam mais próximas: ex-católicos que se tornaram protestantes somam 9% de todos os adultos, enquanto 7% passaram a se identificar como sem religião.

Em um intervalo de dez anos, a participação de católicos caiu pelo menos nove pontos percentuais nos seis países. No sentido oposto, o grupo de adultos que se declaram ateus, agnósticos ou sem religião cresceu sete pontos ou mais e, em alguns casos, já supera o total de protestantes.

Apesar das mudanças no perfil religioso, a maioria dos latino-americanos mantém alguma forma de fé. Cerca de nove em cada dez entrevistados afirmam acreditar em Deus, incluindo pessoas que não seguem nenhuma religião.

A pesquisa também indica que a religião continua relevante para uma parcela significativa da população. Em Brasil, Colômbia, México e Peru, metade ou mais dos adultos diz que a fé é muito importante no dia a dia.

O estudo ouviu mais de 6,2 mil adultos. Juntos, os seis países somam cerca de 495 milhões de habitantes, o equivalente a aproximadamente três quartos da população da América Latina e do Caribe.

Catolicismo continua em declínio na América Latina, diz pesquisa
Infográfico mostra declínio do catolicismo

Conferência cristã tem sala de oração criada por adolescentes

Um grupo de adolescentes organizou uma sala de oração durante uma conferência cristã e passou a escrever pedidos nas paredes, além de interceder uns pelos outros no local. A iniciativa ocorreu na Temporada de Verão do Instituto TeenStreetBrasil, realizada de 18 a 23 de janeiro, em Maringá (PR).

Os recados manuscritos expuseram fragilidades emocionais e espirituais e chamaram a atenção de lideranças para dores enfrentadas por parte dessa geração. Em meio à programação com louvores, esportes e atividades recreativas, muitos participantes reservaram um tempo para orar e conversar com Deus no espaço preparado para esse propósito.

Entre os pedidos registrados nas paredes, havia frases como “Retire toda dor do abuso que sofri”, “Frieza espiritual”, “Para que meu pai encontre Jesus” e “Pelo relacionamento dos meus pais que estão se separando”. Cada anotação aparecia cercada por círculos, que, segundo os organizadores, indicavam que alguém havia parado para orar de forma direcionada por aquela necessidade.

O Instituto TeenStreetBrasil publicou nas redes sociais que “adolescente sente dor” e pediu que os sentimentos dessa faixa etária não sejam ignorados.

A sala de oração integrou a programação do encontro realizado no campus da UniCesumar e reuniu adolescentes de diferentes regiões do país, marcando a abertura do calendário do movimento global TeenStreet em 2026. O TeenStreetBrasil, fundado em 2004, afirma ter como missão incentivar adolescentes a desenvolverem uma amizade real com Jesus e a refletirem o Evangelho no cotidiano, como preparação para o início do ano letivo.

Ao longo de seis dias, os participantes vivenciaram momentos de adoração, ensino bíblico, comunhão e desafios espirituais, além de atividades esportivas e recreativas. Durante o evento, os adolescentes são orientados sobre temas ligados à fé cristã, como alegria na vida com Jesus, relacionamento íntimo com Ele e coragem para viver o Evangelho no mundo.

Segundo o portal Guia-me, o ministro Cassiano Machado comentou a experiência da sala de oração e afirmou que os pedidos servem como alerta para pais e líderes. Ele disse que, ao pensar que adolescentes não enfrentam problemas ou não sentem dor, vale lembrar as solicitações escritas pelos próprios jovens.

Ao se dirigir aos adolescentes, ressaltou que há pessoas orando por eles e que cada círculo desenhado nos pedidos representa uma oração voltada à dor relatada.

Lula perde para Flávio Bolsonaro no segundo turno, diz pesquisa

A pesquisa Futura/Apex, divulgada em 22 de janeiro de 2026, aponta que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) venceria Lula (PT) em um eventual segundo turno. No cenário testado, Flávio aparece com 48,1% das intenções de voto, enquanto o atual mandatário tem 41,9%, uma diferença de 6,2 pontos percentuais.

No segundo turno, o levantamento também indica que Lula ficaria atrás em simulações contra Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ratinho Jr. (PSD-PR) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO). Em contrapartida, o presidente venceria em disputas contra Romeu Zema (Novo-MG) e Eduardo Leite (PSD-RS).

Primeiro turno

Nos cenários de primeiro turno, Flávio lidera em três simulações, todas sem a presença de Tarcísio de Freitas. Tarcísio manifestou apoio a Flávio e já declarou que não pretende disputar a Presidência em 2026, reiterando essa posição em publicação no X ontem, 22 de janeiro.

Em simulações com mais nomes alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula aparece em primeiro lugar, com os votos mais distribuídos entre os candidatos desse campo. Mesmo assim, a pesquisa classifica a maioria dos resultados como empates técnicos, devido à margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

A maior diferença desfavorável a Flávio, de 3,7 pontos percentuais, ocorre em uma simulação com Tarcísio, Caiado, Zema, Renan Santos (Missão) e Aldo Rebelo (Democracia Cristã), além de Lula.

No único cenário sem empate técnico, Flávio aparece na frente com 43,8%, contra 38,7% de Lula, uma diferença de 5,1 pontos percentuais. Essa simulação inclui, além de Flávio e Lula, Renan Santos e Eduardo Leite.

Metodologia

A pesquisa ouviu 2.000 pessoas entre 15 e 19 de janeiro de 2026. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08233/2026.

De acordo com o Poder360, o estudo foi realizado pela Futura, empresa de pesquisas da Apex Partners, com custo informado de R$ 160 mil, pago com recursos próprios.

Lula perde para Flávio Bolsonaro no segundo turno, diz pesquisa Futura/Apex
Infográfico do Poder360 mostra cenários das eleições 2026

A esquerda treme!!! Bora resgata o nosso Brasil juntos @tarcisiogdf !!!🇧🇷💪

— Flavio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) January 23, 2026

Chuvas causam enchentes na África e igrejas se tornam abrigos

Chuvas torrenciais já deixaram mais de 200 mortos e desalojaram centenas de milhares de pessoas no sul do continente africano desde o fim de dezembro, em um cenário de enchentes amplas, estradas destruídas e comunidades inteiras isoladas.

Em meio ao colapso de infraestrutura e ao acesso limitado a áreas atingidas, igrejas na África do Sul, em Moçambique e no Zimbábue passaram a funcionar como abrigos improvisados e centros de apoio, oferecendo espaço seguro para famílias deslocadas, refeições, roupas e acolhimento pastoral. Autoridades e equipes de emergência alertam que o número de vítimas pode aumentar à medida que as águas baixarem e novas regiões se tornarem acessíveis.

Na África do Sul, o governo declarou estado de calamidade pública depois de inundações que mataram pelo menos 30 pessoas nas províncias de Limpopo e Mpumalanga. As Forças de Defesa Nacionais enviaram helicópteros para ajudar nas operações em áreas de difícil acesso. O Parque Nacional Kruger foi parcialmente fechado após a evacuação de funcionários e visitantes de acampamentos atingidos pela água, sinalizando o alcance do impacto para além dos centros urbanos.

Moçambique é descrito como o país mais afetado. O Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD) confirmou mais de 100 mortes, com concentração nas províncias de Gaza e Sofala, enquanto relatos locais indicam a possibilidade de um total maior. O presidente Daniel Chapo afirmou que salvar vidas é a “prioridade absoluta”, e o instituto emitiu alerta vermelho. A governadora de Gaza, Margarida Chongo, estimou que cerca de 40% da província está submersa, e o INGD aponta que mais de 300 mil pessoas já foram deslocadas.

No Zimbábue, a Unidade de Proteção Civil reportou quase 80 mortes e danos extensos em Masvingo e Manicaland. Pontes e escolas destruídas deixaram dezenas de aldeias inacessíveis, dificultando a entrega de alimentos e medicamentos e prolongando a vulnerabilidade de comunidades que já enfrentam escassez de recursos.

Com estradas intransitáveis, a rede de apoio local ganhou protagonismo. Em Chokwe, Moçambique, a Igreja Cristã de Sião recebeu mais de 200 famílias. O reverendo Alberto Bila relatou que hinários foram levados ao sótão para abrir espaço para colchonetes e descreveu a igreja como o “único terreno elevado” que restou na área. Em Limpopo, a Igreja Metodista da África Austral organizou refeições quentes e distribuição de roupas secas, enquanto líderes religiosos relatam luto, perdas materiais e necessidade de acolhimento constante.

O quadro também eleva o risco sanitário. Agências da ONU alertaram para uma “combinação letal” de doenças transmitidas pela água e desnutrição, já que as enchentes interrompem o acesso a cuidados médicos. O UNFPA confirmou que um surto paralelo de cólera complica a resposta humanitária em Moçambique, onde mais de 100 unidades de saúde estariam danificadas ou sob ameaça.

Em Gaza, autoridades de Xai-Xai pediram que moradores evitassem contato com as águas não apenas por contaminação, mas também por relatos de crocodilos avançando para áreas urbanas alagadas.

A previsão de mais chuva mantém a região em alerta máximo para novos alagamentos e inundações repentinas. Líderes evangélicos na África do Sul também têm destacado a necessidade de responder ao presente sem perder a capacidade de mobilização para o que ainda pode piorar nos próximos dias, segundo o portal Christian Daily.

Ativistas que interromperam culto em igreja nos EUA são presos

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos informou, na quinta-feira, que agentes federais prenderam três ativistas ligados a um protesto contra o ICE que interrompeu um culto no último domingo na Cities Church, em St. Paul, Minnesota.

A procuradora-geral Pam Bondi e o diretor do FBI, Kash Patel, anunciaram que Nekima Levy Armstrong e Chauntyll Louisa Allen foram indiciadas com base na Lei FACE, de 1994. A norma proíbe ferir, intimidar ou interferir intencionalmente com pessoas que estejam exercendo o direito de liberdade religiosa garantido pela Primeira Emenda em um local de culto.

Bondi declarou que a primeira prisão ocorreu “sob suas ordens” e disse que Armstrong teria exercido papel central na organização do que classificou como um ataque coordenado à igreja. Em seguida, anunciou a detenção de Allen e reforçou que o governo pretende proteger locais de culto.

A secretária do Departamento de Segurança Interna, Kristi Noem, publicou uma foto de Armstrong algemada e afirmou que ela seria acusada com base no Título 18 do Código dos EUA, Seção 241, conhecido como “conspiração contra os direitos”. Essa lei proíbe que duas ou mais pessoas conspirem para prejudicar, oprimir, ameaçar ou intimidar alguém no livre exercício de direitos assegurados pela Constituição ou pelas leis do país.

Noem descreveu a liberdade religiosa como um dos fundamentos dos Estados Unidos e afirmou que não existe um direito constitucional que impeça alguém de praticar a própria religião.

As prisões foram anunciadas no mesmo dia em que o vice-presidente JD Vance viaja para Minnesota, em meio a uma onda de protestos no estado. Mais tarde, Bondi também comunicou a prisão de William Kelly, visto em vídeo repreendendo fiéis e zombando deles, chamando-os de “falsos cristãos”. Na mesma linha, a procuradora-geral declarou que o país foi colonizado por pessoas que fugiam de perseguição religiosa e afirmou que o governo protegerá pastores, igrejas e americanos de fé.

Armstrong, Allen e Kelly integraram um grupo associado à Rede de Justiça Racial que entrou na Cities Church (filiada à Convenção Batista do Sul) durante o culto e provocou o encerramento antecipado da cerimônia após gritar com os presentes. O grupo protestava contra o fato de o reverendo David Easterwood, um dos pastores, também atuar como diretor interino do escritório do ICE em St. Paul.

Os manifestantes pediram a renúncia dele em meio à repressão do ICE à imigração ilegal na região da capital de Minnesota, marcada por protestos recentes e por dois episódios de violência a tiros envolvendo agentes do ICE nas últimas semanas, incluindo a morte de Renee Good, de 37 anos.

O ex-apresentador da CNN Don Lemon acompanhou o grupo e filmou sua própria participação no protesto, mas depois buscou se distanciar dos manifestantes enquanto a apuração federal avançava. Um juiz federal de Minnesota se recusou a assinar uma denúncia contra Lemon.

Allen, que afirmou publicamente ter organizado os protestos, é descrita como líder do movimento Black Lives Matter e integrante do Conselho de Educação das Escolas Públicas de Saint Paul. Filha de uma pastora, ela comparou a ação na igreja ao episódio bíblico em que Jesus expulsou cambistas do templo, dizendo que, quando “as coisas não iam bem”, ele “virava as mesas”. Lemon também fez comparação semelhante. O caso gerou reação de comentaristas cristãos que sustentam que a ação de Jesus no templo foi singular e ligada à afirmação de sua autoridade.

O procurador-geral de Minnesota, Keith Ellison, defendeu os manifestantes, afirmando a Lemon em entrevista que as ações estariam protegidas pela Primeira Emenda. “Cantar hinos não pode ser crime; é liberdade de expressão”, disse.

Após a interrupção do culto, foi criada uma campanha de arrecadação para a Cities Church que já havia superado US$ 40 mil de uma meta de US$ 100 mil até a manhã de quinta-feira, segundo o relato.

O anúncio das acusações também reacendeu debate sobre o uso da Lei FACE em outros contextos. Sob a administração Biden, a lei foi aplicada para processar manifestantes pró-vida em ações ilegais em clínicas de aborto, e houve casos em que acusações adicionais foram usadas para buscar penas mais longas, de acordo com o The Christian Post.

Em janeiro, Trump concedeu indulto a cerca de duas dezenas de manifestantes pró-vida processados por protestos ilegais em clínicas. Harmeet Dhillon, procuradora-geral adjunta para Direitos Civis, afirmou que o governo tem “diversas ferramentas” disponíveis para lidar com violações relacionadas a direitos e acesso a locais protegidos por lei.