Crise em Cuba escala sofrimento da população e mobiliza igrejas

Moisés Pérez Padrón, diretor do escritório da Trans World Radio (TWR) em Cuba e natural da ilha, afirma nunca ter testemunhado uma situação tão crítica quanto a atual em seu país.

Aos 40 anos, ele descreve um cenário de deterioração generalizada: ruas tomadas por lixo, crianças e idosos revirando detritos em busca de alimentos ou itens para vender, e quedas de energia que se estendem por mais de 12 horas diárias. “Famílias destroem móveis em suas casas apenas para usar a madeira na cozinha”, relata.

Pérez Padrón, que também atua como copastor da Igreja Batista Salem, no bairro Arroyo Apolo, ao sul de Havana, e como vice-reitor do Seminário Teológico Batista da capital, tem utilizado sua plataforma para levar mensagens de esperança em meio à adversidade.

Diariamente, grava o podcast devocional “Mensagens de Fé e Esperança”, distribuído por grupos de Facebook e WhatsApp e transmitido pela rádio da TWR na frequência 800 AM a partir da ilha caribenha de Bonaire.

Suas reflexões recentes enfatizam a importância de depositar a confiança em Deus, não em líderes políticos. Citando Isaías 28:16, Pérez Padrón destaca a figura de Cristo como a “pedra angular” firme. “Vamos construir sobre a rocha sólida”, afirma. “Confiemos em Cristo e em Sua Palavra — não em acordos políticos ou religiões falsas, mas n’Ele.”

Contexto da crise

A situação cubana agravou-se significativamente nos últimos meses. Em 29 de janeiro, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou ordem executiva impondo tarifas e sanções a países que enviassem petróleo a Cuba, como forma de pressionar o regime comunista a implementar reformas políticas e econômicas. Quatro meses antes, o furacão Melissa havia devastado cinco províncias cubanas, deslocando mais de 735 mil pessoas e destruindo moradias e infraestrutura básica.

O país enfrenta ainda uma acentuada queda populacional, decorrente da baixa taxa de natalidade e da emigração em massa de jovens em busca de melhores condições de vida. Desde novembro de 2025, um surto de chikungunya — doença viral transmitida por mosquitos — já infectou mais de 50 mil pessoas e causou 55 mortes, segundo dados locais, principalmente devido à escassez de medicamentos como o acetaminofeno, utilizado no tratamento.

Atuação das igrejas

Em meio ao caos, comunidades cristãs têm se mobilizado para oferecer auxílio material e espiritual. Cerca de 85% da população cubana se identifica como cristã, de acordo com o World Christian Database, com maioria católica e aproximadamente 11% de evangélicos.

O Mennonite Central Committee (MCC), presente na ilha há 43 anos, é uma das organizações mais ativas. Nos últimos 12 meses, enviou seis contêineres com carne enlatada, kits de socorro, produtos de higiene feminina, material escolar e outros itens essenciais.

Os suprimentos são distribuídos por meio de cinco programas sociais desenvolvidos pela Associação dos Irmãos em Cristo (BIC) e pelo Centro Cristão de Reflexão e Diálogo.

Jacob Lesniewski, codiretor regional do MCC para América do Sul, México e Cuba, descreve a realidade encontrada em visitas recentes. “Quando você chega a Havana, percebe que algo não está certo: ruas cheias de lixo, apagões frequentes, postos de combustível vazios.

Mas nada se compara ao que se vê ao viajar para o leste. Cidades inteiras parecem fantasmas, com fábricas, escolas e hospitais outrora funcionais agora abandonados e em ruínas”, relata.

A falta de combustível, agravada pelas sanções, impõe desafios logísticos imensos. As congregações BIC passaram a utilizar carroças puxadas por cavalos para transportar doações. Quando disponível, a gasolina precisa ser comprada em dólares a preços elevados.

Resiliência e papel social dos cristãos

Mayra Espino, socióloga de 70 anos e pesquisadora do Centro Cristão de Reflexão e Diálogo, optou por permanecer em Cuba apesar de ter tido oportunidades de lecionar na Espanha, Honduras e Estados Unidos. Sua decisão ilustra o que Lesniewski chama de “resiliência obstinada dos cubanos”.

Espino identifica três causas principais para a crise atual: a emigração acelerada de profissionais qualificados após a pandemia, a incapacidade do governo de oferecer oportunidades à população e o colapso de setores como o turismo devido ao bloqueio econômico.

Ela observa que os cristãos evangélicos ganharam reputação por seu trabalho social, especialmente após a passagem de quatro furacões devastadores em 2008, quando igrejas locais priorizaram o reparo de telhados de vizinhos não cristãos antes dos próprios membros.

“Em um país onde o Estado não consegue mais fornecer serviços básicos como saúde e educação, as igrejas tornaram-se espaços essenciais — não apenas para receber ajuda humanitária e conforto espiritual, mas também para construir comunidade”, afirma.

Liberdade religiosa e perseguição

A situação da liberdade religiosa em Cuba apresenta contradições. Pérez Padrón explica que as igrejas podem realizar cultos regularmente, mas o espaço para expansão é limitado. “Não há impedimento para cultos dominicais. Mas não se pode simplesmente construir uma nova igreja”, diz.

A história recente do país, no entanto, é marcada por perseguições. Após a revolução de 1959, Fidel Castro instituiu um regime comunista ateu, enviando pastores cristãos a campos de trabalho. Nas décadas seguintes, a igreja encolheu significativamente.

A partir dos anos 1990, com o colapso da União Soviética e a consequente crise econômica, houve renovado interesse pela fé. Em 1992, a constituição foi alterada para definir o país como “laico” em vez de “ateu”. Visitas papais — de João Paulo II (1998), Bento XVI (2012) e Francisco (2016) — contribuíram para abertura gradual, que incluiu o restabelecimento do Natal como feriado e a autorização para celebrações da Sexta-feira Santa.

Apesar dos avanços, restrições persistem. Publicações cristãs não podem circular, grupos religiosos não possuem concessões de rádio ou TV, e a criação de denominações inexistentes antes de 1959 é vedada. A Open Doors classificou Cuba como o país mais perigoso da América Latina para cristãos em sua última Lista Mundial da Perseguição, ocupando a 24ª posição global.

O Observatório Cubano de Direitos Humanos registrou 873 violações da liberdade religiosa em 2025, incluindo detenções arbitrárias, vigilância, ameaças e casos de abuso contra menores por suas crenças.

Fé em meio à adversidade

Pérez Padrón expressa preocupação especial com a segurança da família — sua esposa e duas filhas pequenas. Com o aumento da fome, a criminalidade cresceu nas grandes cidades. Com a voz embargada, ele explica como aborda o tema com as crianças: “Não contamos todos os detalhes para que não se preocupem. No meio das dificuldades, mostramos que ainda há motivos para agradecer a Deus. Eu tenho um emprego. Elas podem ir à escola. Deus é bom. Com: Comunhão.

Crivella protocola PL que institui o Estatuto da Liberdade Religiosa

O deputado federal Marcelo Crivella apresentou na Câmara, nesta terça-feira (10), o Projeto de Lei nº 1.093/2026, que propõe a criação do Estatuto da Liberdade Religiosa. A iniciativa, protocolada na Mesa Diretora, busca consolidar em um único marco legal as garantias fundamentais para o livre exercício da fé no país.

De acordo com o texto, o objetivo é tornar mais explícitas e sistematizadas as proteções já previstas na Constituição Federal. A proposta reúne princípios e direitos voltados à proteção de indivíduos, igrejas e organizações religiosas, oferecendo, segundo o autor, maior segurança jurídica para a prática religiosa tanto em espaços públicos quanto privados.

Na justificativa que acompanha o projeto de liberdade religiosa, Crivella destaca que o estatuto pode contribuir para fortalecer o respeito e a convivência harmoniosa entre diferentes crenças. A iniciativa, segundo o deputado, também busca valorizar “a diversidade de convicções presentes na sociedade brasileira”.

O projeto agora segue para análise nas comissões temáticas da Câmara antes de ser submetido à votação em Plenário. Caso aprovado, o estatuto estabelecerá regras mais detalhadas para garantir a liberdade de culto e a proteção contra discriminação religiosa.

Contexto

Crivella, que é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus e já exerceu mandato como senador e como prefeito do Rio de Janeiro, enfrentou no passado questionamentos judiciais relacionados ao uso da máquina pública para favorecimento de grupos religiosos.

Em 2018, a Justiça fluminense proibiu o então prefeito de privilegiar categorias religiosas ou utilizar espaços públicos para discursos de cunho religioso, decisão que buscava assegurar a laicidade do Estado. Na ocasião, episódios como o “Café da Comunhão”, realizado no Palácio da Cidade, foram alvo de ações do Ministério Público por suposto desvio de finalidade e uso eleitoral da estrutura municipal. Com: Exibir Gospel.

Paraná: Sergio Moro recebe apoio do líder da Assembleia de Deus

O senador Sergio Moro (União Brasil-PR) cumpriu agenda nesta semana na cidade de São Paulo, onde visitou o templo da Assembleia de Deus Ministério Belém e foi recebido pelo pastor José Wellington Costa Junior, presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB). Durante o encontro, o religioso dedicou um momento de oração ao parlamentar e manifestou apoio a seu trabalho público.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o pastor elogiou a trajetória do senador e o classificou como referência nacional. “Estamos aqui ao lado do nosso querido amigo, doutor Sérgio Moro, que é uma referência não somente para o Paraná, mas para todo o Brasil pela maneira com que tem feito o seu trabalho com muita integridade”, afirmou .

O líder evangélico também convidou os fiéis a intercederem pelo parlamentar. “Louvamos a Deus pela sua vida e estamos orando para que ele possa alcançar o propósito do seu coração. Peço aos irmãos que orem por ele, para que os projetos que estão no seu coração possam se tornar realidade para o estado do Paraná”, declarou .

Sérgio Moro repercutiu o encontro em suas redes sociais, agradecendo a acolhida. “Em nossa visita à Assembleia de Deus de Belém, em SP, recebemos a bênção do pastor José Wellington Costa Júnior para nosso trabalho. Família abençoada”, escreveu o senador na legenda da publicação .

Cenário eleitoral no Paraná

Embora não tenha lançado oficialmente sua pré-candidatura, Moro tem sinalizado a aliados a intenção de disputar o governo do Paraná nas eleições de outubro, em vez de buscar a reeleição para o Senado. Pesquisa divulgada na quinta-feira (12) pelo instituto Paraná Pesquisas mostra o ex-juiz da Lava Jato liderando todos os cenários testados para o Executivo estadual .

No principal cenário avaliado, Moro aparece com 44% das intenções de voto, seguido pelo deputado estadual Requião Filho (PDT), com 23,1%, e pelo presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD), com 11,3% . O levantamento ouviu 1.500 eleitores em 55 municípios paranaenses entre os dias 1º e 4 de março, com margem de erro de 2,6 pontos percentuais .

Apesar da vantagem numérica nas pesquisas, o senador enfrenta resistências dentro de partidos aliados, especialmente no Progressistas (PP) do Paraná, cuja direção nacional sinaliza posição contrária ao apoio à candidatura do ex-juiz . A federação entre União Brasil e PP no estado vive impasse sobre o endosso ao nome de Moro .

A Assembleia de Deus Ministério Belém é uma das maiores denominações evangélicas do país, e o encontro com seu principal líder é interpretado por observadores políticos como um gesto que pode sinalizar aproximação entre o senador e lideranças religiosas, segmento de crescente influência no cenário eleitoral.

Colegiado de cirurgiões se opõe à mudança de sexo em menores

A Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (ASPS) divulgou nesta terça-feira (3) uma nova orientação recomendando que procedimentos cirúrgicos de redesignação sexual, popularmente chamada “mudança de sexo“, em mamas, genitais e face sejam adiados até que o paciente complete pelo menos 19 anos de idade.

A organização, que representa mais de 11 mil médicos em todo o mundo, tornou-se a primeira entidade médica de renome nos Estados Unidos a se posicionar contrariamente à realização dessas cirurgias em menores de idade .

Em comunicado oficial, a ASPS justificou a mudança de posicionamento com base em análises recentes de evidências científicas. A entidade citou “publicações recentes que relatam evidências de baixíssima ou baixa certeza em relação aos resultados na saúde mental”, “preocupações emergentes sobre possíveis danos a longo prazo e a natureza irreversível das intervenções cirúrgicas” e “evidências insuficientes que demonstrem uma relação risco-benefício favorável” para justificar a recomendação .

A sociedade destacou ainda que “as evidências disponíveis sugerem que uma proporção considerável de crianças com disforia de gênero de início pré-puberal experimenta uma resolução ou redução significativa de seu sofrimento na idade adulta, sem intervenção médica ou cirúrgica” .

Evolução da posição e contexto das revisões

De acordo com informações divulgadas pela ASPS, a entidade iniciou em agosto de 2024 uma reavaliação de suas orientações sobre cirurgias de mudança de sexo em menores, reconhecendo a existência de “considerável incerteza” sobre os impactos desses procedimentos.

A nova posição representa uma mudança significativa em relação às diretrizes de 2019, que afirmavam que “os serviços de cirurgia plástica podem ajudar pacientes com disforia de gênero a alinhar seus corpos com quem eles sabem que são e melhorar sua saúde mental e bem-estar geral” .

A organização informou que sua compreensão sobre o tema continuou a evoluir à luz de novas revisões abrangentes das evidências, incluindo a revisão Cass, do Reino Unido, e a revisão de 2025 do Departamento de Saúde e Serviços Humanos do governo Trump.

Segundo a ASPS, essas análises “contribuíram para uma compreensão mais clara dos potenciais danos, ao mesmo tempo que destacaram as limitações das evidências disponíveis, incluindo lacunas na documentação dos resultados físicos, psicológicos e psicossociais a longo prazo” .

A entidade esclareceu que os médicos, mesmo aqueles com vasta experiência do campo da falsa mudança de sexo (biologicamente falando), atualmente não possuem métodos confiáveis para distinguir entre os jovens cujo desconforto persistirá na idade adulta e aqueles cujo desconforto diminuirá espontaneamente .

Reações de outras entidades médicas

A nova orientação da ASPS gerou reações de outras importantes organizações médicas norte-americanas. A Associação Médica Americana (AMA) divulgou comunicado afirmando que “atualmente, as evidências para intervenção cirúrgica de afirmação de gênero em menores são insuficientes para que possamos fazer uma declaração definitiva” e concordou que, “na ausência de evidências claras, as intervenções cirúrgicas em menores devem ser geralmente adiadas até a idade adulta” .

A Academia Americana de Pediatria (AAP), por sua vez, manteve sua posição anterior. O presidente da entidade, Andrew Racine, declarou que a orientação da AAP “não inclui uma recomendação genérica de cirurgia para menores” com disforia de gênero, acrescentando que “a AAP continua a sustentar o princípio de que pacientes, suas famílias e seus médicos — não os políticos — devem ser aqueles que tomam decisões juntos sobre qual é o melhor cuidado para eles” .

A Associação Profissional Mundial para a Saúde Transgênero (WPATH) reiterou seu apoio ao acesso a cuidados cirúrgicos para menores sob “diretrizes e critérios cautelosos”, opondo-se a uma “abordagem de idade definitiva ou única para todos os pacientes” e defendendo que as decisões sejam tomadas caso a caso .

Contexto legal e judicial

A mudança de posicionamento da ASPS ocorre em um contexto de crescente escrutínio sobre as cirurgias de redesignação sexual em menores nos Estados Unidos. No início desta semana, um júri em Nova York concedeu indenização de US$ 2 milhões a Fox Varian, uma jovem de 22 anos que processou seus médicos por falha na obtenção de consentimento adequado antes de realizar uma mastectomia dupla nela quando tinha 16 anos .

Diversos outros detransicionadores — pessoas que receberam cirurgias de redesignação sexual quando menores e posteriormente reverteram a transição — entraram com ações judiciais semelhantes por má prática médica. De acordo com o grupo médico Do No Harm, pelo menos 5.700 crianças americanas foram submetidas a cirurgias relacionadas a gênero entre 2019 e 2023 .

A administração Trump também tem adotado medidas restritivas em relação a esses procedimentos. Em dezembro, o governo publicou uma regra que proibiria hospitais de realizar cirurgias de redesignação sexual em menores como condição para participação nos programas Medicare e Medicaid. O secretário de Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy Jr., elogiou a decisão da ASPS, afirmando que a entidade está “protegendo as crianças de procedimentos prejudiciais de rejeição de sexo” .

A ASPS enfatizou que sua nova orientação não criminaliza o cuidado médico e apoia a autorregulação profissional em vez de abordagens legislativas punitivas, ao mesmo tempo em que aconselha seus membros a permanecerem cientes das diversas leis estaduais sobre a matéria. Com: Folha Gospel.

Psicanalistas cristãos dão orientações bíblicas para pais e filhos

Os psicanalistas cristãos Raquel e Guilherme Boccaletti organizaram a obra “1001 conselhos de sabedoria para meus filhos”, publicada pela editora LC Books, com o objetivo de oferecer orientações práticas para famílias que buscam transmitir valores fundamentais às novas gerações em meio aos desafios impostos pela rotina acelerada, pelas pressões sociais e pelo avanço das plataformas digitais.

A publicação dos psicanalistas cristãos reúne frases curtas fundamentadas em passagens bíblicas, organizadas por temas que atravessam o cotidiano familiar. Entre os assuntos abordados estão caráter, fé, autoestima, disciplina, propósito, relacionamentos, finanças e educação emocional.

O formato adotado pelos autores busca facilitar conversas naturais entre pais e filhos em momentos cotidianos, como no trajeto para a escola, durante orações conjuntas ou antes de dormir.

De acordo com a apresentação da obra, a proposta é funcionar como ferramenta de apoio para famílias que desejam refletir sobre métodos educacionais, limites e responsabilidades, incentivando diálogos genuínos em vez de abordagens impositivas. O livro enfatiza a importância da repetição intencional de ensinamentos, sugerindo que a formação do caráter se constrói na constância dos exemplos e das palavras.

Uma das orientações dos psicanalistas cristãos, contidas na publicação, afirma: “Cuide da sua autoestima, sempre lembrando que você é amado por Deus exatamente como é”. A frase ilustra o tom adotado pelos autores ao abordar temas sensíveis do desenvolvimento infantil e juvenil.

“1001 conselhos de sabedoria para meus filhos” é apresentado como um convite às famílias para desacelerar e cultivar espaços de diálogo em meio à correria do dia a dia. A obra está disponível para compra na Amazon e nas principais livrarias do país desde 24 de dezembro de 2025, em sua primeira edição. Com: Folha Gospel.

Psicanalistas cristãos propõem guia sobre fé e propósito para pais

As transformações sociais das últimas décadas também mudaram a forma como se compreende a paternidade. Em diferentes períodos, as prioridades familiares assumiram focos distintos.

No passado, a principal preocupação de muitos pais era garantir o sustento da família. Posteriormente, a busca por estabilidade profissional tornou-se o eixo central da responsabilidade parental. Hoje, contudo, cresce a atenção à saúde emocional dos filhos, refletindo novos desafios educacionais e culturais.

Mudanças nas prioridades

A realidade contemporânea apresenta pressões diferentes das enfrentadas por gerações anteriores. A rotina acelerada, a pressão por desempenho e o excesso de estímulos digitais fazem parte do cotidiano de muitas famílias.

Além disso, especialistas apontam um aumento significativo de ansiedade e insegurança entre jovens, fenômeno associado à exposição constante às redes sociais e às transformações tecnológicas. Esse cenário exige dos pais uma reflexão mais profunda sobre os valores que desejam transmitir aos filhos.

Diante desse contexto, cresce a necessidade de diálogo dentro das famílias. Questões como limites, responsabilidade, disciplina e propósito tornam-se temas centrais na formação de crianças e adolescentes.

Reflexões propostas

Nesse cenário de mudanças culturais, os psicanalistas cristãos Raquel Boccaletti e Guilherme Boccaletti propõem caminhos para fortalecer o diálogo familiar.

No livro 1001 Conselhos de Sabedoria para Meus Filhos, os autores apresentam reflexões destinadas a auxiliar pais e responsáveis na educação de seus filhos.

A obra reúne frases curtas e orientações práticas sobre temas como caráter, fé, espiritualidade, autoestima, escolhas pessoais, humildade e disciplina. Segundo os autores, o objetivo é oferecer pontos de partida para conversas que muitas famílias sentem necessidade de iniciar, mas nem sempre sabem como conduzir.

Estrutura da obra

Diferentemente de livros tradicionais com capítulos extensos, a publicação adota um formato simples e direto. As orientações são organizadas em pequenos textos que podem ser lidos de forma rápida.

Os conteúdos são inspirados em princípios bíblicos e abordam aspectos presentes no cotidiano familiar. Entre os temas discutidos estão emoções, dinheiro, trabalho, relacionamentos e decisões pessoais.

Esse formato busca facilitar o uso do livro em diferentes momentos da rotina. A proposta é que as reflexões sirvam como instrumento de diálogo entre pais e filhos, promovendo conversas abertas sobre valores e responsabilidades.

Recurso para conversas familiares

A estrutura concisa permite que os textos sejam utilizados em situações variadas do dia a dia. Pais podem recorrer às reflexões durante conversas informais, no trajeto para a escola ou antes de dormir.

O conteúdo também pode servir como apoio em momentos de oração ou devoção familiar. Em contextos mais delicados, as orientações funcionam como ponto de partida para discutir assuntos sensíveis de forma acessível.

Ao tratar de temas que atravessam diferentes fases da vida, o livro busca aproximar gerações e estimular o crescimento conjunto de pais e filhos. A proposta central é incentivar o diálogo e fortalecer os vínculos familiares em meio aos desafios da sociedade contemporânea, de acordo com informações do Pleno News.

Prisão de Vorcaro feita ordenada por Mendonça é reiterada no STF

O Supremo Tribunal Federal formou maioria nesta sexta-feira, 13 de março, para manter a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro. O empresário permanece detido na Penitenciária Federal de Brasília.

Vorcaro foi preso durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 4 de março. A investigação apura suspeitas de crimes financeiros e atuação de organização criminosa.

Maioria no STF

O julgamento ocorre na Segunda Turma do Supremo e analisa a legalidade da prisão preventiva do empresário. O relator do caso é o ministro André Mendonça.

Mendonça votou pela manutenção da prisão e foi acompanhado pelos ministros Luiz Fux e Nunes Marques.

Ao defender a continuidade da prisão preventiva, o relator afirmou que existem indícios de tentativa de interferência nas investigações.

“Há, sob outro prisma, evidências de tentativa de obtenção de informações sigilosas sobre investigações em andamento e monitoramento de autoridades. Existem fortes indícios da existência de grupo destinado a intimidar adversários e monitorar autoridades, o que revela risco concreto de interferência nas investigações”, declarou.

Riscos à investigação

Segundo André Mendonça, a liberdade dos investigados poderia comprometer o andamento da apuração conduzida pela Polícia Federal.

O ministro afirmou que medidas cautelares alternativas não seriam suficientes para evitar riscos à investigação.

“As medidas menos gravosas previstas em nosso ordenamento jurídico não ostentam, em relação a tais investigados, o condão de obstar o cenário de risco às investigações, à apuração dos produtos ilícitos e à sua futura recuperação”, afirmou.

Ele acrescentou que permitir a liberdade dos investigados poderia comprometer a confiança da sociedade no sistema de Justiça.

“A liberdade dos investigados compromete, assim, de modo direto, a efetividade da investigação e a confiança social na Justiça penal.”

Organização criminosa

No voto, o relator também destacou indícios da existência de um grupo estruturado para a prática de crimes financeiros.

Segundo ele, manter os investigados em liberdade poderia permitir a continuidade dessas atividades.

“Permitir que permaneçam em liberdade significa manter em funcionamento uma organização criminosa que já produziu danos bilionários à sociedade”, afirmou.

Mendonça também apontou o risco de destruição de provas e manipulação de documentos relevantes para a investigação.

“Há risco concreto de destruição de provas, pois os investigados demonstraram possuir meios de acesso a documentos sensíveis e a sistemas estatais, além do domínio de empresas instrumentalizadas para a prática de ilícitos”.

Outro ponto destacado no voto foi a capacidade de reorganização do grupo investigado. Segundo o ministro, mesmo após operações policiais, os investigados poderiam continuar atuando por meio de empresas de fachada e articulações com agentes públicos.

“A organização criminosa demonstra altíssima capacidade de reorganização, mesmo após deflagração de operações”, afirmou, de acordo com a Agência Estado.

Ele acrescentou que as investigações indicam que as atividades suspeitas teriam continuado mesmo após o início do inquérito.

Outros investigados

O pedido de prisão preventiva também envolve outros investigados citados na operação. Entre eles estão Fabiano Zettel e Marilson Roseno da Silva.

Segundo Mendonça, os investigados ocupam postos-chave dentro da estrutura do grupo e estariam ligados a práticas ilícitas reiteradas.

A análise do caso ocorre no plenário virtual do Supremo Tribunal Federal. O julgamento começou às 11h e deve durar uma semana.

A votação está prevista para ser encerrada às 23h59 da próxima sexta-feira (20). Falta apenas o voto do ministro Gilmar Mendes para a conclusão do julgamento.

Declaração de suspeição

Na quarta-feira, 11 de março, o ministro Dias Toffoli declarou-se suspeito para participar do julgamento.

Toffoli já havia sido afastado da relatoria do caso em 12 de fevereiro, após informações da Polícia Federal indicarem possíveis vínculos com um fundo ligado ao banqueiro investigado.

Com a maioria já formada na Segunda Turma, a tendência é que a prisão preventiva de Daniel Vorcaro seja mantida enquanto as investigações da Operação Compliance Zero continuam em andamento.

‘Minha Noiva’: Esther Durán fecha álbum com faixa ao lado do pai

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A cantora Esther Durán lançou o álbum “Acalma o Meu Coração”, projeto que marca o início de uma nova fase de seu ministério musical. O trabalho reúne oito canções e apresenta mensagens de devoção e amor a Deus.

O álbum já está disponível nas plataformas digitais e inclui a faixa bônus Minha Noiva, gravada em parceria com seu pai, o cantor Chris Durán.

Uma das canções centrais do projeto foi inspirada no capítulo 25 do Evangelho de Mateus, que apresenta a conhecida Parábola das Dez Virgens. O texto bíblico aborda a importância de permanecer preparado para a volta de Jesus.

Segundo Esther Durán, a música busca refletir essa mensagem espiritual: “A Bíblia compara a Igreja a uma noiva que aguarda ansiosamente pela vinda do seu amado”, explicou a cantora. “Se nós, de fato, O amamos, temos prazer em nos preparar para a Sua vinda”.

Dueto com Chris Durán

A faixa Minha Noiva possui um significado especial para a artista, pois a canção foi originalmente gravada por Chris Durán em 2016. Na época, Esther tinha apenas nove anos de idade.

Agora, anos depois, a cantora registra a música ao lado do pai como parte de seu próprio projeto musical.

“Esta é uma composição do meu pai que sempre falou muito comigo. Canto desde pequenininha e carrego memórias afetivas muito fortes com ela. Poder registrá-la agora, ao lado dele, transforma isso em uma recordação para toda a vida”, afirmou.

Sonoridade do projeto

O álbum apresenta arranjos acústicos e uma sonoridade intimista, proposta que marca todo o projeto. A interpretação de Esther é caracterizada por uma abordagem suave e emocional.

Chris Durán também comentou sobre essa nova fase da carreira da filha e destacou seu crescimento espiritual: “A Esther se tornou uma mulher sensível às coisas de Deus. Esse foi o meu maior desafio, fazer com que ela se parecesse com aquilo que Deus deseja”, declarou.

Esther Durán vive atualmente um momento de expansão em sua carreira musical. A cantora possui mais de dois milhões de seguidores nas redes sociais e aproximadamente dois milhões de ouvintes mensais em plataformas de streaming.

Esses números refletem o crescimento de sua presença digital e a ampliação de sua audiência entre o público gospel.

Canções da trajetória

Antes do lançamento do novo álbum, algumas músicas ajudaram a consolidar o nome da artista entre a nova geração da música cristã.

Entre os destaques estão as canções Tua Presença, Derramo Meu Perfume, a releitura de Acalma o Meu Coração — que ultrapassou 34 milhões de visualizações nas redes sociais, segundo a assessoria da Musile Records — e Desejável, primeiro dueto gravado com Chris Durán.

O novo projeto também inclui composições autorais como Grande Dia e Filho Meu. Outra faixa do álbum é Minha Paz, escrita pelo noivo da cantora, David Matteucci, em parceria com o produtor Hananiel Eduardo.

Nova fase ministerial

Para Esther Durán, o lançamento do álbum representa o início de uma etapa importante em sua caminhada ministerial.

“Tudo isso é o cumprimento de promessas que Deus fez ao meu coração ao longo dos anos. Tenho vivido tudo com gratidão, responsabilidade e expectativa pelo que Ele ainda vai fazer”, afirmou a cantora.

O projeto “Acalma o Meu Coração” marca, segundo a artista, um novo capítulo em sua trajetória musical e espiritual, reforçando seu propósito de levar mensagens de fé e adoração por meio da música.

Justiça nega vínculo empregatício entre esposa de pastor e igreja

A Justiça decidiu que a atuação de uma mulher em uma igreja evangélica não configurou vínculo empregatício. A decisão foi tomada pela Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho e reforça a distinção entre atividades religiosas voluntárias e relações formais de trabalho.

O julgamento manteve decisões de instâncias inferiores que haviam rejeitado o pedido de reconhecimento de emprego. Para os ministros, as funções exercidas pela autora representavam colaboração familiar ligada à prática religiosa, e não uma relação de trabalho regida pela legislação trabalhista.

Entendimento do tribunal

Segundo o tribunal, o caso envolve atividades realizadas dentro do contexto da vida religiosa e familiar. Nessas situações, a participação de familiares em tarefas da igreja pode ocorrer como apoio voluntário à missão espiritual, sem que isso caracterize automaticamente um vínculo de emprego.

A decisão também destacou que igrejas possuem formas próprias de organização interna. A existência de funções ou orientações dentro dessas estruturas não significa necessariamente a presença dos elementos jurídicos que definem uma relação de trabalho formal.

Como surgiu a disputa judicial

O processo foi iniciado em 2020. A autora afirmou que teria trabalhado para uma igreja evangélica entre 2013 e 2019.

Segundo seu relato, ela começou exercendo funções de auxiliar administrativa e posteriormente passou a atuar como secretária. A mulher afirmou ainda ter participado de atividades missionárias em países como Angola, Moçambique e África do Sul.

De acordo com a ação judicial, suas atividades incluíam elaboração de relatórios financeiros, controle de arrecadações, pagamentos e vendas de produtos ligados à igreja. Ela também alegou ter prestado assessoria administrativa a pastores e bispos e afirmou que recebia valores pelas tarefas realizadas.

Argumentos apresentados pela igreja

A defesa da igreja apresentou uma versão diferente dos fatos. Segundo a instituição, a autora é filha de um bispo e esposa de um pastor, tendo acompanhado o pai e o marido em atividades religiosas desde a infância.

A igreja sustentou que qualquer valor recebido por ela tinha caráter de ajuda de custo destinada à subsistência da família pastoral, e não remuneração decorrente de um contrato de trabalho.

De acordo com a defesa, sua atuação ocorreu dentro do contexto familiar e religioso, acompanhando a rotina ministerial da família.

Decisões das instâncias anteriores

A primeira decisão da Justiça do Trabalho já havia negado o reconhecimento do vínculo empregatício.

Na análise inicial, depoimentos indicaram que a atuação da mulher possuía caráter voluntário e religioso, sem evidências de subordinação típica de uma relação de trabalho.

O entendimento foi mantido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região.

Ao examinar o processo, o tribunal destacou que as atividades estavam relacionadas à convivência familiar e à vocação religiosa da autora. Outro ponto citado foi que ela tinha apenas 15 anos quando começou a atuar na igreja e utilizava um crachá com a inscrição “esposa”, indicando sua posição familiar dentro da instituição.

Voto do relator no TST

Ao julgar o recurso no Tribunal Superior do Trabalho, o ministro Breno Medeiros afirmou que a relação entre pastores e igrejas possui natureza predominantemente espiritual.

Segundo ele, o apoio prestado por familiares ao trabalho religioso pode ser interpretado como colaboração dentro da prática da fé.

O ministro também destacou que estruturas hierárquicas e orientações internas são comuns em organizações religiosas. Entretanto, esses elementos, isoladamente, não caracterizam vínculo de emprego nos termos da Consolidação das Leis do Trabalho.

A decisão da Quinta Turma foi unânime.

Impacto da decisão jurídica

Especialistas avaliam que o julgamento possui relevância para casos semelhantes envolvendo instituições religiosas.

O entendimento reforça que nem toda atividade realizada dentro de uma igreja configura relação de trabalho, especialmente quando envolve voluntariado ou colaboração familiar em contextos religiosos. Para profissionais do direito, a decisão destaca a necessidade de analisar cuidadosamente a natureza das atividades realizadas dentro dessas instituições.

Pesquisa aponta desaprovação de 64% entre evangélicos à Lula

Levantamento realizado pelo instituto Ipsos-Ipec e divulgado no dia 10 de março revela que 64% dos evangélicos brasileiros desaprovam a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O índice representa o maior percentual de rejeição entre os principais segmentos religiosos analisados pela pesquisa.

Dentre os entrevistados que se identificam com denominações evangélicas, 30% afirmaram aprovar o governo e 6% não souberam ou preferiram não responder. Os números indicam a persistência de um distanciamento entre o Palácio do Planalto e um grupo religioso que tem ampliado sua influência demográfica e política no país .

Comparativo com católicos e população geral

Entre os católicos, a pesquisa mostra um cenário mais equilibrado. Aproximadamente 49% dos fiéis dessa religião desaprovam a administração federal, enquanto 45% aprovam. A diferença de quatro pontos percentuais contrasta com os 34 pontos registrados entre os evangélicos .

Considerando o conjunto da população brasileira, 51% dos entrevistados desaprovam a forma como o país vem sendo administrado, contra 43% que aprovam. Outros 6% não souberam ou preferiram não opinar .

Avaliação da gestão

Quando questionados sobre a qualidade da gestão federal, 33% dos brasileiros classificaram o governo como ótimo ou bom. Outros 29% consideram a administração regular, enquanto 40% avaliam como ruim ou péssima. O resultado mantém a percepção negativa como majoritária na opinião pública .

Metodologia

A pesquisa Ipsos-Ipec ouviu 2 mil pessoas em 131 municípios brasileiros entre os dias 5 e 9 de março. As entrevistas foram realizadas presencialmente. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%, parâmetros considerados padrão para levantamentos de opinião pública de abrangência nacional .

Os dados reforçam a relevância do segmento evangélico no cenário político-eleitoral e indicam que a relação com esse grupo permanece como um dos principais desafios de comunicação e articulação política para o atual governo.