Pai chama a PM após filha fazer atividade sobre “orixá” na escola

Um caso envolvendo uma atividade supostamente pedagógica na Escola Municipal de Ensino Infantil (Emei) do Caxingui, zona oeste da capital paulista, resultou na intervenção da Polícia Militar na última quarta-feira. O fato ocorreu após um pai manifestar descontentamento com a produção de um desenho da orixá Iansã por sua filha de quatro anos.

De acordo com relatos, o homem teria comparecido à escola na terça-feira e danificado um mural contendo trabalhos artísticos dos alunos. A atividade integrava as diretrizes do currículo antirracista da rede municipal de ensino. A direção da instituição convocou o responsável para uma reunião do Conselho Escolar, mas ele não compareceu ao encontro.

Em vez disso, o pai registrou ocorrência junto à PM, alegando que a criança estaria sendo submetida a “aula de religião africana”. Em resposta à solicitação, quatro policiais militares deslocaram-se até a unidade educacional para averiguar a situação.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) emitiu nota informando que “os PMs conversaram com o pai e a diretora do colégio”, sendo que “ambos foram orientados a registrar boletim de ocorrência, caso julgassem necessário”. O comunicado acrescentou que “a Corregedoria da PM está à disposição para apurar eventuais denúncias sobre a conduta policial”.

A Secretaria Municipal de Educação (SME) também se manifestou, afirmando que o responsável pela aluna “já recebeu esclarecimentos de que o trabalho apresentado por sua filha integra uma produção coletiva do grupo”. A pasta reiterou que a atividade pedagógica estava alinhada com as diretrizes curriculares da rede municipal de ensino.

A preocupação do pai da aluna, contudo, expressa o conhecimento de que nenhum aluno, especialmente os mais novos, deve ser submetido à orientação religiosa sem o consentimento da família. Neste caso, orixás fazem parte das crenças das religiões de origens africanas, como o candomblé. Com informações: UOL.

Igreja leva pedreiros para reconstruir cidade destruída por tornado

A Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) instalou a Carreta Solidária em Rio Bonito do Iguaçu no início desta semana, após o tornado que atingiu o município. A entidade também confirmou para domingo a chegada de 80 pedreiros que vão atuar na reconstrução emergencial das casas danificadas.

O veículo está estacionado em frente ao Conselho Tutelar e concentra serviços considerados essenciais para as famílias afetadas. A carreta funciona como lavanderia solidária, aberta diariamente das 8h às 18h, e também como espaço de apoio psicossocial, onde moradores recebem escuta e orientação.

Desde o início da crise, voluntários ligados à ADRA têm percorrido os bairros mais atingidos. As equipes atuam na retirada de entulhos, na cobertura provisória de casas e no apoio básico às famílias que buscam reorganizar o que restou após o desastre.

A mobilização deve ganhar reforço com a chegada dos 80 pedreiros enviados pela ASA e pela ADRA. Os profissionais virão de Curitiba, Foz do Iguaçu e Cascavel e terão foco na recuperação rápida das moradias mais comprometidas.

Para viabilizar o início dos reparos, a organização está cadastrando moradores que receberão vouchers para a compra de materiais de construção ao longo da semana. Em paralelo, um galpão em cidade vizinha armazena mais de dez toneladas de doações, incluindo água, alimentos, itens de higiene, colchões e cobertores, que vêm sendo distribuídos às famílias cadastradas conforme as necessidades identificadas.

Mesmo após uma semana do tornado, a ADRA mantém equipes e estrutura na região, com o objetivo de garantir a continuidade do atendimento e das ações de apoio às comunidades afetadas, conforme informado pela rádio Exibir Gospel.

Professoras demitidas ao recusar ideologia de gênero vencem

Duas professoras demitidas após se oporem a uma política de uma diretoria regional de ensino que permitia a estudantes transgêneros usar banheiros e vestiários de acordo com sua identidade de gênero declarada, e não com o sexo biológico, firmaram um acordo de 650 mil dólares com o antigo empregador.

O caso envolve Rachel Sager e Katie Medart, que trabalhavam na diretoria regional de ensino em Grants Pass, no Oregon (EUA), e tiveram o vínculo encerrado em 2021.

Em comunicado, a organização jurídica sem fins lucrativos Alliance Defending Freedom (ADF), frequentemente descrita como conservadora, informou que o acordo foi firmado após a demissão das educadoras em razão de sua participação na campanha “Eu Resolvo”. A iniciativa propunha uma alternativa à política intitulada “Orientação sobre Identidade de Gênero, Transgênero, Nome e Pronomes”, recentemente implementada pelo distrito.

A política em vigor estabelece que a diretoria “não proibirá os alunos de acessar banheiros, vestiários ou outras instalações que possam ser separadas por gênero e que estejam associadas à identidade de gênero preferida do aluno”. Em resposta, a campanha “Eu Resolvo” divulgou um vídeo no YouTube em que os educadores apresentavam “propostas alternativas sobre os pronomes e nomes preferidos dos alunos, bem como sobre o uso do banheiro”.

Sager, que atuava como diretor assistente, e Medart, professora de saúde e ciências, passaram a enfrentar queixas de colegas de trabalho por conta da campanha. Críticos alegaram que os dois violaram a proibição da diretoria de ensino de envolver-se em discurso político utilizando recursos institucionais ou durante o horário de expediente. Após investigação interna que concluiu pela violação das normas do distrito, ambos foram inicialmente afastados e, depois, demitidos.

No outono de 2021, Sager e Medart foram reintegrados a funções em uma escola online do próprio distrito, com redução significativa da interação diária com estudantes em comparação às atividades originais. Em seguida, ingressaram com uma ação judicial contra a diretoria regional de ensino, alegando violação de direitos previstos na Primeira e na Décima Quarta Emendas da Constituição dos Estados Unidos, no Artigo I, Seção 8 da Constituição do Oregon e no Título VII da Lei dos Direitos Civis de 1964.

O acordo, que abrange indenizações e honorários advocatícios, foi firmado cerca de cinco meses após o Tribunal de Apelações do 9º Circuito dos Estados Unidos ter revertido a decisão de primeira instância que havia rejeitado o pedido de indenização com base na Primeira Emenda. O tribunal de apelação concluiu que a diretoria regional de ensino violou a Constituição ao discriminar os docentes com base em conteúdo e ponto de vista, e que houve violação do Título VII ao demiti-los em razão de suas “visões bíblicas sobre gênero e sexualidade”. O caso foi devolvido ao juízo de origem para prosseguimento.

Matthew Hoffman, advogado sênior da ADF, que representou os professores em conjunto com o Pacific Justice Institute, avaliou positivamente o desfecho. “Os educadores têm liberdade para expressar opiniões sobre questões fundamentais de interesse público — como as políticas de educação sobre identidade de gênero — que afetam as liberdades de professores, pais e alunos”, afirmou. Para o advogado, a diretoria de ensino de Grants Pass “está tomando a atitude correta ao reconhecer que os professores não abrem mão de seus direitos da Primeira Emenda ao entrarem em uma propriedade escolar. As escolas públicas não podem retaliar contra discursos simplesmente porque discordam do que é dito”.

Além do valor financeiro, os termos do acordo preveem que a diretoria regional de ensino publique uma declaração reconhecendo que a demissão dos educadores “não atendeu aos seus padrões e responsabilidades”.

Segundo informou o The Christian Post, a diretoria regional de ensino também deve emitir cartas de recomendação positivas para auxiliar os dois na busca por novos empregos, remover referências negativas dos registros funcionais e revisar a política aplicável para alinhá-la às garantias da Primeira Emenda.

Para Nikolas, facções dominam parte do país: “Terror de governo”

Meu discurso sobre a realidade da segurança pública no Brasil.

– Fórum Parlamentar de Inteligência e Segurança em El Salvador. pic.twitter.com/VsullYXlTl

— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) November 16, 2025

Em um evento paralelo às atividades no Brasil, o deputado federal evangélico Nikolas Ferreira (PL-MG), durante participação no Fórum Parlamentar de Inteligência e Segurança em El Salvador, afirmou que organizações criminosas controlam territórios significativos no Brasil.

Em seu discurso registrado em vídeo e divulgado em suas redes sociais, o parlamentar declarou: “As facções não se escondem mais. Elas impõem regras, controlam territórios e usam o terror como forma de governo”.

Nikolas citou estimativas indicando que “entre 50 e 60 milhões de brasileiros vivem sob influência direta de organizações criminosas”, acrescentando que “um quarto da população vive sob um governo que não foi eleito e não presta contas”.

O deputado federal relatou ainda que grupos armados passaram a cobrar taxas sobre serviços básicos como telecomunicações, transporte, alimentação, água e gás de cozinha, algo que caracteriza a existência de um poder paralelo ao do país.

Em sua análise, o parlamentar atribuiu o avanço das facções à “falta de ação do Estado” e a “decisões políticas que enfraquecem o combate ao crime”. Nikolas afirmou também que “quatro em cada dez presos em flagrante são soltos na audiência de custódia”, questionando medidas do Judiciário brasileiro.

Ao final de sua exposição, Nikolas Ferreira defendeu que “o Brasil não precisa de mais leis, precisa de justiça que cumpra a lei”, argumentando pela necessidade de “restabelecer limites entre os Poderes”.

O posicionamento do deputado ocorre em um contexto onde o país discute o avanço de organizações narcotraficantes como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, grupos que a oposição ao atual governo Lula deseja classificar como terroristas.

Israel se mantém firme contra a criação de um Estado palestino

Em declaração proferida durante reunião ministerial no domingo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reafirmou sua posição contrária ao estabelecimento de um Estado palestino. A afirmação ocorre em meio a discussões no Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre proposta de resolução referente à situação em Gaza.

Netanyahu afirmou que a posição de seu governo “não mudou nem um pouco” quanto à questão da soberania palestina, argumentando que tal medida poderia facilitar a expansão do grupo Hamas nas proximidades das fronteiras israelenses.

O posicionamento se mantém despite as pressões diplomáticas internacionais e uma proposta norte-americana que inclui disposições sobre a independência palestina.

Os Estados Unidos apresentaram um texto ao Conselho de Segurança que prevê um mandato para força internacional de estabilização em Gaza. A proposta sofre resistência de Rússia, China e nações árabes.

Em revisão posterior, os norte-americanos incorporaram linguagem mais explícita sobre autodeterminação palestina e mencionaram o plano do ex-presidente Donald Trump como base potencial para a formação de um Estado palestino.

Paralelamente, a Rússia circulou proposta alternativa com termos mais contundentes em defesa da criação do Estado palestino. A comunidade internacional geralmente considera a solução de dois Estados como o caminho mais viável para a resolução do conflito.

No plano doméstico de Israel, Netanyahu enfrenta cobranças de aliados de governo por uma postura mais rigorosa. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, manifestou-se publicamente exigindo resposta firme ao reconhecimento do Estado palestino por países ocidentais: “Formule uma resposta adequada e firme que deixe claro ao mundo inteiro que nenhum Estado palestino surgirá nunca em nossa pátria”.

Em resposta, Netanyahu afirmou que “não precisa de lições” sobre o assunto. Outros membros do gabinete israelense, incluindo o ministro da Defesa Israel Katz e o chanceler Gideon Saar, também se manifestaram contrariamente à criação de um Estado palestino.

Saar declarou não concordar com “o estabelecimento de um Estado palestino terrorista no coração da terra de Israel”, enquanto o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, referiu-se à identidade palestina como “invenção”. Com: Oeste.

“Avivamento debaixo da ponte”: evangelismo toca vidas nas ruas

A organização “Sul, Missões e Graça” (SMG) desenvolve trabalho evangelístico e assistencial junto aos moradores de rua no Rio Grande do Sul, com atividades realizadas predominantemente em espaços públicos sob pontes e viadutos.

De acordo com balanço divulgado pela entidade, mais de 250 pessoas aceitaram professar fé cristã ou reconciliar-se com práticas cristãs, enquanto 131 indivíduos foram reintegrados a ambientes familiares ou institucionais. Adicionalmente, dependentes químicos foram encaminhados a comunidades terapêuticas através das ações promovidas.

“Muitos retornaram a seus lares tanto em nosso estado, como em Santa Catarina e São Paulo. Realmente estamos vivendo um avivamento debaixo da ponte”, declarou o pastor Sandro Fontoura, líder da iniciativa.

Em maio de 2024, a missão realizou o primeiro Congresso de Missões do Brasil em ambiente sob viaduto, com foco específico no atendimento a moradores de rua.

Durante o evento, registrou-se o caso de um homem natural de Criciúma (SC) que vivia há seis anos em situação de rua, incluindo período como foragido da Justiça. Após participar das pregações, o indivíduo decidiu regularizar sua situação jurídica.

“Ele me disse: ‘No culto ontem à noite recebi muitos abraços e palavras vindas dos céus. Preciso retornar [a Jesus] e para isso tenho que fazer tudo da maneira correta, e esse é o caminho’”, relatou Fontoura em entrevista ao Guiame.

O pastor detalhou que o homem tentou contatar familiares através de telefone emprestado em instituição religiosa próxima, sem obter sucesso inicial.

Após conseguir comunicação através de aparelho da equipe missionária, realizou duas ligações: primeiramente para familiares, solicitando encontro na entrada de Criciúma, e posteriormente para autoridades policiais, comunicando sua intenção de apresentar-se espontaneamente.

Com assistência de pastores integrantes da SMG, o homem foi transportado a Santa Catarina, onde presenciou reencontro familiar e subsequentemente entregou-se à polícia. “Poucos dias atrás ligamos para a SUSEPE de Santa Catarina para fazermos uma visita a ele no presídio, e a notícia que recebemos é que ele foi solto naqueles dias e já tinha voltado para sua família”, completou Fontoura.

A iniciativa surgiu como resposta ao aumento populacional em situação de rua registrado após as enchentes no Rio Grande do Sul. “Em apenas 7 meses, contamos com pastores de 32 cidades que resolveram ir para as ruas conosco”, explicou o líder religioso.

Além do trabalho espiritual, a organização distribui alimentos, cobertores e vestuário em Porto Alegre e outras localidades. Eventos comunitários incluíram distribuição de 4.300 pizzas e 1.600 galetos assados.

Com as obras de revitalização do Viaduto da Conceição, a missão planeja transferir atividades para outros locais. Estima-se que aproximadamente 5.000 pessoas encontram-se em situação de rua na capital gaúcha, com total superior a 15.000 em todo o estado.

“Resolvemos pastorear esse povo com o desejo de mostrar o Reino de Deus a todas essas pessoas”, finalizou o pastor Sandro Fontoura.

Cristãos no Paquistão exigem igualdade na nova lei eleitoral

Cristãos na província de Punjab, a mais populosa do Paquistão, têm organizado protestos contra uma nova lei eleitoral para o governo local. Segundo líderes religiosos e organizações da sociedade civil, a norma impede que minorias religiosas elejam diretamente seus próprios representantes e reduz a participação democrática ao adotar eleições sem filiação partidária.

A Lei de Governo Local de Punjab de 2025, que deve reger as eleições locais previstas para o fim de dezembro, determina que moradores de mais de 4.000 conselhos sindicais, em áreas rurais e urbanas, elejam diretamente nove membros gerais. Já quatro vagas reservadas — destinadas a minorias, mulheres, trabalhadores ou agricultores e jovens — serão preenchidas por um processo de “seleção” conduzido pelos partidos. Cristãos, que compõem a maior parte da população minoritária em Punjab, afirmam que o modelo aprofunda a marginalização política de grupos vulneráveis e viola garantias constitucionais de igualdade e fortalecimento do governo local.

“Nossa maior preocupação é a adoção antidemocrática e injusta do sistema de seleção para as vagas reservadas. O direito de eleger os próprios representantes é fundamental para uma participação significativa”, declarou Samson Salamat, presidente do Rwadari Tehreek (Movimento pela Igualdade). “Tememos que isso aprofunde a marginalização política dos segmentos mais vulneráveis da sociedade, especialmente as minorias religiosas, as mulheres e os trabalhadores”, acrescentou.

Em uma “assembleia popular” realizada no Clube de Imprensa de Lahore em 7 de novembro, organizada em parceria com outras duas organizações da sociedade civil, Salamat afirmou que a realização de eleições sem a participação formal de partidos também prejudica a representação política. “A Lei de Governo Local de Punjab de 2025 contraria os princípios democráticos e levará à falta de prestação de contas e transparência. Sem filiação partidária, os eleitores não saberão quais políticas ou princípios seus candidatos locais defendem”, enfatizou.

Katherine Sapna, diretora executiva da entidade de assistência jurídica gratuita Christians True Spirit, lembrou que o Artigo 140-A da Constituição do Paquistão garante autoridade administrativa, financeira e política aos representantes eleitos do governo local. Segundo ela, a nova lei enfraquece essas proteções e contraria valores democráticos básicos e garantias constitucionais.

“A representação das minorias religiosas por meio de representação proporcional nas assembleias nacionais e provinciais desde 2002 já se mostrou contraproducente para essas minorias. Em vez de reformar a lei, o governo de Punjab repetiu a injustiça e privou cristãos e outras minorias do direito de eleger seus próprios representantes, inclusive em nível local”, afirmou.

Ela informou ainda que o Rwadari Tehreek, o Christians True Spirit e a Human Friends Organization ingressaram com uma petição constitucional no Tribunal Superior de Lahore em 5 de novembro. O pedido solicita que a corte altere a lei para permitir que minorias religiosas elejam diretamente seus representantes às vagas reservadas.

Outros participantes do encontro em Lahore — entre eles líderes religiosos, advogados e ativistas sociais — também criticaram a nova legislação e defenderam eleições diretas para os assentos destinados a minorias. Eles argumentaram que as eleições municipais devem refletir justiça, igualdade e participação pública genuína, para que grupos religiosos e sociais minoritários se sintam efetivamente incluídos na base da estrutura política. As últimas eleições para o governo local em Punjab ocorreram em 2015.

A prática de preencher vagas reservadas por indicação de partidos tem origem no modelo de eleitorado conjunto introduzido pelo ex-governante militar Pervez Musharraf em 2002. Nesse sistema, minorias votam juntamente com muçulmanos para eleger representantes nacionais e provinciais, enquanto assentos reservados para minorias no parlamento e nas assembleias provinciais são distribuídos proporcionalmente entre os partidos, desde que alcancem pelo menos 5% das cadeiras.

Ejaz Alam Augustine, ex-ministro de Direitos Humanos e Assuntos das Minorias de Punjab e atual membro da assembleia provincial, afirmou que tentativas recorrentes de reformar o sistema eleitoral para vagas reservadas não tiveram êxito. “O poder deve ser descentralizado para o nível local, especialmente para as comunidades minoritárias, para que possam lidar eficazmente com os problemas que enfrentam diariamente. No entanto, os sucessivos governos ao longo dos anos têm evitado reformar a lei, privando as minorias do seu direito de eleger os seus próprios representantes”, disse ele.

De acordo com o Artigo 51(4) da Constituição do Paquistão, 10 assentos são reservados para não muçulmanos na Assembleia Nacional, que possui 336 cadeiras. Pelo Artigo 106, as quatro assembleias provinciais reservam, em conjunto, 24 assentos para não muçulmanos, de um total de 749. As minorias também têm direito a quatro assentos no Senado, um por província, em uma câmara de 96 membros.

Para Azam Mairaj, fundador do grupo de defesa dos direitos das minorias Tehreek-e-Shinakht (Movimento pela Identidade), as 34 cadeiras reservadas nas instâncias nacional e provinciais têm pouco impacto quando os próprios eleitores minoritários não escolhem diretamente seus representantes. Segundo ele, o sistema atual produziu “faz-tudo” que, na prática, respondem prioritariamente aos grandes partidos, e não às comunidades minoritárias que deveriam representar.

Defendendo eleições diretas para vagas reservadas, Mairaj propôs um modelo em que todo cidadão não muçulmano manteria o direito de votar e concorrer a vagas gerais nos níveis nacional, provincial e local, além de eleger representantes especificamente para assentos destinados às minorias:

“O mecanismo básico para o voto duplo deve permitir que cidadãos não muçulmanos elejam diretamente seus representantes para as vagas reservadas”, explicou, conforme informou o The Christian Post. “Por meio de uma emenda constitucional, as minorias em cada província devem ter representação no nível federal, com um aumento nas vagas reservadas em consonância com o preâmbulo da Constituição, que exige ‘provisão adequada’ para salvaguardar os interesses das minorias e dos grupos desfavorecidos”.

Mairaj acrescentou que os distritos eleitorais destinados a minorias religiosas poderiam ser delimitados de acordo com o tamanho da população. Em áreas com comunidades menores, distritos específicos reduzidos poderiam ser estabelecidos, com o objetivo de assegurar uma representação considerada mais justa.

Estado Islâmico ataca hospital e degola mães que amamentavam

Um ataque atribuído a um grupo rebelde a uma maternidade de um hospital cristão no leste da República Democrática do Congo resultou na morte de cerca de 20 pessoas, entre elas mães que amamentavam e seus bebês.

Autoridades locais responsabilizaram as Forças Democráticas Aliadas (ADF, na sigla em inglês), grupo armado afiliado ao Estado Islâmico, pelo massacre.

O ataque ocorreu na noite de sexta-feira na aldeia de Byambwe, no território de Lubero, província de Kivu do Norte, onde o grupo atingiu um centro de saúde administrado pelas Irmãzinhas da Apresentação. De acordo com relatos oficiais, homens armados avançaram rapidamente pela vila, matando pacientes em seus leitos e incendiando o prédio.

O administrador local, coronel Alain Kiwewa, disse à agência Associated Press, no sábado, que parte das vítimas foram encontradas dentro do hospital. “Mulheres que estavam amamentando foram brutalmente assassinadas e encontradas com a garganta cortada em seus leitos hospitalares”, afirmou Kiwewa. Segundo ele, das 17 pessoas mortas contabilizadas inicialmente, 11 eram mulheres e seis eram homens.

As autoridades informaram ainda que o mesmo grupo armado lançou ataques contra outras vilas nas proximidades, na mesma noite, embora o número de vítimas nesses locais ainda não tenha sido confirmado. Testemunhas relataram que a maternidade foi uma das áreas mais atingidas, com relatos de mulheres e recém-nascidos queimados vivos durante o incêndio.

O prédio do centro de saúde foi destruído, e casas ao redor foram saqueadas e incendiadas. Sobreviventes passaram a receber atendimento em áreas abertas, enquanto as Irmãzinhas da Apresentação aguardam avaliações de segurança para retomar os serviços, de acordo com informações divulgadas pela agência católica de notícias Aleteia.

O padre Giovanni Piumatti, missionário italiano que serviu por mais de 50 anos na Diocese de Butembo-Beni e que hoje reside na Itália, declarou que 15 pessoas foram mortas dentro do hospital e outras cinco foram assassinadas nas proximidades. Segundo ele, os atacantes estavam fortemente armados e se deslocaram rapidamente por Byambwe antes de recuar para a floresta. Casas próximas à clínica foram incendiadas após os agressores se apoderarem de suprimentos médicos.

Piumatti destacou que ataques dessa natureza ocorrem com frequência na região e costumam receber pouca atenção internacional. As Forças Democráticas Aliadas atuam no leste do Congo há mais de duas décadas e são conhecidas por ataques recorrentes contra escolas, igrejas, fazendas e centros de saúde. Formado a partir de facções rebeldes em Uganda no fim da década de 1990, o grupo ampliou sua presença no leste congolês e, em 2017, declarou lealdade ao Estado Islâmico.

Dados do projeto Armed Conflict Location and Event Data (ACLED) indicam que a ADF é atualmente a ameaça mais letal para civis na República Democrática do Congo, sendo responsabilizada por mais de 1.000 mortes em 2023. Em agosto, combatentes da ADF mataram pelo menos 52 pessoas em uma série de ataques que se estenderam por vários dias, segundo a missão de paz das Nações Unidas no país.

Em julho, o grupo atacou uma igreja católica na província de Ituri durante uma vigília, resultando na morte de quase 40 fiéis, muitos deles mulheres e crianças. O episódio levou o papa Leão XIV a condenar a violência durante a Audiência Geral de 30 de julho; na ocasião, ele pediu orações pelas vítimas e exortou líderes internacionais a darem maior atenção à crise no leste congolês.

Moradores e líderes religiosos afirmam que civis seguem entre os mais afetados pela instabilidade persistente em Kivu do Norte e Ituri. A região abriga dezenas de grupos armados, incluindo as Forças Democráticas Aliadas e o movimento rebelde M23, que, segundo diversas fontes locais e internacionais, contaria com apoio vindo da vizinha Ruanda.

De acordo com o The Christian Post, apesar de iniciativas diplomáticas em curso, o leste da República Democrática do Congo registra pouco avanço em direção a uma pacificação duradoura.

‘Nos Seus Sonhos’ traz verdades bíblicas ao denunciar a ganância

Assine o Canal

O roteirista e diretor Alex Woo desenvolveu Nos Seus Sonhos, animação sobre dois irmãos que viajam pela paisagem do próprio subconsciente, com a intenção de questionar, e não reforçar, a ideia de que é preciso “acreditar em si mesmo” a qualquer custo.

Segundo o cineasta, vencedor do Emmy, o projeto nasceu de uma reação à pressão crescente para que pessoas, especialmente crianças, vivam vidas consideradas perfeitas e realizem todos os seus objetivos.

“Eu realmente fiz este filme porque sinto que existe muita pressão sobre as pessoas e as crianças para viverem vidas perfeitas e realizarem seus sonhos”, afirmou Woo. Ele observou que, “principalmente na cultura americana, existe essa ideia de que você deve sempre perseguir seus sonhos com todas as suas forças, não importa o quê”. Para o diretor, quando esse ideal se torna absoluto, “pode tomar um rumo sombrio” e “quase se tornar um ídolo”.

Classificado como Livre e disponível na Netflix, Nos Seus Sonhos apresenta uma narrativa em que dor e medo aparecem como potenciais professores na formação de alguém. A leitura de que a obra dialoga com temas presentes na tradição bíblica surge mesmo sem menções diretas à fé no roteiro.

A história acompanha Stevie, uma adolescente perfeccionista e tensa, e seu irmão mais novo, Elliot, caracterizado como otimista e espontâneo. Ao caírem no mundo dos sonhos, eles enfrentam uma girafa de pelúcia sarcástica, comidas de café da manhã em versão zumbi e a Rainha dos Pesadelos, Nightmara, personagem que afirma: “Os pesadelos nos tornam fortes o suficiente para enfrentar o desconhecido”.

Para Woo, essa frase sintetiza a crítica ao que ele chama de “versão ocidentalizada do sucesso”, modelo que valoriza a ambição sem limites e reserva pouco espaço para o fracasso e o sofrimento. “A ambição é saudável”, explicou. “Mas se ela se tornar tudo, pode te consumir. Os momentos em que mais cresci, ou em que meus relacionamentos mais se aprofundaram, não foram em tempos perfeitos; foram nos meus momentos mais sombrios, quando eu sentia que estava vivendo um verdadeiro pesadelo”.

A reflexão encontra paralelo em textos do Novo Testamento que relacionam sofrimento e crescimento espiritual. Em Romanos 5, o apóstolo Paulo escreve: “O sofrimento produz perseverança, a perseverança, um caráter aprovado; e o caráter aprovado, esperança”.

Em outra cena da animação, Nightmara, que representa o medo, lembra que superar o caos exige apegar-se a algo constante, uma presença que sempre esteve ali. Para espectadores cristãos, essa ideia pode remeter à concepção bíblica de Deus como referência imutável em um mundo marcado pela mudança.

Woo também relaciona essa noção ao tema do amor. “A única constante na vida é a mudança”, afirmou. “Mas a outra constante, aquela que importa, é o amor. O amor da sua família, dos seus amigos, das pessoas que permanecem ao seu lado. É isso que te ajuda a sobreviver à mudança”.

O diretor já relatou experiências pessoais que influenciaram sua abordagem narrativa, como o episódio em que, ainda criança, acordou e descobriu que a mãe havia saído de casa por um período, situação que abalou sua sensação de segurança. “Espero que as pessoas saiam daqui com essa mensagem”, disse. “Que o amor, o amor verdadeiro, não o amor perfeito, é o que nos ajuda a superar as dificuldades”.

No enredo de Nos Seus Sonhos, essa perspectiva aparece na evolução da relação entre os irmãos. Stevie inicia a história acreditando que pode “consertar” a família se encontrar o Sandman, figura mística capaz de realizar desejos. Ao final, ela entende que a cura que buscava estava ligada ao amor imperfeito, porém real, que compartilha com Elliot.

Do ponto de vista visual, a produção apresenta cenários oníricos amplos e cheios de elementos caóticos e coloridos. Algumas sequências de pesadelo, segundo observadores, podem ser intensas para crianças menores. Woo, que trabalhou por anos na Pixar antes de fundar o estúdio Kuku Studios, afirmou que os ambientes do mundo dos sonhos foram construídos a partir de emoções e experiências concretas.

“Todo mundo dos sonhos surge de algo que as crianças vivenciaram na vida real”, explicou. “É mais ou menos assim que os sonhos funcionam para mim, fragmentos do dia remontados à noite”. Ele citou como exemplo uma sequência ambientada em um universo de café da manhã, com panquecas falantes e salsichas zumbis. “Isso surgiu da lembrança que Stevie tinha dos cafés da manhã em família”, disse o diretor.

“A comida nos conecta às emoções, ao lar. Rabanada era família para mim quando criança. Então, quando o sonho dela transforma essa lembrança em caos, trata-se, na verdade, de ela perceber que até as coisas boas podem parecer assustadoras quando se tem medo da mudança”, acrescentou, de acordo com o The Christian Post.

Ao comentar a mensagem central do filme, Woo afirmou que deseja apresentar às crianças e aos adultos a ideia de que riso e lamento, ordem e desordem podem conviver, e que a imperfeição faz parte da construção da resiliência. Ele observa os pesadelos como possíveis lembretes de que é preciso crescer e despertar para aquilo que realmente importa. O texto de Tiago, no Novo Testamento, é mencionado nesse contexto: “Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de enfrentarem provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança”.

“Há muita pressão sobre as crianças hoje em dia”, afirmou. “As redes sociais fazem a vida de todos parecer perfeita. E quando a sua própria vida não corresponde a isso, você sente que tem algo errado com você… Eu queria criar algo que dissesse às crianças que está tudo bem se a vida delas não for perfeita. Isso não significa que elas estão quebradas, significa que elas são reais”.

Jovem diz como era a vida em depressão antes de aceitar Jesus

Kayk Gomes, natural de Goiás, enfrentou dificuldades relacionadas à saúde mental a partir dos 13 anos em decorrência da depressão. Em 2020, foi diagnosticado com depressão profunda e passou a experimentar ataques de pânico, condições que impactaram significativamente sua rotina.

Atividades cotidianas como higiene pessoal e cuidados com a aparência tornaram-se desafios consideráveis. O adolescente optou pelo isolamento em seu quarto, permanecendo sem sair de casa por um período de doze meses.

“Eu era um adolescente sem vontade nenhuma de viver, com a mente dominada pelo medo e pelo negativismo. Não cuidava de mim, meu cabelo cresceu”, relatou o jovem em publicação nas redes sociais.

Em agosto de 2021, Gomes participou de um culto evangélico onde, segundo seu relato, aceitou Jesus como salvador e foi batizado. “O Senhor me chamou, se apresentou a mim, e naquele dia me rendi aos pés Dele. Daquele momento em diante, tudo foi novo”, declarou.

Ainda enfrentando restrições devido à síndrome do pânico e depressão, o jovem recebeu apoio de membros da Assembleia de Deus em Porangatu. Em 16 de outubro de 2021, com assistência pastoral, compareceu ao seu primeiro evento do Confrajovem.

“Eu estava em uma fase de libertação, sendo liberto da depressão e do pânico e havia poucos dias que eu tinha aceitado a Jesus”, recordou. “Eu entrei pelo templo com a ajuda da minha pastora e também de outro irmão, o medo era muito em mim”.

Durante o culto, Gomes dirigiu-se ao altar para receber orações. “Eu fui com ajuda pois o pânico era muito. Mas ali vi jovens sendo cheios do Espírito Santo e tudo foi novo para mim!”, afirmou.

O jovem atribui à experiência religiosa a recuperação completa de suas condições de saúde mental. “Fui curado completamente da depressão – sem remédios, sem ajuda de um profissional. Não sou contra isso; afinal, passei a amar a psicologia após minha conversão. Mas o mérito completo da minha cura é do Senhor”, testemunhou.

Em 2022, Gomes relatou ter vivenciado o batismo no Espírito Santo durante evento juvenil. “Naquele momento um fogo começou a queimar em meu coração e eu recebi o batismo com Espírito Santo e comecei a falar em outras línguas”, descreveu.

Atualmente aos 18 anos, o jovem compartilha sua experiência em comunidades religiosas e participa ativamente das atividades de sua igreja. “Jesus muda vidas, Ele mudou a minha! Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”, concluiu.