Evangélicos italianos alertam contra “evangelhos motivacionais”

Evangélicos da Aliança Evangélica Italiana (AEI) reuniram-se em Roma, no dia 16 de maio, para reafirmar o Evangelho bíblico como pilar da vida e do testemunho público das igrejas. Durante a Assembleia Federal, realizada na capital italiana, pastores e representantes denominacionais de todo o país participaram de debates sobre missão, plantação de igrejas e formação teológica, segundo publicação da AEI no portal Ideaitalia.

O presidente da entidade, Giacomo Ciccone, abriu os trabalhos com uma reflexão baseada no Salmo 125, afirmando que “a igreja está no centro do cuidado de Deus na medida em que coloca o Evangelho no centro”. Ciccone destacou a necessidade de resgatar a mensagem bíblica diante de um cenário de dispersão teológica.

Riscos de um Evangelho Desvirtuado

Em sua fala, Samuele Pellerito, presidente das Igrejas Elim na Itália, alertou para a crescente substituição do Evangelho cristocêntrico por versões desprovidas da cruz e do arrependimento. “Evangelhos políticos, culturais e motivacionais estão sendo pregados hoje”, disse, argumentando que a igreja só ocupa seu devido lugar quando o centro da mensagem é Cristo.

Doris Meister, secretária da União das Igrejas Cristãs Bíblicas, fez um paralelo com o relato da redescoberta dos rolos da Lei no reinado de Josias — um texto que o povo possuía, mas que já não conhecia. Ela apontou três perigos que afetam as igrejas evangélicas italianas: um evangelho que se limita a suprir necessidades materiais; um cristianismo individualista; e a ausência de discipulado genuíno que gere crentes maduros.

Teologia Pública sem Pânico 

O teólogo Pietro Bolognesi, ex-integrante da comissão teológica da Aliança Evangélica Mundial, baseou-se no Salmo 11 para defender uma teologia pública firmada no Evangelho — e não em religião civil ou respostas simplistas aos problemas sociais. “A resposta do crente a um mundo onde os fundamentos estão sendo destruídos começa com o reconhecimento de que Deus não abdicou do seu domínio”, argumentou.

Formação Teológica e Cooperação

A assembleia dos evangélicos também anunciou avanços no Fórum de Órgãos de Formação Teológica Evangélica na Itália (FEFTI), formalmente estabelecido em 2025, com cinco instituições membros. Giuseppe Rizza descreveu a formação teológica como a “infraestrutura necessária” para o crescimento saudável da igreja.

A primeira iniciativa conjunta será um webinar sobre a obra catequética do teólogo J.I. Packer, em comemoração ao centenário de seu nascimento, marcado para 28 de setembro.

A AEI relatou ainda atividades recentes, como uma conferência sobre liberdade religiosa no Senado italiano (fevereiro de 2025), uma carta ao Presidente da República sobre o envolvimento de escolas públicas no Jubileu Católico, e uma declaração após decisão do Tribunal Constitucional que reconheceu duas mães — além de solidariedade às Assembleias de Deus na Itália, após o que classificou como cobertura midiática estereotipada.

Plantação de Igrejas e o Problema do “Canibalismo Eclesial”

O encontro terminou com um painel sobre plantação de igrejas e testemunho urbano, inspirado pela recente publicação italiana do livro “Center Church”, de Tim Keller. Michele Passaretti, pastor em Aversa, alertou contra o que chamou de “canibalismo eclesial”, em que igrejas se tratam como rivais em vez de colaboradoras.

Outros evangélicos participantes apontaram o bairrismo italiano como um entrave ao trabalho missionário e a tendência de plantar novas congregações por divisão, e não por visão missionária.

O tema que atravessou todas as falas foi o apelo à construção de pontes — teológicas, locais e cívicas. Uma colaboração saudável, segundo os palestrantes, exige que as igrejas desenvolvam raízes genuínas em suas comunidades, aprendendo a compreender as necessidades espirituais e as pressões culturais de cada contexto. Somente assim, concluíram, o testemunho evangélico poderá deixar a competição de lado e abraçar uma missão compartilhada. Com: Christian Daily.

Luciano Huck critica Bolsa Família e aponta falta de estímulo social

O apresentador Luciano Huck fez duras críticas ao programa Bolsa Família durante sua participação no Fórum Esfera, evento voltado a empresários realizado em Guarujá, no litoral de São Paulo. Na avaliação de Huck, o programa de transferência de renda não incentiva os beneficiários a buscarem autonomia financeira, gerando o que chamou de estímulo inverso à permanência no ciclo assistencial.

“[O Brasil] é muito ineficiente em todas as frentes. É a conversa de ontem. O prefeito da cidade de Senhor do Bonfim tem 56% da sua economia no Bolsa Família. O que acontece? Você não gera nenhum tipo de estímulo para que as famílias queiram sair do Bolsa Família. Na verdade, elas [beneficiários do programa] criam atalhos pra ficar no programa de distribuição de renda, de proteção social, ad eternum“, declarou.

O apresentador também questionou como motivar famílias a superarem a dependência do programa e alcançarem mobilidade social. Citou um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) segundo o qual uma família brasileira levaria nove gerações para sair da base da pirâmide e alcançar a média da classe média.

“Isso quer dizer que você não tem esperança, nem o seu filho, nem o seu neto, nem o seu bisneto vai ter uma vida melhor que a sua? Você fica sem estímulo. Essa não mobilidade social, essa loteria do CEP que a gente vive no Brasil, que o lugar em que você nasce determina o número de oportunidades que você vai ter na vida”, afirmou.

As falas de Huck ocorreram em um momento em que o governo federal tem defendido o programa como uma das principais ferramentas de combate à pobreza e redução da desigualdade social no país. O apresentador, que já foi cotado para disputar cargos políticos, não está filiado a nenhum partido e tem se manifestado eventualmente sobre temas da agenda nacional.

Brasileira surpreende ao concluir transcrição manual da Bíblia

A artesã Lilian Costa Frias, moradora de Resende, no interior do Rio de Janeiro, tornou-se viral nas redes sociais após compartilhar a conclusão de um projeto pessoal: transcrever toda a Bíblia à mão. A escritura do último versículo ocorreu na última sexta-feira (16), em uma celebração acompanhada por seus familiares.

“Escrevi a Bíblia inteira com as minhas próprias mãos. Mas, no fim, percebi que não era eu registrando a Palavra, era a Palavra me transformando todos os dias”, escreveu Lilian em seu perfil no Instagram.

De acordo com a artesã, o trabalho foi iniciado em 18 de outubro de 2023 e concluído em 16 de maio de 2026. Ao longo do período, ela transcreveu 66 livros, 1.189 capítulos e 31.102 versículos, totalizando cerca de 783 mil palavras e aproximadamente 3,5 milhões de letras. Durante a transcrição do Velho Testamento, ela utilizou 11 cadernos e 56 canetas.

Festa de Conclusão com a Família

Em um vídeo publicado na última terça-feira (19), Lilian aparece cercada pela família em um ambiente festivo. Ela mostra os materiais utilizados, incluindo as canetas e os cadernos onde registrou as Escrituras. Em seguida, diante de todos, escreve o último versículo e anuncia: “Acabei”. A família então lê em conjunto a passagem de Apocalipse 22:21: “Que a graça do Senhor Jesus esteja com todos”.

Repercussão e Testemunhos de Fé

A publicação viralizou e gerou centenas de comentários de incentivo, incluindo de pastores e líderes religiosos. Muitos internautas compartilharam suas próprias experiências com a leitura e transcrição bíblica. Uma mulher relatou: “Comecei a transcrever o Novo Testamento. É uma experiência surreal. Eu entendo e aprendo mais escrevendo do que lendo”.

Lilian também aconselhou uma seguidora que perguntou sobre a periodicidade da escrita: “Não, querida. Levei 2 anos, 6 meses e 28 dias. Eu fiz no meu tempo! Vá devagar, mas vá”. A artesã descreveu a jornada como “uma experiência com Deus maravilhosa”.

Veja lista de hábitos que ajudam a reduzir o envelhecimento

Uma pesquisa conduzida pela University College London apontou que atividades culturais e artísticas realizadas com frequência podem contribuir para desacelerar o envelhecimento biológico. O estudo indica que hábitos como leitura, música e visitas a museus apresentam efeitos comparáveis aos da prática regular de exercícios físicos quando o assunto é envelhecimento saudável.

A pesquisa, intitulada “Does leisure activity matter for epigenetic ageing?”, foi publicada na revista científica Oxford Academic, no campo Innovation in Aging. Os cientistas analisaram dados de 3.556 adultos do Reino Unido e observaram que participantes envolvidos semanalmente em atividades culturais apresentavam sinais de envelhecimento biológico mais lentos do que aqueles com pouca participação nesse tipo de prática.

Segundo os resultados, pessoas culturalmente mais ativas apresentaram cerca de um ano a menos de idade biológica. Já participantes que mantinham rotina semanal de exercícios físicos demonstraram aproximadamente meio ano a menos. Os pesquisadores afirmam que o cérebro necessita de estímulos constantes para ajudar na preservação do funcionamento do organismo ao longo do tempo.

Os autores explicam que atividades culturais estimulam áreas cerebrais relacionadas ao prazer, memória, criatividade e regulação emocional. O processo contribui para a redução do cortisol, hormônio associado ao estresse, além de diminuir inflamações crônicas ligadas ao envelhecimento acelerado. O efeito atinge diretamente os chamados relógios epigenéticos, marcadores biológicos usados para medir o desgaste celular a partir do DNA.

O estudo também apontou que a diversidade das atividades influencia os resultados. Participantes que combinavam leitura, música, cinema, exposições, fotografia e artesanato apresentaram benefícios ainda maiores. Segundo os pesquisadores, quanto mais variada a rotina de estímulos mentais e emocionais, maior tende a ser a proteção contra o desgaste natural do corpo.

Os cientistas destacaram ainda que os benefícios dessas práticas não dependem de grandes investimentos financeiros ou mudanças radicais na rotina. Pequenas atividades realizadas semanalmente já demonstraram impacto significativo no bem-estar físico e emocional.

Além dos efeitos biológicos, a pesquisa identificou ganhos sociais e emocionais. Participar de oficinas, frequentar espaços culturais e manter o hábito da leitura pode ajudar a reduzir sentimentos de isolamento, melhorar a autoestima e estimular a concentração.

Entre as atividades citadas pelos pesquisadores estão leitura de livros, audição de músicas, visitas a museus e participação em oficinas artísticas. Segundo o estudo, a leitura auxilia no fortalecimento da memória, da concentração e da imaginação, enquanto a música contribui para a redução da ansiedade e melhora do humor.

As visitas a espaços culturais foram associadas ao estímulo da criatividade, curiosidade e aprendizado contínuo. Já atividades como pintura, fotografia, desenho e artesanato demonstraram benefícios relacionados à coordenação motora, relaxamento mental e expressão emocional.

Os pesquisadores também destacaram que combinar atividades culturais com exercícios leves pode ampliar os benefícios físicos e mentais. Caminhadas ouvindo música, visitas a exposições e momentos de leitura após atividades físicas foram citados como exemplos.

O estudo recomenda a inclusão gradual desses hábitos na rotina diária. Entre as sugestões estão reservar alguns minutos para leitura ou música, reduzir o tempo gasto em redes sociais, explorar espaços culturais gratuitos e alternar diferentes formas de estímulo intelectual e criativo.

Segundo os autores, experiências culturais compartilhadas com amigos ou familiares também podem fortalecer vínculos sociais e reduzir a sensação de isolamento, contribuindo para um envelhecimento mais saudável e equilibrado ao longo da vida.

Falso profeta disse a fiel que fazer sexo com ele a protegeria

Treva Edwards, de 61 anos, fundador da igreja “Jesus é o Senhor pelo Espírito Santo”, em Orange, foi acusado pelas autoridades federais dos Estados Unidos de tráfico sexual mediante força, fraude ou coerção, além de trabalho forçado e conspiração para trabalho forçado.

Segundo o Gabinete do Procurador dos Estados Unidos para o Distrito de Nova Jersey, a esposa dele, Christine Edwards, de 64 anos, também responde por conspiração para cometer trabalho forçado.

As acusações afirmam que o casal recrutava pessoas em situação de vulnerabilidade financeira e familiar para integrar a igreja, que funcionava em um prédio de apartamentos em Orange, entre 2010 e 2025.

De acordo com os investigadores, Treva Edwards se apresentava como profeta capaz de se comunicar diretamente com Deus e dizia às vítimas que a desobediência às suas orientações resultaria em punições espirituais e consequências físicas, emocionais e financeiras.

As autoridades afirmam que os membros da igreja eram enviados para realizar trabalhos braçais em propriedades residenciais e comerciais da região, por meio de contratos obtidos pelo casal, sem receber remuneração.

“Treva Edwards pregava às vítimas que comunicava a vontade de Deus, que era da vontade de Deus que elas trabalhassem e que os membros tinham que realizar trabalhos para servir a Deus. Os Edwards convenceram as vítimas de que elas perderiam o favor de Deus e do ‘Profeta’ se não realizassem trabalhos”, declarou o gabinete do procurador dos EUA.

Segundo a acusação, o casal também impunha regras rígidas relacionadas à alimentação, sono, oração, trabalho e contato com pessoas de fora da igreja. Os investigadores afirmam que as vítimas eram isoladas e monitoradas constantemente.

“Os Edwards instituíram e impuseram regras rígidas sobre quando e se as vítimas podiam comer ou dormir, quando e por quanto tempo deveriam orar e trabalhar, e se podiam falar com pessoas de fora da igreja ou sair do prédio. Eles isolaram as vítimas, monitoraram suas comunicações e paradeiro, e as convenceram de que as pessoas de fora da igreja eram más ou possuídas pelo demônio”, informou a acusação.

As autoridades também acusam Treva Edwards de abusos físicos e sexuais contra integrantes da igreja. Segundo o processo, uma das vítimas foi agredida repetidamente entre 2012 e dezembro de 2019 dentro do prédio utilizado pela congregação.

“Treva Edwards obrigou a Vítima 3 a ter relações sexuais com ele, em parte usando força física e em parte dizendo à Vítima 3 que ter relações sexuais com ele era a vontade de Deus e impediria que a Vítima 3 desenvolvesse problemas mentais”, afirma a acusação.

Os promotores também alegam que Edwards orientou uma das mulheres a realizar um aborto após ela engravidar dele. Em comunicado, o procurador federal Robert Frazer afirmou que o acusado utilizava influência religiosa para controlar pessoas vulneráveis.

“Treva Edwards supostamente explorou a fé, o medo e a coerção para controlar vítimas vulneráveis em seu próprio benefício. Conforme alegado na acusação complementar, Edwards manipulou membros de sua igreja para que realizassem trabalho não remunerado e submeteu as vítimas a abusos físicos, emocionais, espirituais e sexuais sob o pretexto de autoridade religiosa”, declarou, segundo informações do portal The Christian Post.

Se condenado pelas acusações de tráfico sexual mediante força, fraude ou coerção, Treva Edwards poderá receber pena mínima de 15 anos de prisão e máxima de prisão perpétua. Ele também pode ser condenado à prisão perpétua pelas acusações relacionadas a trabalho forçado, caso seja comprovada a ocorrência de abuso sexual agravado.

Estudo: ir a cultos rende saúde mental e menor risco de depressão

Um relatório divulgado pelo Wheatley Institute apontou que o envolvimento religioso está associado, na maioria dos casos, a melhores resultados de saúde mental. O estudo reúne análises de milhares de pesquisas médicas e sociais catalogadas no Manual de Religião e Saúde da Oxford University Press, publicado em 2024.

Intitulado “A Conexão entre Religião e Saúde Mental”, o relatório avaliou áreas como depressão, ansiedade, suicídio, abuso de substâncias, estresse e bem-estar emocional. Segundo os autores, mais de 1.000 estudos de alta qualidade apresentaram resultados significativos. Desse total, 961 identificaram associações positivas entre religiosidade e saúde mental, enquanto 101 apontaram associações negativas.

Loren D. Marks, autor principal do relatório, afirmou que as evidências científicas analisadas indicam relação frequente entre práticas religiosas e melhores indicadores emocionais e psicológicos.

“Em todos os domínios da saúde mental que examinamos, as melhores evidências científicas disponíveis indicam que as crenças religiosas, as práticas e a participação em comunidades de fé estão frequentemente associadas a melhores resultados em saúde mental”, declarou.

O levantamento ganha relevância em meio ao aumento de casos de transtornos mentais e suicídio em diversos países. O relatório cita dados relacionados aos Estados Unidos e menciona discussões promovidas por conselheiros cristãos sobre o papel das igrejas no enfrentamento da crise de saúde mental.

Entre os estudos analisados sobre suicídio, 89% encontraram taxas menores entre pessoas mais religiosas. Pesquisadores citados no relatório estimaram que a redução da frequência semanal a cultos religiosos pode estar relacionada a cerca de 40% do aumento da taxa de suicídio nos Estados Unidos.

Uma das pesquisas acompanhou quase 110 mil profissionais de saúde ao longo de vários anos. Segundo os dados apresentados, mulheres que frequentavam cultos semanalmente tiveram 75% menos probabilidade de morrer por suicídio em um período de 16 anos. Entre os homens, a redução foi de 48% ao longo de 26 anos.

Os resultados sobre depressão e ansiedade seguiram tendência semelhante. Entre 247 estudos de alta qualidade sobre depressão, 74% registraram melhores resultados entre indivíduos mais religiosos. Um estudo com quase 49 mil enfermeiros indicou que participantes que frequentavam reuniões religiosas semanalmente apresentaram 25% menos probabilidade de desenvolver depressão durante 16 anos de acompanhamento.

Na área de ansiedade, 69% de 85 estudos identificaram níveis menores entre participantes com maior envolvimento religioso.

O relatório também destacou resultados ligados ao bem-estar emocional. Entre 251 estudos avaliados, 93% associaram a prática religiosa a níveis mais elevados de satisfação com a vida, esperança, autoestima, felicidade e otimismo. Em relação ao enfrentamento do estresse, 86% de 103 estudos apontaram vínculos entre religiosidade e respostas consideradas mais construtivas diante de situações adversas.

Segundo os autores, os benefícios aparecem com maior intensidade entre pessoas com participação religiosa frequente e contínua, especialmente aquelas que comparecem semanalmente a atividades de fé.

“Não é a filiação nominal, mas sim o envolvimento religioso comprometido que parece ser o mais importante”, afirma o relatório, conforme informações do portal The Christian Post.

Os pesquisadores também apresentaram recomendações voltadas a políticas públicas e serviços de saúde. Entre elas estão a criação de conexões entre profissionais da saúde e comunidades religiosas, o fortalecimento de congregações em ações de prevenção ao suicídio e abuso de substâncias e o reconhecimento da participação religiosa como complemento voluntário ao tratamento profissional de saúde mental.

O relatório ainda defende a proteção da liberdade religiosa e do pluralismo religioso. Apesar de reconhecer a existência de expressões religiosas consideradas prejudiciais ou coercitivas, o instituto concluiu que o conjunto das evidências analisadas aponta associação consistente entre prática religiosa e melhores índices de bem-estar mental e emocional.

Nikolas Ferreira protesta contra condenação por homeschooling

O deputado federal Nikolas Ferreira criticou a decisão da Justiça no município de Jales que condenou um casal por adotar o ensino domiciliar para as duas filhas, de 11 e 15 anos.

Os pais foram condenados a 50 dias de prisão em regime semiaberto. A pena, no entanto, foi suspensa por dois anos mediante prestação de serviços à comunidade e matrícula das adolescentes em uma escola regular.

Ao comentar o caso, Nikolas Ferreira afirmou que os pais foram tratados como criminosos apesar da estrutura educacional aplicada às filhas.

“Pais que estavam educando seus filhos em casa foram tratados como criminosos. (…) As meninas estudavam em casa, tinham rotina, tinham acompanhamento, liam cerca de 30 livros por ano, a média do brasileiro é de três por ano, estudavam matemática, ciências, história, geografia, inglês, latim, piano e ainda participavam do coral. A mãe já tinha formação em contabilidade; aí, para melhorar a educação das filhas, ela foi lá e se formou em matemática e pedagogia”, declarou.

O parlamentar classificou a decisão como uma “inversão de valores” e criticou o cenário da educação regular no país.

“Olha a inversão de valores: ao invés de ser visto como zelo, um cuidado, ela acabou sendo condenada por abandono intelectual. E a decisão cita o fato de que as meninas não gostavam de funk e sertanejo. (…) No Brasil de hoje, se a criança sai da escola, sei lá, analfabeta, tá tudo bem. E ai de você se falar alguma coisa, né, porque pode soar como preconceito linguístico. Mas, se uma família ensina bem dentro de casa, aí o sistema literalmente chama isso de crime”, afirmou.

Nikolas Ferreira também mencionou entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre o ensino domiciliar. Segundo ele, a Corte reconheceu a constitucionalidade da prática, condicionando sua aplicação à regulamentação por lei federal.

“O próprio STF, lá no tema 822, não diz que o homeschooling é incompatível com a Constituição, pelo contrário. Declarou constitucional e que apenas faltava uma lei federal para regulamentar. E esse projeto já existe, que é o 1.338 de 2022, que regulamenta o homeschooling. Já foi aprovado na Câmara dos Deputados e adivinha? Tá parado no Senado, lá na presidência da Comissão de Educação, com a Teresa Leitão, que é senadora pelo PT, que não colocou o projeto ainda em votação”, disse.

Na publicação, o deputado também citou indicadores relacionados ao desempenho educacional brasileiro e afirmou defender a liberdade de escolha sobre o formato de ensino, desde que haja qualidade na educação oferecida.

Ao final, Nikolas Ferreira informou que pretende acionar o Conselho Nacional de Justiça para apurar a atuação do magistrado responsável pela decisão e cobrar o avanço da proposta que regulamenta o ensino domiciliar.

“A gente vai até o Conselho Nacional de Justiça para apurar essa conduta deste juiz com severidade. E, segundo, para poder realizar uma audiência pública na Comissão de Educação na Câmara para fazer o Senado também pautar e votar a regulamentação da educação domiciliar no Brasil”, concluiu, de acordo com informações do Pleno News.

Acordo: Anderson Silva e Yago Martins se desculpam por ofensas

Os pastores Anderson Silva e Yago Martins publicaram vídeos de retratação após firmarem um acordo judicial relacionado a uma troca pública de ofensas. A ação foi movida por Anderson Silva depois de declarações feitas por Yago Martins, responsável pelo canal Dois Dedos de Teologia, que, segundo ele, ultrapassaram o campo do debate teológico.

Em seu vídeo, Anderson Silva afirmou que decidiu recorrer à Justiça após considerar que ataques feitos em 2025 tiveram caráter pessoal. Ele também declarou que o acordo incluiu um pedido público de desculpas de sua parte por declarações feitas em 2022 e 2023.

“Estou gravando este vídeo como parte desse acordo judicial para me retratar publicamente em relação a Yago Martins. Reconheço que, em publicações feitas por mim, dirigi a ele ofensas e ataques diretos. Peço desculpa publicamente por ter proferido essas afirmações, ainda que em um contexto de divergências e tensões públicas”, afirmou.

O pastor também pediu perdão por acusações feitas sem provas contra Yago Martins. Entre elas, a alegação de que o teólogo teria apoiado pastores envolvidos em adultério e abuso espiritual.

“Peço também perdão por ter afirmado, sem provas, que Yago Martins apoiou pastores adúlteros ou pastores abusadores, bem como por ter dito que ele amenizava a imoralidade sexual desses pastores. Retrato-me ainda por ter afirmado que ele faria parte de uma rede pastoral de silenciamento nacional”, declarou.

Na retratação, Anderson Silva afirmou que passou a rever sua postura pública após receber diagnóstico de autismo e TDAH em 2023. Segundo ele, a descoberta influenciou mudanças em seu comportamento e na forma de lidar com debates na internet.

“Eu sou pai de quatro filhos que são autistas e o meu diagnóstico foi fechado depois de uma vasta investigação em 2023, tanto em autismo como em TDAH. E a partir de então eu adoto uma postura muito mais sóbria, responsável e reflexiva”, disse.

Yago Martins também publicou uma retratação relacionada a declarações ofensivas feitas contra Anderson Silva em um vídeo divulgado no canal Dois Dedos de Teologia. Na ocasião, ele utilizou termos que colocavam em dúvida o caráter do pastor.

Ao comentar o acordo, Anderson Silva afirmou esperar que o episódio seja encerrado de maneira definitiva.

“Espero que esse gesto encerre esse conflito de forma definitiva e respeitosa. Nenhum debate ideológico, político ou teológico deve ultrapassar o campo das ideias e atingir a dignidade humana das pessoas envolvidas”, concluiu.

Campanha Internacional pede libertação de pastor na Nicarágua

A organização Christian Solidarity Worldwide (CSW) intensificou sua campanha pela libertação do pastor evangélico Efrén Antonio Vílchez López, preso na Nicarágua há quatro anos.

Nesta semana, a entidade entregou petições assinadas por mais de mil pessoas a missões diplomáticas nicaraguenses em oito países, entre eles Estados Unidos, México, Suíça, Colômbia, Bélgica, Áustria, El Salvador e Cuba. O documento pede a soltura imediata e incondicional do religioso.

O pastor Vílchez López foi detido em 15 de maio de 2022, após supostamente ter sido agredido por agentes policiais. Três dias depois, as autoridades o acusaram formalmente de estupro qualificado e danos psicológicos contra um menor de idade.

A CSW, no entanto, sustenta que as acusações são fabricadas e constituem uma retaliação a críticas feitas por ele ao governo do presidente Daniel Ortega e à copresidente Rosario Murillo.

Em setembro de 2022, o Terceiro Tribunal Distrital Especializado em Violência de Manágua condenou o pastor a 23 anos de prisão. Segundo a CSW, o tribunal alterou a classificação das acusações durante o processo e se recusou a examinar as provas que apontariam para sua inocência, incluindo imagens de câmeras de segurança que supostamente o mostrariam em local diferente no horário do crime.

Condições de Saúde e Tratamento no Cárcere

O pastor cumpre pena no Sistema Penitenciário Nacional Jorge Navarro, conhecido como “La Modelo”. De acordo com a CSW, ele enfrenta condições cada vez mais severas de detenção.

Apesar de sofrer de diabetes, hipertensão e outras enfermidades, teve sua Bíblia e seus óculos confiscados, e lhe foi negado o acesso a livros e a cuidados médicos adequados. Desde agosto de 2024, sua porção diária de água foi reduzida a um pequeno recipiente, e seu acesso a atividades ao ar livre está limitado. Familiares também teriam sido impedidos de entregar alimentos, remédios e outros itens básicos.

Anna Lee Stangl, diretora de Advocacia da CSW e chefe da equipe da organização nas Américas, classificou as acusações contra o pastor como “completamente infundadas” e manifestou preocupação com a deterioração de sua saúde após quatro anos de prisão.

“Apelamos ao governo da Nicarágua para que o liberte imediatamente e sem condições e para que ponha fim ao assédio, à prisão e ao exílio forçado de líderes religiosos e de todos aqueles considerados críticos do governo”, afirmou.

Crise na Liberdade Religiosa

O caso Vílchez López ocorre em meio a uma escalada da repressão a líderes religiosos na Nicarágua. No início do ano, a CSW reportou um aumento expressivo nas violações da liberdade religiosa, com 222 casos documentados em 2024 e 309 em 2025.

Muitos pastores e padres estariam sujeitos a medidas de vigilância policial, com exigência de relatórios periódicos às autoridades e autorização prévia para certas atividades religiosas. Haveria também relatos de restrições à importação de Bíblias.

Portas Abertas atualmente classifica a Nicarágua na 32ª posição entre os países mais hostis ao cristianismo no mundo. A CSW menciona casos similares, como o do bispo José Leonardo Urbina Rodríguez, sentenciado a 30 anos de prisão em 2022 sob acusações análogas, antes de ser forçado ao exílio.

Stangl afirmou que a comunidade internacional precisa fazer mais para apoiar “vozes independentes” no país, incluindo grupos religiosos. A repressão religiosa na Nicarágua, segundo a organização, intensificou-se desde os protestos antigovernamentais de 2018. Com: Christian Today.

Assembleias de Deus celebram crescimento e nova multiplicação

Nos dias 6 e 7 de maio, líderes da Fraternidade das Assembleias de Deus do Sul da Europa (SEAGF, na sigla em inglês), rede criada em 2011, reuniram-se para compartilhar experiências, recursos e alinhar estratégias de comunicação e cooperação para o continente.

O encontro contou com cerca de quinze representantes e teve como tema central “serviço e sacrifício”, diante da expectativa de plantio de novas igrejas pentecostais na região.

Os seminários teológicos pentecostais nacionais presentes no evento concordaram em ampliar a colaboração acadêmica entre si e instituir um Dia Internacional de Oração em setembro de 2026.

Crescimento e Desafios

Apenas em 2024, 452 novas igrejas das Assembleias de Deus foram plantadas no continente, um número expressivo na comparação com anos anteriores.

  • Itália: Representantes relataram crescimento no número de igrejas, batismos e oportunidades missionárias. O principal desafio apontado é a aposentadoria de cerca de 200 pastores na próxima década, o que exigirá renovação do quadro ministerial.

  • Espanha: O movimento pentecostal, que conta com cerca de 600 igrejas e pontos de pregação, destacou a renovação geracional da liderança em meio a uma “urgente necessidade de avivamento espiritual”. O Congresso Nacional das Assembleias de Deus na Espanha bateu recordes de participação em 2026, sendo considerado um elemento-chave de “renovação e visão”.

  • Portugal: Com aproximadamente 400 igrejas, o país enfrenta os desafios comuns à Europa, como secularização e revitalização de templos históricos. A necessidade de formar novos líderes e “contextualizar o evangelho para alcançar as crescentes comunidades imigrantes da Índia, Nepal e Bangladesh” também foi levantada.

  • França: O país tem testemunhado uma fé vibrante entre jovens cristãos, que será evidenciada no evento “Chamados” (Called) previsto para este ano, com expectativa de 8 mil participantes. A diversidade cultural e teológica, no entanto, continua sendo um desafio para a unidade das igrejas.

Visão de Multiplicação

Os participantes concordaram que a Europa “precisa sair de uma mentalidade de manutenção para uma mentalidade de multiplicação”. A visão “MM33” das Assembleias de Deus, focada no ano de 2033 — data simbólica para o cristianismo —, tem como objetivos melhorar a formação de líderes, plantar novas congregações e desenvolver estruturas voltadas à expansão do Reino.

O encontro também elegeu uma nova comissão executiva: Yan Fontaine (presidente), Gaetano Montante (vice-presidente) e Isaac Reis (secretário). “Além dos relatórios e estratégias, a reunião refletiu um desejo compartilhado de caminhar juntos como um só corpo”, publicou a revista Fiel das Assembleias de Deus da Espanha.

O próximo Congresso Mundial das Assembleias de Deus será realizado em 2026, em Gana. O último congresso global ocorreu em Madri, em 2023. Com: Evangelical Focus.