Veracidade da Bíblia: encontrado selo da era do Primeiro Templo

Uma impressão de selo hebraico (bula) datada da era do Primeiro Templo (séculos VII-VI a.C.) foi identificada pelo Projeto de Peneiramento do Monte do Templo, conforme divulgado pelo portal Ynet nesta quarta-feira (30).

O artefato de argila, preservado em estado excepcional, exibe a inscrição “Yed[a‛]yah (filho de) Asayahu” – indicando propriedade de um indivíduo cujo nome significa “Pertencente a Yed[a‛]yah, filho de Asayahu”.

A decifração, conduzida pela Dra. Anat Mendel-Geberovich e pelo arqueólogo Zachi Dvira, revelou que o selo da era do Primeiro Templo servia para lacrar recipientes de armazenamento, garantindo acesso restrito a conteúdos valiosos.

Marcas na parte posterior confirmam seu uso prático. Com base na paleografia (estudo da escrita), a peça remonta à segunda metade do século VII a.C. ou início do século VI a.C.

Conectividade Bíblica

O período do Primeiro Templo coincide com o reinado de Josias, rei de Judá (639–609 a.C.), conhecido por reformas religiosas no Templo de Jerusalém. Curiosamente, 2 Crônicas 34:20 menciona um “Asayahu, servo do rei” integrante da delegação enviada por Josias à profetisa Hulda.

Especialistas citados pelo jornal Behadrei Haredim sugerem que o selo possa pertencer ao filho desse funcionário real, hipótese reforçada pela prática da época: selos eram exclusivos de altos dignatários.

Projeto Arqueológico

Iniciado há 20 anos em resposta a escavações ilegais no Monte do Templo, o projeto – gerido pela Fundação Arqueológica de Israel com apoio acadêmico da Universidade Bar-Ilan – já analisou mais de 9.000 toneladas de terra.

Até agora, catalogou 500 mil artefatos, incluindo 5.000 moedas antigas, joias e objetos do período do Primeiro Templo (1006–586 a.C.). Mais de 250.000 voluntários participaram das peneirações.

Significado Ampliado

A descoberta reforça padrões observados em achados anteriores: cerca de 40% dos nomes em selos de Jerusalém vinculam-se a figuras bíblicas. Como observa Dvira: “Cada selo é uma cápsula do tempo. Nomes como Asayahu, conhecidos pelos textos, ganham materialidade“.

O artefato sobreviveu à destruição de Jerusalém por Nabucodonosor em 586 a.C., evento que resultou no exílio babilônico da elite judaítica – contexto que explica a raridade de tais objetos.

(Fontes: Projeto de Peneiramento do Monte do Templo, Universidade Bar-Ilan, Ynet, Behadrei Haredim)

Avanço ou estragos? A polêmica 'Teologia da Prosperidade'

A teologia da prosperidade, doutrina que associa contribuições financeiras e fé a bênçãos materiais, permanece como um dos debates mais polarizados no cristianismo brasileiro. Impulsionada por igrejas neopentecostais desde os anos 1980, sua prática divide líderes religiosos entre críticas à instrumentalização da fé e defesas de fundamentos bíblicos.

O pastor Wagner Scatamburgo (Assembleia de Deus/SP) atribui a origem da doutrina ao norte-americano Essek William Kenyon (1867–1948), criticando a “confissão positiva” – ideia de que declarações de fé geram prosperidade. Para ele, a interpretação seletiva de textos como Marcos 11:24 e Malaquias 3:10 promove “uma fé utilitarista, centrada no homem”.

Scatamburgo relata consequências práticas da teologia da prosperidade: fiéis endividados após venderem bens para cumprir “votos financeiros”, além de processos judiciais contra igrejas.

“Prometer riqueza como sinal de fé é irresponsável num país com salário mínimo de R$ 1.525”, reforça o pastor João Gomes Rodrigues (Igreja Apostólica Vinde/SP), apontando que campanhas como “Sexta-feira da Prosperidade” transformam a fé em “instrumento de consumo”.

Ambos enfatizam o desvio do foco espiritual: “Jesus disse que é mais importante reconciliar-se que entregar ofertas” (Mateus 5:23-24), destaca Rodrigues.

Defesas

Em contraponto, o apóstolo Nilton Brito (Igreja Missão Mundial/SP) defende supostas bases bíblicas para a teologia da prosperidade, citando João 10:10 (“vida em abundância”) e Salmos 1:3 (“tudo prosperará”). Ele reconhece, porém, que “escassez nem sempre indica falta de fé”, remetendo ao Salmo 73, onde justos questionam a prosperidade de ímpios.

Brito ressalta equilíbrio: “A bênção financeira é instrumento de testemunho, como na igreja primitiva, onde ‘não havia necessitados’ (Atos 4:34)”. Para ele, textos como *2 Coríntios 9:8-11* mostram a prosperidade como “consequência de obediência e generosidade”.

O bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal, reafirma em pregação recente o “direito legítimo à prosperidade”, baseando-se em *3 João 1:2* (“que tudo te vá bem”). Ele distingue riqueza de idolatria ao dinheiro:

“É ele que traz conforto e alimento. Impossível viver sem, a não ser como mendigo”. Macedo encerra com João 10:10, sublinhando “vida com abundância” como promessa cristã.

Evolução 

Rodrigues observa movimentos de revisão: algumas igrejas adotam abordagens moderadas, enfatizando “vida abundante em todas as áreas” (Rick Warren, Max Lucado), enquanto outras mantêm práticas questionáveis. Brito reconhece que o excesso gera distorções, mas insiste: “A igreja deve falar sobre prosperidade – com equilíbrio”.

Para críticos, o núcleo da discordância permanece: quando a busca por bênçãos materiais suplanta valores como arrependimento e humildade (Marcos 14:7), o evangelho perde sua essência. Com: Comunhão.

Pesquisa prova: 7 em cada 10 evangélicos reprovam governo Lula

A pesquisa do Instituto PoderData mostrou que o governo Lula (PT) é reprovado por larga margem entre evangélicos, enquanto divide os católicos.

Divulgada em 30 de julho, a pesquisa trouxe dados atualizados sobre a percepção dos eleitores evangélicos e católicos a respeito do governo petista. O levantamento foi realizado entre os dias 26 e 28 de julho, com 2.500 entrevistas por telefone em todas as regiões do país. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para o total da amostra e de até 4 pontos percentuais para subgrupos, com índice de confiança de 95%.

Entre os evangélicos, os índices de desaprovação permanecem elevados. De acordo com os dados, 69% disseram desaprovar a gestão de Lula, enquanto 26% afirmaram aprovar. Em junho, os números estavam em 70% de desaprovação e 25% de aprovação, o que indica estabilidade dentro da margem de erro. O segmento evangélico é historicamente associado à base de apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que mantém forte influência nesse grupo.

Já entre os católicos, o cenário é mais equilibrado. Segundo a pesquisa, 48% declararam aprovar o atual governo, ao passo que 45% afirmaram desaprovar, configurando um empate técnico. No levantamento anterior, feito em junho, os números eram inversos: 45% de aprovação e 48% de desaprovação. A oscilação dentro da margem de erro mostra que esse segmento religioso, muito forte no nordeste do país, permanece dividido quanto a Lula.

O eleitorado religioso, especialmente o evangélico, tem se mostrado determinante nas disputas políticas recentes, sendo frequentemente citado como grupo de influência significativa nas eleições de 2018 e 2022. O Instituto PoderData é vinculado ao portal Poder360 e realiza pesquisas regulares sobre opinião pública.

Pesquisa mostra que 7 em cada 10 evangélicos reprovam governo Lula
Infográfico da pesquisa realizada pelo PoderData.

É possível perdoar uma traição e seguir em frente?

A traição não é uma triste realidade que não existe apenas fora do ambiente cristão, mas também dentro dele, inclusive em contextos de liderança. Se trata de algo que envolve diversos aspectos, sejam eles psicológicos, emocionais, físicos e também espirituais. Mas, diante disso, é possível perdoar?

A descoberta de uma traição conjugal desencadeia uma crise que ultrapassa a ruptura do relacionamento, atingindo a identidade emocional do traído. Segundo Vânio Domingos, especialista com anos de experiência clínica, a questão central torna-se “o que fazer com essa dor?” – dilema que acompanha vítimas de infidelidade.

Dados da USP (2025) indicam que mais de 40% dos relacionamentos enfrentam episódios de infidelidade, com cerca de 60% culminando em separação. Contudo, Domingos enfatiza que a reconciliação é viável quando há arrependimento genuíno, reconstrução da verdade e compromisso afetivo renovado.

Do ponto de vista científico, a traição revela-se multifacetada: a psicanálise a interpreta como “ato sintomático” que expõe insatisfações reprimidas e falhas comunicativas, enquanto a neurociência comprova que o cérebro reage ativando áreas associadas à dor física (córtex cingulado anterior e amígdala). “O sofrimento não é exagero: é biológico”, sintetiza o psicanalista.

O cerne da questão

Domingos desvincula radicalmente perdão e permanência no relacionamento, explicando que, diferentemente do que muitos imaginam, a pessoa traída não precisa continuar se submetendo a situações de sofrimento decorrentes da infidelidade, apenas por achar que isso seria a vontade de Deus.

Na Bíblia, teólogos e pastores de várias tradições concordam que o adultério é uma das “cláusulas” aceitáveis para o divórcio, sendo o abandono do lar, algo caracterizado de muitas maneiras, inclusive a violência física, a outra. Ou seja, quem é vítima de traição pode, sim, se divorciar, pois será uma decisão justificada.

Mas, e o perdão?

Por outro lado, existe a possibilidade de perdoar uma traição? Para o psicanalista, tudo depende do contexto, o qual envolve a capacidade de lidar com o trauma decorrente da infidelidade, bem como da mudança de vida daquele que traiu.

Perdoar não é esquecer. É ressignificar. É decidir conscientemente não permitir que a dor defina sua vida – com ou sem o parceiro”. Ele confronta pressões externas ao declarar em sessões: “Perdoar e partir não te faz menos cristão nem imaturo. Te faz digno”, reinterpretando Mateus 6:14 como “convite à liberdade interior”, não obrigação de manter vínculos.

Na prática clínica, ambos os desfechos mostraram-se válidos: desde casais que reconstruíram bases sólidas até indivíduos que floresceram sozinhos. O alerta decisivo é contra permanecer “sob culpa, pressão social ou falsa obrigação religiosa”, diz o profissional.

Como conclui Domingos: “Perdão é escolha. Ficar junto, também. O inaceitável é viver sem verdade”. Com informações: Comunhão.

*(Fonte: Departamento de Psicologia da USP/2025)*

Malafaia contesta STF após sanção Magnitsky a Moraes: ‘Farsa’

O pastor Silas Malafaia contestou a nota emitida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após Alexandre de Moraes ter sido sancionado na lei Magnitsky pelo governo dos Estados Unidos por violações graves aos direitos humanos nos processos que vem conduzindo contra opositores do governo.

Na nota, o STF alega que está julgando “crimes que implicam atentado grave à democracia brasileira”, um papel “de exclusiva competência da Justiça do país, no exercício independente do seu papel constitucional”.

Ao longo da nota, o STF diz que “todas as decisões tomadas pelo relator do processo [Alexandre de Moraes] foram confirmadas pelo Colegiado competente” e que garante a “todos os envolvidos o devido processo legal e um julgamento justo”.

No X, o pastor tratou a nota como uma “mentira do STF”, já que pessoas que não possuem prerrogativa de foro para serem julgadas pela Corte Constitucional foram condenadas sem possibilidade de recorrer a instância superior.

“Não existe devido processo legal nem justiça. Uma mulher pega 14 anos de cadeia por causa de um batom. Moraes é suspeito porque ele mesmo disse que é vítima do suposto golpe, não pode presidir o inquérito. A delação do coronel Cid tem que ser cancelada, ele quebrou o acordo da mesma. Bolsonaro estava nos EUA no dia da baderna no DF e está sendo acusado de abolição violenta do estado democrático. E muito mais além disso”, protestou o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC).

Ao final, acrescentou que o STF está no centro de um escândalo: “Esse inquérito é uma farsa de pura perseguição política!”. A frase ecoa uma declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que considera o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus apoiadores uma “caça às bruxas”.

Racha no STF

A nota emitida pelo STF após a sanção de Moraes não contou com o usual corporativismo que marca as manifestações da Corte. De acordo com o portal Poder 360, mais da metade dos onze ministros avaliou como impróprio que o STF produzisse um documento conjunto para criticar uma decisão interna do governo americano.

Dessa forma, a postura dos demais ministros foi recebida por Alexandre de Moraes como uma decepção, já que – conforme as fontes do portal – ele esperava receber respaldo unânime dos colegas contra a sanção da lei Magnitsky.

A MENTIRA DO STF !

Não existe devido processo legal nem justiça . Uma mulher pega 14 anos de cadeia por causa de um batom . Moraes é suspeito porque ele mesmo disse que é vítima do suposto golpe , não pode presidir o inquérito . A delação do coronel Cid tem que ser cancelada,…

— Silas Malafaia (@PastorMalafaia) August 1, 2025

Pastor acusado de agredir e tentar matar a esposa em discussão

Um pastor foi despejado de sua casa pela Polícia após ser acusado de agredir e tentar matar sua esposa durante uma discussão familiar no dia 3 de julho. Segundo registros judiciais, o bispo Anthony Earl Pinkney, 47 anos, é investigado por suposta tentativa de estrangulamento, ameaça de estupro e agressão física contra sua esposa, Kisha Pinkney, com quem era casado desde 2001.

Pinkney é líder da Bethel Commandment Church, localizada em York, no estado da Pensilvânia. De acordo com depoimentos obtidos pelo veículo Penn Live, a vítima relatou que o episódio de violência ocorreu em sua residência, no município de Springettsbury Township, após o casal discutir sobre um possível caso extraconjugal do pastor.

Por volta das 19h, Kisha teria pedido ao marido que deixasse a casa e, ao subir as escadas, foi surpreendida por ele, que a agarrou pelo vestido e iniciou a agressão verbal e física.

Em seu relato à polícia, Kisha contou que o marido a arrastou até o quarto, onde a atingiu com socos na cabeça e no corpo, além de lançá-la contra um móvel. “Onde está a arma, [palavrão]? Vou explodir sua cabeça”, teria dito Pinkney durante o episódio, segundo os autos do processo.

O documento acrescenta que o bispo teria colocado o antebraço sobre a esposa e usado a mão para cobrir seu nariz e boca, impedindo-a de respirar. A vítima declarou ainda que, enquanto gritava por socorro, ele a ameaçou de estupro caso ela “não calasse a boca”. A polícia informou que, segundo o depoimento de Kisha, o estupro não chegou a ocorrer, mas ela foi estrangulada por cerca de dois a três minutos, conseguindo se soltar ao morder o agressor no peito.

Kisha afirmou não se lembrar se chegou a perder a consciência, mas relatou um estalo e um zumbido no ouvido esquerdo, além da perda auditiva. Ela dirigiu até o hospital UPMC Memorial, onde recebeu atendimento médico.

No dia 4 de julho, o pastor prestou depoimento à polícia no estacionamento do hospital e classificou o incidente como uma “briga”, alegando que a esposa “pode ter batido a cabeça” durante o ocorrido. Ele foi preso no mesmo dia e formalmente acusado de agressão agravada, duas acusações de estrangulamento, ameaças terroristas e agressão simples. Após o pagamento de US$ 50 mil de fiança, foi liberado.

No dia 18 de julho, o tribunal concedeu a Kisha uma ordem de proteção temporária por 12 meses, com base na Lei de Proteção contra Abusos Domésticos da Pensilvânia. Uma audiência preliminar está marcada para 20 de agosto.

Até a última atualização da reportagem, o site da igreja ainda listava Pinkney como pastor principal. Contatados pelo The Christian Post, representantes da igreja não responderam aos pedidos de declaração.

De acordo com a biografia publicada no portal oficial da Bethel Commandment Church, Pinkney serviu à Marinha dos Estados Unidos antes de entrar para o ministério em 2002. Ele e Kisha teriam iniciado o relacionamento ainda na adolescência e, em maio de 2024, o pastor publicou em sua conta no Instagram uma homenagem pelos 23 anos de casamento:

“Sou imensamente grato por celebrar 23 anos com minha amada esposa, Kisha. Seu amor, força e apoio têm sido minhas maiores bênçãos. Obrigado, Deus, pela sua graça que nos sustentou em cada alegria e desafio. Que venham muitos mais anos de amor e união”.

O site da igreja também descreve Pinkney como alguém dedicado a trabalhos comunitários, incluindo o Lar Infantil de York e o Ministério Vineyard of Faith, voltado ao apoio de mães jovens. “O bispo Pinkney continua sendo um exemplo brilhante do amor de Cristo, dedicando sua vida a servir ao próximo”, afirma o conteúdo institucional da congregação.

O caso está em fase de apuração pelas autoridades locais. Até o momento, a defesa do pastor não se pronunciou publicamente sobre as acusações.

Justiça condena Igreja Mundial a indenizar esposa de pastor

O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região reconheceu o vínculo de emprego entre uma missionária e a Igreja Mundial do Poder de Deus, determinando o pagamento de verbas rescisórias, horas extras e indenização por danos morais no valor de R$ 15 mil. A decisão foi proferida pela 8ª Câmara do TRT e reformou sentença anterior da 3ª Vara do Trabalho de Campinas, que havia negado o pedido sob o entendimento de que o serviço prestado possuía caráter voluntário.

De acordo com os autos, a missionária atuou por cinco anos na congregação, sem registro em carteira, cumprindo jornadas diárias das 7h às 21h30, de domingo a sexta-feira. Entre suas funções estavam tarefas administrativas, controle contábil da igreja, organização de doações e preparo de refeições para bispos e pastores.

Em depoimento, a mulher afirmou que o salário era depositado diretamente na conta do marido, pastor da igreja, e que havia uma exigência velada para que todas as esposas de líderes religiosos servissem à instituição. Ainda segundo seu relato, durante uma gestação de risco, foi transferida para uma cidade a 1.358 quilômetros de sua residência, sem suporte médico adequado. O bebê nasceu prematuro e enfrentou complicações de saúde.

A relatora do recurso, desembargadora Adriene Sidnei de Moura David, destacou que testemunhas confirmaram tanto a obrigatoriedade dos serviços prestados quanto a existência de pagamento fixo, caracterizando vínculo empregatício. Para a magistrada, a missionária exercia funções com “habitualidade, remuneração e subordinação”, afastando a tese de trabalho meramente religioso.

O colegiado também aplicou o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), observando que o labor da mulher não poderia ser interpretado como mera extensão das atividades do cônjuge. A decisão levou em conta a condição de vulnerabilidade da missionária e a imposição de tarefas sem reconhecimento formal.

Com o reconhecimento do vínculo, a igreja foi condenada ao pagamento de verbas trabalhistas devidas, incluindo a multa prevista no artigo 477 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), além da indenização por danos morais. A decisão é passível de recurso, de acordo com informações do portal Migalhas.

Trump cogita impedir viagens de brasileiros se STF não recuar

Uma possível medida do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poderá afetar diretamente os torcedores brasileiros interessados em acompanhar a Copa do Mundo de 2026, que ocorrerá entre 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, México e Canadá.

Segundo apuração de Lourival Sant’Anna, analista de Internacional da CNN Brasil, Trump considera banir temporariamente os vistos para cidadãos brasileiros, inclusive durante o período do torneio, caso o STF não recue.

A medida, de acordo com Sant’Anna, seria parte de uma estratégia política voltada a causar desgaste ao atual governo brasileiro. Essa postura se alinharia a outras decisões recentes, como o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros, que também visa influenciar a opinião pública nacional.

Durante uma missão recente de senadores brasileiros a Washington, já foram observadas restrições mais severas nos vistos diplomáticos, com prazos de permanência significativamente reduzidos, segundo informações da mesma fonte.

A Copa do Mundo de 2026 será a primeira a contar com 48 seleções. O Brasil já garantiu vaga no torneio e segue como única seleção a participar de todas as edições. A exemplo do Brasil, o Irã também está classificado, mas seus cidadãos seguem impedidos de entrar nos Estados Unidos desde que Trump assinou uma proclamação em junho, alegando questões de segurança nacional.

Até o momento, a Fifa não se manifestou oficialmente. O presidente da entidade, Gianni Infantino, tem demonstrado proximidade política com Trump, algo que foi evidenciado durante a última edição da Copa do Mundo de Clubes, realizada em solo americano. Também a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) optou por não emitir declarações neste momento. Fontes da CNN informam, no entanto, que a entidade acompanha a situação de perto.

A CBF avalia a possibilidade de reuniões com representantes do Governo Federal para tratar da questão e buscar soluções que garantam a presença dos torcedores brasileiros. Um dirigente da entidade afirmou que a prioridade será “defender os interesses do torcedor brasileiro”, destacando que jamais houve impedimentos desse tipo nas Copas anteriores.

Em meio ao impasse diplomático, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou recentemente que “torcedores internacionais serão bem-vindos” no torneio. Por outro lado, o vice-presidente norte-americano, JD Vance, declarou que os visitantes “devem voltar para casa” após os jogos, em uma sinalização clara da rigidez na política migratória da atual administração.

Além da Copa, os Estados Unidos também serão sede dos Jogos Olímpicos de 2028, que ocorrerão em Los Angeles, ainda durante o atual mandato de Donald Trump. As decisões adotadas no contexto da Copa poderão servir de indicativo para futuras posturas em eventos esportivos de dimensão global.

Padre denunciado por dizer que orixás não ressuscitaram Preta Gil

O padre Danilo César, da Paróquia de Areial, no interior da Paraíba, foi denunciado por intolerância religiosa após declarações feitas durante a missa do domingo, 27 de julho, a respeito da morte da cantora Preta Gil.

Durante a homilia, o sacerdote fez comentários questionando a eficácia das práticas religiosas de matriz africana, o que gerou forte repercussão nas redes sociais e mobilização de entidades religiosas:

“Deus sabe o que faz. Se for para morrer, vai morrer […] Qual o nome do pai de Preta Gil? Gilberto. [Ele] fez uma oração aos orixás. Cadê esses orixás, que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?”, disse o padre, segundo trecho do vídeo que circulou nas redes sociais.

Em seguida,  afirmou: “E tem católico que pede essas coisas ocultas, eu só queria que o diabo viesse e levasse. No dia seguinte, quando acordar lá, acordar com calor no inferno, você não sabe o que vai fazer”.

As falas provocaram reações de repúdio por parte da Associação Cultural de Umbanda, Candomblé e Jurema Mãe Anália Maria de Souza registrou um boletim de ocorrência contra o sacerdote. Em nota, a entidade declarou que acionará também o Ministério Público da Paraíba e classificou as declarações como “preconceituosas e ofensivas à fé de milhões de brasileiros”.

A irmã da cantora, Bela Gil, respondeu publicamente ao episódio com comentário no Instagram: “É cada absurdo que a gente precisa ouvir… seu padre desrespeitoso”.

Em meio à repercussão, o vídeo da celebração foi removido do canal oficial da paróquia no YouTube, e o perfil do padre no Instagram foi desativado. A Diocese de Campina Grande, que responde pela Paróquia de Areial, informou por meio de nota que o padre Danilo “prestará todos os esclarecimentos necessários às autoridades competentes”.

A Diocese também afirmou manter “compromisso com a liberdade de crença, com o respeito à dignidade da pessoa humana e com a convivência pacífica entre as religiões”.

Canadá virou ‘fortaleza demoníaca’, diz evangelista Sean Feucht

O líder cristão norte-americano Sean Feucht denunciou publicamente o que classificou como uma “fortaleza demoníaca antiga” atuando no Canadá, após autoridades locais em diversas cidades terem impedido a realização da turnê evangelística “Revive in 25”.

O relato foi feito em entrevista publicada pela CBN News, emissora cristã dos Estados Unidos. Feucht, fundador do movimento Let Us Worship, disse que os cancelamentos representam resistência espiritual direta ao avanço da fé cristã no país.

“Enquanto eles realizam paradas do Orgulho LGBTQIA+ nus, contação de histórias com drag queens e tudo mais, eles não oferecem a mesma oportunidade para cristãos pacíficos virem, adorarem e orarem”, afirmou. Ele acrescentou: “As forças ainda estão lá. Pareceram estar adormecidas por um tempo após a pandemia, mas ainda estão lá. Eles estão gritando: não querem que os cristãos orem, não querem que os cristãos adorem, não querem que o nome de Jesus seja exaltado”.

A Igreja Ministerios Restauración, uma congregação de língua espanhola localizada em Montreal, foi multada em 2.500 dólares canadenses por realizar um culto com Feucht. Segundo o ativista, suas posições sobre sexualidade, aborto e liberdade religiosa incomodaram autoridades locais. A celebração integrou a programação da turnê “Revive in 25”, que propunha cultos de avivamento ao ar livre por várias cidades do país.

De acordo com o jornal Global News, a prefeitura de Montreal informou que a igreja havia sido previamente alertada de que não possuía autorização para realizar um evento com características de concerto musical, e que a realização do culto contrariou regulamentos locais. O porta-voz do gabinete da prefeita Valérie Plante, Philippe Massé, declarou que a iniciativa de Feucht “vai contra os valores de inclusão, solidariedade e respeito defendidos em Montreal”. Ele também afirmou que, embora a liberdade de expressão seja considerada fundamental, “discursos odiosos e discriminatórios não são aceitáveis”.

Além de Montreal, eventos da turnê foram cancelados em pelo menos outras cinco cidades: Halifax (Nova Escócia), Charlottetown (Ilha do Príncipe Eduardo), Moncton (Nova Brunswick), Cidade de Quebec e Gatineau (ambas em Quebec), e Vaughan (Ontário).

Apesar das restrições, Feucht relatou que sua equipe conseguiu reagrupar-se e realizar os cultos em locais alternativos. “Não só garantimos locais de última hora para todas essas cidades, mas Deus transformou o que o inimigo pretendia para o mal”, declarou o evangelista, fazendo referência à passagem de Gênesis 50:20. Segundo ele, a atenção gerada pelos cancelamentos acabou atraindo ainda mais participantes.

“Os esforços deles para cancelar só fizeram com que as pessoas soubessem sobre eles. Tivemos pessoas correndo até o altar, entregando suas vidas a Jesus, sem nem saber que eu viria 24 horas antes”, contou. Para Feucht, o impacto espiritual dos encontros superou as tentativas de impedir sua realização: “Deus, em meio a tudo isso, salvou suas almas”.

A série de eventos ocorreu em meio a controvérsias anteriores envolvendo o ativista. No início de 2025, Sean Feucht foi alvo de denúncias públicas por suposta má gestão financeira em seu ministério e por alegações de abuso espiritual. As acusações foram feitas por antigos colaboradores e voluntários. Em resposta, ele afirmou que se trata de “uma farsa completa” promovida por “ex-voluntários amargurados” que estariam tentando descredibilizar o trabalho evangelístico “há mais de uma década”.

Feucht foi líder de louvor na Bethel Church, na Califórnia, e ganhou notoriedade internacional durante a pandemia de COVID-19 ao liderar cultos de adoração ao ar livre em cidades onde havia restrições a aglomerações religiosas. Desde então, tem se apresentado como defensor da liberdade religiosa e da expressão pública da fé cristã em ambientes seculares.

A turnê “Revive in 25” continua em andamento, com novas datas previstas em outras localidades da América do Norte. Até o momento, não há informações sobre novas medidas judiciais ou administrativas relacionadas aos eventos realizados.

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