Divergências na Convenção Batista podem rachar a denominação

À medida que se aproxima a Reunião Anual da Convenção Batista do Sul (SBC), marcada para junho em Dallas, uma divergência entre líderes históricos da denominação veio à tona em relação ao futuro da Comissão de Ética e Liberdade Religiosa (ERLC), entidade responsável por representar a SBC em temas de políticas públicas.

Na quinta-feira, 23 de maio, dez ex-presidentes da SBC divulgaram uma carta conjunta defendendo a continuidade da ERLC. O documento foi assinado por Bart Barber, Ed Litton, JD Greear, Steve Gaines, Fred Luter, Bryant Wright, James Merritt, Tom Elliff, Jim Henry e Jimmy Draper.

Segundo os signatários, a comissão tem sido uma voz fiel “na defesa do compromisso batista do sul com a liberdade religiosa”, com atuação destacada em pautas como a oposição ao aborto, à pornografia e à ideologia de gênero, além da promoção de valores relacionados à vida, ao casamento e à família.

Apesar de reconhecerem diferentes opiniões entre si sobre a gestão recente da ERLC, os líderes afirmaram não ver justificativa para a extinção da entidade: “Alguns de nós temos sido apoiadores entusiasmados da ERLC. Alguns de nós temos sido críticos ferrenhos. No entanto, continuamos não convencidos pela justificativa para a descontinuação da ERLC”, diz a carta.

Por outro lado, o pastor Jack Graham, da Igreja Batista Prestonwood, em Plano, Texas, criticou abertamente a comissão. Em postagem feita no X, no dia 20 de maio, Graham declarou que “não apoia a ERLC e acredita que a organização tem sido a entidade mais divisiva da Convenção Batista do Sul desde os tempos de Russell Moore”.

Ele acrescentou: “Acredito que ela deveria ser desfinanciada”. Segundo o pastor, essa posição teria motivado a sua exclusão da lista de signatários da carta.

Graham tem um histórico de críticas à ERLC. Em 2016, ele se opôs às declarações públicas do então presidente da comissão, Russell Moore, contra Donald Trump, na época candidato à presidência dos Estados Unidos. Em entrevista ao Wall Street Journal, Graham afirmou que Moore demonstrava “desrespeito aos batistas do sul e outros líderes evangélicos”.

Em 2017, a Igreja Batista de Prestonwood chegou a suspender temporariamente suas contribuições ao Programa Cooperativo, aguardando uma revisão das atividades da ERLC. As doações foram retomadas posteriormente, sem designação específica.

Mais recentemente, em 20 de maio de 2024, Graham foi nomeado para o conselho consultivo da Comissão de Liberdade Religiosa do ex-presidente Donald Trump, contexto que contribui para a atual intensificação de suas críticas à ERLC.

O debate sobre a continuidade da comissão não é novo dentro da SBC. Nos últimos três anos, moções para desfinanciar ou extinguir a ERLC foram apresentadas durante as Assembleias Anuais, sem sucesso. A proposta mais recente, em 2023, obteve o apoio de mais de 30% dos mensageiros, mas não chegou a ser votada formalmente. Uma nova moção é esperada para a reunião deste ano.

O presidente atual da SBC, Clint Pressley, optou por não assinar a carta dos ex-presidentes. Em declaração à Baptist Press, afirmou: “Eu amo e respeito cada um dos nossos ex-presidentes da Convenção Batista do Sul. Meu objetivo é nos conduzir por uma reunião justa para todos e que honre a Deus”.

Em episódio publicado em 30 de abril no podcast Baptist21, Albert Mohler, presidente do Seminário Teológico Batista do Sul, também manifestou reservas quanto à utilidade da comissão: “Tenho sérias dúvidas sobre a utilidade da ERLC”, disse. “Essas dúvidas não são novas nem limitadas ao momento atual”. No entanto, acrescentou: “Seria errado da minha parte liderar qualquer esforço desse tipo” para encerrá-la.

Richard D. Land, que presidiu a ERLC entre 1988 e 2013, defendeu a continuidade da entidade em artigo publicado no The Christian Post. “A resposta para tais desentendimentos relacionados a uma de nossas entidades é maior discussão e diálogo, não eliminar a entidade completamente”, escreveu Land, que também é presidente emérito da comissão.

A carta assinada pelos dez ex-presidentes caracterizou as propostas de desfinanciamento como “extremas”, defendendo em vez disso a atuação dos curadores da SBC como o caminho legítimo para ajustes ou reformas. “Há uma diferença entre refinamento e erradicação”, afirmaram os líderes.

Scott Foshie, presidente do conselho de curadores da ERLC, agradeceu o apoio expresso na carta, afirmando que os curadores estão “comprometidos em continuar desenvolvendo o bom trabalho que já está sendo feito pelo ERLC”.

O texto finaliza encorajando os mensageiros que participarão da reunião anual a “orar, a ouvir” e, caso uma moção seja apresentada para encerrar a ERLC, “votar com confiança de que os batistas do sul ainda têm um papel a desempenhar na esfera pública e que a ERLC pode nos ajudar a fazê-lo fielmente”.

Alisson evangeliza em título: ‘Jesus é o caminho, verdade e a vida’

O goleiro brasileiro Alisson Becker, do Liverpool, comemorou a conquista do Campeonato Inglês 2024/25 com uma camiseta estampando a frase “Jesus é o caminho, a verdade e a vida”. A celebração ocorreu no domingo, 25 de maio, após o encerramento da temporada da Premier League, que consagrou o Liverpool campeão pela 20ª vez.

Durante a volta olímpica no gramado, Alisson caminhou com os companheiros de equipe exibindo o troféu para a torcida no estádio, em meio a uma festa marcada pelo tom vermelho característico do clube. A imagem do goleiro vestindo a camiseta com mensagem evangelística foi amplamente compartilhada nas redes sociais e repercutiu entre torcedores.

Nos comentários do vídeo publicado pelo perfil oficial do Liverpool no Instagram, diversos usuários manifestaram apoio à atitude do jogador. “Embora eu não seja um fã do Liverpool, fico profundamente emocionado quando vejo alguns dos jogadores do time comemorando a vitória da liga enquanto também compartilham o Evangelho e proclamam Jesus Cristo. Como não amá-los e admirá-los? Estou radiante por ver esses jogadores compartilhando corajosamente sua fé e espalhando a verdade sobre Jesus Cristo”, escreveu um internauta. Outro comentário destacou: “O melhor de tudo é a mensagem na camiseta do Alisson”.

A última rodada da Premier League também definiu os clubes ingleses classificados para competições europeias. Vão disputar a próxima edição da Champions League: Liverpool, Arsenal, Manchester City, Chelsea, Newcastle e Tottenham Hotspur. Outros clubes garantiram vaga na Europa League e na Conference League, completando a definição do cenário internacional para a próxima temporada.

Expressões públicas de fé

Esta não foi a primeira vez que Alisson Becker associou momentos esportivos a sua fé cristã. Em 2019, após a vitória do Liverpool na final da UEFA Champions League, ele celebrou com uma camiseta semelhante ao lado do também brasileiro Roberto Firmino.

Desde que se mudou para a Inglaterra, em 2018, Alisson e sua esposa, Natália Becker, passaram a organizar pequenos grupos de oração com outros jogadores brasileiros e suas famílias nas regiões de Liverpool e Manchester. Em entrevista concedida ao portal Guia-me, Natália comentou sobre o propósito da iniciativa: “Onde estamos agora é onde Deus quer trabalhar”.

Ela acrescentou: “Precisamos entender isso; nos colocarmos à disposição e confiar que a obra quem faz é Ele. Fomos chamados para sermos sal da Terra e luz do mundo, a trazermos a realidade do Reino para onde estamos. Então sim, hoje, entendo que a nossa esfera de influência é o futebol”.

A atuação de Alisson Becker, dentro e fora de campo, tem sido reconhecida tanto por seu desempenho esportivo quanto por seu testemunho de fé em um dos campeonatos mais assistidos do mundo.

Pastor Luiz Sayão tem novo AVC e está internado na UTI

O pastor Luiz Sayão sofreu um novo AVC na última segunda-feira, 26 de maio. Ele foi socorrido a tempo e está internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para monitoramento de sua condição.

Na noite de ontem, publicou Stories em sua conta no Instagram informando sobre o acidente vascular cerebral (AVC) e pedindo orações, mas também solicitando privacidade no primeiro momento: “Não mandem mensagens”.

Já na manhã desta terça, 27 de maio, ele publicou vídeo nos Stories explicando melhor seu estado de saúde: “Estou aqui me recuperando do AVC que eu tive ontem. Graças a Deus, aconteceu no consultório da médica. Fui correndo para o hospital, fui medicado a tempo e estou no tratamento intensivo”.

O pastor da Igreja Batista das Nações Unidas (IBNU) e professor de teologia disse que o AVC deixou sequelas: “Ainda recuperando o movimento da mão, que ficou bem prejudicado. Mas muito obrigado pelas orações e apoio de todos. Graças a Deus que me abençoou tanto até o momento. Espero que em breve eu consiga estar bem mais recuperado. Obrigado e um abraço a todos”, finalizou.

A saúde de Sayão vem sendo tema de variadas entrevistas que ele concede a diferentes podcasts e também publicações que faz em sua conta no Instagram. Em julho do ano passado, o pastor revelou que sofria com as sequelas da Covid-19 e também já havia passado por um AVC que havia deixado “dores 24 horas por dia”.

“Vivendo sob uma difícil encefalomielite miálgica, inflamação no cérebro, que se desdobra em dores, alergias e inflamações por todo o corpo, sofro dessas dores 24 horas por dia. Tive também um pequeno AVC há algum tempo”, descreveu ele na ocasião.

Em março deste ano, Sayão contou que havia decidido restringir sua agenda para priorizar o conforto: “Minha saúde se foi. Tenho o que chamo de sobrevida. Graça e bondade de Deus. Preciso aqui reforçar a informação pois a cada dia recebo vários convites para todo tipo de atividade”, declarou o pastor.

'Avivamento histórico': Marcha para Jesus surpreende Paris

Cerca de 40 mil cristãos participaram da 12ª edição da Marcha para Jesus em Paris no último sábado (24), segundo dados do jornal La Croix. O número representa o dobro de participantes em relação a 20204, quando 20 mil pessoas compareceram.

O evento, que percorreu avenidas como a Champs-Élysées, teve início com um culto na Praça do Trocadéro, próximo à Torre Eiffel, e incluiu pregações, testemunhos de curas e uma caminhada com trios elétricos e bandas gospel.

Organizado por denominações evangélicas, pentecostais e carismáticas, o ato foi liderado pelo evangelista suíço Jean-Luc Trachsel, de 54 anos, conhecido por campanhas em estádios europeus.

Em publicação no Instagram, Trachsel relatou “multidões entregando suas vidas a Jesus, curas e libertações em massa, e batismos no Espírito Santo com falar em línguas”. A polícia parisiense não confirmou os relatos sobrenaturais, mas atestou a ordem pública durante o evento.

Programação 

A Marcha para Jesus começou às 10h com pregações sobre “arrependimento e salvação”. Cartazes em francês e inglês exibiam frases como “Jesus Vive” e “A Europa Pertence a Cristo”.

Às 14h, os participantes seguiram em caminhada por 3 km até a Esplanada dos Inválidos, onde ocorreram shows de artistas como o grupo de louvor Hillsong França.

Trachsel, fundador da missão Impact Europe, destacou o crescimento da presença evangélica na França, país onde 3% da população se declara protestante, segundo pesquisa do Institut Montaigne (2022). “Este é o início de um avivamento histórico. Paris será salva, a França será salva, a Europa será salva”, proclamou.

Contexto religioso

A França, nação com raízes católicas (34% da população se identifica como tal, de acordo com o Eurobarômetro 2023), tem registrado aumento de igrejas evangélicas, principalmente em regiões como Île-de-France e Auvergne-Rhône-Alpes.

Em 2021, o governo classificou o evangelicalismo como “a religião que mais cresce” no país, com 744 templos novos entre 2010 e 2020, segundo a Federação Protestante da França.

Críticos, como o sociólogo Jean-Paul Willaime, alertam para “tensões com o secularismo francês”, lembrando que em 2022 o Parlamento aprovou lei para combater seitas e “extremismos religiosos”. Nenhum incidente foi relatado durante a marcha.

Cristão é demitido por se recusar a cumprir exigência de trans

Spencer Wimmer, ex-funcionário da Generac Power Systems, Inc., no estado de Wisconsin, protocolou uma queixa por discriminação religiosa junto à Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego dos Estados Unidos (EEOC, na sigla em inglês) após ser demitido por rejeitar exigência feita por um trans.

A denúncia, registrada com o apoio do Instituto de Direito e Liberdade de Wisconsin na semana passada, alega que Wimmer foi demitido por recusar o uso do nome e dos pronomes preferidos de um colega de trabalho que se identifica como transgênero.

Wimmer atuou na empresa por cerca de cinco anos e afirma que seu histórico profissional incluiu promoções e aumentos salariais até abril de 2025. Segundo ele, após solicitar uma acomodação religiosa para não utilizar os pronomes preferidos do colega, seu pedido foi negado pelo departamento de recursos humanos e por seu supervisor. Pouco tempo depois, Wimmer foi desligado da empresa.

Em entrevista concedida à Fox News Digital no dia 24 de maio, Wimmer declarou: “Pediram-me para escolher entre o meu sustento e o meu amor por Deus e pelas minhas crenças”. Ele descreveu a experiência como “de partir o coração” e afirmou que foi “muito emocionante ter tudo meio que arrancado de mim”.

A Generac, por meio de um porta-voz, negou as alegações apresentadas por Wimmer. “A empresa cumpre todas as leis trabalhistas federais e estaduais. Além disso, nunca tivemos uma política sobre o uso de pronomes de gênero”, afirmou o representante.

Segundo ele, a companhia “se defenderá contra essa alegação frívola” e atua de forma voluntária e proativa em relação à ordem executiva do governo, não impondo exigências relacionadas à diversidade, equidade e inclusão (DEI). “Não podemos comentar mais, dada a natureza contínua deste litígio pendente”, acrescentou.

A denúncia formal apresentada por Wimmer indica que a empresa não exigia, por norma interna, que os funcionários se referissem uns aos outros de maneira específica. No entanto, após manifestar sua recusa, ele recebeu uma nota de advertência disciplinar, na qual constava que o não cumprimento da expectativa de uso dos pronomes poderia resultar em demissão.

Ainda de acordo com a queixa, durante a entrega do documento, um funcionário do setor de recursos humanos teria dito a Wimmer que suas objeções religiosas “não faziam sentido algum” e comparou o uso dos pronomes preferidos ao uso de apelidos, como chamar uma pessoa de “Lizzy” em vez de “Elizabeth”.

Após o episódio, Wimmer pediu demissão da empresa em 31 de março, declarando que seu ambiente de trabalho o colocava em conflito com sua fé. Em 2 de abril, ele enviou um e-mail solicitando a reversão de sua saída e a retomada de seu posto. Segundo seu relato, o pedido não foi inicialmente respondido, mas algumas horas depois, ele foi convocado a uma sala de conferências, onde foi informado da negativa e oficialmente desligado da empresa.

O ex-funcionário alega ainda que, após a demissão, seus pertences pessoais foram devolvidos danificados. Entre os itens, estavam uma Bíblia e uma caneca preta com a imagem do símbolo cristão Chi Rho.

A denúncia conclui que “o preconceito e a hostilidade da Generac em relação às crenças religiosas do Sr. Wimmer — incluindo a disciplina da empresa, o assédio, a negação de uma acomodação razoável e a demissão definitiva do Sr. Wimmer — constituem discriminação religiosa sob o Título VII”. O documento solicita à EEOC a abertura de uma investigação formal, conforme noticiado pelo portal The Christian Post.

Igreja Batista constrói 60 apartamentos para pessoas necessitadas

A Igreja Batista Shiloh, localizada em Tacoma, no estado de Washington, concluiu a construção de 60 unidades habitacionais acessíveis no início de 2025. As moradias, distribuídas em dois edifícios situados do outro lado da rua de seu templo principal, foram concebidas como uma resposta à crise de habitação que atinge a cidade e diversas regiões dos Estados Unidos.

O projeto habitacional recebeu o nome de Shiloh New Life Apartments. O primeiro edifício, batizado como Lily V. Brazill, foi inaugurado em setembro de 2024. O segundo, chamado James e Marilyn Walton, passou a receber moradores no início de 2025.

Segundo o pastor Chavis Young, líder da congregação, a iniciativa é parte do compromisso social da igreja com a comunidade local. “Sempre acreditamos em ser uma expressão tangível do amor de Deus em nossa comunidade”, afirmou Young ao The Christian Post.

O pastor acrescentou que o aumento da crise habitacional, especialmente entre famílias de baixa renda, motivou a igreja a agir: “Sentimos um chamado moral e espiritual para responder”.

As obras começaram em agosto de 2023, após um período de planejamento, oração e arrecadação de recursos. De acordo com Young, o projeto enfrentou obstáculos relacionados a zoneamento e processos de licenciamento, mas foi possível superá-los com o apoio de autoridades locais. “Ao sermos transparentes e colaborativos, conseguimos transformar essas barreiras em pontes”, disse o pastor.

Além da oferta de moradia, o projeto busca promover dignidade e estabilidade: “Essas unidades são mais do que edifícios — são um testemunho do que acontece quando a fé se transforma em ação. Representam dignidade, estabilidade e esperança para muitas famílias”, declarou Young.

A entrega das moradias ocorre em um contexto de crescente preocupação nacional com os custos de habitação. De acordo com uma pesquisa do Pew Research Center, divulgada em 20 de setembro de 2024, 69% dos norte-americanos expressaram preocupação com a acessibilidade à moradia — um aumento em relação aos 61% registrados em abril do mesmo ano.

Muçulmano entra em igreja por curiosidade e se rende a Cristo

O testemunho de Miftah (nome fictício adotado por razões de segurança), um estudante muçulmano de 26 anos, mostra como a mensagem do Evangelho alcança as pessoas mais improváveis de maneiras surpreendentes.

O jovem muçulmano vivia no centro da Etiópia e dedicava-se ao estudo do Alcorão em uma madrassa, com o objetivo de trabalhar futuramente na instituição religiosa. Durante as férias de 2022, ele retornou à aldeia onde morava com a família e, ao passar por uma igreja onde ocorria uma conferência cristã, decidiu entrar para observar, movido pela curiosidade.

Ao voltar para casa, foi confrontado por familiares com insultos e agressões físicas. Segundo relato de Miftah, vizinhos o viram entrando na igreja e informaram à sua família, o que motivou a reação violenta. A hostilidade, no entanto, o levou a retornar à conferência e, no terceiro dia do evento, decidiu tornar-se cristão.

Em setembro do mesmo ano, ele foi amarrado e agredido por vizinhos, que exigiam que ele renunciasse à nova fé. Na ocasião, seu pai declarou: “Ele não é mais meu filho, ele me traiu! Ele desonrou a fé ao se afastar dela”.

Após o episódio, Miftah teve suas roupas queimadas e foi deserdado pela família, perdendo o direito à herança das terras. Posteriormente, foi expulso da aldeia. De acordo com informações da Missão Portas Abertas, ele recebeu apoio emergencial, incluindo alimentos, roupas e ajuda com moradia.

Em abril de 2024, Miftah participou de um treinamento sobre traumas, promovido por parceiros da organização. Durante o encontro, afirmou ter vivenciado uma mudança interior.

“Quando vi aquelas pessoas, aquelas que me batiam, me perseguiam, incluindo minha mãe e meu pai, e que fizeram todas aquelas coisas comigo, tive sentimentos ruins. Eu costumava me sentir injustiçado pelo que tinham feito comigo. Mas depois que vim para cá e participei do treinamento, percebi que o que costumava me ferir não era útil e nem tinha valor”, relatou.

Ele também afirmou que o processo contribuiu para sua recuperação emocional: “Aqueles que estavam contra mim me fizeram correr para Deus. A lição que aprendi neste lugar me permitiu agradecer àqueles que me perseguiram. Agora estou curado, este treinamento apagou o ódio que eu costumava ter em mim”.

Descoberta em deserto aponta aos primeiros cristãos da Etiópia

Arqueólogos que escavam o sítio de Tel Malhata, no deserto de Negev, em Israel, identificaram estatuetas raras de osso e ébano em três sepulturas cristãs datadas do século VI ou VII d.C. Segundo relatório publicado no periódico Atiqot por pesquisadores da Autoridade de Antiguidades de Israel e da Universidade de Colônia, as descobertas apontam para a possível presença de cristãos de origem africana — possivelmente etíopes — na região durante a era bizantina.

As sepulturas foram encontradas próximas à base aérea de Nevatim, no nordeste do Negev. As peças incluem duas estatuetas de ébano que retratam um homem e uma mulher com traços africanos, e outras três feitas de osso. A equipe afirmou que, até o momento, nenhuma estatueta semelhante havia sido documentada em Israel, na Jordânia ou em territórios vizinhos.

“Parece que as estatuetas representavam ancestrais e não divindades. Se for o caso, é possível que os falecidos fossem de origem ‘etíope’ e que eles ou seus ancestrais tenham se convertido ao cristianismo e se mudado para o Negev”, informou o relatório oficial da escavação.

O arqueólogo Noé D. Michael, que integra a equipe, descreveu a descoberta como excepcional. “Até onde sabemos, nenhuma estatueta desse tipo foi identificada em Israel, na Jordânia e em nossa região”, disse ele ao The Times of Israel.

A escavação revelou 155 túmulos no total, mas três sepulturas se destacaram por conterem os artefatos em questão. Em uma delas, foi encontrado o esqueleto de uma mulher de aproximadamente 20 a 30 anos, acompanhada de dois jarros de alabastro, joias de bronze e duas estatuetas — uma de osso e outra de ébano. Em outra sepultura, jazia uma criança de 6 a 8 anos, com bens funerários similares. A terceira sepultura, de uma jovem entre 18 e 21 anos, continha recipientes de vidro, uma pulseira de bronze e uma estatueta de osso com a forma de uma figura feminina.

Segundo os pesquisadores, a semelhança entre os itens funerários das sepulturas da mulher adulta e da criança, especialmente os pingentes com pequenos furos que sugerem uso no pescoço, indicam possível laço familiar. “Acreditamos que, como os túmulos eram próximos e ofereciam o mesmo tipo de presentes funerários, provavelmente se tratava de uma mãe e um filho”, explicou a equipe. No entanto, não foi possível realizar testes de DNA devido à condição dos ossos.

A análise botânica confirmou que o ébano usado nas estatuetas era da espécie Diospyros ebenum, árvore nativa do sul da Índia e do Sri Lanka. Isso indica que os objetos podem ter chegado à região por meio das rotas comerciais ativas à época.

O sítio de Tel Malhata era estrategicamente localizado na confluência de rotas comerciais importantes — uma ligando o Mar Vermelho à Judeia e Jerusalém, e outra conectando o Mediterrâneo à Península Arábica. De acordo com o jornal Haaretz, essas rotas facilitaram o trânsito de produtos de luxo como especiarias, seda e madeira exótica, incluindo o ébano.

Historicamente, Tel Malhata foi habitada desde a Idade do Bronze Médio e funcionou como cidade fortificada e centro administrativo no período romano, segundo escavações realizadas nas décadas de 1990 e 2000. A atual escavação reforça a importância contínua do local no período bizantino.

De acordo com o estudo, o cristianismo se espalhou significativamente no século VI, durante o reinado do imperador bizantino Justino I. Os autores associam essa expansão a possíveis movimentos migratórios de populações do Chifre da África, como a Etiópia, que mantinham redes de comércio e peregrinação com o Levante. A presença de estatuetas com estilo africano, associada a práticas funerárias cristãs e ao contexto comercial da época, sustenta a hipótese de que os enterrados poderiam ser cristãos etíopes convertidos.

Embora a equipe não tenha conseguido obter material genético dos restos mortais, a hipótese de origem etíope baseia-se na iconografia das estatuetas e na história conhecida de mobilidade dos povos africanos no mundo greco-romano. O historiador Frank Snowden, em sua obra publicada em 1970, já havia destacado que etíopes viviam em diversas regiões do Império Romano.

A equipe também destacou um padrão nos bens funerários da necrópole: a maioria das mulheres foi enterrada com objetos como vasos, joias e estatuetas, enquanto apenas dois homens — ambos idosos — apresentavam bens no túmulo, possivelmente indicando status social elevado.

Para os pesquisadores, as estatuetas podem representar não apenas itens de valor, mas também símbolos de identidade cultural e memória ancestral, preservados mesmo após a conversão ao cristianismo. As tumbas eram do tipo cista, construídas com pedras e alinhadas com os costumes funerários cristãos da época.

A descoberta amplia o conhecimento sobre a diversidade étnica e cultural no antigo Oriente Médio durante o período bizantino, ressaltando a complexidade dos vínculos entre fé, identidade e mobilidade em contextos históricos marcados por redes transcontinentais de comércio e peregrinação, de acordo com informações do The Christian Post.

Batismo de crianças é bíblico? Veja diferença para o credobatismo

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Em entrevista concedida ao Plenicast, o pastor Wilson Porte Jr abordou, de forma detalhada, as distinções entre duas práticas históricas da doutrina cristã do batismo: o credobatismo (batismo de crentes confessos) e o pedobatismo (batismo de crianças). A conversa explorou os fundamentos teológicos, históricos e as percepções mútuas entre as tradições que adotam cada uma dessas formas.

Wilson Porte Jr, pastor batista reformado, afirmou ser credobatista, mas ressaltou seu respeito pelas igrejas que praticam o pedobatismo, como os presbiterianos e luteranos: “Eu sou credobatista, mas chamo os pedobatistas de meus irmãos e entendo que o que eles fazem, fazem em fé”, declarou o pastor.

Segundo ele, ainda que haja discordâncias doutrinárias, é necessário manter um espírito de respeito mútuo: “Eu entendo por que eles fazem o que fazem”.

Durante a entrevista, o pastor explicou que, em seu livro — Um Guia para a Nova Vida —, buscou apresentar as razões pelas quais parte da cristandade batiza crianças, com o objetivo de esclarecer leitores não batistas e promover entendimento entre as partes. “Eu explico isso para que aqueles que são credobatistas entendam e parem de chamar seus irmãos pedobatistas de qualquer coisa errada”, disse Porte Jr.

Porte Jr. destacou que a prática do pedobatismo é fundamentada por seus defensores na continuidade entre a Antiga e a Nova Aliança, especialmente na associação entre a circuncisão e o batismo: “Eles fazem uma conexão entre a antiga e a nova aliança, dentro da teologia da aliança como entendida por eles, uma conexão entre a circuncisão e o batismo, e, por isso, batizam os seus filhos para incluí-los na família da aliança”, afirmou.

Ao tratar das percepções equivocadas entre os dois grupos, Porte Jr. reconheceu que muitos credobatistas veem o batismo infantil como heresia, enquanto, por outro lado, há também pedobatistas que rotulam os credobatistas como hereges.

“Recentemente, num grupo de pastores que eu faço parte […] mandaram um vídeo de um pastor presbiteriano dizendo que os batistas são hereges. Eu acho que ele nem sabe o que é ser herege”, relatou.

O pastor também comentou sobre críticas infundadas baseadas na ignorância histórica. Segundo ele, muitos que condenam o pedobatismo desconhecem o desenvolvimento dessa prática ao longo da história da Igreja: “Não sabe de história da Igreja, não sabe quando começou o batismo infantil de forma oficial e majoritária — que foi só por volta do século V e VI”, disse. “A gente vê isso em documentos de história da Igreja, católicos e presbiterianos, que testemunham dessa situação”, acrescentou.

Para Porte Jr, tanto credobatistas quanto pedobatistas devem reconhecer que muitos dos que divergem teologicamente o fazem com consciência e fé. Ele citou Romanos 14 para defender essa compreensão: “Paulo fala em Romanos 16 que aquilo que a pessoa faz em fé não é pecado. Deus não considera pecado aquilo que é feito em fé; mas, sem fé, é pecado”.

A entrevista também abordou a distribuição numérica dos grupos. Segundo o pastor, no Brasil, igrejas que praticam o pedobatismo são minoria, especialmente diante da influência das igrejas pentecostais: “Dá-nos a impressão de que quem batiza criança é a minoria”, observou. No entanto, ele ponderou que isso varia conforme a região: “Em vários lugares da Europa […] todas batizam só bebês. Então os credobatistas são a minoria em alguns desses lugares”.

O pastor defendeu a importância do conhecimento e do diálogo respeitoso como caminho para reduzir tensões entre as tradições: “Eu acho que o conhecimento nos dá um diálogo mais respeitoso e mais compassivo com o outro. Tanto ele tendo compaixão de mim, achando que estou errado, quanto eu tendo compaixão dele”, concluiu.

A entrevista integra uma série de conversas promovidas pelo Plenicast, que tem convidado pastores e teólogos para discutir temas doutrinários e práticos relacionados à fé cristã e à convivência eclesiástica.

Estudo mostra perigoso flerte de cristãos com a astrologia

Mais de um quarto dos cristãos diz crer que estrelas e planetas exercem alguma influência sobre o destino humano, apesar de a prática ser rejeitada pelas Escrituras. A constatação é de uma pesquisa realizada pelo Pew Research Center com base em entrevistas com uma amostra representativa de 9.593 adultos.

Segundo o levantamento realizado nos Estados Unidos, 30% dos adultos americanos disseram consultar astrologia, horóscopos, cartas de tarô ou videntes pelo menos uma vez ao ano. A maioria, porém, afirmou fazê-lo por entretenimento, e apenas uma parcela menor relatou tomar decisões importantes com base nessas práticas.

Entre os religiosos, 27% disseram acreditar na astrologia, número próximo aos 28% dos entrevistados que não se identificam com nenhuma religião. De acordo com o estudo, protestantes negros e católicos hispânicos se mostraram mais propensos a essa crença do que evangélicos brancos, que, junto com ateus, judeus e agnósticos americanos, demonstraram menor adesão à astrologia do que a média da população.

O ministério cristão de apologética Got Questions classificou a crença na astrologia como “falsa”. Em nota, o grupo afirmou: “Os astrólogos reais da corte babilônica foram envergonhados pelo profeta Daniel (Daniel 1:20) e não conseguiram interpretar o sonho do rei (Daniel 2:27). Deus especifica os astrólogos como aqueles que serão queimados como restolho no julgamento de Deus (Isaías 47:13-14)”.

Segundo a mesma fonte, a astrologia é considerada uma forma de adivinhação, o que é expressamente proibido nas Escrituras, com base em textos como Deuteronômio 18:10-14 e Deuteronômio 4:19, que condenam a prática de adoração ao “exército dos céus”. O texto observa que, ao longo da história de Israel, esse tipo de idolatria resultou no juízo divino.

O crescimento dessas práticas espirituais fora do escopo da religião institucional tem sido associado ao fenômeno do sincretismo religioso, tema abordado por estudiosos como George Barna, que há anos alerta para os riscos que essa mistura representa para uma cosmovisão bíblica.

Um estudo recente intitulado Breaking Free of the Iron Cage: The Individualization of American Religion, publicado em abril, acompanhou 1.348 pessoas nascidas no fim da década de 1980 — desde a adolescência até o início da vida adulta. A pesquisa utilizou dados longitudinais para observar como os jovens lidam com as tensões entre instituições religiosas tradicionais e o desejo por uma fé autêntica e pessoal, num contexto marcado pela ascensão dos chamados “não religiosos”.

“Nossa análise mostra como os jovens estão respondendo à burocratização e à racionalização que [o sociólogo alemão Max] Weber previu que criaria uma ‘gaiola de ferro’ nas instituições modernas, desenvolvendo novas formas de expressão religiosa e espiritual fora das instituições formais”, escreveram os autores do estudo.

De acordo com os pesquisadores, o “mercado religioso” atual vai além das igrejas e denominações concorrentes, incluindo formas alternativas de espiritualidade, como fé personalizada e práticas individuais de significado. “As pessoas estão se libertando não com alicates, mas com atos profundamente pessoais de rebelião espiritual”, observaram.

“Rejeitando as construções religiosas racionalizadas, sistematizadas e institucionalizadas da modernidade em favor de expressões mais dinâmicas, diversas e sincréticas”, acrescentaram, de acordo com o The Christian Post.