Profeta Miguel escandaliza e mancha imagem da Assembleia

Miguel Oliveira, também conhecido como “profeta Miguel”, ganhou projeção nacional após vídeos seus ultrapassarem os limites das redes evangélicas e alcançarem o público secular. Ao mesmo tempo, lideranças evangélicas têm denunciado seus equívocos.

As gravações mostram o adolescente supostamente orando em línguas ou traduzindo o que outros pastores dizem em glossolalia — prática comum em cultos pentecostais. A repercussão nas redes sociais gerou reações divididas, tanto de apoio quanto de críticas, inclusive dentro do meio religioso.

Entre as páginas que compartilharam os vídeos está o perfil do apresentador Luiz Bacci, que possui 24,9 milhões de seguidores no Instagram. Na postagem, Miguel aparece interpretando o que um pastor fala em “línguas”. A legenda da publicação destacou o contraste nas reações: “Enquanto seguidores exaltam sua suposta sensibilidade espiritual, uma ala mais conservadora da igreja o acusa de blasfêmia e questiona sua maturidade para exercer o ministério”.

O perfil Circo da Mídia, com 250 mil seguidores, também repercutiu o vídeo e escreveu: “Deu o que falar! Miguel Oliveira, de apenas 14 anos, tem chamado atenção como poucos. Com mais de um milhão de seguidores no Instagram e vídeos que somam milhares de visualizações, ele se tornou uma figura central entre os chamados ‘missionários mirins’. Dessa vez, o pastor falou a língua dos anjos, o que fez ser criticado pela própria ala do protestantismo. O que acharam?”

Nos comentários, internautas expressaram diferentes opiniões: “14 anos e já é 171?”, questionou uma usuária, com referência ao artigo do Código Penal que descreve o crime de estelionato.

Outra comentou: “Tem pessoas que são usadas por Deus, e outras que usam a Deus (os falsos profetas)”. Um terceiro afirmou: “Não sei quem é pior, se ele ou quem dá palco pra ele…”. Críticas generalizadas também apareceram: “Nunca vi um povo pra envergonhar tanto o evangelho como os evangélicos”, disse outra pessoa. Um usuário católico ironizou: “Culpa do Lutero!”.

A polêmica também provocou manifestações entre pastores. Renato Vargens, pastor e escritor com forte atuação nas redes sociais, fez uma publicação criticando a exposição de Miguel e questionando os fundamentos bíblicos da prática apresentada nos vídeos.

“Definitivamente parte da igreja brasileira deseja um falso evangelho, cheio de misticismo e desprovido de verdades bíblicas. Para piorar a situação, esse tipo de ‘evangélico’ prefere dar ouvidos a meninos despreparados bíblica e teologicamente, a pastores e teólogos probos”, escreveu.

Vargens prosseguiu: “A cena que vemos nesse vídeo é falsa, absorta numa práxis bem diferente daquilo que a Bíblia ensina como verdade. Esse menino precisa ser cuidado, pastoreado e retirado dessa exposição cujo fundamento não pode ser considerado cristão”.

“Eu não sei muito bem como funciona o governo das Assembleias de Deus, mas gostaria de fazer uma pergunta bem respeitosa: não se pode fazer nada quanto ao falso Evangelho pregado pelo profeta mirim? Não existe na denominação nada que possa confrontar o garoto em suas heresias?”, questionou indignado Vargens, cobrando ação.

Profeta Miguel escandaliza web e mancha imagem da Assembleia de Deus
Repercussão do “profeta Miguel” nas redes sociais e o dano causado à imagem da Assembleia de Deus

Senador faz proposta polêmica envolvendo Lula e os evangélicos

O senador Carlos Viana (Podemos-MG) manifestou interesse em intermediar um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e lideranças evangélicas, com ênfase em representantes da Igreja Batista.

A informação foi divulgada pela jornalista Roseann Kennedy em sua coluna no Estadão nesta quarta-feira (3/04). Segundo a publicação, Viana ofereceu-se pessoalmente a Lula para organizar o evento, visando reduzir a rejeição do presidente junto ao eleitorado evangélico, que atingiu 67% segundo pesquisa da Quaest divulgada em março.

O grupo evangélico representa 31,2% da população brasileira, conforme o Censo 2022 do IBGE, e foi decisivo na polarização das eleições de 2018 e 2022. Desde o início do terceiro mandato, Lula mantém taxa de reprovação acima de 60% nesse segmento, segundo o Datafolha, atribuída a discursos de aliados petistas sobre temas como aborto e diversidade religiosa.

Detalhes

De acordo com Kennedy, Viana afirmou ao Planalto que “o diálogo com os evangélicos é uma ponte que o governo ainda não atravessou”. Lula teria sinalizado abertura, mas exigiu “garantias de que não será hostilizado durante o evento”. O senador mineiro argumenta que a reaproximação é “urgente e estratégica” antes das eleições municipais de outubro.

Carlos Viana não integra a base governista, mas foi o único parlamentar fora do núcleo aliado convidado para um jantar com Lula em Brasília no dia 2 de abril. O evento reuniu figuras como o senador Davi Alcolumbre (União-AP) e a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil). Segundo relatos da coluna, sua presença causou estranheza, mas o senador foi convidado para “expor análises sobre a relação governo-evangélicos”.

Aliado de Jair Bolsonaro (PL) em 2022, Viana rompeu com o ex-presidente após ser excluído da disputa ao governo de Minas Gerais. Desde então, articula sua migração para o União Brasil, partido da base de Lula, e avalia concorrer ao Senado ou ao governo mineiro em 2026 em chapa governista.

Declarações

Em seu diagnóstico ao Planalto, Viana defendeu que “o governo precisa agir para desarmar narrativas de guerra cultural, mas o PT também deve moderar seu discurso”. A proposta inclui encontros com pastores de megaigrejas, como Edir Macedo (Universal) e Silas Malafaia (Assembleia de Deus), ainda não confirmados.

Líderes evangélicos consultados pela coluna do Estadão demonstraram ceticismo. Um pastor da Convenção Batista, que preferiu não se identificar, afirmou: “Lula é visto como adversário herege por boa parte de nossas bases”. Já assessores do Planalto avaliam a mediação como “oportunidade para desfazer estereótipos”.

Entenda a reação de Justin Bieber após ser criticado por cristãos

Justin Bieber utilizou seu perfil no Instagram no último domingo (21/04) para responder a críticas recebidas de grupos cristãos nas redes sociais. Em uma série de stories, o cantor canadense, de 30 anos, questionou a noção de que práticas religiosas formais, como frequentar igrejas ou ler a Bíblia, sejam suficientes para garantir “salvação espiritual”.

“Sua Bíblia não pode salvar você. O que salva é um relacionamento verdadeiro com Deus”, escreveu ele, provocando ainda mais reações dos seguidores.

As declarações ocorreram após repercussão de fotos do artista em uma festa próxima ao festival Coachella, em Indio (Califórnia), no último sábado (20/04). Nas imagens, Bieber aparece visivelmente mais magro e segurando um cigarro, supostamente de maconha, o que gerou especulações sobre sua saúde.

Em 2022, o cantor cancelou parte de sua turnê mundial devido a complicações da Síndrome de Ramsay Hunt, que afetou seus movimentos faciais.

Declarações do artista:

Bieber relatou sentir-se alvo de julgamento por parte de grupos religiosos: “Muitos que se dizem cristãos me tratam como lixo. Mas lembro que também sou falho, e que Deus me perdoou. Isso me ajuda a não me sentir superior a quem age com maldade”.

O cantor reforçou a importância de uma conexão autêntica com a fé: “A culpa só vai embora quando você se conecta com Deus de verdade. Não adianta só ler a Bíblia ou ir à igreja”.

Sobre os rumores envolvendo sua vida pessoal, acrescentou“Eu cometo erros, posso ser cruel, mas não sairia por aí espalhando mentiras na internet, como fazem comigo”. Em tom reflexivo, mencionou possíveis motivações por trás das críticas: “Talvez eu também sentiria inveja se visse minha vida com a Hailey [Baldwin, sua esposa] de fora”.

Reações:

Grupos cristãos, como a organização evangélica Focus on the Family, classificaram as falas como “desrespeitosas com a doutrina”. Em contraponto, fãs e parte do público defenderam o artista nas redes, destacando trechos de seu álbum “Justice” (2021), que aborda temas espirituais.

Em fevereiro de 2024, Bieber havia anunciado uma pausa em sua carreira para “priorizar a família e a fé”. No domingo (21/04), encerrou a publicação afirmando: “Minha força vem de Deus, não da opinião alheia”. O cantor segue sem confirmar novas datas de shows ou projetos musicais. Veja também:

‘Me volto para Jesus, Aquele que não pecou’, diz Justin Bieber no Rock in Rio

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Autoridade Palestina surpreende ao fazer exigência pró-Israel

O presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, exigiu publicamente na quarta-feira que o Hamas liberte reféns americanos e entregue suas armas à AP, durante reunião do Conselho Central transmitida ao vivo.

Em discurso direto, Abbas classificou o grupo como “filhos dos cães” e defendeu o fim imediato da guerra em Gaza para evitar mais mortes civis.

Principais exigências

  • Libertação de Reféns:



    “Filhos dos cães, entreguem os reféns americanos. A guerra deve acabar, pois centenas morrem diariamente por sua recusa”
    , afirmou Abbas, referindo-se ao Hamas.

  • Desarmamento e Controle de Gaza:O presidente ordenou que o Hamas transfira armas à AP e encerre seu domínio sobre a Faixa de Gaza: “Entreguem as armas e acabem com o controle unilateral. Transformem-se em partido político e negociem conosco, não com os EUA”.

Objetivos para a paz

Abbas listou quatro prioridades para resolver a crise:

  1. Devolução de todos os reféns em poder do Hamas;

  2. Suspensão do bloqueio israelense a Gaza;

  3. Proteção contra deslocamentos de palestinos, com apoio árabe;

  4. Defesa da causa palestina via estabelecimento de um Estado soberano.

Críticas a Israel

Abbas acusou Israel de usar o golpe do Hamas em 2007 como pretexto para “destruir Gaza”, citando dados da AP:

  • 2.165 famílias totalmente exterminadas;

  • 6.664 famílias parcialmente afetadas;

  • 70% das residências destruídas.

Ele alertou para uma “nova Nakba”, termo que remete ao êxodo de 750 mil palestinos durante a criação de Israel em 1948. “Estamos à beira de uma catástrofe humanitária comparável”, declarou.

Abbas reiterou que a paz regional depende do “fim da ocupação israelense e da criação de um Estado palestino nas fronteiras de 1967, com capital em Jerusalém Oriental”.

Reações

O Hamas não respondeu às exigências até o fechamento desta edição. Analistas destacam que a AP, que governa partes da Cisjordânia, não exerce controle sobre Gaza desde 2007, quando o Hamas assumiu o poder após conflitos internos.

Enquanto isso, Israel mantém operações militares no território, com 14.800 mortos reportados pelo Ministério da Saúde de Gaza (dados não verificados independentemente).

A AP busca apoio de países árabes e da ONU para uma conferência de paz em dezembro. O Conselho de Segurança da ONU debate nesta semana um projeto de resolução por cessar-fogo imediato. Com: Guiame

‘Não Pare de Adorar’: assista ao novo clipe de Sarah Beatriz

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A cantora Sarah Beatriz apresentou nesta quinta-feira, 24 de abril, a música Não Pare de Adorar, nova faixa de seu projeto ao vivo gravado em São Paulo. O lançamento destaca-se pela proposta de refletir, por meio da música, o que a Bíblia revela sobre o poder da adoração, mesmo em meio às adversidades.

A inspiração para a canção, segundo Sarah, está ancorada em diversos relatos bíblicos sobre o impacto espiritual do louvor. Um dos exemplos citados é o episódio de Paulo e Silas, narrado em Atos 16. Mesmo presos e algemados, ambos começaram a cantar hinos, momento em que um terremoto abalou os alicerces da prisão, resultando na libertação física dos detentos e na transformação espiritual dos presentes.

Outro personagem bíblico frequentemente associado à adoração é o rei Davi, autor de diversos salmos. Um dos textos destacados pela artista é o Salmo 34:1-2: “Louvarei ao Senhor em todo o tempo; o seu louvor estará continuamente na minha boca. A minha alma se gloriará no Senhor; os mansos o ouvirão e se alegrarão”.

“Essa composição mostra como o louvor pode trazer paz aos corações. Com este lançamento, quero lembrar que, quando abrimos nossa boca para declarar a bondade e o poder de Deus, o medo se afasta e não há razão para temer, porque Ele está com a gente”, declarou Sarah Beatriz.

Reconhecida pela potência vocal e por sua habilidade de alcançar notas agudas com precisão, Sarah Beatriz vem consolidando sua carreira como um dos principais nomes da música cristã nacional. O novo projeto, gravado ao vivo, reúne composições autorais, versões e releituras, incluindo um clássico ainda não divulgado.

O álbum completo será disponibilizado em breve nas plataformas digitais e contará com nove faixas. Além de Não Pare de Adorar, o repertório inclui: Pentecostes, Deus na Minha História (versão de God Is In This Story, de Katy Nichole), Chega de Errar Pra Aprender (com Eli Soares e Mauro Henrique), Tu És a Direção, O Grande Eu Sou e O Teu Poder (Creio em Ti), esta última em dueto com a cantora Bruna Karla.

Com mais de 850 milhões de reproduções nas plataformas de música e 8 milhões de seguidores nas redes sociais, Sarah Beatriz vive um dos momentos mais expressivos de sua trajetória ministerial, apresentando canções que abordam temas como fé, coragem e esperança.

A produção musical do projeto é assinada por Hananiel Eduardo, enquanto a direção de vídeo ficou a cargo de Flauzilino Jr. A faixa Não Pare de Adorar já está disponível no canal da Musile Records no YouTube e nos principais serviços de streaming.

Há vida fora da Terra? Descoberta da ciência reabre debate

A possibilidade de vida fora da Terra, além do sistema solar, ganhou novos contornos esta semana, após cientistas detectarem impressões químicas inusitadas na atmosfera do exoplaneta K2-18 b, utilizando o telescópio espacial James Webb.

De acordo com a análise, foram encontrados traços de dois gases — dimetil sulfeto (DMS) e dissulfeto de dimetila (DMDS) — que, na Terra, são produzidos exclusivamente por processos biológicos, sobretudo por fitoplâncton marinho.

A descoberta, que ainda é tratada com cautela pela comunidade científica, provocou reações também em meio a estudiosos e líderes cristãos, que analisam a notícia sob a ótica bíblica.

O cientista Marcos Eberlin, pós-doutor pela Purdue University, nos Estados Unidos, afirmou que, embora o universo tenha sido criado para manifestar a glória de Deus, conforme ensina o livro de Isaías, a Terra foi especialmente preparada para a vida:

“Lemos em Isaías que os céus manifestam a glória de Deus, então, o universo é feito para manifestar a glória de Deus, mas a Terra nos foi dada de presente”, declarou.

Eberlin frisou ainda: “A Bíblia deixa muito claro que a vida na Terra já é sobrenatural. O planeta Terra é único, há milhares de condições únicas que só a Terra possui. Então, esperar que tenha vida em outro planeta por processos naturais, é impossível, não há nenhuma indicação segura”.

O pastor José Ernesto, líder da Igreja Presbiteriana Água Viva, em Vitória-ES, e articulista da revista Comunhão, compartilha visão semelhante. Comparando a recente descoberta com uma analogia, afirmou: “É como se pegássemos uma pequena concha na praia e, com base nessa concha, montássemos toda uma teoria de como é todo o oceano”.

Em seu entendimento, tais conclusões são construídas a partir de suposições baseadas em evidências limitadas. Ele citou o Salmo 8:3-4 para embasar sua reflexão: “Quando olho para o céu, que tu criaste, para a lua e para as estrelas, que puseste nos seus lugares — que é um simples ser humano para que penses nele? Que é um ser mortal para que te preocupes com ele?”.

Para o pastor Ernesto, a resposta bíblica é clara: “Vem sempre uma dúvida: será que estamos sozinhos neste imenso universo? A resposta é sim!”.

José Ernesto também salientou que a Bíblia enfatiza a centralidade do ser humano no plano divino: “Deus resolveu fazer da maneira que está revelado na Bíblia. Apenas o verdadeiro evangelho mostra um Deus querendo resgatar o homem. Discutir se existe vida em outro planeta é desviar o foco da dependência e dos planos de Deus para a humanidade”, avaliou.

Enquanto a astrobiologia internacional celebra a descoberta com entusiasmo, embora com prudência — uma vez que anúncios anteriores de “sinais de vida” não se confirmaram —, no meio cristão, o tema é abordado com outras ponderações.

O pastor e professor acadêmico Geraldo Moyses Gazolli Junior, mestre em Ciências da Religião e doutorando em Teologia, ofereceu outra perspectiva. Em sua análise, a Bíblia sugere que há vida além da Terra, embora não necessariamente nos moldes populares de civilizações extraterrestres.

Ele destacou o texto de Apocalipse 12:10-12: “E ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora é chegada a salvação, e a força, e o reino do nosso Deus, e o poder do seu Cristo; porque já o acusador de nossos irmãos é derrubado, o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite. E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até à morte. Por isso alegrai-vos, ó céus, e vós que neles habitais. Ai dos que habitam na terra e no mar; porque o diabo desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo”.

Comentando sobre o texto, Gazolli afirmou: “Na cultura antiga, o universo era conhecido como céu e irmãos nossos habitam o universo e celebram a queda de satanás pelo nosso bem. Isso torna a ideia de que um Deus criador segue trazendo vida em algum canto do universo, uma ideia maravilhosa”.

O debate, portanto, continua em aberto, com a ciência buscando respostas em atmosferas distantes e a fé cristã interpretando as descobertas à luz das Escrituras. Por ora, os sinais detectados no K2-18 b ainda carecem de confirmações mais robustas, mas já reacendem tanto a curiosidade científica quanto as reflexões teológicas sobre o lugar do ser humano no universo.

Primeiros cristãos em Israel transformaram casas em igrejas

Uma nova pesquisa conduzida por arqueólogos israelenses revela que, durante a Antiguidade Tardia (séculos IV a VII d.C.), comunidades cristãs espalhadas pela terra de Israel e pelo Oriente Médio construíram um número expressivo de igrejas em propriedades privadas, em contraste com a prática judaica da época, que concentrava os recursos da comunidade na construção de sinagogas centrais.

O estudo, publicado recentemente na revista científica Levant e divulgado pelo The Times of Israel, foi coordenado pelo professor Jacob Ashkenazi, do Kinneret College, instituição localizada às margens do Mar da Galileia. Segundo Ashkenazi, esse padrão de edificação de igrejas revela um comportamento distinto entre cristãos e judeus quanto à forma de expressar e compartilhar a fé.

“Somente na província palestina romana, mais de 700 igrejas foram encontradas em escavações arqueológicas, sem mencionar as igrejas registradas em fontes históricas. É realmente inacreditável”, declarou o professor.

De acordo com o relatório, muitas dessas igrejas eram erguidas dentro de residências de famílias abastadas, com acesso tanto para a área privada quanto para a via pública. Esse modelo contrasta com o funcionamento das comunidades judaicas, que mantinham apenas uma sinagoga por vila, geralmente decorada com mosaicos e utilizada como centro comunitário e local de leitura da Torá.

Ashkenazi explicou que, durante o domínio greco-romano, era comum que membros da elite investissem em obras públicas, como teatros e banhos, visando prestígio social e cumprimento de dever cívico. Com a expansão do cristianismo, muitos passaram a canalizar esses investimentos para a construção de igrejas.

“Eles [os ricos] financiavam a construção de casas de banho, teatros e anfiteatros, e patrocinavam espetáculos e festivais públicos. Com o avanço do cristianismo, esse fenômeno sofreu uma leve transformação, à medida que os ricos começaram a se converter a financiar a construção de igrejas”, disse Ashkenazi.

A pesquisa foi baseada em anos de escavações em locais como Israel, Jordânia, Líbano e Arábia Saudita. Entre os sítios escavados diretamente pelo próprio Ashkenazi e pelo professor Motti Aviam, estão sete igrejas na Galileia Ocidental. Segundo eles, a vila de Hippos, com cerca de 2.000 habitantes, chegou a abrigar oito igrejas, sendo seis delas em casas particulares. Outro exemplo mencionado é Umm al-Jimal, no norte da Jordânia, onde foram identificadas pelo menos 15 igrejas para uma população estimada de 3.000 habitantes.

Inicialmente, os estudiosos interpretavam esse fenômeno como consequência de disputas teológicas que marcaram o cristianismo primitivo, como os concílios de Niceia (325), Constantinopla (381) e Éfeso (431). Contudo, Ashkenazi afirmou que os dados arqueológicos não sustentam essa explicação.

“Concluímos que disputas religiosas não são suficientes para justificar o número de igrejas e que a explicação era muito mais simples. Numa época em que todos eram crentes, os indivíduos ricos buscavam tanto dar quanto receber, construindo igrejas que servissem à comunidade”, afirmou.

As inscrições encontradas nas ruínas também oferecem detalhes sobre os patronos das construções. Em uma pequena igreja em Horvat Hesheq, entre Carmiel e Maalot, foi identificada uma dedicatória feita por um diácono chamado Demétrio, que mencionava diversos membros de sua família, como avós, pais, irmãs e filhas.

As igrejas centrais, geralmente maiores, traziam inscrições com os nomes dos bispos e registros cronológicos de suas construções. Em contrapartida, muitas igrejas domésticas apresentavam elementos de religiosidade mais personalizada, como menções a santos específicos, algo raro nas igrejas públicas.

“Vemos que o culto a santos era uma exclusividade de algumas famílias, não de toda comunidade local”, explicou Ashkenazi. “Por exemplo, em toda a província romana da Palestina, apenas três igrejas tinham menções ao nome São Pedro, uma figura universal”.

Quanto às sinagogas, o pesquisador destacou que elas eram mantidas como espaços públicos, voltados para a comunidade inteira, e que a existência de apenas uma por aldeia reforça sua centralidade e função coletiva.

“As sinagogas tinham um propósito diferente das igrejas e, portanto, precisavam ser um lugar único, onde toda a comunidade se reunia”, afirmou.

A pesquisa oferece uma nova perspectiva sobre a dinâmica religiosa e social das populações cristãs e judaicas nos primeiros séculos da era cristã, apontando que a construção de igrejas não se restringia a fenômenos doutrinários, mas refletia práticas sociais enraizadas na cultura da época.

Pais ganham na Justiça: escolas não podem ter banheiros neutros

As escolas da Escócia foram obrigadas a garantir a oferta de banheiros diferenciados por sexo biológico após uma ação judicial contra o Scottish Borders Council (SBC), movida por pais de alunos preocupados com os chamados banheiros neutros.

A controvérsia teve início na Escola Primária Earlston, localizada na região de Scottish Borders, inaugurada recentemente apenas com banheiros neutros em termos de sexo.

A reclamação apresentada por Sean Stratford e Leigh Hurley, pais de um aluno da instituição, foi inicialmente rejeitada. Posteriormente, o caso foi levado ao Tribunal de Sessão, em Edimburgo, onde o SBC reconheceu a obrigatoriedade legal de prover banheiros diferentes para meninos e meninas.

A advogada dos pais, Rosie Walker, afirmou que a decisão “terá implicações de longo alcance”. Em entrevista à BBC, Walker ressaltou que todas as escolas da Escócia devem agora revisar seus arranjos de banheiros para assegurar conformidade com a legislação vigente.

Segundo o Regulamento de Instalações Escolares (Requisitos e Padrões Gerais) (Escócia) de 1967, é exigido que as instituições escolares ofereçam banheiros em proporção equilibrada para meninos e meninas, estabelecendo o padrão de 50% para cada sexo.

Walker também destacou que a decisão recente da Suprema Corte do Reino Unido, que reafirmou que a definição legal de mulher é baseada no sexo biológico, reforça “a importância de proteger direitos baseados no sexo e espaços exclusivos para cada sexo”.

O Scottish Borders Council reconheceu que as preocupações dos pais eram legítimas e, por isso, optou por não contestar o processo judicial.

Em declaração à BBC, um porta-voz do governo escocês informou: “As autoridades locais têm responsabilidade legal pelo patrimônio escolar, incluindo o fornecimento de banheiros”. O porta-voz acrescentou que o governo está comprometido em manter atualizada a Orientação Transgênero para Escolas e que, diante de desenvolvimentos legais ou políticos relevantes, será considerada a necessidade de revisão do documento.

Também foi confirmado que novas orientações para escolas sobre temas transgêneros serão divulgadas em breve.

Em paralelo, após a decisão da Suprema Corte, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer declarou, segundo o The Christian Post, que concorda com “a realidade biológica do sexo”, corrigindo uma posição anterior em que admitia que “homens poderiam ser mulheres e mulheres poderiam ser homens”.

Importante congregação abandona Assembleia de Deus nos EUA

Em uma decisão inesperada para a liderança nacional da Assembleia de Deus nos EUA, a Igreja James River, considerada a maior congregação da denominação no estado do Missouri, anunciou a sua desfiliação da organização.

A decisão, tomada por unanimidade pelo Conselho Administrativo da igreja, foi comunicada publicamente durante um culto na última quarta-feira, 23 de abril.

“Recentemente, o Conselho Administrativo da Igreja James River decidiu encerrar nossa filiação denominacional formal com as Assembleias de Deus. Somos gratos pelas Assembleias de Deus e pretendemos continuar a parceria com elas de diversas maneiras — incluindo nosso apoio contínuo aos missionários e aos esforços missionários para levar o Evangelho ao redor do mundo”, afirmou a igreja em nota oficial.

A congregação, que registra uma frequência semanal de cerca de 16 mil pessoas, ressaltou que continuará comprometida com a doutrina pentecostal e com a missão de pregar a Bíblia.

Procurada pelo The Christian Post, a liderança da James River não respondeu às perguntas sobre as motivações ou o tempo de planejamento da saída. A Southern Missouri Ministry Network of the Assemblies of God, entidade que reúne igrejas filiadas na região, também não respondeu imediatamente às solicitações de esclarecimentos.

Don Miller, superintendente da rede, declarou: “A Igreja James River informou a Rede Ministerial do Sul do Missouri sobre sua decisão de deixar as Assembleias de Deus. Estamos cientes do impacto que a James River causou no Reino e somos gratos por tê-la como parte das Assembleias de Deus. Nas Assembleias de Deus, existe um processo em vigor para resolver questões dessa natureza, e a Southern Missouri seguirá esse processo”.

Um representante do escritório nacional da denominação, que não estava autorizado a se identificar publicamente, afirmou que a decisão da James River pegou todos de surpresa: “Eles informaram a todos, o público e o AOG, no culto de quarta-feira à noite. Não havia nenhum tipo de disputa. Não havia nenhum tipo de situação em andamento. Eles apenas anunciaram, e pronto”.

O representante acrescentou: “A Igreja James River tem um rico legado de ministério e serviço dentro das Assembleias de Deus, e nossas orações agora estão com eles pelas bênçãos de Deus e um ministério contínuo e eficaz”.

Fundada em 1991, inicialmente como Assembleia James River, a igreja já havia se envolvido em polêmicas nos últimos anos. Em 2023, o pastor principal John Lindell acusou publicamente o pastor Mark Driscoll de tentar derrubá-lo da liderança e dividir sua congregação, após críticas feitas a uma apresentação artística durante a Conferência dos Homens Mais Fortes.

Na mesma época, a igreja também chamou atenção nacional quando Lindell afirmou, durante uma transmissão ao vivo, que um milagre teria ocorrido em que uma fiel viu seus dedos amputados crescerem novamente, o que gerou ampla repercussão e pedidos de comprovação do episódio.

Até o momento, a Igreja James River não indicou alterações em suas práticas de fé ou estrutura interna, apenas a desvinculação formal da maior denominação pentecostal do mundo.

Pastor diz como discernir guerra espiritual, opressão ou possessão

JJ Hartung, pastor principal da Full Life Church em Fremont (Nebraska, EUA), compartilhou em culto no domingo (26/01) o relato da cura de Isaac Zellmer, evangelista que recuperou movimentos após quatro meses de dores incapacitantes, aproveitando a ocasião para fazer um alerta sobre a diferença entre opressão maligna e possessão.

O caso, ocorrido em janeiro de 2025, está sendo usado por Hartung para encorajar fiéis a “tomarem posse da autoridade espiritual em Cristo”, não confundindo questões básicas de natureza espiritual.

Contexto

Em novembro de 2024, Zellmer, de 54 anos, lesionou as costas ao erguer uma caixa, desenvolvendo dores que o deixaram dependente de andador e acamado por semanas.

Hartung relatou ter sentido um “impulso divino” em 23 de janeiro para visitar o amigo, mesmo sem apoio imediato de outros líderes religiosos. Um pastor convidado para acompanhá-lo teria alertado: Isso é guerra espiritual.

Na residência de Zellmer, Hartung descreveu “opressão demoníaca intensa, não possessão — pois cremos que salvos não podem ser possuídos”. Por quatro horas, ambos oraram, “clamando autoridade em nome de Jesus”. No domingo seguinte (26/01), Zellmer testemunhou em culto: “A dor sumiu completamente. Voltei a caminhar sem ajuda”.

Impacto no ministério

Hartung admitiu que, antes do episódio, questionava o cessacionismo — doutrina que nega a continuidade de milagres após a era apostólica. “Deus me avivou. Vi que a guerra espiritual exige proximidade com Cristo”, declarou.

Desde então, a Full Life Church, que reúne entre 80 e 125 fiéis, registrou relatos de curas e experiências espirituais, como o caso de Vickie O’Neal, 61 anos.

O’Neal, ex-militar e ateia convertida em 2020, afirmou ter sido curada de complicações pós-cirúrgicas em uma arcada dentária após orações no altar. “O Espírito Santo me guiou a orar em línguas. A inflamação desapareceu em horas”, detalhou. Ela foi batizada com o Espírito Santo em dezembro de 2024, prática comum em denominações pentecostais.

Segundo pesquisa Pew Research (2023), 63% dos evangélicos nos EUA creem em curas milagrosas hoje. A Full Life Church integra a Associação de Igrejas de Fé Apostólica, grupo que enfatiza dons espirituais.

Declarações do pastor:

Hartung, agora ex-cessacionista, atualmente prega sermões semanais sobre “autoridade contra as trevas”: “Quando discernimos a guerra espiritual, agimos. Isaac não precisou de cirurgia — precisou de irmãos que travassem sua batalha em oração”. Sobre críticas, ponderou: “Se não falamos de Jesus como Senhor dos milagres, falhamos em mostrar quem Ele é”.

A igreja planeja uma série de cultos de libertação em março de 2025, com treinamento para fiéis “identificarem opressões”. Zellmer, recuperado, já retomou viagens missionárias pelo Meio-Oeste americano.

Nota Explicativa:

Cessacionismo é corrente teológica que defende o fim dos dons miraculosos após o século I. Sua oposição, o continuacionismo, ganhou força em denominações carismáticas desde os anos 1960.