Políticos estudam PL que proíbe símbolos cristãos em ato LGBT

O vereador Eder Borges (PL) protocolou na Câmara Municipal de Curitiba (CMC) o Projeto de Lei 005.00079.2024, que visa proibir o uso e a exibição de símbolos cristãos em eventos organizados pela comunidade LGBT na capital paranaense.

A proposta, em tramitação desde 17 de junho, aguarda parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sobre sua constitucionalidade antes de seguir para votação em plenário.

Conteúdo da proposta

O texto propõe a restrição de símbolos como cruzes, imagens de santos e citações bíblicas em manifestações LGBT, tanto em espaços públicos quanto privados. Na justificativa, Borges argumenta que “a comunidade LGBT não segue a fé cristã” e que a utilização desses elementos em seus eventos configura “vilipêndio religioso”, com base no Artigo 208 do Código Penal, que criminaliza o escárnio contra objetos de culto.

“Cabe a este Legislativo preservar valores religiosos e garantir a urbanidade, evitando conflitos”, declarou o vereador em nota oficial.

O projeto integra uma série de propostas sobre religião e moralidade em análise na CMC. Autores como Sidnei Toaldo (PRD), Da Costa (União) e a ex-vereadora Noemia Rocha (MDB) têm propostas similares em tramitação, incluindo restrições a discussões de gênero em escolas e vetos a performances artísticas consideradas “imorais”.

Todas as proposições estão disponíveis para consulta pública no Sistema de Proposições Legislativas (SPL) da CMC. Caso aprovado, o PL 005.00079.2024 entrará em vigor após sanção do prefeito e publicação no Diário Oficial.

Contexto jurídico 

Especialistas em Direito Constitucional apontam riscos de inconstitucionalidade. O Artigo 5º da Constituição Federal garante liberdade de expressão e manifestação religiosa, além de vedar censura prévia. Em 2020, o STF derrubou lei municipal do Rio de Janeiro que proibia “uso indevido de símbolos religiosos”, por violar esses princípios.

A Associação Brasileira de LGBTI+ (ABLGBTI+) emitiu nota repudiando a proposta: “É uma tentativa de calar nossa liberdade artística e expressiva, que inclui críticas sociais e religiosas”.

Após a CCJ, o projeto seguirá para as comissões de Direitos Humanos e Finanças. Se aprovado nas três etapas, será votado em plenário, onde necessita de 21 votos favoráveis (maioria simples dos 38 vereadores) para virar lei.

Especialistas não entendem por quê ricos se convertem a Cristo

O avanço da adesão às igrejas evangélicas na população brasileira, com conversões registradas entre ricos, tem levado especialistas a revisar interpretações consolidadas sobre a expansão desse segmento religioso no país. Historicamente vinculadas às camadas populares e à vulnerabilidade social, as igrejas evangélicas agora conquistam também empresários, artistas e profissionais de alta escolarização.

Segundo o sociólogo Diogo Corrêa, professor da Universidade de Vila Velha e da École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, a academia sustentou por muito tempo a ideia de que o crescimento evangélico estava relacionado à precariedade econômica:

“Durante muito tempo, predominou na academia a ideia de que o crescimento dos evangélicos no Brasil estaria ligado diretamente ao déficit econômico, à baixa escolaridade e à precariedade das condições sociais dos adeptos”, afirmou Corrêa em artigo publicado na Folha de S.Paulo.

A presença crescente de fiéis de classes mais altas, no entanto, tem alterado esse cenário. Corrêa cita como exemplo a Lagoinha Global, que criou áreas VIP para celebridades em sua sede localizada em Alphaville, bairro de alto padrão na Grande São Paulo. Para o sociólogo, essa iniciativa “desafia essa interpretação clássica” que associava o movimento evangélico à exclusão social.

No passado, estudos de autores como Fernando Cartaxo Rolim e Cecília Mariz interpretavam o avanço das igrejas pentecostais e neopentecostais como uma resposta à ausência do Estado nas periferias urbanas. As igrejas, segundo essa abordagem, preenchiam lacunas sociais ao oferecer acolhimento espiritual, redes de solidariedade e até apoio financeiro às comunidades empobrecidas. Corrêa aponta ainda um contraste frequentemente observado por esses estudiosos: “Essa abordagem enfatizava ainda um paradoxo incômodo: enquanto líderes religiosos enriqueciam e erguiam templos suntuosos, muitos fiéis permaneciam na pobreza”.

Hoje, o perfil evangélico é mais heterogêneo. Estimativas indicam que os evangélicos representam cerca de 31% da população brasileira, ou aproximadamente 65 milhões de pessoas, de diferentes origens sociais: “Não estamos mais diante apenas de um fenômeno religioso restrito às camadas populares ou marginalizadas, mas sim de uma realidade transversal que inclui representantes das elites sociais, econômicas e culturais”, afirma Corrêa.

A Get Church, localizada em Florianópolis, exemplifica essa nova fase. A influenciadora digital Tâmara Thaynne viralizou ao expressar surpresa com o luxo do templo, que comparou a um shopping center. Após assistir à justificativa do pastor, que afirmou querer “honrar a Deus com excelência” por meio da estrutura, ela mudou sua percepção. Para Corrêa, situações como essa evidenciam uma mudança significativa no entendimento do apelo evangélico: “Trata-se de um fenômeno que desafia diretamente a explicação tradicional”, conclui o sociólogo.

A ampliação do público evangélico, que agora alcança diferentes estratos sociais, sinaliza uma reconfiguração no cenário religioso brasileiro. Para os estudiosos, compreender esse novo perfil é essencial para analisar o impacto sociocultural das igrejas evangélicas no país contemporâneo.

Alterações na Bíblia? Veja o status do projeto de lei no Senado

Em Brasília, a Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal aprovou nesta quarta-feira, 23 de abril, o Projeto de Lei 4.606/2019, que proíbe alterações no conteúdo da Bíblia Sagrada em edições que se apresentem como oficiais. A proposta segue agora para análise da Comissão de Educação (CE).

O projeto, de origem na Câmara dos Deputados, recebeu parecer favorável do senador Magno Malta (PL-ES). Segundo o relatório apresentado, a medida busca garantir a preservação da integridade textual da Bíblia, que compreende os livros do Antigo e do Novo Testamentos, conforme aceitos pelas tradições cristãs predominantes.

De acordo com Magno Malta, o objetivo central é impedir a publicação de versões que “deliberadamente distorçam versículos ou acrescentem ideias alheias ao texto sagrado”, o que, segundo ele, comprometeria o valor espiritual e cultural do livro para os fiéis. O senador afirmou ainda que a liberdade de interpretação permanece assegurada, mas que o projeto protege o “texto-base”, considerado por ele como um patrimônio espiritual e cultural do povo brasileiro.

“A proposta visa impedir versões deturpadas, que deliberadamente distorçam versículos ou acrescentem ideias alheias ao texto sagrado. A liberdade de interpretação permanece assegurada; o que se busca proteger é o texto-base, a Palavra em sua forma consolidada e respeitada pelas tradições religiosas”, escreveu Malta em seu parecer.

O parlamentar também argumentou que a iniciativa não interfere no direito ao culto ou na diversidade doutrinária entre denominações cristãs, mas atua especificamente sobre publicações que se autodeclarem como versões oficiais da Bíblia.

De acordo com o Censo Demográfico de 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 88,8% da população brasileira se identifica como cristã, o que, segundo o senador, justifica a pertinência da proposta. “O projeto atende à expectativa dessa maioria ao proteger um dos pilares de sua fé”, afirmou.

Com a aprovação na CDH, o projeto será agora debatido na Comissão de Educação (CE) antes de seguir para o plenário do Senado. Caso aprovado em todas as etapas, o texto poderá ser sancionado e transformado em lei, segundo informações da Agência Senado.

'Cavei com as mãos para enterrá-lo', diz vítima do Boko Haram

Elizabeth Nkereuwem, 34 anos, sobrevivente de um cativeiro do grupo terrorista Boko Haram, relatou à organização Global Christian Relief sua jornada de fuga, perdas e reconstrução após anos sob violência extrema. Seu testemunho ilustra a crise humanitária que já matou mais de 50 mil cristãos no país desde 2010, segundo dados da entidade.

Contexto do ataque

Em 2018, Elizabeth vivia com o marido, John Nkereuwem, 37 anos, e quatro filhos na aldeia de Gwoza, no estado de Borno. Durante um ataque do Boko Haram, ela fugiu com os filhos, incluindo a bebê Blessing, de uma semana, escondendo-se em uma rocha.

O marido desapareceu durante a investida, e a família passou a noite em silêncio para evitar detecção.

No dia seguinte, ao buscar refúgio com outros sobreviventes, Elizabeth e os filhos foram capturados pelo grupo. Durante meses, enfrentaram condições insalubres em um campo improvisado:

  • Falta de higiene: Sem banheiros ou água potável, um surto de cólera afetou o local em 2019.

  • Fome e doenças: “Meus filhos quase não comiam. Meu filho Samuel, 5 anos, inchou, fechou os olhos e não respondia”, descreveu Elizabeth.

Ao pedir ajuda aos captores para levar Samuel a um hospital, ouviu“Se ele morrer, não será o primeiro”.

Fuga e perda

Em julho de 2019, Elizabeth aproveitou uma distração dos guardas durante um casamento no campo e fugiu com os filhos. Samuel morreu no dia seguinte. “Cavei um buraco com as mãos para enterrá-lo. Não queria deixá-lo exposto”, contou.

A família caminhou até Camarões e, depois de receber ajuda financeira de desconhecidos, retornou à Nigéria em 2020.

No campo de refugiados de Maiduguri, apoiado pela Global Christian Relief, Elizabeth reencontrou John, que sobreviveu a ataques em outra região. A organização forneceu:

  • Abrigo: Uma casa de dois cômodos;

  • Educação: Matrícula escolar para os três filhos sobreviventes;

  • Recursos econômicos: Máquina de costura e materiais para Elizabeth iniciar um negócio.

Hoje, ela produz vestidos natalinos para meninas carentes e ajuda no sustento da família. “Deus nos uniu e trouxe pessoas para nos ajudar”, afirmou.

Contexto da Violência

Segundo a Global Christian Relief, o Boko Haram destruiu 2.300 igrejas e deslocou 1,8 milhões de cristãos no norte da Nigéria desde 2010. Em 2023, a violência se intensificou, com grupos dissidentes como o Estado Islâmico na África Ocidental (ISWAP) sequestrando fiéis para resgates.

Declaração da Organização:

“A história de Elizabeth reflete a resistência de milhares que perdem tudo, mas mantêm a fé. Nosso apoio visa restaurar dignidade e autonomia”, disse o porta-voz da entidade, David Munene.

A família planeja expandir o ateliê de costura e retornar a Gwoza quando a segurança permitir. Enquanto isso, Elizabeth treina outras mulheres no campo para gerar renda.


Nota da Redação: Nomes completos foram alterados a pedido da família para garantir segurança. Dados sobre violência foram validados com a ONG International Society for Civil Liberties and the Rule of Law (Intersociety).

Igreja tóxica x membros saudáveis: os 4 tipos presentes em igrejas

Desde que o caso do pastor Paulo Júnior veio à tona, muitos líderes têm feito elogios e críticas ao livro Uma Igreja Chamada TOV e sua definição de “igreja tóxica”. Nesse contexto, o pastor Tiago Mattes abordou o assunto pela ótica dos indivíduos que formam a igreja, os membros.

Em um vídeo compartilhado em sua página no Instagram, Tiago Mattes afirma que as igrejas são formadas por quatro tipos de membros, sendo que três deles têm diferentes características negativas.

“Você é um membro saudável? Muito tem se falado hoje sobre a importância de buscarmos igrejas saudáveis, mas a pergunta que eu tenho para ti é ‘você é um membro saudável?’”, questiona o pastor da Igreja Batista Redenção, em Indaiatuba (SP).

Mattes, que também é escritor, pontua que “existem quatro tipos de membros” nas igrejas, com comportamentos distintos: “O primeiro tipo de membro é o membro consumista. São pessoas que frequentam e fazem parte de uma comunidade, mas elas não contribuem financeiramente. São pessoas que apenas consomem e querem ser servidas”.

“Temos vivido uma cultura de consumo e as pessoas estão trazendo essa mentalidade para sua relação com Deus e sua relação com a igreja”, explica o pastor.

O segundo tipo, segundo Mattes, é o “turista”, que ele descreve como um “membro itinerante, aparece só de vez em quando na igreja, mas é uma presença constante em outras comunidades, em outros eventos, até do mundo gospel”, mas “não é frequente e constante na sua comunidade”.

“O terceiro tipo é o membro parasita. É aquele membro que suga a vida do líder, suga a vida do pastor, demanda muito tempo, muito trabalho, tem muitas necessidades e depois de muito tempo dedicado pelo pastor e pela liderança, a pessoa não cresce, não amadurece, não se compromete”, elenca Mattes.

Esse tipo de frequentador costuma atribuir aos outros as dificuldades pessoais de crescimento espiritual: “Quando aquele líder e pastor já está esgotado, suas energias foram drenadas, pede ‘um tempo pra me cuidar’, então o membro se volta contra ele, falando mal e criticando, dizendo ‘ninguém se importa comigo, ninguém se importa com a minha vida’. É o membro parasita, mata a vida do pastor e do líder”.

Por fim, as colunas da igreja: “O quarto tipo é o membro saudável. É o membro engajado, transformado pelo Evangelho. É um membro que decide assumir e fazer a sua parte e o seu papel dentro da sua comunidade local, compreendendo o que significa ser um cristão, um discípulo de Jesus. Ele é constante, frequente, serve, contribui financeiramente, e ao invés de assumir sempre aquela postura de crítica, é alguém que diz ‘eis-me aqui, estou aqui para fazer a diferença, conte comigo’”, finaliza Tiago Mattes.

Vídeo: mãe cristã tenta orar em reunião escolar, mas prefeita reage

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Durante uma reunião do Conselho Municipal de Ventura, na Califórnia, realizada em 18 de março de 2025, a mãe cristã Tarin Swain foi interrompida ao realizar uma oração em nome de Jesus enquanto comentava uma proposta de política pública para as escolas.

Conhecida como CARE (sigla para Community Autonomy, Rights and Equity Policy), a medida sugerida propõe transformar a cidade em um “santuário” para comunidades LGBT, imigrantes ilegais e defensores de direitos reprodutivos.

Tarin Swain, gerente de marketing da organização conservadora Moms For America, utilizou seu tempo no púlpito para expressar preocupações sobre o impacto da proposta em crianças e famílias.

Ao iniciar sua participação, Tarin declarou: “Sou mãe de seis filhos, e as Escolas Públicas do Condado de Ventura realizaram a transição social da minha filha sem o meu consentimento”.

Ela relatou que sua filha havia passado por uma “transição social” na escola, com alteração de nome e gênero em sala de aula, sem que ela tivesse sido informada. Segundo Tarin, a escola recomendou à filha materiais considerados inapropriados sem o consentimento da família.

“O currículo DEI [diversidade, equidade e inclusão] está presente em todas as áreas da vida escolar, inclusive com pesquisas entre estudantes do sexto ano sobre identidade sexual e materiais que mostram homens trans grávidos”, afirmou.

Em seguida, começou a orar em voz alta: “Pai Deus, venho a Ti em nome de Jesus. Eu oro, Pai, para que destruas as fortalezas deste lugar. Eu oro, Pai, para que levantes os homens nesta sala”.

Parte da audiência reagiu com gritos e vaias, e a prefeita Jeannette Sanchez-Palacios interveio para interrompe-la: “Nós não fazemos orações”, disse ela. “Por favor, terminem seus comentários.”

Apesar da interrupção, Tarin concluiu sua oração: “Eu oro tudo isso em nome de Jesus, o Filho, o Pai e o Espírito Santo. … Jesus é o Rei dos reis e Ele é o Senhor dos senhores”.

Tarin afirmou que não havia planejado orar inicialmente, mas decidiu fazê-lo após perceber que teria apenas um minuto para falar: “Naquele momento, perguntei a Deus o que Ele queria que eu fizesse com meus 60 segundos. Senti o Espírito Santo me inspirar a usar meu tempo para orar”, declarou.

Segundo ela, a reação da prefeita a surpreendeu: “No começo, eu nem conseguia ouvir a prefeita me pedindo para parar, porque a multidão atrás de mim estava muito barulhenta”. Ela relatou que um participante da comunidade lhe disse que nunca havia presenciado algo semelhante em outras reuniões do conselho.

A legalidade da interrupção foi questionada por Erin Smith, conselheira associada do First Liberty Institute, organização especializada em liberdade religiosa. Segundo Smith, a objeção da prefeita foi “descabida”.

Ela explicou: “Cidadãos falam em seu próprio nome, não em nome do governo. Portanto, quaisquer regras que regem as orações legislativas não se aplicam aos comentários públicos dos cidadãos”.

Após a repercussão nas redes sociais, a prefeitura retirou temporariamente a proposta da pauta da reunião. A prefeitura não especificou a qual norma Sanchez-Palacios fazia referência ao afirmar que “não fazemos orações”. O portal The Christian Post informou ter procurado a prefeita para esclarecimentos e aguarda retorno.

Para Tarin Swain, o episódio reforça a necessidade de manifestação pública por parte de cidadãos de fé: “Como cristã, acredito que não podemos impedir a insanidade dessas políticas sem Deus e sem que as pessoas se manifestem contra o que está acontecendo”, concluiu.

‘Deus é Poderoso’: Priscilla Shirer lança livro sobre desafios da fé

A atriz e autora cristã Priscilla Shirer, conhecida por suas atuações nos filmes A Forja (2024) e Quarto de Guerra (2015), lançou recentemente o livro Deus é Poderoso, que chega ao Brasil por meio da Editora Mundo Cristão.

Filha do pastor Tony Evans, líder da Oak Cliff Bible Fellowship em Dallas, Texas, Priscilla compartilha na obra relatos pessoais marcados por perdas e provações, vivências que, segundo ela, desafiaram sua fé, mas também a aprofundaram.

No livro, a autora afirma: “Deus é poderoso não significa fechar os olhos para a dor, mas encará-la com esperança”.

Shirer reflete sobre a tendência contemporânea de moldar a visão de Deus de maneira cética ou estoica, o que considera uma distorção. Em suas palavras: “Não há nada de adulto em se conformar com uma visão de Deus mais segura… e chamá-la de maturidade”.

No decorrer da obra, a autora enfatiza que o poder divino não se restringe a milagres extraordinários, mas também se revela na capacidade do cristão de perseverar e amadurecer espiritualmente em meio à dor e às dificuldades.

“As perdas e infortúnios com que me deparei na última década me forçaram a crescer”, escreve ela. “E às vezes, durante o processo, me perguntei se algumas das coisas que dizemos e pensamos sobre nossa fé poderiam ser declarações exageradamente passionais”.

Para Shirer, amadurecer na fé significa abrir os olhos para a realidade espiritual e enxergar a grandeza de Deus mesmo em situações desafiadoras. A obra convida os leitores a superarem a “cegueira espiritual” e reencontrarem a esperança ancorada nas Escrituras.

Identidade cristã

Além de temas espirituais, Priscilla Shirer tem se manifestado sobre questões sociais, incluindo debates sobre identidade racial nos Estados Unidos. Em declarações anteriores, ela destacou que sua identidade está fundamentada prioritariamente na fé cristã e não em marcadores sociais.

“Eu não me descrevo como uma mulher negra, porque isso dá muito poder à minha negritude”, afirmou Priscilla. “Eu não quero que a minha etnia seja o adjetivo que define quem eu sou como mulher. Eu não sou uma mulher negra. Eu sou uma mulher cristã que por acaso é negra”.

Ela explicou que sua posição não nega a realidade da raça ou da cultura, mas ressalta a primazia da identidade em Cristo: “Se sua etnia ou seu partido político está indo em uma direção diferente da Palavra de Deus, você não deve escolher sua etnia ou qualquer cultura que você faça parte. Você não deve escolher nada disso acima do que Deus declara ser verdade”.

O lançamento de Deus é Poderoso reforça o papel da atriz como uma das principais vozes cristãs contemporâneas na intersecção entre fé, cultura e superação. A obra já está disponível nas principais livrarias do país.

Malawi: veja o avanço surpreendente da obra de Deus neste país

A organização missionária Forgotten Missionaries International (FMI) tem promovido a capacitação de pastores e cristãos no Malawi com foco no ensino bíblico. A iniciativa busca suprir a carência de formação teológica nas áreas rurais do país africano, onde muitos líderes e fiéis sequer possuem acesso à Bíblia.

Segundo Patrick Anthony, representante da FMI, o trabalho realizado nos últimos dois anos já demonstra resultados concretos: “Dos 86 pastores do ano passado, eles puderam ensinar e compartilhar com mais de 2.400 pessoas. Eles relataram que, em 2024, 450 igrejas foram plantadas”, afirmou.

“E também relataram que mais de 30 mil pessoas depositaram sua fé em Cristo”, acrescentou, de acordo com informações do portal Mission News Network.

A capacitação oferecida pela organização tem contribuído não apenas para o crescimento numérico das igrejas, mas também para o discernimento doutrinário entre os cristãos.

Um exemplo citado por Patrick foi a rejeição de um pregador que defendia o chamado evangelho da prosperidade: “Uma das histórias mais legais que ouvi foi a de um profeta autodeclarado que entrou em uma das vilas de onde vinham três pastores da primeira conferência”, relatou.

“Ele aparentemente estava pregando um evangelho da prosperidade. Quando ele chegou, os aldeões lhe disseram: ‘Você não está pregando o Evangelho certo. Você está pregando o evangelho da prosperidade. Você precisa ir embora’”.

Além dos treinamentos, a FMI também distribui Bíblias aos líderes locais. No entanto, a demanda continua superior à oferta: “Um dos pastores disse: ‘Escutem, estamos muito gratos por termos uma Bíblia agora. Mas nosso povo também precisa de Bíblias’”, relatou Patrick.

A Forgotten Missionaries International foi fundada em 1986 pelo missionário Ed Todd com o objetivo de mobilizar e apoiar líderes de igrejas indígenas ao redor do mundo na proclamação do Evangelho em suas próprias culturas e comunidades. Desde sua fundação, a organização estima que 140 mil pessoas foram alcançadas por Jesus e que 2.200 igrejas foram plantadas.

Atualmente, a FMI atua em regiões com significativa presença muçulmana, como Indonésia, Paquistão, Bangladesh, Turquia, Quênia (na região do Chifre da África) e Marrocos, no norte da África.

No caso do Malawi, país de maioria cristã mas com muitas comunidades isoladas, o trabalho missionário tem sido uma resposta direta à escassez de recursos teológicos e materiais. A organização pretende continuar investindo na formação de líderes locais, com a expectativa de que estes atuem como agentes de transformação espiritual em suas próprias regiões.

Veja: Eduardo Kobra diz que mural ‘Jesus’ resume seu testemunho

O artista brasileiro Eduardo Kobra, conhecido por seus murais espalhados pelos cinco continentes, compartilhou nas redes sociais, nesta semana, o significado pessoal por trás de uma de suas obras mais simbólicas: o mural “Jesus”, pintado em 2024 na Lagoinha Alphaville, em Barueri (SP).

Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, Kobra relatou que a obra, que retrata os olhos de Jesus e a coroa de espinhos, representa um momento decisivo em sua vida.

“Minha trajetória foi marcada por uma longa sequência de desafios. De depressão a crises de ansiedade, de doenças causadas pelo uso constante de tintas e dificuldades financeiras”, afirmou.

Segundo ele, a fé cristã teve papel fundamental em sua recuperação: “Houve momentos de solidão, abandono e desespero. Enfrentei dilemas cruciais e me vi em encruzilhadas onde não enxergava nenhuma solução. Mas foi justamente nesses cenários pavorosos que encontrei em Jesus, força e direção. Isso ocorreu pela fé”.

O mural, de acordo com o artista, expressa essa experiência espiritual: “Ele me resgatou com seu olhar misericordioso. Foi mantendo meus olhos fixos nele e nos ensinamentos dele que ressignifiquei minha vida e minha arte”, disse.

Kobra destacou ainda que vê, em cada um dos nomes de Cristo, reflexos do que viveu: “Ele trouxe luz, paz, renovação, esperança, motivação e salvação para minha vida.”

Para o muralista, a obra tem o objetivo de alcançar outras pessoas com a mensagem do Evangelho: “Este não é apenas um mural, é um testemunho. Este mural simboliza o amor de Deus, a esperança de recomeços e a superação de adversidades”, declarou.

Ele concluiu sua fala com uma mensagem aos que enfrentam dificuldades: “Quero que todos que o contemplarem se lembrem que, aos olhos de Deus, somos preciosos. Não importa quão difícil seja o caminho. Ele nos vê, nos guia, e nos cura”.

Eduardo Kobra, de 49 anos, é considerado um dos grafiteiros mais influentes do mundo. Seu trabalho pode ser visto em edifícios e muros de cidades como Londres, Roma, Tóquio e Nova York – onde, segundo ele, há pelo menos 20 murais de sua autoria.

Em 2016, seu painel “Etnias”, criado para os Jogos Olímpicos do Rio, foi reconhecido pelo Guinness World Records como o maior grafite do mundo, com 15 metros de altura e 170 metros de comprimento.

Bispo Macedo teria obrigado Record a ‘ignorar’ morte do papa

A emissora Record TV, de propriedade do bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, teria recebido orientação para não dar destaque à cobertura da morte do papa Francisco, falecido na segunda-feira, 21 de abril de 2025.

A informação foi divulgada pela revista Veja e reiterada por outros veículos. Enquanto canais como Globo, SBT e Band interromperam a programação para transmitir informações sobre o falecimento do pontífice, a Record manteve sua grade regular, limitando-se a breves menções no JR 24h.

Segundo apuração da coluna F5, do jornal Folha de S.Paulo, a emissora abordou o tema em todos os seus telejornais, mas por tempo reduzido. No total, foram registrados 15 minutos e 10 segundos de cobertura ao longo do dia. O programa Fala Brasil destinou 1 minuto e 40 segundos ao assunto, enquanto o Hoje em Dia mencionou o fato por apenas 1 minuto e 5 segundos.

Essa postura, segundo analistas, repete decisões anteriores da emissora em momentos envolvendo o Vaticano. Em 2005, com a morte de João Paulo II, e em 2013, na renúncia de Bento XVI, a Record também adotou uma abordagem discreta.

A emissora pertence ao Grupo Record desde sua aquisição por Edir Macedo nos anos 1990. Desde então, mantém um padrão editorial que evita o aprofundamento em temas ligados à Igreja Católica devido a atritos públicos entre o fundador da Igreja Universal e o clero católico no país.

Em contraste, a Globo liderou a cobertura da morte de Francisco, dedicando quase oito horas à notícia. O SBT contabilizou 7 horas e 48 minutos, considerando a programação nacional e local, e a Band somou 4 horas e 32 minutos. A RedeTV! dedicou 1 hora e 54 minutos ao tema.

Além disso, Globo, SBT, Band e RedeTV! mobilizaram equipes jornalísticas e enviaram correspondentes ao Vaticano. Da mesma forma, nesta quarta-feira, 23 de abril, a Record exibiu reportagem direto do Vaticano com o repórter Mauro Junior.

Nos bastidores da emissora, de acordo com a revista Veja, a expectativa é de que o funeral do papa, previsto para sábado, 26 de abril, seja tratado com discrição. Segundo relatos internos, o departamento de jornalismo aguarda novas instruções, que deverão ser transmitidas apenas na manhã do dia do funeral.

A orientação atual, segundo a reportagem, é cobrir o sepultamento como um fato noticioso, mas sem aprofundamento ou destaque. Até o momento, a emissora não se pronunciou oficialmente sobre os critérios editoriais adotados para a cobertura da morte do líder da Igreja Católica.