Congregação Cristã no Brasil é fonte de músicos para orquestras

A história da música erudita ocidental possui forte ligação com a fé cristã, especialmente com a tradição da Igreja Católica. No Brasil, denominações como a Congregação Cristã no Brasil e segmentos das Assembleias de Deus dão continuidade a essa tradição.

Durante séculos, diversas composições clássicas foram criadas no contexto do catolicismo com o objetivo de expressar devoção a Deus e fortalecer a espiritualidade dentro das igrejas.

Entre os exemplos históricos estão compositores como Antonio Vivaldi, que dedicou parte de sua produção musical à música sacra. No Brasil colonial, figuras como Frei Jesuíno do Monte Carmelo também contribuíram para a tradição musical religiosa.

Formação musical

Ao longo das últimas décadas, mudanças no cenário religioso e social do Brasil transformaram a origem de muitos músicos clássicos. Atualmente, um número significativo de instrumentistas que ingressam em orquestras brasileiras tem origem em igrejas evangélicas.

Na Orquestra Jovem do Estado de São Paulo, por exemplo, entre 80% e 90% dos músicos possuem ligação com igrejas pentecostais, segundo o maestro Cláudio Cruz.

Grande parte desses músicos vem da Congregação Cristã no Brasil (CCB), uma das maiores igrejas evangélicas do país. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a denominação tinha cerca de 2,29 milhões de fiéis em 2010, embora estimativas internas apontem números mais recentes próximos de 4,5 milhões de membros.

Tradição musical da CCB

A Congregação Cristã no Brasil possui uma forte tradição musical dentro de seus cultos. A denominação organiza grandes formações instrumentais que, em alguns momentos, chegaram a ser chamadas informalmente de uma das maiores orquestras religiosas do mundo.

Apesar da forte presença musical, a igreja mantém características bastante reservadas em sua estrutura. A instituição evita destaque individual, não promove líderes midiáticos e também não remunera músicos ou professores que participam das atividades musicais nos cultos.

Segundo Cláudio Moraes, essa prática reflete um princípio de humildade institucional: “Não há aqui reconhecimento do homem, do nome, da pessoa. Se o que temos veio de Deus, então a obra é de Deus, não daquele nome”, afirmou.

Jovens talentos

A influência das igrejas na formação musical pode ser observada em trajetórias de jovens músicos. Um exemplo é o violinista Jhony Santos, que iniciou sua formação musical ainda criança dentro da igreja.

Ele começou a frequentar a Congregação Cristã em Itaquaquecetuba, na região metropolitana de São Paulo, e aos sete anos passou a estudar violino. Mesmo atuando atualmente em orquestras profissionais, continua participando de cultos religiosos.

Segundo o músico, tocar na igreja possui um significado diferente da prática musical profissional.

“Na igreja eu toco com o intuito de adorar. Ali não importa se alguém toca muito ou pouco, o importante é fazer música com o coração.”

Influência da Assembleia de Deus

Outra denominação importante na formação de músicos é a Assembleia de Deus, que possui mais de 12 milhões de fiéis, segundo dados do censo de 2010. Foi nessa igreja que a violinista Otielen Luz iniciou sua trajetória musical.

Ela começou a estudar música aos sete anos, inicialmente no teclado, e posteriormente passou para o violino. Mais tarde ingressou na Escola de Música do Estado de São Paulo, uma das principais portas de entrada para músicos que desejam atuar profissionalmente.

Mesmo com a carreira em desenvolvimento, Otielen continua participando da igreja, onde rege um coral de jovens adultos em Osasco.

Diferenças denominacionais

As regras musicais variam entre as denominações evangélicas. Na Assembleia de Deus, por exemplo, há maior liberdade para arranjos musicais e participação feminina em diferentes instrumentos.

Na Congregação Cristã, porém, existe uma divisão mais rígida. Mulheres costumam atuar exclusivamente como organistas, enquanto instrumentos de sopro e cordas são tradicionalmente tocados por homens.

Esse modelo acaba refletindo também nas orquestras profissionais. Na Orquestra Jovem do Estado de São Paulo, por exemplo, apenas cerca de 22% dos músicos bolsistas são mulheres. O maestro Cláudio Cruz afirma que essa diferença proporcional é um desafio que ainda precisa ser melhor compreendido.

Projetos sociais

Especialistas apontam que o crescimento da presença evangélica na formação de músicos também está ligado ao aumento de projetos sociais mantidos por igrejas nas periferias urbanas.

Diversas instituições religiosas oferecem aulas gratuitas de música, coral e instrumentos, criando oportunidades para crianças e adolescentes que dificilmente teriam acesso a formação musical tradicional.

Um exemplo é a Associação Beneficente Projeto Elikya, que oferece atividades educativas, esportivas e musicais para cerca de mil crianças.

Outra iniciativa é a Fábrica de Artes da Igreja Batista da Lagoinha, localizada em Belo Horizonte, que oferece cursos de música, teatro e dança em um espaço com dezenas de salas de aula e um teatro próprio.

Também existem projetos como o Projeto Dorcas, que utiliza a música como ferramenta educacional para milhares de crianças e adolescentes.

Crescimento evangélico

O aumento dessas iniciativas ocorre paralelamente à expansão do número de evangélicos no país, conforme reportou a BBC.

De acordo com dados do Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população que se declara evangélica cresceu de 21,6% em 2010 para 26,9% da população.

No mesmo período, a proporção de católicos diminuiu de 65,1% para 56,7%. Esse crescimento tem ampliado a presença das igrejas evangélicas em diversas áreas da sociedade brasileira — incluindo a formação de músicos que hoje ocupam espaços importantes nas orquestras e instituições culturais do país.

STF rejeita recurso e Universal sofre derrota em disputa de IPTU

O Supremo Tribunal Federal formou maioria na última quinta-feira, 12 de março, para rejeitar um recurso apresentado pela Igreja Universal do Reino de Deus em uma disputa contra a Prefeitura de Caruaru. O caso envolve a cobrança de IPTU sobre imóveis vinculados à instituição religiosa.

Com a decisão, permanece válido o entendimento do Tribunal de Justiça de Pernambuco, que afastou a imunidade tributária aplicada a templos religiosos nesses bens específicos.

Julgamento no Supremo

O processo está sendo analisado no plenário virtual do Supremo Tribunal Federal. O recurso da igreja questiona uma decisão individual do ministro Edson Fachin, que já havia mantido a decisão do tribunal pernambucano.

Até o momento, acompanharam o voto do relator os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, André Mendonça e Flávio Dino.

Os demais ministros da Corte ainda podem registrar seus votos até o encerramento da sessão virtual, previsto para sexta-feira (13).

Motivo da cobrança

A disputa judicial começou quando a prefeitura de Caruaru passou a cobrar IPTU sobre imóveis ligados à Igreja Universal na cidade.

Segundo o município, os imóveis não estavam sendo utilizados para atividades religiosas, o que impediria a aplicação da imunidade tributária prevista pela Constituição para templos e instituições religiosas.

Ao analisar o caso, o Tribunal de Justiça de Pernambuco concluiu que os imóveis estavam abandonados desde 2019 e sem qualquer atividade religiosa registrada no local.

No processo, a prefeitura apresentou relatórios de fiscalização, fotografias e registros administrativos que indicariam a ausência de cultos ou outras atividades da igreja nos imóveis.

Entendimento da Justiça

Com base nas provas apresentadas, o tribunal estadual entendeu que os bens não atendiam aos requisitos necessários para usufruir da imunidade tributária.

A Constituição brasileira garante que templos religiosos não sejam tributados, desde que os bens estejam vinculados às finalidades essenciais da instituição religiosa.

No entanto, o tribunal avaliou que esse vínculo não estava comprovado no caso analisado.

Argumentos da igreja

A Igreja Universal recorreu ao Supremo Tribunal Federal alegando que a decisão violaria a liberdade religiosa e a imunidade tributária garantida pela Constituição.

A instituição também argumentou que a jurisprudência do STF costuma reconhecer imunidade para patrimônios de entidades religiosas mesmo quando eles não estão diretamente utilizados em atividades religiosas.

Ao analisar o recurso, o ministro Edson Fachin decidiu manter a decisão do tribunal pernambucano.

Em seu voto, ele afirmou que modificar o entendimento exigiria reavaliar provas e fatos do processo, o que não é permitido nesse tipo de recurso.

“Mantenho a decisão agravada por seus próprios fundamentos e voto para que seja negado provimento ao presente agravo regimental”, escreveu o ministro.

Com a formação de maioria no STF, a tendência é que a decisão seja confirmada definitivamente, mantendo a cobrança do imposto municipal sobre os imóveis da igreja em Caruaru, segundo informações da revista Comunhão.

Linha do tempo do caso

2019 — Imóveis deixam de ter atividades religiosas

Fiscalizações municipais apontam que imóveis ligados à Igreja Universal em Caruaru passaram a permanecer sem uso para cultos ou atividades da igreja.

2019–2020 — Prefeitura inicia cobrança de IPTU

O município sustenta que, sem uso religioso, os imóveis não podem se beneficiar da imunidade tributária prevista na Constituição.

Ação judicial da igreja

A Igreja Universal contesta a cobrança e afirma que seu patrimônio deve ser protegido pela imunidade tributária garantida às instituições religiosas.

Decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco

O TJ-PE entende que os imóveis estavam abandonados e confirma a cobrança do imposto municipal.

Recurso ao Supremo Tribunal Federal

A igreja recorre ao STF alegando violação à liberdade religiosa e à imunidade tributária constitucional.

20 de janeiro de 2026 — Decisão individual no STF

O ministro Edson Fachin mantém a decisão do tribunal pernambucano e rejeita o recurso apresentado pela instituição.

Março de 2026 — Novo recurso interno

A Igreja Universal apresenta novo recurso dentro do STF.

12 de março de 2026 — Formação de maioria no STF

Ministros acompanham o relator e votam para negar o recurso da igreja, mantendo a cobrança de IPTU sobre os imóveis em Caruaru.

Joe Rogan, maior podcaster, admite: ‘Cristãos vivem melhor’

O podcaster Joe Rogan afirmou que continua refletindo sobre o cristianismo e demonstrou interesse crescente pelos ensinamentos de Jesus. Durante um episódio recente de seu programa, ele declarou que acredita que pessoas que seguem os ensinamentos de Cristo tendem a viver de maneira melhor.

A conversa ocorreu em um episódio do podcast The Joe Rogan Experience publicado no início da semana. Rogan discutiu temas religiosos com o escritor e jornalista Michael Shellenberger.

Fascínio por Jesus

Durante a entrevista, Rogan mencionou uma conversa anterior com o apologista cristão Wes Huff. Na ocasião, Huff explicou que os Manuscritos do Mar Morto contêm textos datados do século III a.C. que apresentam grande semelhança com manuscritos muito posteriores.

A partir desse exemplo, Shellenberger afirmou que considera arrogante a ideia de que a sociedade moderna possui todas as respostas enquanto as religiões antigas seriam apenas ilusões.

Rogan concordou que os relatos bíblicos podem representar tradições muito mais antigas e disse que permanece curioso sobre o que chamou de “verdade suprema” por trás dessas narrativas.

Ele também afirmou ter desenvolvido admiração pelos ensinamentos de Jesus.

“Sou absolutamente fascinado pela história de Jesus Cristo, porque se você quisesse encontrar uma maneira de as pessoas viverem que fosse muito mais benéfica do que simplesmente seguir instintos naturais e comportamentos tribais, você seguiria os ensinamentos de Jesus.”

Estilo de vida

Rogan destacou que considera o cristianismo uma forma de vida baseada em perdão e amor ao próximo.

“Não consigo encontrar nenhuma falha na maneira como Ele nos ensina a viver”, afirmou. “É tudo sobre perdão e tratar o seu irmão como o seu próximo. É uma maneira linda de viver.”

Durante a conversa, Shellenberger perguntou diretamente se Rogan se considera cristão. O apresentador respondeu que ainda não tem uma definição clara sobre sua própria fé.

“Bem, eu vou à igreja. Já faz um bom tempo. Estou frequentando há uns três ou quatro anos.”

Quando questionado novamente, Rogan explicou que continua refletindo sobre o tema.

“Porque eu não sei. Acho muito interessante. E acredito que, se você seguir os ensinamentos de Jesus Cristo, viverá uma vida melhor.”

Fé, dúvidas e curiosidade

Apesar de demonstrar admiração pelo cristianismo, Rogan afirmou que ainda mantém dúvidas sobre alguns elementos sobrenaturais da Bíblia.

Ele comentou que não tem certeza sobre eventos milagrosos descritos nas Escrituras, como a abertura do Mar Vermelho ou relatos de pessoas ressuscitando.

Ainda assim, disse que acredita que esses relatos podem conter algum tipo de verdade histórica ou espiritual.

“Funciona, sabe? As pessoas que vão à igreja são algumas das mais bondosas que conheço.”

Ciência versus religião

As declarações recentes fazem parte de uma reflexão mais longa de Rogan sobre fé e religião. Em episódios anteriores, ele já expressou ceticismo sobre algumas explicações científicas amplamente aceitas.

Em uma conversa no ano passado, ele comparou a crença na teoria do Big Bang com a incredulidade de algumas pessoas diante da ressurreição de Jesus.

“É curioso que as pessoas considerem a Ressurreição impossível, mas aceitem que todo o universo surgiu de algo menor que a cabeça de um alfinete”, disse ele na ocasião.

Visão sobre a Bíblia

Joe Rogan também criticou pessoas que descartam a Bíblia como simples mito ou fantasia.

Segundo ele, muitos críticos demonstram excesso de confiança ao rejeitar completamente os textos antigos.

“Ouço isso entre pessoas que se consideram inteligentes, como se fosse um conto de fadas”, afirmou.

Para o apresentador, os relatos bíblicos podem representar uma história complexa e antiga, transmitida ao longo de gerações.

Ele acrescentou que as diferenças culturais e linguísticas ao longo dos séculos podem tornar esses textos difíceis de interpretar hoje, mas isso não significa que não exista verdade por trás deles, segundo o The Christian Post.

Cristãos precisam denunciar as falsas igrejas, diz pastor

O pastor Allen Jackson afirmou que cristãos precisam ter coragem para denunciar as falsas igrejas, expressão usada por ele para descrever correntes que, segundo sua avaliação, distorcem o ensino bíblico. A declaração foi feita durante uma entrevista concedida no sábado à Fox News.

Jackson lidera a World Outreach Church, nos Estados Unidos. Na entrevista, ele argumentou que cristãos que defendem posições teológicas tradicionais vêm sendo rotulados de forma negativa no debate público.

Durante a conversa, Jackson afirmou que cristãos que expressam publicamente posições teológicas históricas são frequentemente classificados como “nacionalistas cristãos”. Segundo ele, esse tipo de rótulo aparece com mais frequência quando as posições expressas são conservadoras.

“Se você defende opiniões de esquerda e as expressa publicamente a partir de uma base religiosa, você é celebrado. Se formos para o extremo oposto do espectro ideológico, se você defende visões cristãs ortodoxas e as expressa publicamente, dizem que você é uma ameaça e um perigo”, declarou o pastor.

Na mesma entrevista, ele citou o político James Talarico, ligado à ala liberal da Igreja Presbiteriana dos EUA (PCUSA), como exemplo de figura pública que, segundo ele, utiliza linguagem religiosa para defender posições teológicas e políticas progressistas.

“Onde estão os rótulos de ‘nacionalista cristão’ para Talarico?”, questionou Jackson.

Críticas ao liberalismo

O pastor afirmou que Talarico estaria utilizando argumentos religiosos para tornar ideias políticas mais aceitáveis ao público. Segundo Jackson, cristãos que defendem interpretações bíblicas tradicionais enfrentam forte oposição.

Ele afirmou que muitos desses cristãos lidam com hostilidade, críticas e pressões públicas ao defender posições consideradas ortodoxas dentro da tradição cristã.

Talarico, por sua vez, já utilizou trechos do livro de Gênesis para argumentar em favor de posições relacionadas à ideologia de gênero para crianças. Jackson reagiu a essa interpretação afirmando que, em sua visão, tais argumentos distorcem o sentido do texto bíblico.

“A realidade é que a heresia não é algo novo ou progressivo. Ela remonta ao Jardim do Éden, quando disseram: ‘Não vamos cooperar com o que Deus disse ou com os limites que Ele nos deu’”, declarou.

Ele acrescentou que, em sua avaliação, Talarico representaria um exemplo contemporâneo desse tipo de rejeição aos limites estabelecidos pelas Escrituras.

Interpretações bíblicas

Jackson também comentou declarações feitas por Talarico em participação no podcast de Joe Rogan. Na ocasião, o político sugeriu que a história da Anunciação poderia ser usada para apoiar o aborto.

O pastor criticou essa interpretação e afirmou que considera a ideia desrespeitosa em relação à figura bíblica de Maria. Ele destacou que, segundo o relato cristão, Maria enfrentou sofrimento e suspeitas após conceber Jesus e permaneceu fiel durante momentos difíceis, inclusive durante a crucificação.

Jackson descreveu a atitude de Maria como “um ato de corajosa obediência por parte de uma jovem adolescente”.

“Isso não diminui em nada a natureza sagrada da vida, conforme apresentada no contexto mais amplo das Escrituras. Você pode pegar qualquer versículo fora de seu contexto e provar o que quiser”, afirmou.

Defesa da fé cristã

Para Jackson, interpretações que utilizam textos bíblicos para justificar o aborto representam aquilo que ele chamou de “ginástica teológica”. Ele argumentou que cristãos precisam ter coragem para identificar e confrontar doutrinas que consideram incompatíveis com o ensino bíblico.

Segundo o pastor, esse tipo de posicionamento exige clareza dentro das comunidades cristãs: “Não é ortodoxo, e teremos que ter a coragem de fazer essas distinções”, disse.

Ele também afirmou que os cristãos precisam reconhecer a existência do que chamou de “falsa igreja”.

“O presidente Trump teve a coragem de dizer que notícias falsas existem. Precisaremos ter a coragem, dentro da igreja, de dizer que existe uma igreja falsa e estar dispostos a denunciá-la”, declarou.

Repercussões

O debate teológico envolvendo Talarico também foi comentado por R. Albert Mohler Jr., conhecido como Al Mohler. Em um artigo recente, Mohler afirmou que interpreta o liberalismo teológico defendido pelo político como um sinal de ambição por influência e poder dentro do debate público, de acordo com o The Christian Post.

Bolsonaro é levado às pressas a hospital e Flávio pede orações

Acabo de receber a notícia de que meu pai @jairbolsonaro está a caminho do hospital, mais uma vez…

Informações preliminares de que acordou com calafrios e vomitou bastante.

Peço orações para que não seja nada grave.

— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) March 13, 2026

O senador Flávio Bolsonaro pediu orações pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, após um novo episódio de mal-estar. O ex-chefe do Executivo precisou deixar o Complexo da Papuda, na manhã desta sexta-feira, 13 de março, para receber atendimento médico hospitalar.

A informação foi divulgada pelo próprio senador em sua conta no X. Ele relatou que o pai apresentou sintomas intensos ao acordar, o que levou à decisão de encaminhá-lo para avaliação médica.

Mal-estar

Segundo Flávio Bolsonaro, o ex-presidente acordou com fortes calafrios e episódios frequentes de vômito. Diante da situação, o parlamentar solicitou orações de apoiadores e manifestou preocupação com o estado de saúde do pai.

Nas publicações, o senador destacou a necessidade de acompanhamento médico imediato. Ele também pediu que simpatizantes mantenham o ex-presidente em oração enquanto a equipe médica avalia o quadro clínico.

Até o momento, não foram divulgadas informações detalhadas sobre o diagnóstico inicial. O hospital responsável pelo atendimento ainda não publicou boletim médico oficial.

Histórico de saúde

A saúde de Jair Bolsonaro vem sendo acompanhada com atenção desde o atentado sofrido durante a campanha eleitoral de 2018. Na ocasião, ele foi esfaqueado durante um ato político em Juiz de Fora.

O ferimento abdominal provocou diversas complicações ao longo dos anos, incluindo obstruções intestinais e formação de aderências. Essas condições exigiram múltiplas internações e procedimentos cirúrgicos desde então.

A defesa do ex-presidente acompanha o novo episódio de saúde para verificar se os sintomas atuais possuem relação com as sequelas do atentado. Médicos que já acompanharam o caso anteriormente apontaram que esse tipo de complicação pode surgir mesmo anos após a lesão inicial.

Cirurgia recente

Em dezembro de 2025, Bolsonaro passou por sua oitava cirurgia relacionada ao ferimento abdominal. O procedimento teve como objetivo corrigir duas hérnias e tentar controlar crises crônicas de soluço que vinham afetando sua respiração e alimentação.

Segundo interlocutores próximos ao ex-presidente, esses episódios de soluço estavam prejudicando significativamente seu estado geral de saúde. As crises também interferiam na rotina diária e no bem-estar físico.

Especialistas que acompanham o histórico médico do ex-presidente indicam que complicações digestivas e abdominais podem ocorrer em pacientes que passaram por múltiplas cirurgias na mesma região.

Acompanhamento médico

Jair Bolsonaro está preso desde 15 de janeiro após condenação por suposta tentativa de golpe de Estado. Ele cumpre pena em Brasília sob monitoramento constante das autoridades penitenciárias.

O novo episódio de mal-estar reacende discussões sobre as condições de saúde do ex-presidente dentro do sistema prisional. Aliados afirmam que o histórico médico exige acompanhamento contínuo e avaliações regulares.

Até agora, a equipe médica responsável pelo atendimento não divulgou se os sintomas indicam uma nova obstrução intestinal ou outro quadro agudo. O estado clínico segue sendo monitorado enquanto aguardam exames complementares e a definição do diagnóstico.

Exemplo: jovens fazem momento de oração em campus federal

Um grupo de alunos do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), campus de Imperatriz, realizou na última terça-feira (3) um momento de oração e adoração durante o intervalo das aulas. A reunião ocorreu no pátio da instituição, onde os participantes formaram um círculo para cantar louvores, orar e refletir sobre passagens bíblicas.

A atividade foi organizada por jovens vinculados ao movimento cristão “Aviva IFMA”. Durante o encontro, o estudante Arthur Lucena conduziu uma breve reflexão baseada na parábola do Filho Pródigo, abordando os temas de arrependimento e restauração espiritual.

Em sua fala, Lucena enfatizou que, conforme a mensagem bíblica, a graça divina permanece acessível àqueles que decidem retornar a Deus.

Os encontros de momento de oração ocorrem semanalmente no campus e fazem parte de uma célula de estudantes interessados em momentos de espiritualidade no ambiente acadêmico. Em publicação nas redes sociais, o grupo destacou que a reunião foi marcada por forte sentimento de comunhão entre os participantes.

A iniciativa do momento de oração recebeu apoio de internautas nos comentários das publicações do grupo, que elogiaram a mobilização dos jovens e incentivaram a continuidade do trabalho de evangelização entre os estudantes.

Movimentos semelhantes têm se expandido em instituições de ensino pelo país, com grupos de universitários e alunos do ensino técnico reunindo-se voluntariamente para estudar a Bíblia, orar e compartilhar experiências de fé dentro do ambiente educacional.

Crise em Cuba escala sofrimento da população e mobiliza igrejas

Moisés Pérez Padrón, diretor do escritório da Trans World Radio (TWR) em Cuba e natural da ilha, afirma nunca ter testemunhado uma situação tão crítica quanto a atual em seu país.

Aos 40 anos, ele descreve um cenário de deterioração generalizada: ruas tomadas por lixo, crianças e idosos revirando detritos em busca de alimentos ou itens para vender, e quedas de energia que se estendem por mais de 12 horas diárias. “Famílias destroem móveis em suas casas apenas para usar a madeira na cozinha”, relata.

Pérez Padrón, que também atua como copastor da Igreja Batista Salem, no bairro Arroyo Apolo, ao sul de Havana, e como vice-reitor do Seminário Teológico Batista da capital, tem utilizado sua plataforma para levar mensagens de esperança em meio à adversidade.

Diariamente, grava o podcast devocional “Mensagens de Fé e Esperança”, distribuído por grupos de Facebook e WhatsApp e transmitido pela rádio da TWR na frequência 800 AM a partir da ilha caribenha de Bonaire.

Suas reflexões recentes enfatizam a importância de depositar a confiança em Deus, não em líderes políticos. Citando Isaías 28:16, Pérez Padrón destaca a figura de Cristo como a “pedra angular” firme. “Vamos construir sobre a rocha sólida”, afirma. “Confiemos em Cristo e em Sua Palavra — não em acordos políticos ou religiões falsas, mas n’Ele.”

Contexto da crise

A situação cubana agravou-se significativamente nos últimos meses. Em 29 de janeiro, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou ordem executiva impondo tarifas e sanções a países que enviassem petróleo a Cuba, como forma de pressionar o regime comunista a implementar reformas políticas e econômicas. Quatro meses antes, o furacão Melissa havia devastado cinco províncias cubanas, deslocando mais de 735 mil pessoas e destruindo moradias e infraestrutura básica.

O país enfrenta ainda uma acentuada queda populacional, decorrente da baixa taxa de natalidade e da emigração em massa de jovens em busca de melhores condições de vida. Desde novembro de 2025, um surto de chikungunya — doença viral transmitida por mosquitos — já infectou mais de 50 mil pessoas e causou 55 mortes, segundo dados locais, principalmente devido à escassez de medicamentos como o acetaminofeno, utilizado no tratamento.

Atuação das igrejas

Em meio ao caos, comunidades cristãs têm se mobilizado para oferecer auxílio material e espiritual. Cerca de 85% da população cubana se identifica como cristã, de acordo com o World Christian Database, com maioria católica e aproximadamente 11% de evangélicos.

O Mennonite Central Committee (MCC), presente na ilha há 43 anos, é uma das organizações mais ativas. Nos últimos 12 meses, enviou seis contêineres com carne enlatada, kits de socorro, produtos de higiene feminina, material escolar e outros itens essenciais.

Os suprimentos são distribuídos por meio de cinco programas sociais desenvolvidos pela Associação dos Irmãos em Cristo (BIC) e pelo Centro Cristão de Reflexão e Diálogo.

Jacob Lesniewski, codiretor regional do MCC para América do Sul, México e Cuba, descreve a realidade encontrada em visitas recentes. “Quando você chega a Havana, percebe que algo não está certo: ruas cheias de lixo, apagões frequentes, postos de combustível vazios.

Mas nada se compara ao que se vê ao viajar para o leste. Cidades inteiras parecem fantasmas, com fábricas, escolas e hospitais outrora funcionais agora abandonados e em ruínas”, relata.

A falta de combustível, agravada pelas sanções, impõe desafios logísticos imensos. As congregações BIC passaram a utilizar carroças puxadas por cavalos para transportar doações. Quando disponível, a gasolina precisa ser comprada em dólares a preços elevados.

Resiliência e papel social dos cristãos

Mayra Espino, socióloga de 70 anos e pesquisadora do Centro Cristão de Reflexão e Diálogo, optou por permanecer em Cuba apesar de ter tido oportunidades de lecionar na Espanha, Honduras e Estados Unidos. Sua decisão ilustra o que Lesniewski chama de “resiliência obstinada dos cubanos”.

Espino identifica três causas principais para a crise atual: a emigração acelerada de profissionais qualificados após a pandemia, a incapacidade do governo de oferecer oportunidades à população e o colapso de setores como o turismo devido ao bloqueio econômico.

Ela observa que os cristãos evangélicos ganharam reputação por seu trabalho social, especialmente após a passagem de quatro furacões devastadores em 2008, quando igrejas locais priorizaram o reparo de telhados de vizinhos não cristãos antes dos próprios membros.

“Em um país onde o Estado não consegue mais fornecer serviços básicos como saúde e educação, as igrejas tornaram-se espaços essenciais — não apenas para receber ajuda humanitária e conforto espiritual, mas também para construir comunidade”, afirma.

Liberdade religiosa e perseguição

A situação da liberdade religiosa em Cuba apresenta contradições. Pérez Padrón explica que as igrejas podem realizar cultos regularmente, mas o espaço para expansão é limitado. “Não há impedimento para cultos dominicais. Mas não se pode simplesmente construir uma nova igreja”, diz.

A história recente do país, no entanto, é marcada por perseguições. Após a revolução de 1959, Fidel Castro instituiu um regime comunista ateu, enviando pastores cristãos a campos de trabalho. Nas décadas seguintes, a igreja encolheu significativamente.

A partir dos anos 1990, com o colapso da União Soviética e a consequente crise econômica, houve renovado interesse pela fé. Em 1992, a constituição foi alterada para definir o país como “laico” em vez de “ateu”. Visitas papais — de João Paulo II (1998), Bento XVI (2012) e Francisco (2016) — contribuíram para abertura gradual, que incluiu o restabelecimento do Natal como feriado e a autorização para celebrações da Sexta-feira Santa.

Apesar dos avanços, restrições persistem. Publicações cristãs não podem circular, grupos religiosos não possuem concessões de rádio ou TV, e a criação de denominações inexistentes antes de 1959 é vedada. A Open Doors classificou Cuba como o país mais perigoso da América Latina para cristãos em sua última Lista Mundial da Perseguição, ocupando a 24ª posição global.

O Observatório Cubano de Direitos Humanos registrou 873 violações da liberdade religiosa em 2025, incluindo detenções arbitrárias, vigilância, ameaças e casos de abuso contra menores por suas crenças.

Fé em meio à adversidade

Pérez Padrón expressa preocupação especial com a segurança da família — sua esposa e duas filhas pequenas. Com o aumento da fome, a criminalidade cresceu nas grandes cidades. Com a voz embargada, ele explica como aborda o tema com as crianças: “Não contamos todos os detalhes para que não se preocupem. No meio das dificuldades, mostramos que ainda há motivos para agradecer a Deus. Eu tenho um emprego. Elas podem ir à escola. Deus é bom. Com: Comunhão.

Crivella protocola PL que institui o Estatuto da Liberdade Religiosa

O deputado federal Marcelo Crivella apresentou na Câmara, nesta terça-feira (10), o Projeto de Lei nº 1.093/2026, que propõe a criação do Estatuto da Liberdade Religiosa. A iniciativa, protocolada na Mesa Diretora, busca consolidar em um único marco legal as garantias fundamentais para o livre exercício da fé no país.

De acordo com o texto, o objetivo é tornar mais explícitas e sistematizadas as proteções já previstas na Constituição Federal. A proposta reúne princípios e direitos voltados à proteção de indivíduos, igrejas e organizações religiosas, oferecendo, segundo o autor, maior segurança jurídica para a prática religiosa tanto em espaços públicos quanto privados.

Na justificativa que acompanha o projeto de liberdade religiosa, Crivella destaca que o estatuto pode contribuir para fortalecer o respeito e a convivência harmoniosa entre diferentes crenças. A iniciativa, segundo o deputado, também busca valorizar “a diversidade de convicções presentes na sociedade brasileira”.

O projeto agora segue para análise nas comissões temáticas da Câmara antes de ser submetido à votação em Plenário. Caso aprovado, o estatuto estabelecerá regras mais detalhadas para garantir a liberdade de culto e a proteção contra discriminação religiosa.

Contexto

Crivella, que é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus e já exerceu mandato como senador e como prefeito do Rio de Janeiro, enfrentou no passado questionamentos judiciais relacionados ao uso da máquina pública para favorecimento de grupos religiosos.

Em 2018, a Justiça fluminense proibiu o então prefeito de privilegiar categorias religiosas ou utilizar espaços públicos para discursos de cunho religioso, decisão que buscava assegurar a laicidade do Estado. Na ocasião, episódios como o “Café da Comunhão”, realizado no Palácio da Cidade, foram alvo de ações do Ministério Público por suposto desvio de finalidade e uso eleitoral da estrutura municipal. Com: Exibir Gospel.

Paraná: Sergio Moro recebe apoio do líder da Assembleia de Deus

O senador Sergio Moro (União Brasil-PR) cumpriu agenda nesta semana na cidade de São Paulo, onde visitou o templo da Assembleia de Deus Ministério Belém e foi recebido pelo pastor José Wellington Costa Junior, presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB). Durante o encontro, o religioso dedicou um momento de oração ao parlamentar e manifestou apoio a seu trabalho público.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o pastor elogiou a trajetória do senador e o classificou como referência nacional. “Estamos aqui ao lado do nosso querido amigo, doutor Sérgio Moro, que é uma referência não somente para o Paraná, mas para todo o Brasil pela maneira com que tem feito o seu trabalho com muita integridade”, afirmou .

O líder evangélico também convidou os fiéis a intercederem pelo parlamentar. “Louvamos a Deus pela sua vida e estamos orando para que ele possa alcançar o propósito do seu coração. Peço aos irmãos que orem por ele, para que os projetos que estão no seu coração possam se tornar realidade para o estado do Paraná”, declarou .

Sérgio Moro repercutiu o encontro em suas redes sociais, agradecendo a acolhida. “Em nossa visita à Assembleia de Deus de Belém, em SP, recebemos a bênção do pastor José Wellington Costa Júnior para nosso trabalho. Família abençoada”, escreveu o senador na legenda da publicação .

Cenário eleitoral no Paraná

Embora não tenha lançado oficialmente sua pré-candidatura, Moro tem sinalizado a aliados a intenção de disputar o governo do Paraná nas eleições de outubro, em vez de buscar a reeleição para o Senado. Pesquisa divulgada na quinta-feira (12) pelo instituto Paraná Pesquisas mostra o ex-juiz da Lava Jato liderando todos os cenários testados para o Executivo estadual .

No principal cenário avaliado, Moro aparece com 44% das intenções de voto, seguido pelo deputado estadual Requião Filho (PDT), com 23,1%, e pelo presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD), com 11,3% . O levantamento ouviu 1.500 eleitores em 55 municípios paranaenses entre os dias 1º e 4 de março, com margem de erro de 2,6 pontos percentuais .

Apesar da vantagem numérica nas pesquisas, o senador enfrenta resistências dentro de partidos aliados, especialmente no Progressistas (PP) do Paraná, cuja direção nacional sinaliza posição contrária ao apoio à candidatura do ex-juiz . A federação entre União Brasil e PP no estado vive impasse sobre o endosso ao nome de Moro .

A Assembleia de Deus Ministério Belém é uma das maiores denominações evangélicas do país, e o encontro com seu principal líder é interpretado por observadores políticos como um gesto que pode sinalizar aproximação entre o senador e lideranças religiosas, segmento de crescente influência no cenário eleitoral.

Colegiado de cirurgiões se opõe à mudança de sexo em menores

A Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (ASPS) divulgou nesta terça-feira (3) uma nova orientação recomendando que procedimentos cirúrgicos de redesignação sexual, popularmente chamada “mudança de sexo“, em mamas, genitais e face sejam adiados até que o paciente complete pelo menos 19 anos de idade.

A organização, que representa mais de 11 mil médicos em todo o mundo, tornou-se a primeira entidade médica de renome nos Estados Unidos a se posicionar contrariamente à realização dessas cirurgias em menores de idade .

Em comunicado oficial, a ASPS justificou a mudança de posicionamento com base em análises recentes de evidências científicas. A entidade citou “publicações recentes que relatam evidências de baixíssima ou baixa certeza em relação aos resultados na saúde mental”, “preocupações emergentes sobre possíveis danos a longo prazo e a natureza irreversível das intervenções cirúrgicas” e “evidências insuficientes que demonstrem uma relação risco-benefício favorável” para justificar a recomendação .

A sociedade destacou ainda que “as evidências disponíveis sugerem que uma proporção considerável de crianças com disforia de gênero de início pré-puberal experimenta uma resolução ou redução significativa de seu sofrimento na idade adulta, sem intervenção médica ou cirúrgica” .

Evolução da posição e contexto das revisões

De acordo com informações divulgadas pela ASPS, a entidade iniciou em agosto de 2024 uma reavaliação de suas orientações sobre cirurgias de mudança de sexo em menores, reconhecendo a existência de “considerável incerteza” sobre os impactos desses procedimentos.

A nova posição representa uma mudança significativa em relação às diretrizes de 2019, que afirmavam que “os serviços de cirurgia plástica podem ajudar pacientes com disforia de gênero a alinhar seus corpos com quem eles sabem que são e melhorar sua saúde mental e bem-estar geral” .

A organização informou que sua compreensão sobre o tema continuou a evoluir à luz de novas revisões abrangentes das evidências, incluindo a revisão Cass, do Reino Unido, e a revisão de 2025 do Departamento de Saúde e Serviços Humanos do governo Trump.

Segundo a ASPS, essas análises “contribuíram para uma compreensão mais clara dos potenciais danos, ao mesmo tempo que destacaram as limitações das evidências disponíveis, incluindo lacunas na documentação dos resultados físicos, psicológicos e psicossociais a longo prazo” .

A entidade esclareceu que os médicos, mesmo aqueles com vasta experiência do campo da falsa mudança de sexo (biologicamente falando), atualmente não possuem métodos confiáveis para distinguir entre os jovens cujo desconforto persistirá na idade adulta e aqueles cujo desconforto diminuirá espontaneamente .

Reações de outras entidades médicas

A nova orientação da ASPS gerou reações de outras importantes organizações médicas norte-americanas. A Associação Médica Americana (AMA) divulgou comunicado afirmando que “atualmente, as evidências para intervenção cirúrgica de afirmação de gênero em menores são insuficientes para que possamos fazer uma declaração definitiva” e concordou que, “na ausência de evidências claras, as intervenções cirúrgicas em menores devem ser geralmente adiadas até a idade adulta” .

A Academia Americana de Pediatria (AAP), por sua vez, manteve sua posição anterior. O presidente da entidade, Andrew Racine, declarou que a orientação da AAP “não inclui uma recomendação genérica de cirurgia para menores” com disforia de gênero, acrescentando que “a AAP continua a sustentar o princípio de que pacientes, suas famílias e seus médicos — não os políticos — devem ser aqueles que tomam decisões juntos sobre qual é o melhor cuidado para eles” .

A Associação Profissional Mundial para a Saúde Transgênero (WPATH) reiterou seu apoio ao acesso a cuidados cirúrgicos para menores sob “diretrizes e critérios cautelosos”, opondo-se a uma “abordagem de idade definitiva ou única para todos os pacientes” e defendendo que as decisões sejam tomadas caso a caso .

Contexto legal e judicial

A mudança de posicionamento da ASPS ocorre em um contexto de crescente escrutínio sobre as cirurgias de redesignação sexual em menores nos Estados Unidos. No início desta semana, um júri em Nova York concedeu indenização de US$ 2 milhões a Fox Varian, uma jovem de 22 anos que processou seus médicos por falha na obtenção de consentimento adequado antes de realizar uma mastectomia dupla nela quando tinha 16 anos .

Diversos outros detransicionadores — pessoas que receberam cirurgias de redesignação sexual quando menores e posteriormente reverteram a transição — entraram com ações judiciais semelhantes por má prática médica. De acordo com o grupo médico Do No Harm, pelo menos 5.700 crianças americanas foram submetidas a cirurgias relacionadas a gênero entre 2019 e 2023 .

A administração Trump também tem adotado medidas restritivas em relação a esses procedimentos. Em dezembro, o governo publicou uma regra que proibiria hospitais de realizar cirurgias de redesignação sexual em menores como condição para participação nos programas Medicare e Medicaid. O secretário de Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy Jr., elogiou a decisão da ASPS, afirmando que a entidade está “protegendo as crianças de procedimentos prejudiciais de rejeição de sexo” .

A ASPS enfatizou que sua nova orientação não criminaliza o cuidado médico e apoia a autorregulação profissional em vez de abordagens legislativas punitivas, ao mesmo tempo em que aconselha seus membros a permanecerem cientes das diversas leis estaduais sobre a matéria. Com: Folha Gospel.