Irã condena ex-muçulmana convertida ao Evangelho à prisão

No Irã, uma mulher que abandonou o islamismo e se tornou cristã foi condenada a nove anos e oito meses de prisão após ser acusada de crimes relacionados à segurança do Estado e atividades consideradas antigovernamentais pelas autoridades iranianas.

A sentença foi aplicada depois que policiais apreenderam sua Bíblia e outros materiais cristãos durante uma operação em sua residência, em Teerã, no mês de janeiro.

Ghazal Marzban, convertida ao catolicismo e ex-prisioneira de consciência, foi condenada por acusações como propaganda contra o Estado e conspiração contra a segurança nacional. As informações foram divulgadas pela Article18, organização sediada no Reino Unido que acompanha casos de liberdade religiosa no Irã.

A sentença foi proferida pelo juíz Iman Afshari, integrante do Tribunal Revolucionário iraniano. Segundo a Article18, Afshari foi recentemente alvo de sanções da União Europeia e tem atuado em processos envolvendo presos políticos e cristãos convertidos.

Marzban foi presa novamente em janeiro, durante uma operação em sua casa. Agentes confiscaram sua Bíblia e outros livros cristãos antes de levá-la para um local não informado, sem apresentar explicações imediatas sobre os motivos da detenção.

Duas horas após a prisão, ela conseguiu telefonar para o marido e informou que estava detida em um centro ligado ao Ministério da Inteligência do Irã. Depois disso, permaneceu sem contato com familiares durante aproximadamente um mês.

Durante os interrogatórios, Ghazal Marzban teria sido pressionada a admitir que utilizava a Bíblia e os materiais cristãos para evangelização. Ela negou as acusações e afirmou que os livros eram destinados ao uso pessoal. Segundo a organização, Marzban declarou que, como cristã, tinha o direito de possuir esse tipo de material religioso.

A convertida já havia passado dois meses na prisão de Evin em 2024 após ser condenada por propaganda contra o regime iraniano por entoar slogans durante manifestações. Sua primeira prisão ocorreu em novembro de 2024, depois que ela protestou contra o assédio que afirmou sofrer desde sua conversão ao catolicismo, ocorrida sete anos antes.

Formada em direito islâmico, Marzban também relatou restrições profissionais após a conversão religiosa. Segundo a Article18, ela foi impedida de prestar o exame da Ordem dos Advogados e pressionada a deixar o país. Seu marido, também convertido ao cristianismo, teria enfrentado dificuldades para obter medicamentos necessários ao tratamento da doença de Parkinson.

Mansour Borji, diretor executivo da Article18, afirmou que a condenação afetou diretamente o casal. Segundo ele, a prisão de Marzban impede que ela cuide do marido devido às limitações causadas pela doença.

A prisão ocorreu poucos dias após uma repressão a protestos antigovernamentais no Irã. De acordo com relatório anterior da Article18, milhares de manifestantes foram mortos durante as ações das autoridades iranianas, incluindo ao menos 22 cristãos.

Organizações de direitos humanos e grupos de monitoramento da liberdade religiosa afirmam que o governo iraniano mantém restrições severas contra cristãos convertidos do islamismo, segundo o The Christian Post.

Essas entidades relatam que autoridades do país frequentemente classificam atividades religiosas cristãs como ameaças à segurança nacional, o que resulta em prisões, longas condenações e outras punições contra convertidos.

TJ anula obrigatoriedade de leitura da Bíblia em Câmara Municipal

O Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) decidiu, por unanimidade, anular os artigos 170 e 171 do regimento interno da Câmara de Vereadores de Três Barras (SC), que tornavam obrigatória a leitura da Bíblia no início das sessões legislativas. A decisão foi proferida em ação movida pelo Ministério Público do estado.

Os dispositivos, previstos na Resolução 25/1993 da Câmara Municipal, instituíam o chamado “Momento Bíblico”, com leitura obrigatória de um trecho das Escrituras e a exigência de que os presentes permanecessem em pé em reverência ao texto religioso.

A ação foi apresentada pela 3ª Promotoria de Justiça da Comarca de Canoinhas (SC), sob o argumento de que a prática violava os princípios da liberdade religiosa, da igualdade e da impessoalidade estabelecidos nas Constituições Federal e Estadual.

Relator Destaca Neutralidade do Estado

O desembargador Carlos Adilson Silva, relator do caso, afirmou que a norma ultrapassou os limites da neutralidade estatal em matéria religiosa. Segundo ele, o regimento não deixava espaço de escolha ou autonomia aos vereadores, impondo a prática de um ato religioso específico.

“Trata-se, portanto, de comando normativo que não assegura espaço de escolha ou de autonomia aos parlamentares, impondo a prática de ato religioso específico, circunstância que compromete a neutralidade exigida do Estado em matéria confessional”, declarou.

O magistrado também diferenciou a situação da exibição de símbolos religiosos em prédios públicos — tolerada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como manifestação cultural e histórica. No caso de Três Barras, a leitura obrigatória da Bíblia foi considerada uma imposição de prática religiosa, não apenas a presença de um símbolo.

“A laicidade do Estado impõe postura de neutralidade em relação às crenças religiosas, sendo vedado ao Poder Público a adoção de práticas que privilegiem determinada confissão religiosa em detrimento de outras, ou mesmo da ausência de crença”, destacou o relator.

A decisão do TJ-SC terá efeitos apenas para o futuro (ex nunc), o que significa que as sessões legislativas realizadas anteriormente continuam válidas e não serão anuladas. Com: Exibir Gospel.

Ex-integrante do Movimento LGBTQ relata encontro com Deus

MJ Nixon, líder de um ministério que acolhe pessoas que deixaram o estilo de vida LGBTQ para seguir a Jesus, afirma ter ouvido a voz de Deus pela primeira vez ao dirigir de Kentucky para Atlanta. “O Senhor disse: ‘MJ, você tem que escolher hoje a vida ou a morte, as bênçãos ou as maldições’”, relembra.

Na época, Nixon estava em um relacionamento com uma mulher há seis anos. As duas frequentavam uma igreja e oravam por uma “saída” da relação. “Ambas sabíamos que há uma luta constante entre o espírito e a carne”, diz ela. Sua ex-parceira também se tornou cristã posteriormente.

Criada em uma família católica conservadora, Nixon escondia sua orientação sexual e seu envolvimento LGBTQ. O ponto de virada ocorreu quando ela teve uma visão de Jesus na cruz. “Encontrei o Deus vivo enquanto Ele se sacrificava por mim”, afirma. Quinze anos depois, ela descreve a experiência como a base que a capacita a “tomar a cruz diariamente”.

Ministério Freedom March e o Significado do Arco-Íris

Nixon é cofundadora do ministério Freedom March (Marcha da Liberdade), que promove eventos de adoração, oração e evangelismo em cidades dos Estados Unidos. A organização adotou o arco-íris — tradicionalmente associado ao movimento LGBTQ — com uma interpretação própria. “O arco-íris está em Gênesis. E é do Senhor, não do inimigo”, afirma Nixon.

Segundo ela, o símbolo representa “o amor de Deus por toda a humanidade” e “a completude divina” com sete cores, diferentemente da versão usada pela comunidade LGBTQ, que teria removido a cor índigo. “Eles tiraram uma cor, deixando seis. Isso representa a queda do homem e o orgulho”, acrescenta.

Chamado para a Igreja

Nixon defende que a igreja se torne um “lugar seguro” para pessoas que desejam processar sua transformação espiritual. “Muitos que deixam a comunidade LGBTQ se sentem órfãos. Deus quer levantar mais pais e mães espirituais”, diz.

O Freedom March realiza eventos em dezembro, em vez de junho (mês do orgulho LGBTQ). A escolha do local é definida após um ano de oração. Nixon convoca a igreja a participar: “Você não precisa ter sido LGBTQ. Precisamos do Corpo de Cristo para estar ao nosso lado, segurar nossos braços”.

Em fevereiro deste ano, Nixon foi convidada a falar em uma turma de seminário em uma megregação no Texas. Um dos alunos enviou um e-mail no dia seguinte: “Essa aula era extremamente necessária. Lutei com isso e agora tenho muita esperança”. O pastor da igreja, Ken Werlein, descreveu a experiência com Nixon como um momento em que o Espírito Santo se moveu. Com: CBN News.

Vídeo de batismo de 29 presos no Piauí emociona

Um vídeo que mostra presos louvando a Deus durante uma cerimônia de batismo no pátio da Penitenciária Prof. José de Ribamar Leite, em Teresina, emocionou usuários das redes sociais e ultrapassou 150 mil visualizações no Instagram.

O evento ocorreu na última quarta-feira (20) e contou com a participação de 29 apenados, que foram imersos em uma caixa d’água improvisada pelo Projeto Recomeço, iniciativa da Igreja Assembleia de Deus.

O pastor Arianderson Johny conduziu o batismo na presença de outros detentos, que acompanharam a cerimônia de dentro das celas. Durante a celebração, os novos convertidos e os demais presos formaram um coral espontâneo, entoando canções de adoração em um ambiente descrito pela organização como de “emoção e quebrantamento”.

“Liberdade em Cristo Atrás das Grades”

Em publicação nas redes sociais, o Projeto Recomeço refletiu sobre o significado do momento. “Vivemos um recomeço. Cada sorriso, cada abraço e cada testemunho aqui revelam que o amor de Cristo alcança qualquer lugar e qualquer coração. O batismo simboliza deixar para trás a velha vida e nascer para uma nova caminhada com Deus”, escreveu a missão.

O texto também destacou o simbolismo do abraço entre os detentos. “Em um ambiente marcado pela dor e pela solidão, ser abraçado é lembrar que ainda existe dignidade, valor e uma nova oportunidade em Cristo”, afirmou. Sobre o louvor, a organização acrescentou: “O louvor ecoa como voz de esperança… a liberdade em Cristo pode ser vivida mesmo atrás das grades”.

Projeto Recomeço Atua no Piauí e no Maranhão

O Projeto Recomeço é uma missão da Igreja Assembleia de Deus voltada à pregação do Evangelho e à assistência religiosa em penitenciárias do Piauí e do Maranhão. Pastores e missionários realizam cultos, evangelização e batismos nas prisões, promovendo o que chamam de “recomeço” espiritual para os apenados.

Sociedades Bíblicas Unidas 80 anos foca em missão com jovens

As Sociedades Bíblicas Unidas (UBS) celebraram 80 anos de atuação global com a divulgação de uma declaração voltada às futuras gerações cristãs. O documento, intitulado “A Bíblia para o Amanhã: Um Compromisso Global com as Futuras Gerações Cristãs”, foi apresentado durante um encontro realizado entre os dias 6 e 11 de maio, em Jacarta, reunindo representantes de 156 Sociedades Bíblicas de diferentes países.

A organização afirmou que a declaração reafirma sua visão histórica de tornar “a Bíblia para todos” acessível em meio a um cenário global marcado por instabilidade, conflitos e incertezas morais. Segundo a UBS, muitas sociedades bíblicas têm observado aumento no interesse espiritual entre os jovens, inclusive em países mais secularizados.

Embora tenha sido oficialmente fundada em 1946, após a Segunda Guerra Mundial, a UBS afirma que suas origens remontam ao movimento bíblico iniciado no começo do século XIX. Atualmente, a organização atua em mais de 240 países e territórios e informa ter contribuído para mais de 70% das traduções bíblicas existentes no mundo, permitindo que cerca de 6,2 bilhões de pessoas tenham acesso às Escrituras em seus próprios idiomas, de acordo com o Christian Daily.

O secretário-geral Dirk Gevers afirmou que o aniversário representa tanto um momento de gratidão quanto de renovação do compromisso missionário. Segundo ele, a Bíblia continua oferecendo esperança, direção e significado para pessoas que enfrentam um mundo considerado cada vez mais complexo.

A declaração foi entregue simbolicamente a jovens líderes ligados às Sociedades Bíblicas da Colômbia, Burundi e Indonésia. De acordo com a UBS, o gesto buscou demonstrar o compromisso da entidade com as próximas gerações.

No documento, a organização descreve um cenário em que muitos jovens se sentem desorientados diante de crises sociais, econômicas e morais. Ao mesmo tempo, a UBS afirma que as Escrituras continuam sendo procuradas por pessoas em busca de respostas relacionadas à identidade, propósito, justiça e paz.

A declaração também apresenta seis compromissos assumidos pela comunidade global das Sociedades Bíblicas. O primeiro deles é a dependência espiritual, baseada na oração, nas Escrituras e na orientação do Espírito Santo. O segundo compromisso é ampliar o acesso universal à Bíblia, incluindo traduções e distribuição em formatos impressos, digitais, áudio, braille e língua de sinais.

Outro compromisso citado é o incentivo ao engajamento profundo com as Escrituras, promovendo discipulado, reflexão e experiências comunitárias. A UBS também destacou a importância de respeitar diferentes contextos culturais, adaptando traduções e formatos às realidades locais.

A organização reafirmou ainda o compromisso de servir às igrejas por meio de ministérios interdenominacionais e integrar o ensino bíblico a ações de compaixão, justiça e cuidado social.

Ao final do documento, a UBS convocou igrejas, ministérios e parceiros cristãos de diferentes países a participarem do esforço de tornar a Bíblia acessível às próximas gerações. A entidade afirmou esperar que os jovens herdem uma igreja “vibrante, diversa e enraizada no amor” e participem da missão cristã com coragem, compaixão e esperança.

“Com humildade e confiança na fidelidade de Deus, nós, uma comunidade global de 156 Sociedades Bíblicas, dedicamo-nos novamente à visão que nos foi confiada: a Bíblia para todos, agora e para as gerações futuras”, conclui a declaração.

LGPD: advogado orienta igrejas sobre uso indevido de imagens

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A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) está exigindo das igrejas maior cautela para o uso de imagens de membros e visitantes em cultos, congressos e publicações nas redes sociais. Especialista na legislação, o advogado e teólogo Antonio Carlos Junior afirmou que a forma mais segura de obter autorização para uso de imagem continua sendo o consentimento formal por escrito.

Segundo o especialista, o modelo mais recomendado é um termo assinado com a presença de duas testemunhas. Ele explicou que autorizações digitais também podem ter validade jurídica, desde que exista comprovação segura da identidade do responsável pelo aceite. “O aceite digital só é válido quando existe comprovação inequívoca, como login e senha pessoais e intransferíveis”, afirmou em publicação no Instagram.

Antonio Carlos destacou ainda que avisos informando que o culto está sendo gravado não garantem proteção legal suficiente para a instituição. De acordo com ele, a autorização é necessária principalmente quando pessoas aparecem de forma identificável nas imagens divulgadas pela igreja.

O advogado afirmou que os cuidados devem começar já na captação e no armazenamento do material. Segundo ele, mesmo quando a imagem é publicada com o rosto desfocado, a instituição não deve manter arquivos com versões nítidas de pessoas que não autorizaram o uso da imagem.

Em relação aos menores de idade, Antonio Carlos explicou que a autorização deve ser concedida exclusivamente pelos pais ou responsáveis legais. “Não vale autorização dada por tios, avós ou conhecidos”, declarou. Ele acrescentou que adolescentes acima de 16 anos também devem assinar o termo juntamente com os responsáveis.

O especialista recomendou que igrejas evitem expor crianças e adolescentes em destaque em fotografias e vídeos. Segundo ele, o mais indicado é utilizar imagens em que menores apareçam sem possibilidade de identificação ou de costas.

Sobre visitantes, Antonio Carlos afirmou que o ideal é evitar o uso das imagens em publicações. Segundo ele, pedidos posteriores de remoção de conteúdo são frequentes nesses casos.

O advogado também alertou para o uso de fotografias antigas em retrospectivas e vídeos comemorativos. De acordo com ele, o material só deve ser reutilizado quando houver autorização prévia dos envolvidos.

Para Antonio Carlos, o consentimento para uso de imagem deve integrar uma política mais ampla de proteção de dados nas instituições religiosas. Ele afirmou que apenas coletar autorizações não é suficiente se o armazenamento, a edição e a divulgação do conteúdo estiverem em desacordo com a LGPD.

Acusação retirada contra cristã que orou perto de clínica de aborto

Um tribunal da Irlanda do Norte arquivou na quarta-feira, 20 de maio, um processo criminal contra Claire Brennan, acusada de violar a Lei dos Serviços de Aborto (Zonas de Acesso Seguro) de 2023 ao conversar e orar com mulheres em frente ao Hospital Causeway, em Coleraine.

O caso foi analisado no Tribunal de Magistrados de Coleraine. Segundo a organização Christian Concern, a acusação perdeu força após a retirada de alegações, ausência de testemunhas importantes e a avaliação do juiz distrital Peter King de que as provas restantes eram insuficientes para sustentar uma condenação.

O Ministério Público alegava que Brennan havia tentado influenciar pessoas dentro da chamada “zona de acesso seguro”, estabelecida em um raio de 150 metros ao redor do hospital, em episódios registrados entre setembro e novembro. As acusações se baseavam em depoimentos escritos, imagens de câmeras de segurança e testemunhos presenciais.

Duas testemunhas convocadas pela acusação não compareceram ao tribunal, o que levou ao arquivamento da última acusação. Sem esses depoimentos, os promotores não conseguiram comprovar que Brennan teria abordado a denunciante mencionada no processo.

Após a decisão, Brennan afirmou que suas ações sempre foram pacíficas e motivadas pela fé cristã. “Isso é um grande alívio, não só para mim, mas para todos que acreditam que a compaixão nunca deve ser criminalizada”, declarou, de acordo com o Christian Daily.

Ela também criticou a legislação das zonas de proteção próximas a clínicas e hospitais. “Essas zonas de censura são injustas. Elas silenciam a oração, restringem a liberdade de expressão e impedem que as mulheres saibam que existe outra opção além do aborto”, afirmou.

Segundo sua defesa, Brennan apenas oferecia conversas, apoio emocional e pequenos símbolos cristãos para pessoas que aceitavam interagir com ela. Os advogados argumentaram que suas ações estavam protegidas pelos artigos 9 e 10 da Convenção Europeia dos Direitos Humanos, relacionados à liberdade religiosa, de pensamento e de expressão.

Andrea Williams, diretora executiva do Centro Jurídico Cristão, afirmou que o caso expôs problemas na aplicação das leis de zonas de acesso seguro na Irlanda do Norte. Segundo ela, Brennan enfrentou um processo criminal por exercer sua fé e oferecer apoio pacífico a mulheres em situação de vulnerabilidade.

Claire Brennan ainda participa de outras disputas judiciais relacionadas à mesma legislação. Um processo anterior, também ligado às zonas de proteção, segue suspenso para novo julgamento após recurso da defesa. Nesse caso, ela foi detida por recitar a oração do Pai Nosso e segurar uma placa contra o aborto em frente ao Hospital Causeway.

Durante o processo de apelação, o juiz Ciaran Moynagh declarou-se impedido após questionamentos da defesa sobre possível parcialidade. A Christian Concern destacou que a organização Humanists UK havia concedido anteriormente ao magistrado o título de “Humanista do Ano” por seu apoio público a pautas ligadas ao aborto e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

A absolvição de Brennan ocorre em meio ao aumento das discussões sobre as leis de zonas de acesso seguro na Irlanda do Norte. Neste mês, o Tribunal de Magistrados de Coleraine condenou o pastor batista aposentado Clive Johnston com base na mesma legislação, após ele citar o versículo bíblico João 3:16 durante uma pregação ao ar livre em frente ao mesmo hospital.

Ex-muçulmano, jovem é proibido de comer após se converter

A organização missionária brasileira “Até Que Todos Saibam”, liderada pela missionária Tia Jô e pelo pastor Josué Fernandes, divulgou nas redes sociais um caso de perseguição religiosa envolvendo um ex-muçulmano recém-convertido em um país do Leste da África. O jovem, de origem muçulmana e cuja identidade não foi revelada, aceitou a Jesus Cristo após ter contato com o Evangelho.

Segundo o relato publicado na quinta-feira (21), a decisão de renunciar ao Islã gerou reações imediatas dentro de seu próprio círculo familiar. “Sua mãe, como forma de punição, o proibiu de comer em casa”, afirmou a missão. Ao ser questionado por um dos missionários sobre como estava sobrevivendo em meio à perseguição, o jovem respondeu: “Estou aproveitando esse tempo para ler mais as Escrituras e fazer jejum”.

A resposta, segundo a organização, marcou profundamente os missionários. “Enquanto muitos veriam abandono, ele enxergou oportunidade de se aproximar ainda mais de Deus. Mesmo enfrentando rejeição, fome e perseguição, sua fé continua inabalável”, testemunhou a missão, que pediu orações pelos cristãos perseguidos no Leste Africano, como o ex-muçulmano citado.

Atuação Global da Missão

A “Até Que Todos Saibam” atua em 21 países, incluindo Índia, Paquistão e Malawi, regiões onde cristãos enfrentam diferentes formas de hostilidade por causa da fé.

A organização mantém 109 projetos missionários e afirma ter levado o Evangelho a mais de 6 mil crianças, com mais de 4 mil delas tendo entregue suas vidas a Cristo. No Paquistão, a missão também já promoveu a libertação de 87 famílias que viviam em situação de escravidão em fábricas de tijolos.

Quênia: evangélicos mobilizam intercessores antes das eleições

Líderes evangélicos do Quênia lançaram o Movimento Nacional de Oração e Transformação do Quênia (KNPTM), iniciativa que busca mobilizar igrejas e cristãos em oração, arrependimento, unidade e participação cívica antes das eleições gerais previstas para 2027. O lançamento ocorreu em 4 de maio, em Nairóbi, com a presença de bispos, pastores, intercessores e líderes de diferentes denominações evangélicas.

Com o tema “Meu País, Minha Responsabilidade”, o movimento pretende estabelecer uma estrutura permanente de oração em todos os 47 condados do país e mobilizar mais de 1 milhão de intercessores. Segundo os organizadores, a proposta é criar redes regionais de oração, encontros semanais e estruturas de intercessão familiar, ampliando o envolvimento cristão além dos períodos eleitorais.

Durante o encontro, os líderes afirmaram que o Quênia enfrenta dificuldades econômicas, aumento do custo de vida, tensões políticas, corrupção e crescente desânimo entre os jovens, especialmente devido ao desemprego. Em comunicado divulgado no evento, os participantes declararam que os problemas sociais e políticos refletem também questões espirituais que exigem uma resposta da Igreja.

O reverendo Joseph Kamau afirmou que o movimento pretende manter uma intercessão contínua pela nação. Já o apóstolo Peter Kinyanjui declarou que a iniciativa não possui caráter partidário e busca incentivar responsabilidade espiritual e moral de longo prazo.

O bispo Calisto Odede, do Ministério Cristo é a Resposta (CITAM), afirmou que a oração teve papel importante em momentos anteriores da história do país e incentivou os cristãos a permanecerem envolvidos nas questões nacionais. Segundo ele, o objetivo é promover esperança, renovação social e participação responsável na vida pública.

O encontro também contou com mensagens voltadas ao dever cívico dos cristãos. O professor Tim Kiruhi, vice-reitor da International Leadership University, afirmou que os cidadãos devem participar dos processos de decisão e cobrar responsabilidade dos líderes políticos.

Os organizadores também reconheceram críticas relacionadas à credibilidade de algumas instituições religiosas e defenderam maior integridade, unidade e prestação de contas dentro das igrejas. O comunicado divulgado no evento afirmou que a renovação nacional deve começar “dentro da casa de Deus”.

O lançamento do movimento ocorre em meio ao aumento da pressão econômica no país. Dados da Autoridade Reguladora de Energia e Petróleo apontaram alta de 15% no preço da gasolina e de 23% no diesel entre abril e maio. O aumento gerou protestos e paralisações organizadas por transportadores públicos em diferentes cidades quenianas.

Segundo o portal Christian Daily, líderes evangélicos também lembraram o papel desempenhado por igrejas e grupos religiosos em iniciativas de paz e reconciliação após a violência pós-eleitoral de 2007 e 2008, que deixou mais de mil mortos e centenas de milhares de deslocados no país.

Ao final do encontro, os participantes afirmaram esperar que o Quênia alcance paz, cura nacional e renovação social nos próximos anos. “Declaramos que Deus não terminou com o Quênia”, concluiu o comunicado divulgado pelo movimento.

Associação médica admite erro com bloqueadores de puberdade

A Associação Médica Britânica revisou sua posição sobre o Relatório Cass, documento independente que avaliou o uso de bloqueadores da puberdade em crianças e adolescentes no Reino Unido. A mudança foi apresentada após uma avaliação interna de dois anos divulgada no artigo “Revisão Cass: Evidências, Interpretação e Implementação”.

O professor David Strain, coautor da análise da BMA, afirmou que a pediatra Hilary Cass agiu corretamente ao interpretar os dados disponíveis. Segundo ele, o relatório seguiu o princípio médico de “primeiro, não causar dano”. Questionado sobre quais das 32 recomendações da revisão a entidade ainda contestaria, Strain respondeu que não conseguia apontar nenhuma.

A mudança representa um recuo em relação à posição adotada pela associação em julho de 2024, quando o conselho da entidade classificou as conclusões do relatório como “infundadas”, pediu uma revisão pública e defendeu o fim da proibição dos bloqueadores da puberdade. A reação gerou críticas de médicos ligados à própria entidade, levando a BMA a assumir posteriormente uma posição de neutralidade e criar um grupo interno de avaliação.

Em artigo publicado pela Christian Medical Fellowship, o médico Trevor Stammers afirmou que o novo posicionamento da BMA reconhece que as evidências favoráveis ao uso de bloqueadores da puberdade e hormônios de afirmação de gênero em jovens permanecem “limitadas e incertas”.

Apesar da revisão, a associação segue sem apoiar uma proibição total dos tratamentos. O grupo avaliador considerou que uma proibição legal ampla poderia representar interferência política na autonomia clínica dos médicos, embora tenha reconhecido a existência de “danos conhecidos e plausíveis” associados aos bloqueadores da puberdade.

O Relatório Cass foi encomendado pelo NHS para analisar o funcionamento do Serviço de Desenvolvimento da Identidade de Gênero da clínica Tavistock, em Londres. As conclusões contribuíram para o encerramento da unidade, após avaliações de que o modelo centralizado adotado não possuía base científica considerada suficiente.

O documento também apontou aumento da complexidade clínica entre adolescentes encaminhados ao serviço, incluindo maiores índices de depressão, ansiedade, transtornos alimentares, autismo e TDAH.

De acordo com o Christian Daily, dados oficiais mostraram ainda que 382 crianças de até 6 anos foram encaminhadas ao serviço entre 2010 e o fechamento da clínica, incluindo cerca de 70 crianças de 3 e 4 anos.