Israel recua e permite que cardeal faça missa no Santo Sepulcro

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, determinou nesta segunda-feira, 30 de março, que a polícia permita o acesso do cardeal Pierbattista Pizzaballa à Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, e autorize a realização de celebrações religiosas.

No domingo, 29 de março, a polícia havia impedido a entrada do cardeal para a missa do Domingo de Ramos. Segundo o governo israelense, a restrição foi motivada por razões de segurança.

Benjamin Netanyahu afirmou: “Nos últimos dias, o Irã tem atacado repetidamente com mísseis balísticos os locais sagrados das três religiões monoteístas em Jerusalém”. Ele acrescentou: “Em um dos ataques, fragmentos de mísseis caíram a poucos metros da Igreja do Santo Sepulcro”. Em seguida, declarou: “Para proteger os fiéis, Israel pediu aos membros de todas as religiões que se abstivessem temporariamente de praticar o culto nos locais sagrados cristãos, muçulmanos e judaicos na Cidade Velha de Jerusalém”.

Após tomar conhecimento do caso envolvendo Pierbattista Pizzaballa, o primeiro-ministro informou que orientou as autoridades a permitirem a realização das missas.

Antes da decisão, o governo indicou que a medida seguia diretrizes do Comando da Frente Interna, que limitam reuniões a até 50 pessoas. Autoridades religiosas afirmaram que esse limite não teria sido ultrapassado.

O Patriarcado Latino de Jerusalém e a Custódia Franciscana da Terra Santa informaram que as celebrações estavam sendo realizadas de forma privada, sem procissões, e dentro das restrições impostas desde o início do conflito. As instituições relataram que eventos públicos foram cancelados e que as missas passaram a ser transmitidas.

Em nota, as entidades classificaram o episódio como um “grave precedente” e uma medida “manifestamente desproporcional”. Também afirmaram que a decisão desrespeita a liberdade de culto e o chamado status quo dos locais sagrados em Jerusalém, além de ignorar a relevância da data para cristãos durante a Semana Santa.

O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, criticou a decisão da polícia. De acordo com informações da revista Oeste, ele afirmou que a medida é “difícil de entender ou justificar” e a classificou como um “excesso” com repercussão internacional. Segundo ele, o governo israelense indicou que buscará alternativas para viabilizar as celebrações.

O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa no calendário cristão e relembra a entrada de Jesus em Jerusalém, episódio que antecede os eventos que culminam na crucificação e na Páscoa.

Bispa é empossada como 1ª mulher a liderar a Igreja Anglicana

Sarah Mullally foi empossada como arcebispa de Canterbury em cerimônia realizada na quarta-feira, 26 de março, na Catedral de Canterbury. Ela se tornou a primeira mulher a assumir o cargo máximo da Igreja da Inglaterra e, por consequência, uma das principais lideranças da Comunhão Anglicana.

O início formal de seu ministério público ocorreu durante a cerimônia, após ter sido investida nas funções legais do cargo em janeiro. Durante o sermão, Mullally, de 64 anos, declarou: “A Sarah adolescente que depositou sua fé em Deus jamais teria imaginado o futuro que a aguardava, e certamente não o ministério para o qual agora sou chamada”.

A arcebispa mencionou a ausência de membros da comunidade anglicana global que não puderam comparecer devido a conflitos internacionais. Ela afirmou: “Oramos por eles sem cessar, e por todos aqueles que estão em áreas devastadas pela guerra no mundo, na Ucrânia, no Sudão e em Mianmar, para que sintam a presença de Deus, assim como oramos para que a paz prevaleça”.

Mullally também declarou: “Somos chamados a confiar que nada é impossível para Deus, mesmo quando vemos tantas coisas no mundo que fazem a esperança parecer impossível”. Em seguida, afirmou: “Mas há esperança, porque fazemos essa jornada com Deus”. Ela acrescentou: “Não suportamos o peso dessa vocação com nossas próprias forças, mas somente com a graça e o poder de Deus”.

A nova arcebispa concluiu: “Caminhamos com Deus, confiando que Deus caminha conosco, confiando que em tudo o que enfrentamos — na tristeza e nos desafios, assim como na alegria e no deleite — não caminhamos sozinhos. Há esperança, porque somos convidados a confiar que Deus fará algo novo”.

Antes de ingressar no ministério religioso, Mullally atuou como enfermeira, trabalhando com pacientes oncológicos. Ela foi ordenada sacerdotisa em 2001 e assumiu como bispa de Londres em 2018. Sua eleição para o cargo ocorreu em outubro do ano anterior, sucedendo Justin Welby, que deixou a função em janeiro.

A nomeação gerou reações dentro da Comunhão Anglicana, especialmente entre setores conservadores, que articulam nomeação de outro arcebispo. A Conferência Global de Futuros Anglicanos esteve entre os grupos que se manifestaram criticamente.

De acordo com o The Christian Post, o presidente do conselho de primazes da organização, Laurent Mbanda, afirmou: “A Igreja da Inglaterra escolheu um líder que irá dividir ainda mais uma Comunhão já fragmentada”. Ele acrescentou: “Por mais de um século e meio, o Arcebispo de Canterbury atuou não apenas como Primaz de Toda a Inglaterra, mas também como líder espiritual e moral da Comunhão Anglicana”.

Em seguida, concluiu: “Contudo, devido à falha dos sucessivos Arcebispos de Canterbury em zelar pela fé, o cargo não pode mais funcionar como um líder crível dos anglicanos, muito menos como um foco de unidade”.

‘Casa de Davi’ protagonista fala dos bastidores da 2ª temporada

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A série bíblica Casa de Davi retorna com sua segunda temporada nesta sexta-feira, 27 de março, com estreia global no Prime Video. A produção, que já ultrapassou 40 milhões de espectadores, passa a focar na trajetória de liderança do personagem após a vitória sobre Golias.

Criada por Jon Erwin e Jon Gunn, sob o selo Wonder Project em parceria com a Amazon MGM Studios, a nova temporada aborda a ascensão de Davi em meio a conflitos políticos, desafios pessoais e questões espirituais.

O ator Michael Iskander, que interpreta o protagonista, afirmou que a nova fase da narrativa exigiu mudanças físicas e maior aprofundamento emocional. Ele declarou: “A segunda temporada é realmente sobre crescimento e desenvolvimento”. Em seguida, acrescentou: “À medida que Davi cresce, eu cresço, e quase me fundo com ele”.

Para representar a evolução do personagem como guerreiro, Iskander afirmou que passou por preparação física, incluindo ganho de peso e treinamento em combate. Ele declarou: “Trabalhei com um preparador físico e ganhei uns 7 quilos”. Também afirmou: “Aprendi como segurar a espada, como lutar com ela e todos os diferentes movimentos”.

A nova temporada amplia o foco além das conquistas de Davi, explorando aspectos como falhas, arrependimento e transformação. Iskander afirmou: “A verdade é que essa é a condição humana. Todos nós somos falhos e todos nós vamos cair às vezes”. Ele acrescentou: “A diferença é que Davi se arrependeu. Ele se afastou do pecado e voltou para Deus”.

O ator também destacou o contraste entre personagens bíblicos ao afirmar: “Saul cometeu erros, mas era orgulhoso demais para admitir suas transgressões”. Em seguida, declarou: “Davi assumiu a responsabilidade”.

Iskander afirmou que espera que o público se identifique com essa trajetória. Ele declarou: “Espero que eles vejam a transformação em Davi”. Também afirmou: “Que Deus não chama os qualificados, Ele qualifica os chamados”.

O papel coincidiu com mudanças pessoais na vida do ator. Nascido no Egito e residente nos Estados Unidos desde os 9 anos, ele afirmou ter passado por um processo de crescimento espiritual. Iskander declarou: “Minha vida mudou em muitos níveis, especialmente no espiritual”. Em seguida, afirmou: “Recentemente, me tornei católico”.

O ator também comentou a expansão de produções religiosas no entretenimento. Ele declarou: “As pessoas reconhecem a virtude quando a veem”. E acrescentou: “Quando as pessoas veem Deus refletido em uma história, elas não conseguem evitar assistir”.

O cocriador Jon Gunn afirmou que o desempenho da série indica maior interesse do público por conteúdos com valores definidos. Ele declarou: “Casa de Davi foi a série que estávamos criando para lançar a plataforma”. Em seguida, afirmou: “Isso demonstra a demanda por conteúdo inspirador”.

Segundo Gunn, o crescimento da Wonder Project nos últimos anos reflete esse cenário. Ele declarou: “Isso comprova a tese de que existe uma demanda muito grande por conteúdo como este”.

De acordo com o The Christian Post, o produtor também destacou a importância da autenticidade na produção de histórias com temática religiosa. Gunn afirmou: “A pureza é o que faz tudo funcionar. Se não me emocionar, não quero fazer”.

Ele concluiu ao afirmar que o público percebe quando uma narrativa não é genuína: “Eles são espertos. Você consegue perceber quando alguém está tentando te vender algo em vez de algo que seja puro e autêntico”.

Rejeição leva CBF a retirar ‘Vai Brasa’ das camisas da Seleção

A Confederação Brasileira de Futebol informou que irá retirar a expressão “Vai, Brasa!” do uniforme da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo FIFA, após repercussão negativa nas redes sociais. A frase havia sido incluída em peças divulgadas recentemente, com previsão de uso no meião e na gola da camisa.

Segundo a entidade, a expressão foi criada pela designer Rachel Denti, da Nike, como parte de uma campanha publicitária. O presidente da CBF, Samir Xaud, afirmou que o uniforme oficial utilizado em campo não terá a inscrição.

Samir Xaud declarou: “Não, não vai ter, até porque isso é respeito. Eu falo muito em respeito em relação ao nosso uniforme e à nossa bandeira, e o nosso nome é Brasil. Então, vai ter Brasil no nosso meião, e não Brasa”.

O dirigente afirmou que foi surpreendido com a inclusão da expressão e informou que solicitou a substituição por “Brasil” nas peças. Ele acrescentou que a atual gestão tem buscado reforçar a identidade tradicional da seleção.

Samir Xaud declarou à ESPN: “Meu conhecimento, a partir do momento que entrei no primeiro mês de gestão da CBF, nós nos debruçamos em cima de assuntos importantes”. Em seguida, afirmou: “Vocês acompanharam comigo a questão da camisa vermelha. É algo que de princípio nós já barramos, porque eu sei da nossa identidade e da nossa cultura como torcedores”.

O presidente também afirmou que a seleção deve preservar símbolos nacionais e evitar associações que possam gerar interpretações diversas. Segundo ele, o uniforme principal continuará seguindo o padrão tradicional. Samir Xaud declarou: “De antemão, pelo respeito que eu tenho com a bandeira do Brasil, que todos já sabem, e pelo respeito que eu tenho pela Seleção Brasileira, não tem ‘Brasa’ no nosso uniforme principal”.

Ele concluiu: “Isso foi feito em relação à Nike para essa campanha publicitária isoladamente, mas deixo claro que o nosso uniforme é o nosso manto, é o verde e amarelo, sempre deixo isso claro, e não vai ter essa questão de ‘Brasa’”.

Sara Mariano: marido condenado a 34 anos por encomendar crime

Ederlan Santos Mariano foi condenado a 34 anos e cinco meses de prisão em regime fechado pela morte da esposa, a cantora gospel Sara Mariano. A sentença foi proferida na quarta-feira, 25 de março, em Dias d’Ávila, na Região Metropolitana de Salvador.

Outros dois réus também foram condenados no mesmo julgamento. Victor Gabriel Oliveira Neves recebeu pena de 33 anos e dois meses, enquanto Weslen Pablo Correia de Jesus foi condenado a 28 anos e seis meses, com redução da pena após confissão.

O crime ocorreu em 24 de outubro de 2023. Na ocasião, o marido chegou a registrar o desaparecimento da vítima na delegacia local e participou de buscas públicas antes de ser preso em 28 de outubro.

Segundo as investigações conduzidas pelo delegado Euvaldo Costa, Ederlan foi apontado como mandante do crime. As apurações indicaram que Gideão Duarte de Lima conduziu a vítima até o local, Victor Gabriel a imobilizou e Weslen Pablo realizou o ataque com faca.

Gideão Duarte já havia sido condenado em abril de 2025 a 20 anos e quatro meses de prisão. De acordo com o Ministério Público da Bahia, os réus responderam por feminicídio qualificado por motivo torpe, mediante pagamento, com emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de ocultação de cadáver e associação criminosa.

Durante as investigações, Gideão, Victor Gabriel e Weslen Pablo admitiram ter dividido R$ 2 mil pagos para a execução do crime. O corpo de Sara Mariano foi encontrado em 27 de outubro de 2023, às margens da rodovia BA-093, em Dias d’Ávila.

A vítima havia desaparecido três dias antes, após sair de casa, no bairro de Valéria, em Salvador, com destino a um encontro em uma igreja. Horas antes, ela publicou em redes sociais que seguia para o município onde foi posteriormente localizada.

De acordo com o G1, o julgamento ocorreu no Fórum Desembargador Gerson Pereira dos Santos, após adiamento anterior motivado pela saída dos advogados de defesa, considerada irregular pela Justiça. O júri teve início na terça-feira, 24 de março, e foi concluído no dia seguinte.

CPI do INSS: Sóstenes critica STF por encerrar investigação

O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), criticou o Supremo Tribunal Federal e parlamentares da base governista ao comentar o desfecho da CPMI do INSS. A declaração foi feita em meio às discussões sobre o relatório final da comissão.

O deputado afirmou: “Eu acho que o Supremo demonstra aos aposentados e pensionistas brasileiros que eles estão de costas e não estão nem um pouquinho preocupados com a roubalheira”.

Sóstenes também respondeu a declarações do ministro Gilmar Mendes sobre possíveis vazamentos de informações da comissão. Ele negou envolvimento e solicitou a identificação dos responsáveis.

De acordo com a revista Oeste, o parlamentar declarou: “Essa carapuça que ele quer colocar não serve pra mim, porque eu não vazei nada”. Em seguida, acrescentou: “Então, como ele é quem está acusando de vazamento, que traga os nomes. Senão, ele está cometendo um crime de acusar indevidamente pessoas sem provas. O ministro Gilmar Mendes precisa, ao rigor da legislação brasileira, dar os nomes de quem produziu os vazamentos”.

O deputado também criticou a condução política dos trabalhos da comissão e apontou tentativa de interferência por parte da base do governo federal. Segundo ele, a elaboração de um relatório alternativo por aliados do Executivo já era esperada. Ele afirmou: “Nenhuma surpresa, desde o início o PT não queria CPMI, o PT está aqui blindando os ladrões de aposentados”. Em seguida, declarou: “Eles são literalmente protetores de ladrões de aposentados e pensionistas. Se eles fizerem isso, demonstram mais uma vez quem são os petistas”.

Sóstenes rejeitou a possibilidade de acordo para unificar as conclusões da comissão. Ele afirmou: “Nós não estamos aqui para fazer acordinho. Nós estamos aqui para defender aposentado e pensionista”.

De acordo com o parlamentar, a definição ocorrerá por meio de votação. Ele declarou: “Ou eles votam o relatório que o relator vai apresentar, ou eles apresentam outro e mostram ao Brasil quem são eles”.

O deputado informou que o relatório será apresentado na sexta-feira, 27 de março, e que a votação poderá se estender, se necessário. Ele afirmou: “O relatório vai ser lido amanhã, não sei quanto tempo vai levar”. Em seguida, concluiu: “Se necessário, a gente vai ficar pra sábado, mas tem que votar. O Brasil vai saber claramente quem é quem. Aqui as vísceras ficam abertas a todos os brasileiros”.

Alarmante: Índia registra explosão de agressões contra cristãos

As agressões contra a população cristã na Índia registraram crescimento explosivo em 2025, totalizando 747 incidentes de violência, intimidação e discriminação ao longo do ano, segundo levantamento divulgado pela Comissão de Liberdade Religiosa da Aliança Evangélica da Índia (EFIRLC).

O número representa uma elevação significativa em relação aos 640 casos documentados em 2024 e contrasta com os 147 registros de 2014, evidenciando uma trajetória ascendente ao longo da última década contra a minoria cristã, que representa cerca de 2,3% da população indiana.

A Comissão recebeu mais de 915 denúncias no período; os 747 casos incluídos no relatório passaram por um processo criterioso de verificação, exigindo confirmação de pelo menos duas fontes independentes, como vítimas, familiares, líderes religiosos locais ou autoridades policiais.

O reverendo Vijayesh Lal, secretário-geral da Aliança Evangélica da Índia, afirmou que os dados divulgados na terça‑feira (24 de março) revelam padrões que demandam atenção. “No cerne desta questão está a necessidade de garantir que as garantias constitucionais de liberdade de consciência e igualdade perante a lei sejam respeitadas para todos os cidadãos”, declarou.

O documento, intitulado “Ódio e Violência Direcionada Contra Cristãos na Índia: Relatório Anual 2025”, foi elaborado com base em uma rede nacional de coordenadores de campo, assessores jurídicos, organizações parceiras e relatos diretos de vítimas e líderes religiosos.

Padrões de perseguição

Ameaças e assédio foram as formas mais comuns de hostilidade, somando 204 ocorrências — a maior categoria registrada. Houve 112 casos de violência física e 110 interrupções de cultos ou reuniões de oração.

A pressão legal também se destacou como ferramenta de perseguição: 86 prisões e 98 casos envolvendo acusações falsas ou denúncias criminais, a maioria relacionada a supostas conversões religiosas ilegais.

A Comissão ainda contabilizou 42 boicotes sociais, 27 campanhas de ódio organizadas, 24 casos de vandalismo, oito de violência de gênero, sete igrejas incendiadas e um homicídio.

Dezembro concentrou o maior número de incidentes (85), coincidindo com o período do Advento e do Natal, quando as celebrações públicas cristãs se intensificam. Março registrou 78 casos e outubro, 73. O segundo semestre também apresentou números elevados, com destaque para junho (68), setembro (67) e julho (66).

“A concentração de incidentes durante períodos de maior visibilidade religiosa sugere que as comunidades cristãs podem enfrentar maior vulnerabilidade a perturbações, intimidações e hostilidade direcionada, precisamente quando estão mais ativas publicamente em sua fé”, observa o relatório.

Concentração geográfica

Uttar Pradesh liderou os estados com 217 ocorrências, correspondendo a quase um terço do total nacional. Chhattisgarh apareceu em seguida com 177 casos. Juntos, os dois estados responderam por praticamente metade dos incidentes verificados.

Rajasthan (51), Madhya Pradesh (47), Haryana (38), Karnataka (31), Jharkhand (30), Bihar (25), Punjab (20), Maharashtra (20) e Odisha (19) também registraram números expressivos, com ocorrências menores em outras regiões.

A Comissão destacou que os dados refletem uma hostilidade disseminada em diversos contextos locais, não se tratando de um fenômeno restrito a uma única região.

Leis anticonversão

A legislação anticonversão — oficialmente denominada leis de Liberdade Religiosa — continuou a operar como um fator relevante de perseguição. Em Uttar Pradesh, grupos locais recorreram repetidamente à Lei de Proibição de Conversão Religiosa Ilegal do estado contra pastores e cristãos que realizavam cultos rotineiros.

Denúncias por suposto aliciamento ou coerção eram apresentadas contra reuniões de oração em residências particulares, frequentemente sem qualquer investigação prévia, e a polícia procedia a detenções ou interrogatórios.

O relatório documenta, por exemplo, a prisão do pastor Wazir Singh em Nohar (Rajasthan), após extremistas hindus invadirem um culto em 28 de setembro e agredirem os fiéis. A multidão exigiu que o pastor abandonasse o cristianismo; diante da recusa, ele foi detido e outros quatro cristãos foram indiciados.

A Assembleia Legislativa de Rajasthan aprovou em 2025 o Projeto de Lei de Proibição da Conversão Ilegal de Religião, ampliando o conjunto de estados com esse tipo de legislação. Pouco depois, cerca de 50 integrantes do grupo nacionalista hindu Bajrang Dal cercaram o Instituto Bíblico Hindustan em Jaipur, resultando na detenção de dois funcionários e na apreensão de seus pertences.

Casos de violência

O ano começou com violência em Bastar. Kunika Kashyap, cristã de 25 anos e grávida de seis semanas, foi espancada pelo chefe da aldeia de Bade Bodal e seus familiares em 2 de janeiro. Levada ao hospital, sofreu um aborto espontâneo no mesmo dia. Em 9 de março, em Raipur, uma multidão de 70 a 100 pessoas atacou um culto da Igreja de Deus, cortando a energia, agredindo os fiéis e danificando veículos.

No domingo de Páscoa, duas congregações em Gujarat foram alvo de violência: uma em Ahmedabad e outra em Surat, onde pastores foram agredidos com paus. Em abril, no distrito de Sukma (Chhattisgarh), cerca de 45 cristãos foram expulsos de suas casas, acusados de abandonar a religião tribal tradicional.

Em junho, fiéis da Peniel Prayer Fellowship em Dhamtari (Chhattisgarh) foram atacados durante um culto; Bíblias e publicações foram queimadas, e o pastor Mannohan Sahu ficou inconsciente. Em julho, cinco pastores teriam sido agredidos sob custódia após prisões sob acusação de conversão forçada.

Dias depois, em Durg Junction, duas freiras católicas foram detidas pela polícia ferroviária após serem acusadas pelo Bajrang Dal de tráfico de pessoas e conversão forçada; ambas foram encaminhadas à prisão preventiva.

Em novembro, na vila de Titoli (Haryana), uma multidão atacou dois casais cristãos que visitavam uma casa para orar, acusando-os de conversão forçada. Foram espancados por horas, obrigados a queimar Bíblias e mantidos dentro de um veículo até a intervenção policial.

Caso de sepultamento gera polêmica

Nas últimas semanas do ano, um caso envolvendo sepultamento ganhou destaque. Chamru Ram Salam, morador tribal da aldeia de Bedetevda (Chhattisgarh), que não era cristão, foi sepultado segundo costumes tribais. Como alguns de seus filhos são cristãos, moradores e grupos nacionalistas hindus protestaram, alegando desrespeito a uma divindade local.

Multidões atacaram a família e cerca de 150 visitantes, incendiaram a casa da família e três igrejas próximas. Em 18 de dezembro, autoridades determinaram a exumação do corpo e sua transferência para um cemitério cristão a cerca de 40 quilômetros de distância, contrariando a vontade da família, que recorreu à Justiça.

Casos semelhantes ocorreram ao longo do ano. Em janeiro, o pastor Subhash Baghel, de Chhindwada (Bastar), teve seu corpo mantido em necrotério por quase três semanas após oposição dos moradores ao sepultamento em cemitério local. A Suprema Corte determinou que o sepultamento fosse realizado em um cemitério cristão distante e orientou o estado a demarcar locais de sepultamento para cristãos na região.

Apelos à ação

A EFIRLC destacou que os 747 casos verificados representam apenas uma parcela das violações efetivamente ocorridas, uma vez que muitas não são denunciadas por medo de represálias, pressão social ou falta de recursos legais acessíveis, especialmente em áreas rurais.

A Comissão fez um apelo ao governo federal e aos governos estaduais para que reafirmem publicamente as garantias constitucionais à liberdade religiosa, responsabilizem os autores de violência coletiva, coíbam o uso indevido das leis anticonversão e assegurem às vítimas apoio e reparação legal.

O relatório também sugeriu que o governo central oriente os estados com leis anticonversão a reverem possíveis emendas que evitem o uso abusivo contra minorias.

“Por trás de cada número neste relatório, há uma pessoa cujo direito à liberdade de culto, garantido pela Constituição deste país, foi violado”, afirmou Lal ao Morning Star News.

“O que nos preocupa profundamente não é apenas a dimensão do que estamos documentando, mas o efeito intimidatório que isso produz nas comunidades, onde os fiéis agora hesitam em se reunir para orar ou enterrar seus mortos sem medo. Não estamos pedindo privilégios. Estamos pedindo igualdade perante a lei e instamos o governo em todos os níveis a garantir que todos os indianos, independentemente da fé, possam viver e praticar sua religião sem intimidação.”

A Aliança Evangélica da Índia, fundada em 1951, é a aliança nacional de cristãos evangélicos no país, congregando mais de 50 denominações protestantes, cerca de 65 mil igrejas e mais de 200 agências missionárias. A organização publica relatórios anuais de incidentes desde 2009 e documenta violações à liberdade religiosa desde 1998.

Defensores dos direitos religiosos apontam que o tom hostil do governo da Aliança Democrática Nacional, liderado pelo partido nacionalista hindu Bharatiya Janata Party, tem encorajado extremistas hindus a atacar cristãos desde que o primeiro-ministro Narendra Modi assumiu o poder em maio de 2014.

A Índia ocupou a 12ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026 da organização Portas Abertas, subindo da 31ª colocação em 2013, antes da chegada de Modi ao governo. Com: Christian Daily.

Iraniana prevê “despertar espiritual” no Irã, após queda do regime

Conhecedora da dura repressão imposta pelo regime islâmico aos cristãos no Irã, a iraniana Rostampour Keller viveu na pele a perseguição por sua fé. Convertida aos 17 anos ao receber um livreto evangelístico de uma igreja pentecostal perto de sua casa, ela descreve a experiência como um encontro transformador.

“Foi a primeira vez na minha vida que ouvi que Jesus é o Filho de Deus. Ouvi que Ele foi à cruz pelos meus pecados. Mas nenhuma das palavras soou estranha para mim. Por isso, quando cheguei à última página do livreto, eu estava chorando. Fiquei no meu quarto por três horas. Fiquei impressionada com a presença de Deus e seu amor”, relatou Rostampour, em entrevista divulgada no canal da World Prayer Network no YouTube.

Após sua conversão, ela buscou capacitação teológica e ministerial em uma instituição cristã na Turquia. De volta ao Irã, passou a liderar, ao lado da amiga Marziyeh Amirizadeh, duas igrejas domésticas e a atuar como evangelista. Em 2009, ambas foram presas por agentes do regime sob as acusações de apostasia, blasfêmia e promoção do cristianismo. Condenadas à morte, conseguiram fugir e obtiveram asilo nos Estados Unidos.

Hoje, diante dos recentes ataques de Israel e dos EUA contra o regime iraniano, Rostampour Keller acredita que o país está à beira de uma mudança histórica. Para a iraniana, a queda do extremismo abrirá caminho para um grande despertar espiritual não apenas no Irã, mas em todo o Oriente Médio.

“Depois que o regime cair, precisamos de muitos cristãos prontos e preparados para ir ao Irã e compartilhar Jesus com as pessoas”, destacou. “Por isso acho que nossa responsabilidade, como Corpo de Cristo, de estar com eles em oração é fundamental atualmente.”

A ex‑líder das igrejas domésticas, segundo a CBN News, ressalta que, paralelamente ao conflito armado, há uma batalha espiritual em curso. Ela conta que mantém contato com cristãos dentro do Irã e ouve relatos de frustração, depressão e sensação de abandono por parte da Igreja global.

“Os crentes estão frustrados, deprimidos, isolados e abandonados pela Igreja Global – ou pelo menos é o que eles sentem”, comentou. Keller conclama os cristãos ao redor do mundo a se unirem em oração: “Sinto um peso no meu coração ao incentivar as pessoas a se unirem ao Irã, não apenas aos cristãos, mas a todas as pessoas que estão lutando essa batalha espiritual. Os cristãos precisam elevar esta nação a Deus para a intervenção.”

“Biblioquímica”: veja como a Bíblia previu descobertas científicas

Você sabia que orientações registradas na Bíblia há milhares de anos abordavam conceitos como restrições alimentares, prevenção de contaminações, cuidados sanitários e os riscos do consumo de álcool — temas que a ciência moderna apenas séculos mais tarde viria a confirmar? Esse foi o ponto de partida de uma edição do Comunhão Entrevista, que recebeu o professor e pesquisador Dr. Thiago de Melo Costa Pereira, autor do livro “Biblioquímica”.

Ao longo da conversa, o acadêmico apresentou a tese central de sua obra: demonstrar como preceitos descritos nas Escrituras, especialmente aqueles relacionados à saúde e ao cotidiano, encontram respaldo em evidências das ciências biomédicas, apesar de terem sido registrados em um contexto histórico muito anterior ao desenvolvimento dessas disciplinas.

A entrevista abordou temas que frequentemente geram curiosidade e até controvérsia, como higiene, alimentação e práticas culturais mencionadas na Bíblia. A discussão evidenciou que orientações contidas em livros como Levítico e Êxodo, tradicionalmente interpretadas sob uma ótica exclusivamente religiosa, também podem ser compreendidas como medidas de proteção sanitária adaptadas às realidades da antiguidade, antecipando conceitos que só séculos depois seriam sistematizados pela medicina.

Entre os pontos destacados pelo autor de Biblioquímica, estiveram as leis de higiene, que incluíam a lavagem das mãos, o isolamento de pessoas doentes e os cuidados com corpos de falecidos. Segundo o pesquisador, tais práticas funcionavam como verdadeiros mecanismos de saúde pública em um período desprovido de infraestrutura médica.

“A gente se surpreende com ideias que a Bíblia coloca, mas sem contar os detalhes do processo microscópico que a gente só revela hoje, ela não estava longe dos princípios básicos da higiene e da saúde. A Bíblia é cheia de evidências das ciências biomédicas”, afirmou.

A conversa também explorou as recomendações alimentares presentes no Pentateuco, incluindo a proibição do consumo de certos animais e os possíveis riscos associados a alergias, infecções e doenças.

Nesse contexto, o autor de Biblioquímica explicou que tais diretrizes tinham caráter preventivo, especialmente para populações sem acesso a recursos médicos. “Era poupar a população naquela época de que não valeria a pena consumir determinados animais”, comentou, ao analisar as restrições descritas nos textos bíblicos.

O consumo de bebidas alcoólicas, tema recorrente em debates religiosos, também foi abordado. O professor trouxe uma análise que dialoga tanto com evidências científicas atuais quanto com a interpretação dos textos bíblicos, especialmente no que diz respeito ao vinho mencionado nas Escrituras.

Ao final, o autor reforçou a proposta do livro Biblioquímica como uma ponte entre dois universos frequentemente vistos como opostos. “Quando a gente não conhece muito bem as coisas, obedeça. Esse é o principal”, concluiu, sintetizando a ideia de que a Bíblia, além de seu caráter espiritual, oferece diretrizes práticas voltadas à preservação da vida e ao bem-estar.

Estudo: maconha na adolescência dobra risco de transtornos

Pesquisadores de universidades da Califórnia e de instituições médicas divulgaram um estudo na revista JAMA Health Forum sobre o uso de maconha (cannabis) na adolescência. Os dados indicam que o consumo da substância no último ano dessa fase está associado ao dobro do risco de desenvolvimento de transtornos psicóticos e bipolares.

Segundo o estudo, o uso também aumentou a probabilidade de sintomas de depressão e ansiedade. Os jovens que relataram consumo receberam diagnósticos psiquiátricos, em média, entre 1,7 e 2,3 anos depois.

A pesquisa acompanhou mais de 460 mil adolescentes, com idades entre 13 e 17 anos, até os 26 anos. Os pesquisadores também analisaram registros de consultas pediátricas realizadas entre 2016 e 2023.

O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia, do Kaiser Permanente e do Instituto de Saúde Pública de Oakland. O desenho longitudinal do estudo apontou a exposição à cannabis como fator de risco para doenças mentais, considerando triagens realizadas em consultas de rotina, e não apenas casos de uso intenso.

A coautora Lynn Silver afirmou: “À medida que a Cannabis se torna mais potente e é comercializada de forma mais agressiva, este estudo mostra que seu uso em adolescentes está associado a um risco duas vezes maior de transtornos psicóticos e bipolares, duas das condições de saúde mental mais graves”.

A autora principal Kelly Young-Wolff declarou: “Mesmo ao levar em consideração condições de saúde mental preexistentes e uso de outras substâncias, os adolescentes que relataram o uso de cannabis apresentaram um risco substancialmente maior de desenvolver transtornos psiquiátricos”.

Nos Estados Unidos, a cannabis é a substância ilícita mais utilizada por adolescentes, segundo o estudo Monitoring the Future, que indica aumento do consumo de 8% na 8ª série para 26% na 12ª série, conforme informado pela revista Oeste.

No Brasil, dados do Terceiro Levantamento Nacional de Álcool e Drogas apontam que a maconha também é a droga ilegal mais consumida. O levantamento indica que o percentual de brasileiros que relataram uso subiu de 2,8% para 6% em 2025 na comparação entre edições do estudo.