Pastores discutem eventual candidatura de Malafaia à presidência

Nos últimos dias, o pastor Silas Malafaia tem ocupado as manchetes desde que o ministro Alexandre de Moraes determinou a apreensão de seu celular, passaporte e caderno de mensagens pela Polícia Federal devido às sua relação de proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sua família.

No X, pastores discutiram o cenário de uma eventual candidatura do líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC) à presidência da República, caso a inelegibilidade de Bolsonaro seja confirmada em 2026 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que será presidido por Kássio Nunes Marques e uma formação diferente da que atuou em 2022.

O pastor Pedro Pamplona, da Igreja Batista Filadélfia em Fortaleza (CE), compartilhou uma reflexão sobre o cenário hipotético: “Hoje eu fiquei imaginando um ‘what if’ por um bom tempo… e se o Malafaia for candidato a presidente?”, questionou, fazendo uma repercussão de todas as circunstâncias em que o nome do pastor da ADVEC ocupou as manchetes nos últimos dias.

Para Pamplona, o cenário evangélico seria chacoalhado: “Conseguem imaginar como uma campanha dessa aconteceria nas igrejas? Os debates entre pastores? Quais marcas essa campanha deixaria no movimento evangélico? Complexo demais…”, afirmou, denotando temor pelas consequências resultantes dos embates políticos.

O pastor Antônio Neto, professor da Escola Charles Spurgeon, comentou a publicação de Pamplona indicando que a maior preocupação viria dos adversários: “A mesma coisa que ocorreu com a eleição passada. Igreja ruim fazendo coisas de igrejas ruins. Bons pastores apoiando ele porque veem nele uma resistência. Os esquerdinhas de armário falando de idolatria para disfarçar o armário. E os verdadeiros esquerdistas cagando nas calças de medo”, resumiu.

A referência à idolatria remete à crítica que parte dos evangélicos fizeram à maioria que apoiou a candidatura à reeleição de Jair Bolsonaro (PL) em 2022, sem repetir com o mesmo peso a militância de outros setores a favor de Lula (PT), que foi condenado em processos do Petrolão, mas posteriormente teve suas condenações anuladas por questões técnicas associadas ao estado de origem do processo.

Pastores discutem eventual candidatura de Malafaia à presidência: ‘Resistência’
Captura de tela das publicações no X

Lagoinha: evento para formar líderes reúne milhares de pastores

Lagoinha Global Conference, realizada em Barueri (SP), reuniu milhares de líderes e pastores vindos de diversas regiões do Brasil e do exterior. O evento, conduzido pelo pastor André Valadão, já é considerado um dos maiores encontros de liderança cristã do país e, nesta edição, registrou números recordes de público e alcance.

A programação contou com momentos de adoração, ministrações e palestras voltadas à capacitação ministerial e ao fortalecimento da visão de liderança. Foram abordados temas como os desafios da Igreja diante das transformações sociais, a importância do discipulado e a necessidade de preparar líderes saudáveis para impactar as próximas gerações.

Além de André Valadão, outros pastores e convidados compartilharam mensagens que reforçaram a relevância da unidade do Corpo de Cristo e a missão da Igreja em atuar como luz em meio a um cenário considerado desafiador. O encontro incluiu apresentações musicais, experiências de oração coletiva e momentos de comunhão entre os participantes.

Em declaração, André Valadão afirmou: “Este é um tempo de fortalecer nossa fé e preparar a liderança cristã para novos desafios. A Igreja precisa estar pronta para servir com excelência e amor em todas as áreas”.

De acordo com os organizadores, a conferência realizada em Alphaville representa não apenas a expansão da Lagoinha Church em território nacional, mas também a projeção de sua influência internacional.

A expectativa é que os resultados do encontro se reflitam nos próximos meses em igrejas locais, ministérios e comunidades de fé espalhadas pelo Brasil e pelo mundo, de acordo com o Pleno News.

Malafaia rejeita críticas a seu vocabulário: ‘Vai cuidar da sua vida’

No culto da última quinta-feira, 21 de agosto, realizado na sede da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), no Rio de Janeiro, o pastor presidente Silas Malafaia voltou a se pronunciar após ser alvo de operação da Polícia Federal. Ele utilizou parte da mensagem para criticar medidas judiciais e defender sua atuação pública.

Malafaia ironizou os comentários feitos sobre áudios de sua conversa com o ex-presidente Jair Bolsonaro, nos quais utilizou palavras de xingamento: “Vai cuidar da sua vida! […] O que o vazamento trouxe? A minha integridade e honestidade de falar o que eu penso. Artigo 5, inciso 10. É inviolável o sigilo das pessoas”, afirmou.

O pastor também contestou a decisão judicial que determinou a apreensão de seu passaporte. “Covardia da perseguição e da maldade. Apreendem meu passaporte, eu estou sendo investigado, eu não estou indiciado. Como é que prendem um passaporte de um líder religioso respeitado?”, questionou diante dos fiéis.

Cadernos de pregação

Durante o culto, Malafaia relatou que cadernos pessoais de pregação foram recolhidos pela Polícia Federal. “O ministro, já digitalizou os cadernos? Me devolve. Será que pode ter alguma questão teológica que eu queira dar um golpe? Talvez sirva para alguém da PF aceitar a Cristo”, declarou.

O líder evangélico rejeitou qualquer ligação com processos que investigam Jair e Eduardo Bolsonaro. “Mas ele [Moraes] escolheu o cara errado. Eu não tenho medo de ser preso, não tenho medo de nada disso. Com todos os meus defeitos e limitações, eu sou um ungido de Deus. Ele escolheu o cara errado para tocar. Em nome de Jesus, esse homem vai ser julgado pelas leis do país e pelas leis de Deus e ele vai cair”, disse, em referência ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Ao final, Malafaia expressou receio de que, segundo ele, a perseguição política que afirma estar sofrendo se converta em perseguição religiosa: “Como acontece em outros países”, alertou, de acordo com o Pleno News.

Vice-diretor de escola viraliza ao orar por alunos e funcionários

Trell Allen, vice-diretor de uma escola pública na Carolina do Norte, ganhou destaque nas redes sociais após imagens de vigilância mostrarem o educador percorrendo os corredores do estabelecimento de ensino antes do primeiro dia de aulas, orando individualmente por cada sala, aluno e membro da equipe.

Nas gravações, Allen aparece com as mãos estendidas alongados corredores vazios, realizando orações pelas crianças e funcionários antes do início do ano letivo 2024-2025, que tradicionalmente começa em agosto ou setembro no sistema educacional norte-americano.

Em suas redes sociais, o vice-diretor detalhou o conteúdo de suas orações: “Antes que os alunos e funcionários retornem, eu oro pela minha escola. Eu oro por segurança e proteção. Eu oro por boa saúde — mental, emocional e física — para cada aluno e funcionário”.

Allen acrescentou: “Eu oro pelas crianças cuja principal refeição vem da escola. Que o tempo de escassez delas acabe e a abundância seja a sua porção. Eu oro contra atitudes e problemas disciplinares”.

A iniciativa recebeu amplo apoio nas plataformas digitais. Uma página cristã no Instagram comentou: “Essa é a liderança que nossos filhos precisam”. Diversos pais manifestaram admiração pela postura de Allen, com uma mãe afirmando: “Este é o tipo de escola que eu quero para o meu filho! Essa é a melhor maneira de ser líder e dar cobertura para aqueles de quem cuida”.

Um usuário não cristão também manifestou apoio: “Não sou cristão, mas aprovo isso. Mostra que ele realmente se importa e quer o melhor para os seus alunos”.

Contexto Pessoal

Trell Allen, que também atua como ministro de louvor, possui um testemunho pessoal relacionado ao poder da oração. Em 2021, ele e sua esposa, Ryann Williams Allen, perderam um filho nascido prematuramente após 22 semanas de gestação. “Foi a coisa mais difícil que já tivemos de passar”, relatou a esposa em suas redes sociais.

Um ano após a perda, o casal testemunhou uma nova gravidez bem-sucedida. “Aqui estamos nós, um ano e alguns meses depois, aguardando a chegada da nossa linda menina em agosto. Deus é incrível e fiel”, declarou Ryann Allen.

Contexto Nacional

A iniciativa de Allen coincide com um movimento broader de valorização da oração em ambientes educacionais nos Estados Unidos. Recentemente, durante evento evangelístico em Chicago, o cantor e missionário Sean Feucht, líder do movimento “Let us Worship”, realizou orações por estudantes que retornam às aulas.

“Que este seja um ano letivo de avivamento e cheio da presença de Deus”, declarou Feucht, que anunciou planos de estender a iniciativa para milhões de pais em todo o país através de eventos de oração focados na proteção e unção espiritual das crianças no ambiente escolar. Com: Guiame.

Familiares muçulmanos mantém mãe e filha bebê em cativeiro

Fatuma Hassan, 28 anos, permanece confinada em um quarto sob custódia de familiares muçulmanos desde 6 de agosto, juntamente com a sua filha bebê, na cidade de Afgooye, região de Lower Shebelle, na Somália.

A situação foi confirmada através de comunicação telefônica com seu marido, cuja identidade não foi divulgada por motivos de segurança.

Em declaração ao Morning Star News, Hassan relatou que sua filha de um ano apresenta significativa perda de peso devido à restrição alimentar imposta pelos captores.

“Minha filha é indesejada na família, que diz: ‘Jogue fora essa filha bastarda nascida de um infiel – queremos você de volta, mas não a criança que não merece o direito de viver’”, afirmou a mulher.

Hassan, que pertence a uma família real local de muçulmanos, converteu-se ao cristianismo e posteriormente casou-se com um homem cristão. Desde que sua conversão foi descoberta, enfrenta condições de confinamento e agressões físicas.

“Minha família e parentes juraram que não me deixarão ver o sol até que eu abandone minha fé cristã e retorne ao islamismo”, declarou.

Perseguição Religiosa

A Somália ocupa a 2ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2025 da Portas Abertas, organização que monitora hostilidade contra cristãos em 50 países. A constituição somali estabelece o islamismo como religião oficial, proíbe a propagação de outras crenças e exige que todas as leis estejam em conformidade com a sharia (lei islâmica).

De acordo com relatórios do Departamento de Estado dos EUA, não há exceções legais para não muçulmanos. Principais correntes da jurisprudência islâmica na região consideram a apostasia crime punível com morte, posição rigorosamente aplicada pelo grupo extremista Al Shabaab, aliado da Al-Qaeda.

Fuga e Recaptura

Hassan havia escapado do cativeiro criado pelos familiares muçulmanos em março de 2024, refugiando-se na cidade de Balad, região de Middle Shabelle. Lá, conheceu e casou-se com seu atual marido, mantendo-se escondida por mais de um ano.

Em 30 de julho, durante visita a um mercado local, sua localização foi identificada por um parente. Em 6 de agosto, seis familiares invadiram sua residência por volta das 18h. Segundo relato do marido à mesma fonte, Hassan foi agredida fisicamente com tapas e golpes de pau enquanto gritava “cristão”. O marido conseguiu escapar pela janela traseira.

Apelo

A mulher segue confinada em condições insalubres e sob constante pressão psicológica. “Estou orando pela intervenção de Deus para escapar e me reunir com meu marido novamente. Preciso ainda mais das orações dos cristãos”, apelou Hassan.

Organizações de direitos humanos e liberdade religiosa têm sido alertadas sobre o caso, que ilustra os riscos enfrentados por convertidos ao cristianismo em territórios sob rigorosa aplicação de leis religiosas restritivas.

Teólogo evangélico analisa 100 primeiros dias do papa Leão XIV

O teólogo e arcebispo Thomas Paul Schirrmacher analisou os 100 primeiros dias do novo papa da Igreja Católica, Leão XIV. Segundo ele, o resultado surpreendeu muitos observadores, já que o eleito, um cardeal americano, “não era um dos grandes influenciadores da Cúria” e era pouco conhecido mesmo entre os mais informados.

Schirrmacher destacou que o novo papa é “bem-educado e relativamente jovem”, o que pode garantir-lhe um pontificado de duas décadas. Ele recordou ainda palavras do papa Francisco, pouco antes de sua morte, de que “um personagem completamente diferente deveria agora seguir para dar continuidade ao que Francisco havia conquistado”.

Entre Bento XVI e Francisco

Na avaliação publicada no Christian Daily, Schirrmacher afirma que Leão XIV adota um estilo de liderança que se situa “entre Bento XVI e Francisco”. Ele observou que o pontífice “não se separa de seus guarda-costas como Francisco” e ao mesmo tempo “se movimenta com muito mais liberdade e sem proteção do que Bento XVI jamais fez”. Também em relação à produção de textos, o novo papa recorre à equipe de assessores, diferentemente de Francisco, que “gostava de redigir suas próprias declarações sociopolíticas e não se entusiasmava com a ideia de que fossem editadas”.

Perfil político

O papa americano é percebido como “politicamente de esquerda”, afirmou Schirrmacher, ressaltando que isso se evidencia inclusive na escolha do nome. Ele lembrou que, em janeiro de 2025, Francisco nomeou Robert W. McElroy, crítico de Donald Trump, como arcebispo de Washington. Segundo Schirrmacher, a eleição de Leão XIV também reflete a composição do Colégio Cardinalício: “57,8% dos cardeais com direito a voto vêm do Sul Global”, observando que, no total, “109 cardeais, ou 80,7% do total, foram nomeados por Francisco”.

A disputa com Pietro Parolin

Entre os concorrentes, o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, figurava como favorito. “Segundo alguns relatos — a divulgação de tais informações é oficialmente proibida —, o Cardeal Parolin recebeu 59 votos no primeiro escrutínio, enquanto o Cardeal Prévost recebeu 49”, escreveu Schirrmacher. Parolin teria desistido, o que abriu caminho para a vitória de Leão XIV, que superou os 100 votos no quarto escrutínio.

Formação e experiência

Schirrmacher ressaltou a sólida formação do novo pontífice: “Estudou primeiro matemática e filosofia (1973-1977), depois teologia (1978-1982) e, por fim, direito canônico (doutorado em 1987). Nenhum papa na história teve uma formação tão ampla”. Ele acrescentou que o papa acumula “experiência de liderança mais ampla do que qualquer outro papa antes dele”, com passagens pelo Peru, Roma e Cúria Romana.

Estilo pastoral

Embora menos carismático que Francisco ou João Paulo II, Schirrmacher disse que Leão XIV “costuma dedicar mais tempo a conversas individuais do que Francisco”. Ele relatou uma cena em que o papa chamou cada casal recém-casado individualmente para abençoar, em vez de proceder coletivamente, o que prolongou a audiência.

Sobre o diálogo com evangélicos e protestantes, o autor declarou: “Nada se sabe sobre as opiniões do novo papa sobre o ecumenismo. Ele pode nos surpreender, mas, no momento atual, lhe falta experiência ecumênica”. Schirrmacher afirmou que a prioridade de Leão XIV parece estar em “fortalecer as relações com a Igreja Ortodoxa e outras igrejas antigas, em vez de com as igrejas protestantes tradicionais ou evangélicas”.

O autor também destacou o apelo crescente da Igreja Católica entre os jovens, mencionando que em Roma é frequente encontrar grupos evangélicos atraídos pela vida católica. “A Igreja Católica também está superando os evangélicos no contexto da fé digital, com uma série de jovens influenciadores católicos romanos em todos os países”, observou.

Perspectivas

Schirrmacher concluiu que a eleição de Leão XIV reúne em um só perfil os aspectos contrastantes da Igreja. “Deixando de lado as questões da verdade e simplesmente perguntando se o novo papa conseguirá manter unida a maior comunidade e organização religiosa do mundo, que alguns diriam estar se distanciando, é preciso concluir que, se alguém consegue, é Leão”.

O autor, arcebispo e professor Thomas Paul Schirrmacher, é presidente do Conselho Internacional da Sociedade Internacional de Direitos Humanos em Frankfurt e do Instituto Internacional para a Liberdade Religiosa. Atuou como secretário-geral da Aliança Evangélica Mundial de 2021 a 2024 e acompanha de perto as relações entre católicos e evangélicos em nível global.

Em meio à perseguição, surdos cristãos realizam batismo secreto

A organização Portas Abertas do Reino Unido relatou nesta quarta-feira (20) que sete cristãos surdos – quatro mulheres e três homens – foram batizados em uma cerimônia secreta realizada na Ásia Central.

O batismo ocorreu após os convertidos terem estudado a perseverança dos primeiros discípulos de Jesus Cristo em meio à perseguição religiosa.

De acordo com a missão, o grupo foi inspirado pelo exemplo histórico de discípulos que mantiveram sua fé sob adversidade extrema. “O grupo ficou surpreendido. Isso foi um exemplo a seguir enquanto enfrentam as suas próprias dificuldades”, informou a Portas Abertas através de sua conta no Instagram.

A cerimônia foi realizada de forma clandestina utilizando uma piscina inflável, já que a igreja local não possui registro governamental. Na região, atividades religiosas não autorizadas, incluindo batismos, são proibidas pelas autoridades.

Contexto:

A Ásia Central, composta por países como Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão, é predominantemente muçulmana e herda estruturas legais restritivas da era soviética. Convertidos do islamismo ao cristianismo enfrentam oposição sistemática, incluindo pressão familiar, violência comunitária e perseguição estatal.

A situação é particularmente difícil para pessoas com deficiência auditiva na região, que já enfrentam discriminação, altos índices de analfabetismo e exclusão do mercado de trabalho. Segundo crenças locais, a surdez é frequentemente interpretada como uma maldição.

Cristãos de origem muçulmana constituem o grupo mais vulnerável, sofrendo perseguição tanto de autoridades estatais quanto de suas próprias comunidades. Práticas comuns incluem vigilância policial, multas, agressões físicas, confinamento domiciliar forçado e expulsão comunal.

A Portas Abertas solicitou orações pelos sete novos batizados, observando que “eles começaram suas caminhadas com Jesus num lugar onde podem encontrar desafios tanto para a sua deficiência como para a sua fé”.

A organização ainda destacou que nenhuma atividade religiosa fora de instituições controladas pelo governo é permitida na região, e que cristãos protestantes são frequentemente classificados como “seguidores de uma seita estrangeira”.

Cristãos: 60% dos homens e 30% das mulheres veem pornografia

Sam Black, especialista em recuperação do vício em pornografia e diretor da Life Change Education for Covenant Eyes, afirmou que o consumo de conteúdo pornográfico está minando silenciosamente a saúde espiritual de congregações em todo o mundo.

Black, ele próprio liberto do vício em pornografia, dedica-se atualmente a capacitar famílias e líderes religiosos a enfrentarem o problema.

De acordo com o especialista, o primeiro passo para combater o que classificou como “epidemia da pornografia” é romper o silêncio sobre o tema nas comunidades religiosas.

Pesquisas citadas por Black indicam que mais de 60% dos homens cristãos e 30% das mulheres cristãs que frequentam igrejas relatam lutar contra a pornografia. Apesar desses números, apenas 7% das igrejas oferecem recursos ou acompanhamento específico para o problema.

Entre o público jovem, os índices são igualmente significativos: aproximadamente 36% dos homens jovens consomem pornografia diariamente, enquanto 73% das mulheres entre 18 e 35 anos relataram ter visto conteúdo pornográfico nos últimos seis meses, com mais de 25% tendo consumido na semana anterior à pesquisa.

“A pornografia não é o que costumava ser. É muito mais acessível, mais extremo e mais violento. E está remodelando a forma como as pessoas pensam sobre sexo, relacionamentos e até mesmo o valor de outro ser humano”, declarou Black em entrevista ao The Christian Post.

O especialista citou estudos que mostram que 52% dos adolescentes são expostos a conteúdos pornográficos violentos, envolvendo atos como asfixia, engasgo, tapas ou outras agressões.

Líderes religiosos também não estão imunes ao problema: pesquisas indicam que 21% dos pastores de jovens e 14% dos pastores admitem lutar contra a pornografia.

Black identificou três fatores principais que contribuem para o desenvolvimento do vício: exposição precoce na infância, uso repetido durante a adolescência e trauma emocional não resolvido – padrão que vivenciou pessoalmente, tendo sido exposto à pornografia aos 10 anos.

Uma pesquisa da Universidade de Oklahoma, mencionada pelo especialista, associa o uso de pornografia entre cristãos à diminuição de práticas espirituais como oração, leitura bíblica e serviço voluntário. “Quando a pornografia se torna parte de sua vida, ela corrói sua confiança no desígnio de Deus”, observou Black.

O especialista apontou que muitos pastores não receberam formação adequada em seminários para lidar com o vício em pornografia, além de frequentemente não manterem relacionamentos suficientemente próximos com os membros para que estes se sintam comfortable em compartilhar suas lutas.

Black enfatizou a importância de praticar Tiago 5:16 – “orem uns pelos outros para que sejam curados” – como abordagem fundamental para o problema.

Segundo ele, ignorar a questão da pornografia prejudica todos os ministérios eclesiásticos, enquanto enfrentá-la fortalece o Corpo de Cristo através do crescimento nas Escrituras, na oração e na disposição de servir.

Claudio Duarte defende Malafaia: “Precisamos nos posicionar”

O pastor Claudio Duarte se tornou mais um dos líderes evangélicos a sair em defesa do também pastor Silas Malafaia, após o mesmo ter sido alvo de um mandado de busca e apreensão autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Considerado uma das vozes evangélicas mais influentes do país, possuindo milhões de seguidores nas redes sociais, Duarte gravou um vídeo para dizer que apoia o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), diante do que ele considera abusos por parte do Supremo.

Na gravação (vídeo acima), Claudio Duarte afirmou que todos precisam “se posicionar” diante das arbitrariedades, explicando que toda a população se tornou um alvo em potencial do ativismo judicial, sendo Malafaia apenas um exemplo de poderio por parte dos que cometem injustiças.

Nota oficial

Na terça-feira, o Conselho de Ministros Evangélicos do Estado do Rio de Janeiro (Comerj), organização presidida por Claudio Duarte, já havia emitido uma nota oficial de repúdio à operação da PF contra Malafaia.

A entidade classificou a ação contra o pastor como “perseguição que ultrapassa o âmbito político e atinge também a esfera religiosa”. Leia a íntegra da nota publicada pela organização, abaixo:

Nota Pública de Repúdio

O Conselho de Ministros do Estado do Rio de Janeiro (COMERJ) repudia, com veemência, a inclusão imprópria e injusta do Pastor Silas Malafaia no inquérito que apura suposta obstrução de justiça, coação no curso do processo, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa, entre outros.

O Pastor Silas Malafaia é uma das maiores lideranças evangélicas do país, com reconhecimento internacional, sendo uma das principais vozes que representam o povo evangélico brasileiro. Não podemos aceitar tamanha perseguição, que ultrapassa o âmbito político e atinge também a esfera religiosa.

Apelamos aos ministros do STF, bem como a senadores e deputados, pois o Brasil está caminhando para algo perigoso e inaceitável. A liberdade de expressão e a liberdade religiosa são inegociáveis no Estado Democrático de Direito, como garante a nossa Constituição.

Orando por um país livre e justo.

Rio de Janeiro, 19 de agosto de 2025

Claudio Soares Duarte

Leandro da Silva

Gerson Costa Filho

Marcus Gregório do Nascimento

Tiago Esteves Coelho

Paulo Roberto de Oliveira Ramos

Aluísio Moreira da Silva Júnior

Oziel Galdino do Nascimento

Arnolfo Fernando Cardoso Pinheiro

Luiz Eduardo Campino Rodrigues

Maurilio Luiz dos Santos Zeferino

Eritreia rejeita pedido de libertação de líderes cristãos presos

A Embaixada do Estado da Eritreia, em Washington, recusou-se a receber uma carta que pedia a libertação de sete líderes cristãos detidos há mais de 20 anos sem acusações formais. A manifestação ocorreu em 21 de agosto, do lado de fora da sede diplomática, e foi organizada pela campanha Vozes pela Justiça da Religious Liberty Partnership, com apoio de entidades como 21 Wilberforce, Set My People Free, Christian Freedom International e Jubilee Campaign.

O protesto antecedeu o Dia Internacional em Memória das Vítimas de Atos de Violência, celebrado nesta sexta-feira, 22 de agosto. Grupos cristãos em diferentes países também realizaram vigílias, procissões e reuniões de oração para chamar a atenção da comunidade internacional sobre a situação. Segundo os organizadores, os sete detidos permanecem sob custódia no Centro de Investigação Criminal Wengel Mermera, uma prisão de segurança máxima classificada pela Comissão dos EUA para a Liberdade Religiosa Internacional como “atroz”.

Carta rejeitada pela embaixada

Após os discursos, Ella Elwin, representante da Christian Freedom International, tentou entregar à embaixada uma carta assinada por organizações e indivíduos em defesa dos líderes cristãos. O documento argumentava que as prisões violam a Constituição da Eritreia, de 1997, a Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos e o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos. A embaixada não aceitou o material. Lou Ann Sabatier, diretora de comunicações da 21 Wilberforce, informou que os grupos pretendem enviar a carta por outros meios.

Testemunhos de exilados

Dois membros da comunidade copta eritreia, residentes nos Estados Unidos, viajaram de Delaware para participar do ato. Entre eles, Araya Debessay, que vive há mais de 40 anos no país e disse ao The Christian Post ter se tornado “persona non grata” na Eritreia após assinar uma carta crítica ao governo em 2000. “Não há liberdade religiosa na Eritreia. Há muitos que estão sendo perseguidos por causa de suas crenças religiosas”, declarou.

Outro participante, Haile Tesfay, nos EUA há quase 20 anos, afirmou: “Não existe liberdade religiosa ou de crença na Eritreia. Tudo é controlado pelo governo, e há infiltração do governo em todas as instituições religiosas”.

Líderes cristãos detidos

Durante a manifestação, cartazes com a inscrição “Libertem os 7” exibiam fotos dos líderes presos. Wendy Wright, da Christian Freedom International, detalhou os casos:

  • Rev. Million Gebreselassie, pastor e anestesista, preso em junho de 2004.
  • Dr. Kuflu Gebremeskel, presidente da Aliança Evangélica Eritreia, detido em 2004, sofre de hipertensão e diabetes.
  • Rev. Gebremedhin Gebregiorgis, padre ortodoxo, preso em novembro de 2004 por ensinar em língua local.
  • Rev. Tekleab Menghisteab, padre ortodoxo, também preso em 2004, diagnosticado com hipertensão.
  • Rev. Kidane Weldou, da Igreja do Evangelho Pleno, preso em 2005, apresenta danos oculares agravados pela prisão.
  • Dr. Futsum Gebrenegus, padre ortodoxo, detido em 2004 por envolvimento em movimento de renovação da Igreja Ortodoxa.
  • Rev. Haile Naizge, ex-líder da Visão Mundial, preso em 2004 e afastado da família desde então.

Histórico de perseguição

Faith McDonnell, da organização Katatismos Global, lembrou que os protestos em frente à embaixada remontam a 2005 e destacou denúncias de maus-tratos em prisões do país. Ela mencionou o caso da cantora gospel Helen Berhane, que relatou ao então presidente Donald Trump, em 2019, ter passado 32 meses em um contêiner por não renegar sua fé.

De acordo com relatos apresentados no ato, prisioneiros cristãos enfrentam torturas físicas e psicológicas, incluindo práticas chamadas por sobreviventes de “Jesus Cristo”, em que a vítima é suspensa com os braços amarrados em posição semelhante à crucificação.

A Missão Portas Abertas classifica a Eritreia em sexto lugar na Lista Mundial de Perseguição atualizada para 2025. Já o Departamento de Estado dos Estados Unidos mantém o país africano na categoria de “País de Preocupação Particular”, por violações consideradas “sistemáticas, contínuas e flagrantes da liberdade religiosa”.