China: policiais invadem culto e terminam ouvindo a Palavra

Um culto realizado em uma igreja doméstica na China foi interrompido recentemente por agentes de diversos departamentos do governo local. A informação foi divulgada pela organização China Aid, que acompanha casos de perseguição religiosa no país. Apesar da intervenção, os cristãos presentes continuaram a pregar e cantar, aproveitando a situação como uma oportunidade de testemunho.

“Graças a Deus, o encontro atraiu agentes da comunidade, da delegacia de polícia, do departamento étnico e religioso e da segurança do Estado. Eles nos ouviram falar sobre Jesus e ainda pudemos louvar e adorar como sempre”, relatou um dos participantes à entidade China Aid.

Durante a ação das autoridades, os fiéis também compartilharam o Evangelho com um casal recém-casado que estava presente no culto. Após a reunião, membros da comunidade compartilharam reflexões e orações, destacando a presença de Deus mesmo diante de dificuldades. Um dos participantes observou que cristãos que abrem suas casas para cultos enfrentam riscos, mas são fortalecidos “pela graça e pela presença do Senhor”.

A comunidade orou pedindo que Deus os fortalecesse para continuar anunciando o Evangelho no país. Segundo os relatos, os cristãos interpretaram a interrupção como uma experiência significativa de fé, que exemplifica a propagação do Evangelho em contextos adversos e a resiliência dos crentes diante da perseguição.

Prisão pela fé

O evangelista Chen Wensheng, presente na ocasião, também compartilhou seu testemunho. Antes de sua conversão, ele foi dependente químico por mais de uma década. Conheceu a mensagem cristã em um centro de reabilitação e afirma que sua vida foi transformada a partir daquele momento.

Chen tem realizado pregações públicas nas ruas de Hengyang, província de Hunan. No entanto, sua atividade evangelística tem sido alvo de repressão. Segundo a China Aid, ele foi detido diversas vezes, e sua família também sofreu consequências por causa de sua atuação.

Em agosto de 2023, Chen foi condenado pelas autoridades de Hunan a um ano e sete meses de prisão sob a acusação de “organizar e financiar reuniões ilegais”. Ele foi libertado em 2 de abril deste ano e, desde então, voltou a pregar nas ruas, acompanhado de sua esposa.

Mesmo em liberdade, Chen continua sendo monitorado pelas autoridades locais e enfrenta obstáculos relacionados ao exercício de sua fé. Embora a Constituição chinesa reconheça o direito à liberdade religiosa, na prática, a evangelização pública segue sob fortes restrições.

O caso ilustra as limitações enfrentadas por cristãos na China, especialmente no que se refere à expressão pública da fé. Atividades como cultos domésticos ou pregações de rua permanecem sujeitas a sanções, reforçando o cenário de vigilância e controle sobre práticas religiosas no país.

É difícil, mas possível, diz Hernandes sobre casal se reconciliar

Apesar de poucos subirem ao altar esperando pelo fim do casamento, o divórcio é uma realidade enfrentada por muitas famílias cristãs no Brasil. As causas são variadas: de infidelidade até mágoas, distanciamento emocional e até situações de abuso. Diante desse cenário, uma pergunta se impõe: é possível se reconciliar após uma separação?

A hipótese pode parecer improvável, especialmente diante das marcas emocionais e espirituais que uma ruptura costuma deixar. Ainda assim, em certos contextos, líderes cristãos apontam que há espaço para arrependimento, perdão e até para a reconstrução do vínculo conjugal.

O pastor presbiteriano Hernandes Dias Lopes, conhecido por sua atuação na teologia reformada, afirma que há esperança, mesmo quando o relacionamento já foi rompido. Ele reconhece que o divórcio tem respaldo bíblico em casos específicos, como infidelidade (Mateus 19:9) ou abandono por parte do cônjuge não cristão (1 Coríntios 7:15), mas ressalta que há um caminho mais elevado.

“Nem todo casamento ferido precisa acabar. O perdão é melhor do que o divórcio”, declara. Para o pastor, a restauração de um casamento desfeito não é uma utopia, mas um processo possível, desde que baseado em confissão, arrependimento e reconstrução da confiança. “A reconciliação só pode acontecer quando há confissão de pecados, arrependimento sincero e disposição real de reconstruir a confiança e a intimidade”, explica.

Reconciliação não é romantização

Segundo Hernandes, reconciliar-se não significa ignorar os danos sofridos ou perpetuar padrões abusivos. Ele adverte: “A reconciliação não deve ser romantizada. Ela é possível, mas não é mágica. Exige arrependimento, mudança de atitude e ajuda do alto”.

A volta de casais divorciados não é comum, mas tampouco é inédita. Embora faltem estatísticas consolidadas sobre o tema no Brasil, o assunto aparece com frequência em atendimentos pastorais e sessões de aconselhamento cristão. São histórias marcadas pela dor, mas também por processos de transformação espiritual e emocional.

“A reconciliação começa com o desejo de restauração e se consolida com a prática de novos hábitos, com uma nova mentalidade e, acima de tudo, com um novo coração”, afirma o pastor.

Casos de traição, por exemplo, podem parecer definitivos. Ainda assim, segundo Hernandes, ele acompanhou testemunhos de pessoas que escolheram perdoar não por obrigação, mas por convicção. “O perdão não é uma emoção, é uma decisão. Não é o fim da dor, mas o começo da cura”, pontua.

A comunidade como apoio

O papel da igreja também é destacado como fundamental nesses processos. Hernandes defende que a comunidade cristã deve ser um espaço seguro para quem vive crises conjugais. “A igreja precisa ser uma comunidade terapêutica, que acolhe os feridos, acompanha os que estão em crise e encoraja os recomeços possíveis”, afirma.

Isso envolve escuta atenta, aconselhamento pastoral responsável e, quando necessário, apoio profissional especializado. O cuidado com casais em crise, segundo ele, deve levar em conta as particularidades de cada situação. Em alguns casos, o recomeço será como casal. Em outros, será individual.

“Não se trata de pressionar casais a voltarem, mas de abrir espaço para que isso aconteça com responsabilidade e liberdade, se for o caso”, completa.

Uma nova história, não uma repetição

A reconciliação após o divórcio, quando ocorre, não é o simples retorno a uma antiga realidade. Trata-se de um novo compromisso. “A verdadeira reconciliação aponta para algo novo. É um casamento refeito, não apenas restaurado. Um relacionamento que reconhece os erros do passado, mas escolhe caminhar de forma diferente no presente”, conclui Hernandes Dias Lopes, de acordo com informações da revista Comunhão.

Igreja Luterana da Finlândia define medida sobre casamento gay

O Sínodo Geral da Igreja Evangélica Luterana da Finlândia rejeitou, em 8 de maio, uma proposta que visava incluir duas definições distintas de casamento em sua Ordem Eclesiástica.

A proposta foi rejeitada porque obteve apenas 62 votos favoráveis, um número insuficiente para alcançar a maioria qualificada de três quartos para alterações dessa natureza. Os contrários somaram 40 votos, além de seis abstenções.

A proposta, elaborada pelo comitê jurídico a partir de sugestão da Conferência Episcopal, previa o reconhecimento, dentro da Igreja, de duas visões sobre o casamento: uma como união entre um homem e uma mulher, e outra como união entre duas pessoas.

O texto também contemplava o direito à objeção de consciência para líderes e cantores da Igreja, permitindo que optassem por não celebrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo, de acordo com o informado pelo Evangelical Focus.

Após o resultado, o arcebispo Tapio Luoma agradeceu o empenho do Sínodo, mas manifestou frustração com a rejeição da proposta: “Se a Igreja não levar a sério a mudança mundial, ela acabará sendo incapaz de mudar o mundo em si”, afirmou.

Durante o debate, o presidente da comissão jurídica, Viking Vuori, argumentou que padres já realizam cerimônias entre pessoas do mesmo sexo, sem impedimento formal dos bispos. Segundo ele, a alteração na Ordem Eclesiástica visava uniformizar essa prática em todo o país.

Entretanto, o relatório enfrentou resistência dentro da própria comissão. O pastor Eino Nissinen, um dos oito membros dissidentes, sustentou que a proposta se baseava mais na opinião pública do que nos fundamentos doutrinários da Igreja:

“A ideia de que a revelação bíblica do casamento como uma união entre um homem e uma mulher é inadequada para os tempos modernos devido a diferenças históricas, culturais ou sociais é problemática”, disse. Para ele, “a sugestão de que Jesus não tinha compreensão da sexualidade humana enfraquece seu papel como Filho de Deus e mestre infalível”.

O pastor Sammeli Juntunen criticou o papel dos bispos na criação da chamada “situação de fato”, permitindo que paróquias decidissem autonomamente sobre a realização de casamentos homoafetivos. Para ele, essa dinâmica serviu de base para tentar justificar uma mudança doutrinária, sem o devido respaldo bíblico ou confessional.

Com a rejeição da proposta, permanece a incerteza sobre quem está autorizado a realizar casamentos entre pessoas do mesmo sexo no âmbito da Igreja. O impasse levou alguns membros do Sínodo a mencionar o termo finlandês suhmurointi, usado para descrever acordos informais ou decisões tomadas sem clareza legal, sugerindo uma tentativa de institucionalizar a prática de maneira indireta.

O tema segue sem consenso dentro da Igreja Luterana da Finlândia, que conta com cerca de 3,6 milhões de membros e permanece como a maior denominação religiosa do país.

Pablo Marçal despreza ‘profecia’ e manda retirar mulher de evento

O coach Pablo Marçal protagonizou uma cena pitoresca durante uma de suas palestras. Uma mulher na plateia interrompeu o evento com o que seria uma profecia e terminou colocada para fora do auditório.

Assim que Pablo Marçal percebeu que algo fora do comum estava ocorrendo, orientou a equipe da organização: “Pede pra ela ir lá pra fora falando isso aí”, afirmou, tentando retomar o raciocínio do conteúdo da palestra.

“Sabe o que acontece? Pode olhar pra cá, que ela tá tendo… Tá, só pede pra ela ir lá pra fora, falando isso aí. É o seguinte… Alguém do time pode ajudar ou não?”, disse, irritado pela interrupção e dispersão da atenção do público.

A mulher se levantou de seu lugar em foi em direção ao palco, ajoelhando no chão. Nesse momento, é possível distinguir a seguinte frase entre as palavras que ela dizia: “Para a vida, para a honra e glória do Senhor!”

Irritado, Marçal cobrou que a mulher fosse removida do auditório: “Só leva ela pra fora, ela pode fazer o que ela quiser aí”. Quando os seguranças o cercaram, ele dispensou ajuda: “Não precisa, pode abrir o palco aí. Não, tá tudo bem”.

“Pode profetizar, só profetiza lá fora. Pode ficar em paz, só profetiza lá fora”, insistiu, enquanto a organização do evento removia a mulher.

Dirigindo-se ao público, já disperso a essa altura, Marçal tentou retomar o raciocínio: “Não precisa ficar abalado não. Tem hora que a alma grita mais alto que o cérebro e o cérebro… ‘Uh, vamos nessa!’ Opa, eu gosto quando o cérebro entra nessa situação. Ela não quer sair não. Pode profetizar, irmã, lá fora”, resumiu.

A situação, porém, não estava encerrada e o coach desabafou: “Ela saiu correndo, ela não vai parar de profetizar não. Como que eu faço?”, questionou.

‘Parecia impossível’: idosa é batizada nas águas em UTI; Assista

Maria Rita de Lima, de 74 anos, foi batizada nas águas dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal Coração de Jesus, em Campo Verde (MT), após manifestar o desejo de declarar publicamente sua fé em Jesus Cristo. O batismo ocorreu na quarta-feira, 21 de maio, dois dias após o pedido feito por ela à equipe médica.

Segundo informações do hospital, Maria havia solicitado o batismo na segunda-feira, 19 de maio, afirmando que essa era uma prioridade em sua vida espiritual. Diante da condição clínica delicada, a equipe da UTI se mobilizou para atender ao pedido e organizar a cerimônia dentro do próprio leito hospitalar.

A cerimônia contou com a presença de familiares, profissionais de saúde e anciãos da Igreja Congregação Cristã, que conduziram o batismo em um tanque improvisado. O momento foi descrito como comovente pela filha mais nova da paciente, Bruna Fernanda Olegário Lima, de 34 anos.

“Parecia ser um desejo impossível de ser realizado, dada a realidade de uma UTI. O sentimento é de uma gratidão imensurável por todos que não mediram esforços para realizar o pedido e pelo cuidado que tiveram com tudo”, afirmou Bruna, em declaração publicada pelo portal G1.

Maria foi diagnosticada com câncer colorretal em abril deste ano. O tumor identificado é um carcinoma, de acordo com o boletim médico divulgado pela unidade. Dias após o diagnóstico, a paciente apresentou um quadro de pneumonia, o que levou à internação na UTI.

Atualmente, segundo o hospital, Maria apresenta agravamento do estado geral e está sendo acompanhada sob cuidados paliativos, com foco no controle da dor, alívio da falta de ar e bem-estar.

A equipe médica destacou que a realização do batismo foi possível graças ao trabalho conjunto de profissionais de saúde, familiares e líderes religiosos, respeitando as condições clínicas da paciente e as normas de segurança da unidade.

26º EPIC reúne empresários e pregação de Hernandes Dias Lopes

O 26º Encontro de Empresários, Profissionais, Influenciadores e Comunicadores (EPIC) será realizado na próxima terça-feira, 27 de maio, das 18h às 22h, com palestra de Hernandes Dias Lopes.

O evento acontecerá no Espaço Novo Tempo Santana, situado na Rua Aviação, 60, no bairro Santana, zona norte da capital paulista.

O encontro tem como objetivo promover reflexão, aprendizado e conexões estratégicas entre profissionais de diferentes áreas. Nesta edição, o tema central será “Gestão Estratégica do Tempo”, com foco na busca por alta performance e qualidade de vida.

O painel de convidados reunirá, além de Hernandes Dias Lopes, nomes como Bianca Pagliarin, Gerson Pinto, Renata Bertagnoli e Sinval Aragão. Os cinco convidados participarão de um bate-papo sobre como equilibrar as exigências da vida profissional e pessoal, com destaque para estratégias práticas de produtividade e bem-estar.

Reconhecido por fomentar o netweaving — prática que vai além do networking ao promover conexões colaborativas e divulgação de projetos — o EPIC oferece um espaço voltado ao crescimento profissional e ao fortalecimento de parcerias entre empreendedores, comunicadores e influenciadores.

Serviço

Evento: 26º Encontro EPIC – Empresários, Profissionais, Influencers e Comunicadores

Data: Terça-feira, 27 de maio

Horário: Das 18h às 22h

Local: Espaço Novo Tempo Santana – Rua Aviação, 60 – Santana, São Paulo (SP)

Inscrições: AQUI.

‘Deus não abandona nenhum filho’: Tarcísio leva palavra à Mundial

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), participaram na noite de domingo, 19 de maio, de um culto na sede da Igreja Mundial do Poder de Deus, localizada no bairro do Brás, região central da cidade. A reunião foi conduzida pelo apóstolo Valdemiro Santiago, fundador da denominação neopentecostal.

Durante o encontro, que reuniu um grande número de fiéis no templo, Tarcísio foi convidado a ministrar uma breve mensagem baseada em Gálatas 3:6-7. O governador destacou a importância da fé cristã e fez menção direta à figura bíblica de Abraão.

“Quem é filho de Abraão aqui? Sabe por que pergunto isso? Porque quem tem fé é filho de Abraão. E uma das coisas importantes para as promessas se cumprirem é a fé. Quando Deus faz uma aliança, Ele declara que sua presença sustentará. Deus não abandona nenhum filho para o fracasso”, afirmou Tarcísio, dirigindo-se à congregação.

Em outro momento da pregação, o governador mencionou os desafios enfrentados ao longo da vida e incentivou os fiéis a manterem a confiança em Deus. “A vida é difícil. Tem gente que sofre com injustiça. Mas Deus é contigo. A promessa de Deus não é só uma visão de futuro. É uma autorização pra gente chegar onde não chegaria sem Ele”, declarou.

Tarcísio encerrou sua participação citando três elementos que, segundo ele, são fundamentais para se alcançar as promessas divinas: “dependência da graça, obediência e a certeza de que Deus opera no impossível”. E concluiu: “A impossibilidade se curva diante da majestade de Deus”.

Ainda durante o culto, Valdemiro Santiago realizou uma chamada de vídeo com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que estava prestes a receber alta do hospital DF Star, em Brasília, onde esteve internado por 21 dias. A ligação ocorreu enquanto Tarcísio e Ricardo Nunes permaneciam no púlpito da igreja, ao lado do pastor Roberto de Lucena e o ex-deputado federal Eduardo Cunha.

O encontro de domingo não foi o primeiro entre Tarcísio e Valdemiro. Em abril, o governador recebeu o líder religioso em uma reunião que, segundo Valdemiro, teve como objetivo “orar” pela administração estadual.

A Igreja Mundial do Poder de Deus foi fundada por Valdemiro Santiago em 1998, após seu desligamento da Igreja Universal do Reino de Deus. A sede no Brás é o principal templo da denominação, que tem ampla atuação na televisão aberta e redes sociais.

A amamentação: vínculo tem impacto físico, mental e espiritual

A amamentação é reconhecida por especialistas como um dos primeiros gestos que marcam a relação entre mãe e filho, com efeitos que se estendem por toda a vida. Embora seja um ato silencioso e cotidiano, sua relevância vai além da nutrição: envolve aspectos físicos, emocionais e psicológicos essenciais para o desenvolvimento humano.

Sob a ótica da ciência, da psicologia e também da fé cristã, estudiosos explicam como a amamentação influencia o crescimento infantil e por que esse cuidado precisa ser valorizado por famílias, igrejas e comunidades.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda a amamentação exclusiva até os seis meses de idade, com continuidade de forma complementar até pelo menos os dois anos. De acordo com o Guia Prático de Amamentação publicado pela entidade, “o leite materno participa do processo de programação metabólica”, o que significa que os nutrientes fornecidos nesse período contribuem para regular o apetite da criança, o desenvolvimento de células de gordura e a prevenção de doenças como obesidade e diabetes tipo 2.

Além de nutrir, o leite materno é fonte natural de probióticos, como lactobacilos e bifidobactérias, que colonizam o intestino do bebê e fortalecem sua imunidade desde os primeiros dias. O ato de sugar também fortalece os músculos faciais, estimula a respiração nasal e favorece o desenvolvimento da arcada dentária.

Apesar dos benefícios comprovados, dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani-2019) revelam que apenas 45,7% das crianças brasileiras são amamentadas exclusivamente até os seis meses, conforme a recomendação dos especialistas.

Vínculo emocional e segurança afetiva

Mais do que alimentar o corpo, a amamentação oferece à criança um ambiente de acolhimento, segurança e construção de vínculo com a mãe. A pastora Patrícia Andrade, da Comunidade Evangélica Projeto de Deus, no Rio de Janeiro (RJ), afirma: “A amamentação é um processo de nutrição emocional, não apenas física. É um tempo em que o bebê é sustentado pelo calor, pelo cheiro, pela voz e pela presença da mãe”.

Esse entendimento encontra respaldo na psicologia do desenvolvimento. A teoria do apego, desenvolvida por John Bowlby, destaca que os vínculos afetivos estabelecidos na infância são determinantes para a saúde emocional ao longo da vida.

De acordo com a revista Comunhão, o psicanalista Donald Winnicott também apontava o papel do holding — o sustento físico e emocional oferecido pela mãe — como essencial para a formação de um senso de segurança na criança.

Pesquisas indicam que crianças amamentadas por pelo menos seis meses tendem a apresentar menos problemas de comportamento, menor risco de depressão na adolescência e maior facilidade de socialização. “A criança vai se desenvolvendo na confiança de que é amada, recebida e aceita. Isso forma uma base emocional sólida”, reforça Patrícia.

Quando a amamentação não é possível

Em alguns casos, a amamentação não pode ser realizada por motivos médicos, emocionais ou sociais. Mesmo nessas situações, o vínculo entre mãe e filho permanece fundamental e pode ser construído de outras formas.

“O vínculo não depende exclusivamente do leite. O contato visual, o tom da voz, o toque, a presença carinhosa… tudo isso são instrumentos dados por Deus para alimentar emocionalmente nossos filhos”, afirma a pastora.

A SBP orienta que, diante da impossibilidade de amamentar, as famílias busquem apoio profissional para garantir uma alimentação segura e adequada. No entanto, o contato físico, o acolhimento intencional e a presença constante continuam sendo insubstituíveis.

De acordo com Patrícia, a importância desse cuidado também é destacada na Bíblia. Ela cita Isaías 49:15: “Pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama…? Ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, não me esquecerei de ti”. Em Isaías 66:13, lê-se: “Como alguém a quem sua mãe consola, assim eu os consolarei”. Nestes versículos, o vínculo materno é utilizado como expressão máxima do cuidado, consolo e fidelidade de Deus.

Um gesto com efeitos duradouros

A amamentação é um gesto breve na rotina da infância, mas com impactos que atravessam o tempo. Mesmo diante do cansaço, das limitações ou das dificuldades, trata-se de uma ação profundamente significativa.

“É um tempo breve, mas com efeitos muito duradouros. A amamentação é uma semente lançada na vida inteira do bebê”, conclui a pastora Patrícia.

Trans que não se arrepende pergunta a teólogos se pode ser cristã

Durante um episódio recente do podcast Ask NT Wright Anything, o teólogo anglicano e estudioso do Novo Testamento NT Wright respondeu a uma pergunta sobre identidade trans e fé cristã. A discussão contou com a participação do teólogo australiano Michael F. Bird.

A questão foi enviada por uma ouvinte que se identifica como homem e se descreveu como “amante de Cristo”. Segundo relatou, ela conheceu Jesus após ter passado por cirurgias hormonais e viver por uma década como homem:

“Eu conheci a Cristo depois de passar por todas as cirurgias hormonais e viver como homem por 10 anos. Muitas vezes, quando ouço falar de pessoas transgênero que se tornaram cristãs, é uma história de destransição para o seu gênero natural”, escreveu.

A ouvinte observou que essas narrativas geralmente envolvem pessoas no início da transição e que, por isso, poderiam retornar mais facilmente à condição anterior. “O que a Bíblia teria a dizer sobre alguém no meu caso?”, perguntou ela, manifestando preocupação de que seu modo de vida pudesse ser considerado pecaminoso, embora não tenha expressado desejo de reverter sua transição.

Michael F. Bird reconheceu a complexidade da pergunta. “A biologia é muito complexa. Muitas coisas podem dar errado com a nossa biologia. Também podem dar errado com a nossa psicologia. E a ligação entre elas também pode ser muito, muito complexa”, afirmou.

NT Wright acrescentou que os debates atuais sobre identidade de gênero são recentes e não estavam contemplados nos tratados tradicionais de teologia e ética. “Todo esse discurso é muito novo. Precisamos nos lembrar de que isso não é algo para o qual os manuais mais antigos de teologia, ética etc. nos teriam preparado”, disse.

O teólogo britânico, de 76 anos, observou que muitos debates contemporâneos priorizam sentimentos subjetivos em detrimento da realidade biológica. “As pessoas se acostumaram a pensar em termos de: ‘Não importa qual seja meu corpo ou como nasci fisicamente, o que importa é quem eu sinto profundamente dentro de mim que realmente sou’”, comentou.

Wright afirmou nunca ter aconselhado pessoalmente alguém em conflito com a identidade de gênero, ressaltando a necessidade de cautela e sensibilidade ao tratar do tema. “O que vou dizer é que devo ser cauteloso e estar muito ciente de que há enormes sensibilidades em torno dessa questão”, declarou.

Autor do livro Surpreendido pela Esperança, Wright alertou ainda para a politização do tema. “Há pessoas que se aproveitam do desconforto de algumas pessoas para, por assim dizer, defender argumentos políticos — e algumas que diriam que todos os gêneros são inteiramente fluidos e que você pode inventar… quem você quer ser e como deve se comportar.”

Ele também fez menção à diferença entre cromossomos e identidade de gênero. “As mulheres claramente têm cromossomos XX; os homens, cromossomos XY. Portanto, presumo que nossa correspondente ainda tenha apenas o cromossomo XX e não tenha, de alguma forma, adquirido um cromossomo Y por meio de tratamento hormonal. Posso estar enganado, mas não acho que isso seja uma opção”, afirmou. Wright acrescentou: “Não sou cientista. Não entendo de biologia, nem de como os hormônios funcionam.”

Apesar das ressalvas, o teólogo enfatizou uma abordagem pastoral centrada na graça. “Repetidamente, quero dizer que, assim como com Jesus nos Evangelhos, Deus nos encontra onde estamos e nos ama como somos. Isso é absolutamente vital”, declarou. Segundo ele, esse amor não exclui o chamado à transformação: “Deus pode querer nos dizer […] que agora existem certos caminhos a seguir que você precisa trilhar.”

Ele esclareceu que esse processo não implica condenação. “Não se trata de dizer: ‘Ah, você é mau. Ah, você é um pecador. Você não deveria estar fazendo isso, aquilo ou aquilo outro’. É dizer: ‘Bem, onde estamos agora é bastante complicado, e vamos ver como podemos avançar passo a passo, sabendo que o Deus da graça e do amor está com vocês’.”

Wright alertou, no entanto, que afirmar que “Deus está com você” não significa aprovar todas as escolhas anteriores sem discernimento. “Esta não é uma questão de ‘vale tudo’. Deus quer que você seja um ser humano genuíno e plenamente florescente”.

Ao ser questionado se Deus pode amar e aceitar alguém que vive essa realidade, Wright respondeu: “Quero dizer que sim, absolutamente. Isso é fundamental para o Evangelho e tudo o que ele representa.” Ele mencionou a transformação de Zaqueu, registrada no Evangelho de Lucas, como exemplo de como Jesus impactava vidas. “Às vezes, essa transformação é muito lenta e sutil. Às vezes, é bastante vívida e instantânea.”

O teólogo destacou a importância de apoio pastoral contínuo: “Acredito que haverá um caminho a seguir… então siga em frente. Siga com seu pastor. Siga com o amor de Deus envolvendo você em Jesus e o Espírito Santo respirando em você e através de você em tudo o que está por vir”, concluiu.

Nos últimos anos, diversos relatos de arrependimento envolvendo transições de gênero vieram à tona, com depoimentos de pessoas que buscaram a chamada destransição após procedimentos considerados irreversíveis.

Um dos casos mais citados é o do norte-americano Forrest Smith. Em entrevista ao The Christian Post, ele contou que, aos 20 anos, recebeu prescrição de hormônios e, ao longo de cinco anos, passou por cirurgias, incluindo implantes mamários e orquiectomia bilateral, o que resultou em esterilização permanente.

Smith relatou que seu diagnóstico de disforia de gênero foi dado rapidamente em uma clínica especializada, sem a devida investigação de fatores subjacentes. “Eu diria que fui meio que empurrado e puxado para a medicalização antes mesmo de definir a identidade”, afirmou. Segundo ele, questões como vício em pornografia e ausência de figuras paternas não foram abordadas.

Ele também relatou experiências negativas em uma igreja de linha progressista, que, segundo seu testemunho, distorceu o ensino cristão para validar sua disforia. “Ainda lido com interações com aquela antiga comunidade e percebo que sou julgado; sinto-me bastante rejeitado”, relatou.

Smith afirmou que encontrou consolo e direção em uma igreja pentecostal, por meio da orientação de um pastor que o acolheu sem julgamentos. “Eu realmente estava em um lugar onde queria mudar de ideia”, disse, enfatizando o papel do arrependimento e da escuta pastoral em sua trajetória de restauração.

Nicodemus analisa caso das ‘mamães reborn’ à luz das Escrituras

A crescente recorrência de caso de “mamães reborn” — mulheres adultas que cuidam de bonecas hiper-realistas como se fossem bebês reais — tem gerado debates nas redes sociais, e dentre os que se pronunciaram sobre o tema está o reverendo Augustus Nicodemus, pastor presbiteriano e uma das principais vozes evangélicas no Brasil.

Em publicação feita em suas redes sociais, Nicodemus questionou a compatibilidade do fenômeno com os ensinamentos bíblicos sobre maternidade e família. Segundo ele, embora o comportamento possa ter origem em experiências emocionais profundas, a resposta cristã não deve recorrer à fantasia.

“Você já viu nas redes sociais mulheres cuidando de bonecas realistas como se fossem bebês de verdade? Esse fenômeno das ‘mamães reborn’ tem se espalhado — mas será que combina com o que a Bíblia nos ensina sobre maternidade e família?”, escreveu o pastor.

Nicodemus afirmou que os papéis de pai e mãe, conforme descritos nas Escrituras, vão além de atos simbólicos ou representações visuais: “A Palavra mostra que ser pai ou mãe é um chamado sagrado, não uma encenação. Quando transformamos isso em performance, corremos o risco de esvaziar o propósito divino desse papel tão precioso”.

Apesar das críticas, o reverendo manifestou compreensão pelas motivações emocionais por trás da prática. De acordo com ele, muitas das mulheres envolvidas enfrentam situações como infertilidade, luto ou solidão. No entanto, enfatizou que a fé cristã oferece caminhos distintos para lidar com essas realidades.

“Por trás dessas escolhas, muitas vezes há dores profundas — como luto, infertilidade ou solidão. E como cristãos, não ignoramos a dor, mas também não a tratamos com fantasia. O verdadeiro consolo vem do Senhor, vivido na comunhão dos santos”.