‘Cego pelo sangue e pelo ódio’: Erdogan reitera hostilidade a Israel

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, fez novas declarações críticas a Israel e ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu durante participação na Conferência Internacional de Partidos Políticos da Ásia (ICAPP), realizada em Istambul no fim de semana.

Em discurso direcionado à ala feminina do evento, Erdoğan voltou a classificar Israel como uma entidade “genocida” e afirmou que Netanyahu estaria “cego de sangue e ódio”. Ele também comparou as ações do governo israelense às políticas de Adolf Hitler.

Ao abordar o conflito na Faixa de Gaza, o presidente turco declarou que “a grande maioria dos mais de 72.000 civis brutalmente assassinados por Israel em Gaza eram mulheres e crianças”. Os dados mencionados por Erdoğan têm como base estimativas do Ministério da Saúde de Gaza, que não distingue, em seus relatórios, entre civis e combatentes nem entre causas diretas e indiretas de morte.

Análises independentes desses números indicam divergências nos dados e apontam que cerca de metade das vítimas seriam homens, muitos em idade de combate.

Erdoğan também mencionou ações militares no Líbano, afirmando: “No dia em que o cessar-fogo foi declarado, Israel assassinou brutalmente 254 libaneses. Essa rede genocida, cegada pelo sangue e pelo ódio, continua matando crianças inocentes, mulheres e civis, desconsiderando todos os valores humanos e ignorando todas as regras e princípios”.

O presidente turco criticou ainda uma legislação israelense sobre pena de morte para crimes de terrorismo, afirmando que a medida seria aplicada apenas a prisioneiros palestinos. Ele classificou a política como “apartheid” e questionou: “existe alguma diferença fundamental entre as políticas monstruosas de Hitler em relação aos judeus e a decisão tomada pelo parlamento israelense?”.

As declarações ocorrem em meio a informações de que promotores turcos buscam penas que somariam cerca de 4.600 anos de prisão contra 35 autoridades israelenses, incluindo Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, relacionadas à interceptação da flotilha “Sumud”, prevista para outubro de 2025.

Na noite de sábado, Netanyahu respondeu às declarações por meio das redes sociais. “Israel, sob minha liderança, continuará a lutar contra o regime terrorista do Irã e seus representantes, ao contrário de Erdogan, que os tolera e massacrou seus próprios cidadãos curdos”, afirmou.

No domingo, Erdoğan voltou a comentar o tema e mencionou a possibilidade de confronto militar. “Precisamos ser fortes para impedir que Israel faça isso com a Palestina”, declarou a jornalistas. Segundo o The Christian Post, ele acrescentou: “Assim como entramos em Karabakh, assim como entramos na Líbia, faremos o mesmo com eles. Não há nada que nos impeça de fazê-lo. Precisamos apenas ser fortes para que possamos dar esses passos. Não há razão para não o fazermos”.

As declarações foram respondidas por Amichai Eliyahu, ministro do Patrimônio de Israel, também por meio das redes sociais. “A Turquia, que conquistou o Chipre do Norte e controla territórios curdos no leste, ousa nos dar lições de moralidade”, escreveu.

Eliyahu também afirmou: “A Turquia, que construiu sua economia sobre o Genocídio Armênio, ousa nos acusar de genocídio”. Em outra publicação, acrescentou: “Sempre, após cada ‘julgamento’, voltamos mais fortes”.

O ministro declarou ainda que pretende solicitar ao Ministério das Relações Exteriores e ao governo israelense o fechamento da embaixada e do consulado turcos.

Pesquisa mostra Flávio derrotando tanto Lula quanto Haddad

Levantamento divulgado pelo instituto Futura/Apex na terça-feira, 14 de abril, aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecem em situação de empate técnico nas intenções de voto para a Presidência da República.

A pesquisa apresenta três cenários de primeiro turno. Em dois deles, Lula registra vantagem numérica sobre Flávio. No primeiro, o presidente aparece com 39,8%, enquanto o senador soma 37,3%. No segundo cenário, Lula tem 38,4% e Flávio, 38,2%.

As diferenças observadas estão dentro da margem de erro de 2,2 pontos porcentuais, o que caracteriza empate técnico entre os dois nas simulações de primeiro turno.

Em um cenário alternativo, sem a presença de Lula, o senador aparece à frente de Fernando Haddad (PT). Nessa hipótese, Flávio Bolsonaro registra 38,4%, enquanto Haddad soma 21,3%, diferença superior à margem de erro.

O levantamento também simulou cenários de segundo turno. De acordo com os dados, Flávio Bolsonaro aparece à frente nos dois cenários em que é incluído.

Em uma eventual disputa direta contra Lula, o senador registra 48% das intenções de voto, contra 42,6% do presidente. Nesse cenário, 7,3% dos entrevistados indicaram voto em branco, nulo ou nenhum, enquanto 2,1% afirmaram não saber ou não responderam.

Contra Fernando Haddad, Flávio Bolsonaro alcança 48,3%, enquanto o ex-ministro registra 34,8%. Nesse caso, 14,3% declararam voto em branco, nulo ou nenhum, e 2,6% não souberam ou não responderam.

Nos cenários em que Lula aparece contra outros adversários, o presidente registra vantagem. Em disputa com Ronaldo Caiado (PSD), Lula tem 43,9% contra 38,8%. Já em confronto com Romeu Zema (Novo), o presidente aparece com 44,8%, enquanto o adversário soma 38%.

Nessas simulações, os índices de votos em branco, nulo ou nenhum variam entre 14,6% e 14,9%, enquanto os indecisos ou que não responderam ficam entre 2,2% e 2,7%.

A pesquisa foi realizada entre os dias 7 e 11 de abril, com 2 mil eleitores em 895 municípios brasileiros. O levantamento apresenta margem de erro de 2,2 pontos porcentuais e nível de confiança de 95%. O estudo foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-08282/2026.

Distância aumentando… Lula vai desistir? https://t.co/g0fbGEtTQR

— Rodrigo Constantino (@Rconstantino) April 14, 2026

Estado caminha para incorporar trechos da Bíblia nas escolas

O estado do Texas caminha para se tornar a primeira unidade federativa dos Estados Unidos a incorporar trechos e narrativas da Bíblia em um rol oficial de leituras destinado à rede pública de ensino. A medida obteve aval inicial do Conselho Estadual de Educação texano por um placar de 9 votos favoráveis contra 5 contrários, ficando a deliberação conclusiva agendada para o mês de junho.

Questionada acerca da preservação da laicidade no ambiente escolar, a conselheira Julie Pickren apresentou a seguinte justificativa:

— Não estamos promovendo o ensino de qualquer confissão religiosa nas instituições públicas. Estamos nos valendo do Antigo e do Novo Testamento, em consonância com a legislação estadual, como ferramenta de ampliação cultural.

Quando dispomos de normas no Texas como a Lei do Bebê Moisés ou a Lei do Bom Samaritano, ou quando os estudantes se deparam com obras literárias consagradas e nelas identificam alusões como as feitas pelo Dr. Martin Luther King em sua carta do cárcere de Birmingham — que menciona Sadraque, Mesaque, Abednego e Daniel na fornalha ardente —, torna-se necessário que os jovens compreendam o contexto. Eles carecem desse repertório e precisam ter contato com a fonte original de onde essas referências emanam.

Os opositores da iniciativa contestam a inserção de conteúdo religioso nas salas de aula. Diversos oradores evocaram a cláusula de estabelecimento contida na Primeira Emenda à Constituição americana, cujo texto determina que “o Congresso não legislará no sentido de estabelecer uma religião”.

Ampliação do repertório cultural e histórico

Dentre os excertos elencados na proposta figuram narrativas bíblicas amplamente difundidas, a exemplo de Jonas e o grande peixe, Davi e Golias, a parábola do Filho Pródigo, o Salmo 23, as Bem-aventuranças e o episódio da transformação de Saulo no caminho para Damasco.

A nova relação de leituras tem potencial para alcançar aproximadamente 5,4 milhões de alunos, abrangendo desde a educação infantil até o ensino secundário em todo o território texano.

Os defensores da medida sustentam que tais passagens proporcionarão aos estudantes um alicerce mais robusto de conhecimento histórico e cultural. Argumentam que inúmeras referências presentes na literatura, no ordenamento jurídico e nas estruturas sociais do Ocidente mantêm vínculo direto com as Escrituras.

Em contrapartida, os críticos advertem que a proposta pode extrapolar a fronteira entre a instrução sobre fenômenos religiosos e a concessão de privilégios à fé cristã no âmbito do ensino público laico.

A versão atual do projeto foi conduzida por Keven Ellis, membro do Partido Republicano que integra o conselho educacional estadual, em decorrência de uma lei sancionada em 2023 que estipulava a elaboração de uma lista oficial de obras literárias para as escolas do Texas.

Caso receba a chancela definitiva, a previsão é de que a medida passe a vigorar a partir do ano letivo de 2030.

Influência nacional e o debate sobre valores

Dado que o Texas abriga um dos mais extensos sistemas de ensino dos EUA, as resoluções adotadas em seu território costumam produzir efeitos multiplicadores sobre outros estados da federação. Por essa razão, o desenrolar da proposta vem sendo monitorado com atenção por educadores, lideranças religiosas e especialistas em direito constitucional.

A discussão também reaviva o embate acerca da presença de princípios cristãos na esfera pública e dos contornos que a neutralidade estatal deve assumir nas democracias contemporâneas.

À margem das disputas político-ideológicas, acadêmicos reconhecem que a Bíblia exerceu um influxo determinante sobre a trajetória da civilização ocidental, permeando a literatura, as artes plásticas e a própria conformação ética de múltiplas sociedades ao longo dos séculos. Com: Texas

Bella Falconi cita clipe de Luísa Sonza e faz alerta: “Satanismo”

A empresária e criadora de conteúdo digital Bella Falconi recorreu, na quinta-feira (9), ao videoclipe da canção “Loira Gelada”, interpretada por Luísa Sonza, para tecer uma análise sobre o estado espiritual da humanidade. A obra audiovisual em questão aborda temáticas como compulsões, infidelidade e culmina com a artista deitada sobre o regaço de uma figura demoníaca.

Em sua publicação, Falconi articulou uma série de citações das Escrituras Sagradas com o intuito de ilustrar o que classifica como um estágio de degradação moral e rendição coletiva ao pecado. Na avaliação da influenciadora, a recorrência de simbologias obscuras no universo do entretenimento não se trata de um acaso ou de uma simples tendência mercadológica.

— Tornou-se corriqueiro no circuito artístico o emprego de ícones satânicos, contudo isso não configura um modismo nem uma coincidência fortuita. Há um alicerce escriturístico que nos permite decodificar exatamente esse fenômeno que testemunhamos. (…) As Escrituras delineiam uma trajetória espiritual de petrificação do coração, de ostentação do erro e de abandono do temor divino — afirmou.

A digital influencer fundamentou sua argumentação em trechos bíblicos extraídos de Romanos 1:28-32, Isaías 5:20, 1 Timóteo 4:1-3 e 2 Timóteo 3:1-5, entre outros livros, para sustentar a tese de que a veneração ao maligno deixou de ser velada para se tornar ostensiva e incentivada, a exemplo do que seria no clipe de Luísa Sonza.

— Na Epístola aos Romanos, capítulo 1, versículos 28 a 32, o apóstolo Paulo discrimina três estágios: a repulsa a Deus, a execução do pecado e a exaltação pública da transgressão. É precisamente essa dinâmica que observamos em curso na indústria do entretenimento. O louvor a Satanás já não é algo dissimulado. É escancarado e até mesmo incitado — pontuou.

Falconi sublinhou ainda que, dentre os aspectos observados, o que lhe parece mais alarmante é o entorpecimento da percepção espiritual que acomete a coletividade.

— É imperativo mencionar também o embotamento da sensibilidade espiritual, que considero um dos sintomas mais severos desta conjuntura que atravessamos, e que se encontra descrito em Efésios 4:18-19: “tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução”. Aqui se revela uma camada muito densa. Primeiro sobrevém a cegueira de entendimento, em seguida a anestesia da consciência e, por fim, a capitulação completa diante do erro. Ou seja, a zombaria não é o ponto de partida, mas sim um grau avançado de deterioração — ressaltou.

Ao finalizar sua exposição, a empresária reitera que produções dessa natureza, como a de Luísa Sonza, não podem ser rotuladas simplesmente como expressão artística, enfatizando a responsabilidade e o papel de influência dos seguidores de Cristo.

— Não se trata meramente de arte. Isso é liturgia e veneração ao adversário. É a trivialização daquilo que jamais poderia ser banalizado. Portanto, aqueles que detêm visão espiritual têm a incumbência de despertar os que ainda permanecem adormecidos — concluiu.

Caso Master: CPI do Crime Organizado indicia ministros do STF

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), na condição de relator da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o Crime Organizado, formalizou o indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, bem como do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A decisão consta no parecer conclusivo da comissão, divulgado na madrugada desta terça-feira, 14, por meio de uma publicação na rede social X.

“Em conformidade com o exposto no documento, procedeu-se ao indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do PGR Paulo Gonet”, registrou Vieira no comunicado, postado minutos antes da zero hora do dia 13.

As imputações surgem no âmbito do inquérito sobre o esquema de desvio de recursos envolvendo o Banco Master. Os magistrados Toffoli e Moraes tiveram seus nomes atrelados ao caso desde as primeiras revelações.

O documento assinala que as medidas sugeridas encontram amparo em elementos como a suspeição no exercício jurisdicional, potenciais confrontos de interesses e deliberações que, na visão do relator, comprometeram o andamento das apurações. Em relação ao chefe do Ministério Público Federal, a justificativa central foi a inação frente a evidências contundentes de ilícitos.

O relatório sustenta que os membros da Suprema Corte e Gonet teriam incorrido em infrações político-administrativas tipificadas na Lei 1.079/1950, por condutas e negligências no episódio do Banco Master. Tais atos, caso acolhidos, podem ensejar processo de impedimento a ser conduzido pelo Senado Federal.

Os quatro nomes representam as únicas autoridades alvo de pedido de responsabilização por parte do relator. A peça será submetida à apreciação e votação do colegiado ainda nesta terça-feira, 14, data que encerra o prazo regimental de funcionamento da CPI. Trata-se de um movimento inédito no Legislativo: uma comissão parlamentar de inquérito requerer formalmente o indiciamento de integrantes do STF.

Ao embasar os pedidos, o relator centra-se no Banco Master, descrevendo vestígios de fluxos financeiros irregulares e vínculos suspeitos com práticas de ocultação de patrimônio.

“Diante da sofisticação das operações e da limitação instrumental da comissão, optou-se por descrever os achados – os quais merecem aprofundamento em investigação específica e já figuram em procedimentos da Polícia Federal no tocante a delitos comuns – e propor o indiciamento das autoridades por crimes de responsabilidade”, sintetizou o senador em sua manifestação virtual.

Detalhamento das acusações conforme o parecer

Segundo a análise do relator, as supostas irregularidades praticadas pelos magistrados da Corte Constitucional e pelo Procurador-Geral estão diretamente ligadas às investigações que cercam Daniel Vorcaro e o conglomerado financeiro Master.

Dias Toffoli é mencionado por ter entabulado negociação para alienar sua cota em um complexo hoteleiro a um fundo de investimentos com conexões a Vorcaro. Ainda assim, de acordo com o texto, o ministro manteve-se como relator de processos vinculados ao grupo Master, não se declarando impedido.

Alexandre de Moraes enfrenta a alegação de ter agido em benefício de Vorcaro ao acionar o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para obter esclarecimentos sobre a transação que envolvia a alienação do Master ao Banco de Brasília.

O relatório destaca o fato de Vorcaro figurar como cliente da banca de advocacia de Viviane Barci, cônjuge do magistrado, com quem foi formalizado um contrato de honorários de R$ 129 milhões – montante descrito como destoante das práticas usuais do setor jurídico nacional.

No que concerne a Gilmar Mendes, Vieira o responsabiliza por atitudes que ferem o decoro ministerial, caracterizadas pela tentativa de blindar os pares da Corte. O documento cita uma liminar proferida pelo ministro que suspendeu a quebra dos sigilos bancários da empresa de Toffoli e do Fundo Arleen, ligado a Vorcaro.

Tais atos são interpretados como corporativistas. “A postura que se aguardaria de qualquer julgador da Excelsa Corte seria de extremo resguardo e afastamento diante de atitudes passíveis de leitura como blindagem entre colegas”, escreveu o relator, completando que Gilmar “emanou decisões que favoreceram diretamente os interesses de um par que havia deixado a condução do feito em contexto de nítido embaraço ético”.

Já Paulo Gonet é descrito como “flagrantemente negligente em seus deveres funcionais”. De acordo com a avaliação de Vieira, o Procurador-Geral manteve “mutismo corporativo perante indícios públicos e substanciais de infrações administrativas e, possivelmente, penais envolvendo os mais elevados magistrados brasileiros” na trama do Banco Master.

Outros desdobramentos do trabalho da CPI

Além das medidas punitivas individuais, o relatório avança sugestões de aperfeiçoamento do arcabouço legal. Entre as propostas, figuram a expansão das ferramentas para indisponibilidade de ativos, o endurecimento das sanções aplicáveis à lavagem de capitais e o incremento dos mecanismos de transparência financeira. A íntegra do material será encaminhada às instâncias responsáveis para as providências subsequentes.

O documento também relata os entraves judiciais enfrentados durante os trabalhos, mencionando a transmutação de convocações em meros convites e o bloqueio de acessos a dados financeiros vitais para o aprofundamento das apurações.

A despeito de tais obstáculos, o relator sustenta que foi viável “delinear um quadro diagnóstico da criminalidade organizada no território nacional e dos métodos estatais de enfrentamento, identificando lacunas e omissões históricas, bem como oferecendo proposições legislativas de relevo”.

Na rede X, Vieira defendeu a instituição de “uma pasta ministerial dedicada exclusivamente à gestão da Segurança Pública” e voltou suas atenções para a conjuntura fluminense: “Em face do diagnóstico de extrema gravidade no Rio de Janeiro, sugeriu-se nova medida de intervenção federal na área de Segurança Pública daquele estado, sob modelo distinto daquele aplicado em 2018”.

O relatório, que supera as 200 laudas, consolida quatro meses de diligências, período no qual a comissão realizou 18 sessões, examinou 134 peças documentais e deliberou sobre 312 requerimentos. O foco das investigações recaiu sobre a arquitetura e os modos de expansão das facções criminosas atuantes no Brasil.

Levantamento aponta adesão majoritária a processos de impedimento de ministros do STF

Pesquisa do instituto Futura/Apex divulgada nesta terça-feira, 14, revela que um percentual superior à metade dos brasileiros apoia a abertura de processos de impeachment contra ministros da Suprema Corte.

O estudo indica que 55,4% dos entrevistados se declararam “favoráveis” à questão: “O(a) senhor(a) é a favor ou contra o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal?”.

A fatia contrária à destituição dos magistrados não alcança um terço da amostra, situando-se em 32,1%, conforme os dados do levantamento.

Aqueles que não manifestaram opinião ou preferiram não responder totalizam 12,5% do universo pesquisado.

Aspectos metodológicos da sondagem sobre o impeachment de ministros do STF

Para aferir a percepção da população quanto ao impedimento de membros do STF, o instituto Futura/Apex ouviu 2 mil cidadãos com 16 anos ou mais, distribuídos por 895 municípios brasileiros. A coleta de dados ocorreu entre os dias 7 e 11 de abril.

A margem de erro estimada para os resultados gerais é de 2,2 pontos percentuais, considerando um intervalo de confiança de 95%.

A pesquisa está devidamente registrada na Justiça Eleitoral, sob o protocolo BR-08282/2026, que funciona como identificador para fins de acompanhamento. Com: Oeste.

Volume de pregações evangélicas no Brasil ultrapassa 170 milhões

Dados de 2019 indicavam a existência de aproximadamente 110 mil igrejas evangélicas em território brasileiro, com um acréscimo médio de 17 novas congregações por dia. Com base nesse quantitativo, uma projeção sugere que, se cada comunidade realizasse três pregações semanais, o número total de sermões em sete dias chegaria a 330 mil.

Ao longo de um ano, esse volume ultrapassaria 170 milhões de mensagens, ainda que grande parte delas não seja considerada inédita.

Esse expressivo número de pregações levanta uma questão sobre a origem das ideias, temas e reflexões apresentadas nos sermões. Especialistas e líderes religiosos apontam que a fonte primária deve ser a Bíblia, mas o processo de obtenção do conteúdo envolve métodos variados.

Fontes de ideias para sermões e identificação de necessidades dos ouvintes

De acordo com orientações voltadas à prática da pregação, a ideia central da mensagem pode surgir de diferentes formas. A principal delas é o estudo bíblico — seja ele devocional ou sistemático —, que, além de servir à nutrição espiritual do pregador, fornece temas para a comunicação.

Outras fontes incluem livros, jornais, revistas, filmes, outdoors, experiências pessoais e fatos ou circunstâncias da vida cotidiana.

Independentemente da origem, a orientação é que a ideia seja associada a um texto bíblico que permita uma abordagem natural, de modo que o assunto seja tratado à luz das Escrituras.

A pregação considerada bíblica se baseia em um texto específico que deve oferecer tanto o tema principal quanto os tópicos da exposição.

Além disso, a chamada “pregação relevante” deve responder a uma necessidade humana concreta. Para identificar as demandas dos ouvintes, recomenda-se que o líder mantenha relacionamento próximo com as pessoas e famílias, ouça outros líderes da igreja e, eventualmente, realize pesquisas.

Estrutura e preparação do sermão

O processo de preparação, conforme descrito, segue etapas: primeiro, o pregador deve dedicar tempo à escuta de Deus para direção na escolha do texto. Em seguida, realiza o estudo da passagem para identificar a ideia central e as secundárias. Com esse material, elabora a introdução e a estrutura do sermão, com tópicos e subtópicos.

Na sequência, preenche a estrutura com o conteúdo apropriado. Recomenda-se incluir três divisões em cada tópico: a exposição do texto base, uma ilustração e a aplicação prática. A conclusão deve funcionar como um elemento que integra toda a mensagem, e não apenas uma parte dela.

A pregação, segundo a análise, não deve ser um discurso acadêmico ou meramente teórico, mas um meio pelo qual se busca alcançar as pessoas em suas necessidades mais profundas. Com: Comunhão.

Da obsessão científica à fé cristã: a trajetória do ex-ateu Guillen

Michael Guillen, físico, matemático e astrônomo com doutorado pela Universidade Cornell, relata uma mudança radical em sua visão de mundo ao longo de sua carreira acadêmica. Criado como ateu, ele afirma que foi a própria ciência que o levou a reconsiderar a existência de Deus, se rendendo à fé cristã.

Durante os anos de pós-graduação em Cornell, Guillen mantinha uma rotina de dedicação quase exclusiva ao laboratório. “Eu passava 20, 21 horas por dia no meu laboratório no porão”, disse ao jornal The Daily Mail.

Ele comparou o período a “uma criança em uma loja de doces” e admitiu que sua aparência física refletia o isolamento: “Se você olhar fotos minhas daquela época, eu tinha uma aparência bem desleixada.”

A entrega à ciência era total. “Tornar-se cientista era algo totalmente absorvente. Quem passa de 20 a 21 horas por dia em um laboratório básico, sem janelas, por anos a fio e sem vida social? Eu mal cuidava da minha aparência. Mal me alimentava. Quem faz isso? Era uma obsessão”, confessou.

O convite para ler a Bíblia

Apesar do foco inabalável na pesquisa, Guillen começou a questionar se o método científico seria capaz de responder a todas as questões humanas. Um episódio decisivo ocorreu quando uma colega o desafiou a ler as Escrituras. “Ela disse algo que mudou minha vida para sempre. Ela disse: ‘Eu também não li a Bíblia; se você a ler, eu leio com você’”, recordou.

Guillen aceitou o desafio por um motivo pessoal: “E eu pensei: bem, eu não me importo com a Bíblia, mas me importo com essa garota.” A partir daí, iniciou uma jornada espiritual que, ao contrário de um momento de iluminação súbita, foi se desenvolvendo gradualmente.

Os limites do conhecimento científico

O cientista que se rendeu à fé cristã explica que sua mudança de perspectiva ocorreu à medida que ele percebia as limitações inerentes à ciência.

“A ciência moderna postula que a maior parte da realidade não é visível, não é lógica e não é imaginável”, concluiu. Essa compreensão está no centro de seu documentário “O Invisível Está em Toda Parte: Acreditar É Ver”, lançado em 8 de abril de 2026.

A produção acompanha sua trajetória pessoal – da curiosidade infantil ao ateísmo na juventude, e finalmente à fé cristã. Para ilustrar suas ideias, o filme combina imagens de arquivo e fotografias (melhoradas com inteligência artificial) com vídeos e cenas geradas pela mesma tecnologia.

Guillen descreve o processo como uma série de pequenas epifanias, e não um único instante de revelação. “Cheguei a um ponto, no final dos meus 20 e início dos 30 anos, em que tive todas essas epifanias, todas essas revelações, que demoliram os lemas da minha infância. Percebi que, se eu fosse depender apenas da ciência para responder às minhas perguntas mais profundas, isso simplesmente não aconteceria”, afirmou.

Ciência e fé como parceiras

Para Guillen, a ciência não apenas falha em responder às questões últimas, mas também contribui para abrir os olhos para o mistério. “O que a ciência fez foi abrir nossos olhos para o mistério do universo. Não é nem um pouco simples, e nós não o compreendemos. E quanto mais a ciência aprende sobre o universo, mais percebe que não compreende a maior parte dele”, disse.

Hoje, ele defende a ideia de um design inteligente por trás da vida e afirma ter encontrado no cristianismo uma coerência com o conhecimento científico. “Existe [alguma religião] que se destaque em termos de sua sincronicidade com a ciência? A resposta foi algo óbvio, que não exigiu esforço algum. Foi o Cristianismo”, declarou.

Apesar de sua convicção, Guillen evita o proselitismo. “Tenho plena consciência do profundo mistério que habitamos – e que nos habita –, portanto, há muito espaço para divergências”, ponderou.

Reconhecimento e gratidão

Refletindo sobre sua jornada, o físico concluiu: “Comecei a vida como ateu e, para minha surpresa, a ciência abriu meus olhos para a existência de Deus – eu jamais, nunca em um milhão de anos, esperaria que a minha amada ciência me levasse a essa conclusão.”

Ao relembrar a colega que o incentivou a ler a Bíblia e se render à fé cristã – identificada como Laurel –, ele expressou gratidão: “Se Laurel não tivesse entrado em minha vida, honestamente, não sei onde eu estaria; mas sei que não estaria aqui conversando com você. Eu provavelmente ainda seria aquele monge científico, trancado no porão de algum laboratório, em algum lugar.” Com: Daily Mail.

Bíblias de luxo: vendas crescem e viram hobby de colecionadores

As vendas de Bíblias de luxo registram crescimento nos últimos anos, com exemplares chegando a US$ 400, valor equivalente a R$ 2 mil na cotação atual. Varejistas e colecionadores relatam aumento na demanda desde o período da pandemia de Covid-19, com novos picos associados a acontecimentos recentes de grande repercussão.

Segundo informações publicadas pelo jornal The New York Times, embora a maioria das edições da Bíblia tenha preço inferior, versões consideradas de luxo têm ganhado espaço. Esses exemplares costumam apresentar encadernação em couro, acabamento refinado e elementos visuais mais elaborados.

Sky Cline, fundador do site EvangelicalBible.com e da editora Schuyler Bible Publishers, informou que as vendas começaram a crescer durante a pandemia e não apresentaram retração desde então. Ele afirmou que houve “um renascimento em todo o setor” e avaliou que o movimento reflete um afastamento de conteúdos considerados imediatos e superficiais.

Aplicativos digitais continuam populares, como o YouVersion, que alcançou 1 bilhão de instalações em novembro de 2025. Ainda assim, Cline afirmou que parte do público tem buscado edições físicas voltadas para uso prolongado.

Ele também declarou que a demanda por Bíblias tende a aumentar após eventos de grande impacto. Entre os exemplos citados estão tensões internacionais, como os conflitos envolvendo Irã e Ucrânia, e o assassinato do ativista Charlie Kirk.

Após a morte de Kirk, ocorrida em setembro de 2025 na Universidade Utah Valley, Cline afirmou que houve um “aumento enorme” nas vendas de Bíblias premium em seu site. Líderes religiosos também relataram crescimento na frequência a igrejas após o episódio, especialmente entre jovens adultos.

A produção de Bíblias de alta qualidade também tem avançado em outros segmentos cristãos. A organização católica Word on Fire lançou, em 2020, a série “Word on Fire Bible”. De acordo com informações divulgadas pela própria entidade, a edição intitulada “A Cathedral in Print” reúne obras de arte religiosa, comentários do bispo Robert Barron, textos de líderes cristãos antigos e análises de estudiosos contemporâneos. A série já ultrapassou 500 mil exemplares vendidos.

Colecionadores também contribuem para a expansão desse mercado. Blake Musick, de 38 anos, afirmou possuir cerca de 70 Bíblias, sendo aproximadamente metade de edições consideradas premium. Em fevereiro, ele adquiriu um exemplar da versão English Standard Version, com preço de varejo de US$ 299,99, por US$ 200 em uma negociação realizada pelo Facebook.

“Esta é realmente a palavra de Deus”, afirmou Musick. “Se é algo tão importante, por que não ter um exemplar realmente bonito?”.

Dados recentes indicam crescimento geral nas vendas de Bíblias. Nos Estados Unidos, cerca de 19 milhões de unidades foram vendidas em 2025, conforme informou Brenna Connor, diretora da Circana BookScan, em declaração à Publishers Weekly. Segundo ela, “2025 marcou o maior volume de vendas da Bíblia nos EUA em 21 anos”, com aumento de 12% em relação a 2024 e volume duas vezes maior que o registrado em 2019.

Connor afirmou que o interesse por conteúdo religioso está relacionado à busca por estabilidade. “O maior interesse por conteúdo religioso nos EUA reflete uma busca mais ampla por esperança e comunidade”, declarou. “Isso sugere que os consumidores estão cada vez mais recorrendo a recursos baseados na fé como âncoras de estabilidade e fontes de conforto em tempos incertos”.

No Reino Unido, levantamento da Sociedade para a Promoção do Conhecimento Cristão indicou aumento de 106% nas vendas de Bíblias, passando de £ 2,69 milhões em 2019 para £ 6,3 milhões no ano mais recente analisado. A tradução English Standard Version, publicada pela Crossway, foi apontada como a mais vendida.

O aumento nas vendas também ocorre em meio a discussões sobre participação religiosa, especialmente entre os mais jovens. Dados de mercado e relatos de líderes religiosos apontam maior interesse por conteúdos ligados à fé, acompanhado pelo crescimento na aquisição de exemplares da Bíblia.

Parlamentar diz que condenação é ‘recado’ para censurar cristãos

A parlamentar finlandesa Päivi Räsänen afirmou que sua condenação pelo Supremo Tribunal da Finlândia, relacionada à publicação de um panfleto de 22 anos atrás, teve como objetivo desencorajar manifestações públicas sobre temas ligados à moralidade sexual. Segundo ela, a decisão busca enviar um recado à sociedade sobre as consequências de expressar determinadas convicções.

“Acho que eles queriam encontrar algo para me incriminar, porque queriam dar um sinal à nossa sociedade sobre o que pode acontecer se você falar livremente, se expressar suas convicções sobre gênero e casamento”, declarou Räsänen após o julgamento, ocorrido na quarta-feira, 26 de março, quando o tribunal decidiu por 3 votos a 2 pela condenação.

Ex-líder do Partido Democrata Cristão da Finlândia e ex-ministra do Interior, Räsänen foi considerada culpada com base na legislação de discurso de ódio por ter co-publicado, em 2004, o panfleto intitulado Homem e Mulher Ele os Criou: Relacionamentos homossexuais desafiam o conceito cristão de humanidade. No material, a homossexualidade é descrita como um transtorno do desenvolvimento psicossexual.

Apesar de ter sido absolvida em duas instâncias inferiores, ela foi condenada com base no Capítulo 11 do Código Penal finlandês, que trata da incitação contra grupos minoritários. O tribunal reconheceu que o conteúdo não apresentava incitação à violência ou ameaças, mas determinou o pagamento de multa de € 1.800, equivalente a cerca de US$ 2.080, além da remoção e destruição de cópias físicas e digitais do panfleto, embora o conteúdo ainda permaneça disponível online.

O bispo Juhana Pohjola, da Diocese Evangélica Luterana da Finlândia, que participou da publicação do material, também foi considerado culpado por seu envolvimento na divulgação do panfleto.

A investigação que levou à análise do material de 2004 teve origem em denúncias relacionadas a uma publicação feita por Räsänen em 2019 nas redes sociais. Na ocasião, ela citou o trecho bíblico de Romanos 1:24-27 ao criticar a participação da Igreja Evangélica Luterana da Finlândia em eventos ligados ao orgulho LGBT.

Na época, ela questionou como uma instituição cristã poderia apoiar iniciativas que, segundo sua interpretação, estariam associadas a “vergonha e pecado”, apresentados como motivo de orgulho.

O Supremo Tribunal absolveu Räsänen da acusação referente à publicação de 2019, ao considerar que ela fundamentou sua opinião em texto bíblico. Após a decisão, a parlamentar afirmou que a promotoria optou por focar no panfleto de 2004 por considerar que seria mais viável obter condenação com base nesse conteúdo.

Segundo Räsänen, o livreto aborda a visão cristã sobre a sexualidade e o casamento. “Nesse aspecto, a homossexualidade é uma espécie de desordem desse propósito original de Deus, e foi por essa razão que a Suprema Corte me considerou culpada”, afirmou.

Ela acrescentou que o material apresenta interpretações baseadas em ensinamentos bíblicos. “Eu deveria ter dito que ser homossexual é normal, mas como o panfleto trata de ensinamentos bíblicos, de como Deus criou, planejou e idealizou a sexualidade, acho que é uma espécie de transtorno, se compararmos com o que Deus originalmente [pretendeu]”.

A parlamentar informou que pretende recorrer da decisão ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Ela também contestou parte das acusações feitas pela promotoria. “Por exemplo, o promotor alegou que eu disse que os homossexuais são inferiores às outras pessoas. Eu não disse isso. É mentira. Não consta no meu panfleto”, declarou ao The Christian Post.

Räsänen afirmou ainda que o conteúdo do panfleto defende a igualdade entre as pessoas: “Eu digo no panfleto que todas as pessoas são iguais. Deus nos criou à Sua imagem e semelhança, e somos iguais perante Deus, perante a Constituição e perante as leis”.

O caso gerou repercussão internacional e levantou debates sobre liberdade de expressão e liberdade religiosa. O conselho editorial do jornal The Washington Post criticou a decisão do tribunal finlandês e classificou o processo como uma forma de punição. Em análise publicada no mês anterior, o grupo afirmou que “o processo é a punição” e avaliou que a medida pode ter efeito intimidatório.

O editorial também destacou que ações desse tipo podem impactar o debate público. Segundo o texto, se medidas semelhantes forem aplicadas a figuras públicas, outras pessoas podem evitar expressar opiniões semelhantes em público.

Räsänen também participou, em fevereiro, de um encontro de oração no Museu da Bíblia, em Washington, D.C. Na ocasião, ela esteve nos Estados Unidos pouco antes de prestar depoimento ao Congresso sobre o que descreveu como aumento da pressão contra a liberdade de expressão na Europa.

México: evangélicos são grupo que mais cresceu na última década

O cenário religioso no México tem registrado mudanças ao longo da última década, com crescimento das igrejas cristãs evangélicas e redução relativa da presença católica em diferentes indicadores. Dados recentes indicam aumento nas solicitações de registro de novas associações religiosas, com predominância de grupos evangélicos nesse processo.

Informações da Secretaria de Gobernación (Segob) apontam que, nos últimos dez anos, foram registradas 1.873 novas associações religiosas no país. Desse total, 1.270, o equivalente a 69%, correspondem a igrejas cristãs evangélicas. Já as organizações católicas somaram 459 registros, o que representa 24% das solicitações.

Entre 2020 e 2021, houve queda no número de registros em razão da pandemia de Covid-19. A partir de 2022, os dados indicam retomada gradual. Em 2024, foram contabilizados 300 registros, o maior número da série histórica recente. Em 2025, o total caiu para 224 solicitações, mantendo, ainda assim, patamar superior ao observado em anos anteriores à pandemia.

No acumulado das solicitações mais recentes, as organizações evangélicas somam 1.081 pedidos, enquanto as católicas registram 420. Os números indicam participação majoritária das igrejas evangélicas no processo de formalização de novas entidades religiosas.

Atualmente, o México possui 10.568 associações religiosas registradas. Desse total, 6.724, ou 63%, correspondem a confissões cristãs não católicas. As associações católicas somam 3.756, o equivalente a 35% do total.

A distribuição dessas entidades apresenta concentração em alguns estados. Veracruz registra 779 associações, seguido pelo Estado do México, com 772, e Nuevo León, com 699. Também se destacam Tamaulipas, com 635, Chiapas, com 619, Coahuila, com 521, Guanajuato, com 478, Baja California, com 466, Jalisco, com 380, e San Luis Potosí, com 318 registros.

Dados do Instituto Nacional de Estatística e Geografia (Inegi) mostram mudanças no número de templos religiosos ao longo dos anos. Em 1992, a Igreja Católica contava com cerca de 46 mil templos no país. Esse número caiu para 36.500 em 2019 e para 35.900 em 2024.

No mesmo período recente, os templos cristãos evangélicos apresentaram estabilidade, passando de 52 mil em 2019 para 52.500 em 2024. Parte desses espaços corresponde a imóveis residenciais adaptados para atividades religiosas, o que indica modelos de funcionamento descentralizados.

O pesquisador Elio Masferrer informou que a Igreja Católica enfrenta escassez de novas vocações sacerdotais. Segundo ele, a média anual é de aproximadamente 250 ordenações, com tendência de queda. Atualmente, o país conta com menos de 13 mil sacerdotes em atividade.

De acordo com informações do portal Evangelico Digital, Masferrer afirmou que, diante dessa situação, a Igreja tem recorrido à incorporação de clérigos vindos da África e da Ásia para atender à demanda e manter o funcionamento de templos em diferentes regiões do país.